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Demokrasilerde Halka Karşı Sorumlu Siyasal Đktidar ve Özerk Üst

BÖLÜM 3: ÜST KURULLAR EKSENĐNDE TARTIŞMA ALANLARI

3.2. Bir Tercih Sorunu, Siyasetin Belirleyiciliği veya Özerklik

3.2.1. Demokrasilerde Halka Karşı Sorumlu Siyasal Đktidar ve Özerk Üst

Com relação às limitações impostas pelo aparato econômico, um dos grandes impasses reside na lógica própria de uma economia de mercado, em que os processos produtivos se pautam geralmente pela externalização dos custos sociais e ambientais e na internalização dos benefícios. Um outro aspecto que incrementa a complexidade na obtenção de perspectivas sustentáveis no cenário da economia de mercado é a hegemonia da produção e reprodução do capital em relação ao trabalho. Embora existam novos componentes nos processos produtivos buscando uma maior otimização na apropriação dos recursos materiais de que dispõem e uma crescente participação empresarial em atividades que têm sido difundidas sob a expressão de Terceiro Setor, a lógica predominante na economia de mercado permanece como um dilema a ser equacionado em relação às perspectivas de uma maior sustentabilidade socioambiental.

Uma das dificuldades em se obter um perfil da relação entre a economia de mercado e as perspectivas da sustentabilidade é a crescente incorporação do discurso ambientalista no “marketing” empresarial. A ambigüidade e a capacidade de reprodução de retóricas com apelo conservacionista ou mesmo de cunho do chamado “politicamente correto” têm sido uma constante no cenário mundial sem que com isso se alterem as condições concretas de reprodução do capital. Tudo se passa como se a ideologia capitalista fosse capaz de absorver novas modalidades discursivas que promovem uma aparente atmosfera progressista sem alterar as bases controvertidas das relações capitalistas de produção, consumo e trabalho.

Em relação a esta capacidade de manutenção do status quo, o advogado e planejador urbano Peter Marcuse, que faz parte da associação

a “sustentabilidade”. Em primeiro lugar, ele considera que a sustentabilidade não é uma meta, mas uma limitação, um constrangimento ou uma condição para se alcançar outras metas:

“Ninguém que esteja interessado em mudanças deseja sustentar as coisas como elas sejam no presente. Admitida como uma meta em si mesma, a ‘sustentabilidade’ só beneficia aqueles que já tenham tudo aquilo que desejem. Ela preserva o ‘status quo’, fazendo apenas as mudanças necessárias para a manutenção dessa mesma condição”

(MARCUSE, 1998).

Outros questionamentos de Marcuse dizem respeito à possibilidade de incorporação de determinados padrões ambientais pelo mercado, que passaria a negociá-los como mercadoria. Pessoas de diferentes estratos sociais acessariam de forma também diferenciada os ambientes mais bem ou mais mal qualificados:

“...a adoção de altos padrões ambientais aumenta os custos; alguém lucrará com a possibilidade de fornecimento desses padrões” (MARCUSE, 1998). Diante do

risco de ocorrência dessa mercantilização ambiental, esse autor ventila a possibilidade de serem encaminhadas soluções para os problemas físicos do meio ambiente tais como a degradação ambiental e o aquecimento global, por exemplo, sem que com isso se garantam mudanças socialmente justas.

Essas ponderações confirmam a necessidade fundamental de que a noção da sustentabilidade seja abordada de forma ampliada envolvendo os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais, sob pena de se reduzir a um mero verniz do status quo. Segundo o próprio MARCUSE (1998), não só as questões do longo prazo ambiental devem ser enfocadas, mas também determinados aspectos de curto, médio e longo prazos, tais como, “...a justiça

social, o desenvolvimento econômico, as relações internacionais, a democracia, o controle democrático sobre as mudanças tecnológicas e a globalização”. Ou seja,

as questões do longo prazo ambiental são conectadas e interdependentes das demais dimensões em suas condições atuais e do delineamento das suas perspectivas futuras.

Uma outra abordagem crítica que tangencia o objeto deste trabalho é colocada por NAREDO (1999) ao discutir a viabilidade de implementações de

sistemas de indicadores para direcionar as gestões públicas. Alega que as dificuldades maiores não residem nos aspectos conceituais ou estatísticos que seus projetos exigem, mas nos problemas institucionais que impossibilitam a sua adequada utilização, alegando que:

“ Não cabe modificar o modelo atual de urbanização dominante com simples planejamentos técnicos e científicos, se não se modificar também o ‘status quo’ mental e institucional que o gerou. A racionalização dos problemas é condição necessária mas também requerem transformações nas atitudes e nas instituições, suficientemente capazes de fornecer os meios para resolvê-los”.

Nesta mesma linha de questionamentos MILGROM (1998), professor da York University de Toronto, pondera que, se as abordagens fossem feitas de uma forma verdadeiramente holística, o planejamento e o projeto de sociedades sustentáveis seriam um “projeto de emancipação”.

Por vezes considerado como condição, outras como perspectiva, até mesmo como utopia, o termo “sustentabilidade” tem tido sua utilização passível de inúmeras críticas, seja por trazer embutido um oxímoro, seja por se limitar às questões puramente ecológicas ou mesmo pelos constrangimentos impostos pelas dimensões políticas, sociais e econômicas. No entanto, ele pode ser adotado como uma condição qualitativa balizadora de indicadores e capaz de orientar o delineamento desse instrumental de políticas urbanas. A investigação aqui em desenvolvimento coloca-se, desta forma, diante do desafio de estabelecer algumas pontes que interliguem um universo conceitual em construção com uma possível operacionalização de princípios aplicáveis ao meio urbano. A discussão realizada sobre os denominados matizes e controvérsias desse referencial, bem como a abordagem de suas principais perspectivas e limitações, buscou subsidiar a elucidação das questões principais que norteassem a elaboração de alguns princípios básicos da sustentabilidade a serem adotados no escopo deste trabalho.

Capítulo 4