BÖLÜM 2: TÜRKĐYE’DE ÜST KURUL UYGULAMALARI
2.4. Üst Kurullar Kanun Tasarısının Getirdiği Yenilikler ve Tasarının Eleştirisi
Um aspecto importante no tratamento das idéias sobre a sustentabilidade foi a busca de uma melhor compreensão de sua abrangência, na medida em que a elucidação dos fenômenos complexos por ela tratados exige o
suporte de diferentes áreas do conhecimento. Esse ponto tem se colocado como uma condição básica para a consideração de suas implicações, como meio de garantir a sua necessária amplitude de abordagem. Algumas teorizações desempenharam um papel relevante na formulação de propostas caracterizadas pelo tratamento pluridimensional, que permite a ampliação dos aspectos considerados tradicionalmente. Entre elas, merece ser destacada a contribuição do denominado ecodesenvolvimento. As proposições resultantes dessa corrente de pensamento configuram-se como mais uma teorização que emergiu desse cenário de busca de alternativas ao desenvolvimento tradicional, que prioriza a eficiência econômica destinada à acumulação do capital, gerando externalidades negativas ao meio socioambiental. No entanto, o ecodesenvolvimento apresenta algumas especificidades em suas proposições, que o destacam das demais e que merecem, portanto, ser mais bem investigadas.
Em primeiro lugar, ele nasceu como uma proposta de atuação desenvolvimentista para as áreas rurais do Terceiro Mundo. Segundo muitos autores, essa proposição, bem como a sua denominação original, foi lançada pelo canadense Maurice Strong em 1973 e preconizava uma utilização cuidadosa dos recursos naturais, por meio de soluções endógenas, desprovidas da ilusão de um crescimento mimético. Com a Declaração de Cocoyok no México em 1974, as cidades do Terceiro Mundo também passaram a ser enfocadas dessa maneira (BRÜSEKE, 1996; LAYRARGUES, 1997). No entanto, para Godard, uma primeira referência ao denominado ecodesenvolvimento já havia ocorrido em 1972 em uma proposta do Secretariado Geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente. Segundo esse autor, posteriormente essa idéia teria sido desenvolvida e fundamentada por pesquisadores como Strong, Sachs entre outros,
“...que nela encontravam uma referência útil ao esforço de questionamento das estratégias de desenvolvimento econômico, em particular no contexto dos países em desenvolvimento” (GODARD,
1997, p. 204).
Independentemente da origem exata de sua denominação, esse início de trajetória, ainda nos anos 70, distingue o ecodesenvolvimento de outras proposições, na medida em que, já naquela época, adotava o pressuposto básico de
que os modelos de ações implementadas deveriam corresponder às especificidades dos contextos locais. Na década de 80, o economista Ignacy Sachs, baseado nas proposições de Maurice Strong, desenvolveu a sua concepção do ecodesenvolvimento ampliando-a para as áreas urbanas. Essa nova abordagem de Sachs utilizou a seguinte definição:
“...desenvolvimento endógeno e dependente de suas próprias forças, submetido à lógica das necessidades do conjunto da população, consciente de sua dimensão ecológica e buscando estabelecer uma relação de harmonia entre o homem e a natureza” (SACHS, 1986).
Essas proposições de Sachs se basearam em um tripé de considerações, constituído pela eficiência econômica, pela justiça social e pela
prudência ecológica. Segundo o autor, essas condições deviam ser garantidas
visando-se uma solidariedade sincrônica, reportando-se às gerações presentes e uma solidariedade diacrônica, em relação às gerações futuras (SACHS, 1996, p. 10). Essas alusões à dimensão do tempo em relação às gerações remetem também ao conceito difundido pelo Relatório Brundtland para o desenvolvimento sustentável.
Uma das importantes contribuições de Sachs em sua concepção sobre o ecodesenvolvimento foi a percepção de que um dos fatores inerentes à sustentabilidade seria seu amplo grau de abrangência em todos os setores das atividades humanas. Nessa linha de abordagem, propôs a sistematização de algumas dimensões principais para a sustentabilidade com o intuito de orientar uma análise ou uma intervenção em uma determinada atividade:
Sustentabilidade Econômica: considerou que a eficiência econômica deveria ser medida em termos macrossociais e não através de critérios microeconômicos de rentabilidade empresarial; Sustentabilidade Social: preconizou uma civilização com maior
equidade na distribuição de rendas e bens, reduzindo o distanciamento e as discrepâncias entre as camadas sociais;
Sustentabilidade Ecológica: seria obtida através da racionalização do aporte de recursos, com a limitação daqueles esgotáveis ou
danosos ao meio ambiente; redução do volume de resíduos, por meio da conservação de energia e práticas de reciclagem; pesquisas em tecnologias ambientalmente mais adequadas e implementação de políticas de proteção ambiental;
Sustentabilidade Geográfica ou Espacial: propôs uma configuração rural-urbana mais equilibrada, com a redução de concentrações urbanas e das atividades econômicas; considerou também a proteção de ecossistemas frágeis, a criação de reservas para proteção da biodiversidade e a prática da agricultura e agrossilvicultura com técnicas regenerativas e em escalas menores; Sustentabilidade Cultural: considerou a importância das raízes
endógenas, admitindo soluções que contemplassem as especificidades locais do ecossistema, de forma que as transformações estejam em sintonia com um contexto que permita a continuidade cultural (SACHS, 1997, p. 474, 475).
A particularidade dessa sistematização das dimensões apontadas por Sachs é a sua abrangência de interações, embora, nessa listagem original, esteja ausente a consideração de uma dimensão política. Essa multiplicidade de abordagens permite uma flexibilidade de tratamento, podendo-se inclusive incorporar novas dimensões que sejam exigidas pelo problema em questão. A noção de sustentabilidade, sob o prisma de múltiplas dimensões e produzindo distintas inserções temáticas, tem uma significativa relevância para as formulações de indicadores urbanos. É sob essa consideração que têm se pautado inúmeras proposições que classificam os indicadores em ambientais, sociais, econômicos, institucionais, culturais etc.
Acrescentem-se a esses elementos pluridimensionais os ingredientes fornecidos pelos pressupostos iniciais do ecodesenvolvimento de busca de soluções endógenas e se obterá um quadro de abrangência tal que atenda, por um lado, às diferentes dimensões de abordagem, e por outro, às características dos contextos específicos.
Essas considerações têm se refletido nas inúmeras experiências regionais que têm sido praticadas na implementação das Agendas 21 locais, objetivando contemplar as suas peculiaridades ambientais, sociais, econômicas, tecnológicas, políticas e culturais, principalmente nos países desenvolvidos. De acordo com CRESPO (1998), embora em todo o mundo se esteja desenvolvendo estes trabalhos, existem diferenças qualitativas e quantitativas nas formas como eles têm ocorrido nas nações mais ou menos desenvolvidas. No aspecto quantitativo tem-se uma predominância no número de implementações que vêm ocorrendo nos países mais ricos. Com relação ao aspecto qualitativo existem diferenças nas escalas dimensionais das localidades, de tal modo que
“Contrariamente ao que vem ocorrendo na Europa e EUA, onde as cidades que fizeram suas agendas locais foram principalmente as de porte médio e pequeno, no Brasil foram curiosamente os municípios grandes, complexos e capitais dos estados...Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Curitiba, Vitória, Angra dos Reis e Porto Alegre”
(CRESPO, 1998, p. 11).
Também no documento que a CEPAL - Comissão Econômica Para a América Latina fez em 1990, em parceria com o BID - Banco Interamericano do Desenvolvimento e o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, denominado Nuestra Propia Agenda sobre Desarollo y Medio
Ambiente, explicitou-se a importância de desdobramento das agendas ambientais
globais para os diversos níveis regionais, dos supranacionais aos locais. Esse documento foi estruturado em argumentações baseadas nos seguintes enunciados:
“reconhecer a existência de um considerável patrimônio de
recursos naturais capaz de garantir o desenvolvimento da região;
constatar o caráter problemático do modelo de desenvolvimento
econômico adotado na região;
apontar as mazelas do desenvolvimento da região como sendo as
precárias condições de saúde da população, a pobreza e a miséria de uma grande parte da população;
finalmente, a necessidade de se definir a nossa própria agenda
para o desenvolvimento, cujo centro é a construção de um projeto de desenvolvimento sustentável” (PAULA et al., 1997, p. 209).
Por esses pontos abordados no documento da CEPAL/BID/PNUD, enfatiza-se a problemática condição de vida de parcelas significativas das
populações latino-americanas ao lado de um potencial de desenvolvimento baseado em seus respectivos recursos locais. Essa relação atribui uma inquestionável importância ao fomento de modelos de implementação de ações fundamentadas nas condições endógenas de cada um desses países.
No Brasil, a elaboração da Agenda 21 nacional tem sido realizada por meio de uma ação conjunta que envolve o Projeto PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Ministério do Meio Ambiente e diversas instituições e consórcios que se distribuíram tematicamente para o desenvolvimento de proposições. Esses trabalhos enfocam seis aspectos: Cidades
Sustentáveis; Agricultura Sustentável; Infra-Estrutura e Integração Regional; Gestão de Recursos Naturais; Redução das Desigualdades Sociais; Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Sustentável. Dentro do tema mais pertinente ao
objeto da presente pesquisa, “Cidades Sustentáveis”, os trabalhos estão sendo dirigidos pelo “Consórcio Parceria 21” e buscam subsidiar a formulação da Agenda 21 brasileira com propostas que introduzam a dimensão ambiental nas políticas urbanas (PARCERIA 21 – IBAM/ISER/REDEH, 1999, 2000).
Cabe destacar que esse documento que enfoca as cidades também emprega uma visão pluridimensional, adotando duas noções chaves para este tema: a de sustentabilidade ampliada e a noção de sustentabilidade progressiva. Na primeira, refere-se à sinergia que deve existir entre as dimensões ambiental, social e econômica do desenvolvimento. Com a segunda, busca tratar a sustentabilidade não como uma utopia, mas como um processo pragmático de desenvolvimento sustentável. Nesse quadro de considerações, distingue quatro dimensões básicas: a ética, a temporal, a social e a prática, indicando “critérios e
vetores de sustentabilidade, paradigma e produto do desenvolvimento sustentável a ser incorporado pela esfera pública, estatal e privada” (PARCERIA 21 –
IBAM/ISER/REDEH, 1999).
Na conjunção das abordagens pluridimensionais que incorporam os contextos físicos e sociais das especificidades de nível local ou mesmo nacional, configuram-se fatores essenciais na busca de formulação de estratégias e proposições para a sustentabilidade urbana. A interação entre essa pluralidade de
aspectos e a implementação prática das políticas delineadas exige uma abrangência, que é de caráter multidisciplinar. Essa demanda pela conjugação de diferentes áreas do conhecimento se constitui em um fator que tem sido objeto de debate, de tal forma que, para efeito desse trabalho, requer uma melhor compreensão dos desafios que representa.
1.3.
P
ERSPECTIVAS DE UMAI
NTERDISCIPLINARIDADEA abordagem de objetos de estudo complexos, que exigem o envolvimento de muitas especialidades do conhecimento, tem levado alguns cientistas a investigarem as relações decorrentes dessa multiplicidade, principalmente mediante os novos questionamentos e desafios surgidos nas últimas décadas. A busca do saber a partir de determinados problemas, inacessíveis aos setores de conhecimento isoladamente, tem necessitado da cooperação entre diferentes disciplinas. O meio ambiente em geral - e o urbano especialmente - assim como as questões a eles relacionadas, colocam-se dentro desta perspectiva.
As diferenças existentes entre os métodos, os instrumentos de análise, a linguagem e os conceitos específicos de cada disciplina têm se constituído em uma das principais dificuldades para se operacionalizar efetivamente a integração e a interação entre as mesmas. A superação dos paradigmas monodisciplinares no tratamento das questões ambientais, segundo PAULA et al. (1997, p. 203), só é possível,
“...por meio de um sistemático esforço de construção de perspectivas interdisciplinares, que signifiquem, efetivamente, interação e partilhamento, socialização de linguagens, conceitos, métodos, perspectivas entre as ciências sociais e humanas e as ciências físicas e da vida, e que deve ter como ponto de partida a busca de referenciais e categorias filosóficas comuns coerentes”.
Para esses autores, tal desafio exige um esforço coletivo para que possa ser enfrentado, devendo necessariamente incorporar diferentes instituições
de ensino e pesquisa, o Estado em todas as suas instâncias de poder, bem como a sociedade civil organizada.
A construção de procedimentos interdisciplinares já era vista nos anos 70, por alguns autores como COUJARD, citado por GODARD (1997, p. 345), como o início de uma nova disciplina, “... a pré-história de uma disciplina nova,
o processo de sua constituição, isto é, sua fase pré-científica.” Outros a
consideram como uma “ciência de processo”, ou ainda, uma “ciência horizontal” (MATUS, 1998). Esta se apropriaria dos conhecimentos das “ciências
verticalizadas” e teria como produto o estabelecimento de processos e métodos de
alcance geral, com flexibilidade suficiente para se constituírem como interligadores e transcodificadores entre as disciplinas.
Contudo, são polêmicas as considerações quanto à viabilidade de uma perspectiva interdisciplinar e um dos aspectos mais importantes dessa controvérsia reside justamente na crítica a uma suposta superficialidade existente nesse tipo de abordagem. Este recorte horizontal, no entanto, tem duas características, que são essenciais ao conhecimento: a primeira refere-se ao seu papel de complementação e, a segunda, ao seu papel de integração entre os objetos e os temas da ciência. Ou ainda, conforme PAULA et al. (1997, p. 216):
“Não há incompatibilidade entre interdisciplinaridade e aprofundamento vertical do conhecimento senão que quanto mais se aprofunde o conhecimento de um objeto mais imperiosa se faz a busca das inter-relações, da globalidade do fenômeno”.
É possível que essa afirmação se caracterize por uma ênfase excessiva em relação à obrigatoriedade de interações interdisciplinares nas pesquisas mais especificamente aprofundadas. O que se constata na prática é que nem sempre o teor desse enunciado se faz verdadeiro. Essas divergências poderão ser eventualmente atenuadas quando houver uma melhor percepção, por parte dos defensores de uma ciência purista, de que as interações disciplinares não significam uma limitação ao exercício pleno de cada uma delas isoladamente, principalmente nos casos em que o objeto de investigação assim o exigir. O essencial é a possibilidade de contribuição que uma pluralidade de abordagens signifique para a construção de uma estratégia que incorpore o diálogo, que some
os conhecimentos e as experiências especializadas, que facilite as discussões dos problemas comuns e que promova a superação das dificuldades inerentes aos objetos complexos.
Alguns autores têm elaborado proposições que estabelecem diferentes níveis de compartilhamento entre as disciplinas. Nesse sentido, GODARD (1997, p. 336, 337) cita DI CASTRI ao se referir a possíveis conjunções disciplinares, de acordo com seus graus de interação e integração. Desse modo, puderam ser sistematizadas e classificadas em cinco níveis de articulação distintos:
Multidisciplinaridade: configura uma situação em que diversas disciplinas se envolvem, porém, sem a ocorrência das suas respectivas interações;
Pluridisciplinaridade: nessa situação existem algumas interações mas sem uma coordenação entre elas;
Interdisciplinaridade unidirecional ou cruzada: nesse caso as interações e a coordenação existem mas se pautam pelas determinações de uma só disciplina;
Interdisciplinaridade finalizada: aqui as interações e a coordenação se definem pela natureza da complexidade do problema em questão; Transdisciplinaridade: finalmente nesse caso, as interações não se
fazem somente entre disciplinas mas também entre os diferentes atores sociais envolvidos, sejam eles os planejadores, sejam os administradores ou mesmo as populações locais.
Para outros autores, a abordagem dos temas ambientais representa um desafio maior que a busca de uma articulação interdisciplinar viável que supere o reducionismo e a fragmentação vigentes. Quando se trata de investigações que envolvem o sistema ambiental, ponderam que o reconhecimento da dinâmica e da complexidade dos ecossistemas implica em “...construir uma ciência cuja base
seja a incerteza e que aceite uma pluralidade de perspectivas como legítimas”
diferentes atores sociais e os diversos campos do conhecimento, estabelecendo uma dinâmica complementar ao invés de excludente, conforme segue:
“A única forma de resolver o impasse introduzido pela ciência tradicional (que frente ao conflito de opiniões, foge em direção de um maior reducionismo técnico) é fazer com que a avaliação dos ‘inputs’ científicos para a tomada de decisões políticas seja realizada em um espaço comunicativo ‘democrático’, integrado não apenas pelo governo e por cientistas e técnicos, senão também por representantes da sociedade civil, incluindo tanto organizações não-governamentais (ONGs) e movimentos sociais e culturais, como setores empresariais”
(LEIS, 1997, p. 232).
Essas considerações revolvem as concepções tradicionais de construção do conhecimento científico e abrem um flanco para o questionamento das relações convencionalmente estabelecidas entre a ciência e a sociedade. E ao se admitir essas colocações e a sistematização e classificação de Di Castri, sugere- se que a adoção da transdisciplinaridade estaria contemplando, de forma mais ampla que a interdisciplinaridade, a abrangência do foco de investigação tratado nessa pesquisa.
Os geógrafos CLEVELAND & RUTH (1997, p. 158) apontam como um dos desafios a serem enfrentados nas abordagens de questões ambientais e de sustentabilidade, a formação de pesquisadores habilitados a tratar com essas temáticas. Sugerem que se deva contemplar a formação de cientistas que, além de seu campo específico de investigação, “... tenham familiaridade com os conceitos
básicos e as ferramentas analíticas usadas em modelos econômicos e biofísicos”.
Também para RATTNER (1992, p. 33), especialmente nas questões que envolvam a perspectiva da sustentabilidade, é imprescindível que haja interações entre as esferas do conhecimento:
“O desenvolvimento sustentável – única forma racional de organização social e de garantia de sobrevivência da espécie humana – não poderá ser alcançado por abordagens e conquistas isoladas nos diversos campos de ciência e tecnologia (astrofísica, engenharia genética, química etc), mas exige esforços interdisciplinares, dentro de uma visão sistêmica e integrada”.
Os reflexos dessas considerações nas discussões das formas de gestão, nos equacionamentos das políticas urbanas e nas estratégias de abordagem dos
problemas das cidades contemporâneas podem ser evidenciados na busca de uma visão mais holística das questões que as envolvem. Insere-se, assim, a importância da interação entre o espaço social construído e o seu suporte natural, envolvidos em uma abordagem que se paute por uma abrangência maior de apreensões conforme acentuado nesse texto de GRIMBERG (1994, p. 3):
“O que tem se apresentado como inovador, nos últimos anos, é o tratamento destas questões específicas de forma integrada e sistêmica, tendo a dinâmica urbana como eixo de referência...o enfoque do sistema urbano como parte do ecossistema global coloca em pauta a discussão de como garantir o desenvolvimento urbano sustentável. Essa visão, muito embora venha ganhando maior espaço, ainda deverá passar por um intenso embate com a concepção mais tradicional de desenvolvimento urbano, que trata a realidade de forma setorizada e fragmentada”.
Essas considerações sobre o desenvolvimento sustentável e seus reflexos, tanto na espacialidade do meio urbano como nas especificidades das relações econômicas, sociais, políticas e ambientais, demandam que se amplie o seu universo de discussão para um campo que é interdisciplinar como meio de se obter os seus referenciais de forma mais depurada. Para que isso ocorra, é também necessário que se desenvolvam propostas de ações práticas que possam ser discutidas e balizadas enquanto parte de um processo maior a ser construído socialmente.
No contexto específico desse trabalho, a complexidade dos aspectos envolvidos no objeto de estudo em questão - os indicadores de sustentabilidade urbana - requer uma abordagem cooperativa entre diferentes disciplinas. O futuro desenvolvimento investigativo das interações propiciadas pelo recorte desse trabalho não poderá prescindir da contribuição das várias áreas de conhecimento que estudam, intervêm e atuam nas cidades, cada uma delas encarregada de investigá-la sob determinado aspecto. Dessa forma, nesse universo de imbricações, pretende-se desenvolver o levantamento e ordenamento das interfaces possíveis entre princípios de sustentabilidade e os indicadores urbanos.