As nossas descobertas nesta investigação, que teve como objeto de estudo a Teoria da Atividade e sua contribuição na prática docente de uma professora de História, apontam para caminhos percorridos quanto à questão por nós formulada: A apropriação, pela professora de História, da Teoria da Atividade de A. N. Leontiev, se constitui numa perspectiva teórico-metodológica propiciadora de mudanças na sua prática docente?
Tentando respondê-la enveredamos pela relação teoria e prática desenvolvendo ciclos de estudos reflexivos e sessões reflexivas com a professora que leciona no 8o ano do Ensino Fundamental, da escola lócus de nossa pesquisa. A busca pelo aprimoramento da prática dessa docente esteve na tessitura dessa trajetória investigativa. Nesse percurso, a construção de informações, analisadas à luz do referencial teórico adotado, nos permitiu chegar a algumas constatações que consideramos pontuais apresentar.
No início do processo de investigação, quando realizamos a sondagem das necessidades formativas da professora, encontramos sua dificuldade de promover a participação do aluno na comunicação oral e de perceber tal dificuldade como sua. Algo que, durante o desenvolvimento da pesquisa, no estabelecimento da relação teoria e prática, foi sendo alterado, tanto no que se refere ao seu pensar como ao seu fazer.
Quanto ao seu entendimento sobre atividade de aprendizagem – apresentada no início da pesquisa, com características correspondentes à atividade de ensino – tivemos a oportunidade de, no decorrer dos estudos de fundamentação teórica sobre a Teoria da Atividade, lhe oportunizar refletir sobre ele e reconstruí-lo, o que resultou num entendimento enriquecido e consubstanciado nos aportes dessa teoria.
Constatamos que a partícipe demonstrou uma apropriação dessa teoria, soube relacioná-la à sua prática docente e percebê-la como importante na sua atuação, no desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem da História.
Mesmo com dificuldades, em alguns momentos, para compreender aspectos da teoria citada a professora conseguiu desenvolver uma reflexão crítica sobre essa teoria chegando a operar num outro nível de entendimento, ou seja, nomenclaturas científicas foram empregadas para expressar o conteúdo apreendido e ressignificado.
O cotidiano da prática docente se apresentou bastante fecundo para a reflexão que foi desenvolvida mostrando-nos que a realidade da sala de aula, às vezes obscurecida com a
trama que nela se instala, tem elementos prenhes de possibilidades de uma prática que se desvele contribuinte no processo de humanização dos homens historicamente situados.
No que se refere aos frutos das sessões reflexivas, numa relação com o que fora construído no desenvolvimento dos ciclos, a análise é reveladora de que um processo autoformativo sobre a prática pode acarretar um aprimoramento no pensar e no fazer docente. O engajamento da professora, nesse processo de reflexão, lhe proporcionou um grau de reflexividade e consciência que foi se desenvolvendo no transcurso da investigação permitindo-lhe dar saltos no entendimento e no exercício da sua prática docente.
As interações dialógicas que vivemos, concorreram para o desenvolvimento da nossa inter/intrasubjetividade, como partícipes, fazendo-nos ver o quanto é frutífero exercitar a relação teoria e prática em cuja reflexão crítica e co-partilhada fomos refutando a oposição entre o conhecimento teórico e o prático, num movimento de superação e mudança.
Entendemos que esse processo formativo, desenvolvido na e sobre a própria prática, permitiu que a professora se apropriasse de construções da Teoria da Atividade e aprimorasse a sua atuação, promovendo a participação do aluno na comunicação oral, favorecendo o seu desenvolvimento integral.
O professor, no seu trabalho cotidiano, está sempre diante de situações complexas para as quais precisa encontrar saídas criativas para facilitar a sua prática. E, essa prática pode ser fonte de desenvolvimento de uma teoria porque as necessidades práticas, que emergem na sala de aula, exigem aportes teóricos para ajudar a solucioná-las.
Ressaltamos que, do ponto de vista didático, a inter-relação Teoria da Atividade e História escolar, no desenvolvimento do processo de ensino e da aprendizagem dessa disciplina, ocorreu de forma pertinente possibilitando articulações de processos de didatização com uma configuração própria à singularidade da realidade investigada. A partícipe evidenciou uma autonomia didática, demonstrando sua capacidade de enfrentar o desafio que o processo de ensino e de aprendizagem da História lhe apresentava, referente à promoção da participação do aluno na oralidade.
Com o conhecimento ampliado, desenvolvido e concretizado no exercício da docência, base para uma nova síntese no plano do conhecimento e da ação, constatamos ainda, algumas necessidades e interesses apresentados pela professora, na perspectiva de aperfeiçoamento de sua prática, quais sejam: continuar se aprimorando no ouvir e respeitar mais as opiniões dos alunos, na forma de como ajudá-los no desenvolvimento do seu pensamento e de suas ações mentais, por meio do ensino de História.
Ter realizado esta pesquisa nos faz expressar, ainda, que o cotidiano escolar se revelou propício ao seu desenvolvimento de modo que pudemos contar com o apoio de todas as pessoas que precisamos envolver no andamento da investigação. Entretanto, foi preciso a aceitação de alguns desafios.
A organização do processo formativo da docente, nos ciclos de estudos reflexivos, foi um deles. A cada conclusão do estudo de um texto era preciso, para planejarmos o subsequente, considerarmos em que aspecto (s) a professora se encontrava avançando na sua aprendizagem para possibilitá-la avançar um pouco mais e em qual ou quais ela estava conseguindo pouco avanço que merecesse a nossa atenção. Como tivemos, na sua maioria, dois encontros por semana isso requereu, de forma muito próxima (em termos de tempo), fazermos as transcrições das informações gravadas em áudio e uma reflexão sobre elas.
Considerando que a pesquisa colaborativa privilegia processos de intervenção que visam à emancipação dos indivíduos que dela participam, foi desafiante, também, trabalhar com essa abordagem num prazo curto de tempo, como o reservado ao mestrado.
Quanto ao referencial teórico sobre a Teoria da Atividade, quando iniciamos a investigação, a sua busca gerou bastante inquietação por não encontrarmos uma produção vasta sobre essa teoria, no campo das ciências humanas e, mais especificamente, na área da educação e pelo fato, ainda, de vários livros que tratam sobre ela se encontrarem com edição esgotada. O que nos fez recorrer a alguns livros xerocados, escritos em espanhol, para ampliação do referencial existente em língua portuguesa.
Apesar desses desafios, chegamos ao fim desse trajeto acreditando que essa pesquisa oferece contribuições para os professores que trabalham com o ensino de História e para refletirmos sobre o processo formativo, contínuo dos professores que lidam não somente com a História escolar.
Diante das constatações e do que a análise suscitou, como necessidades de novas reflexões ressaltamos:
• A professora, necessita buscar se aprofundar sobre a Teoria da Atividade na perspectiva de aperfeiçoamento no desenvolvimento do seu pensamento teórico e da sua prática docente;
• Organizar atividades de ensino, fundamentada nessa teoria, que possibilitem ao aluno se apropriar da História escolar e a se desenvolver de forma plena.
Essas necessidades sugerem novos estudos, tanto no que se refere ao aperfeiçoamento na formação da professora como na operacionalização de uma prática em sala de aula, que favoreça aos alunos aprender História e se desenvolver com êxito.
Por fim, ressaltamos que essa pesquisa nos possibilitou superar a abstratividade inicial dando-lhe concretude. Para isso contamos, na tessitura do seu desenvolvimento, com a observância dos princípios da reflexão e da colaboração os quais contribuíram para constatarmos que um processo de investigação científica, por mais coerente que deva ser em relação à indagação inicial, implica uma permanente busca de referenciais que ajudem o (a) pesquisador (a) a organizar a multiplicidade de informações e (re)significá-las.
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