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ORHAN PAMUK’UN ESERLERİNDE METİNSEL-AŞKINLIK BİÇİMLERİ Metinlerarası yönelimli bir yazar olarak Orhan Pamuk’un romanları, Doğu ve

1. Metinsel-aşkınlık Bakımından Orhan Pamuk Edebiyatı

2.3. Ana-Metinlerin Ciddi Düzende Dönüşümü

2.3.2. Anlamsal (İzleksel) Dönüşümler

Fundado no princípio da segurança jurídica, a lei não pode retroagir ao passado, para, por exemplo: alterar relações jurídicas já constituídas pela existência de um fato subsumido a uma determinada norma, ou mesmo criar uma nova relação jurídica não existente naquela data pela inexistência de lei.

Segurança dá previsibilidade nas relações. Se no momento da ocorrência de um fato não havia um mandamento jurídico que obrigasse determinada conduta, esse específico fato não se tornou jurídico e não poderá se tornar jurídico posteriormente.

A retroatividade somente serve para benefício da pessoa, e não que lhe traga ônus adicional. A irretroatividade funda-se na perpetuidade do direito adquirido, o ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Dada, então, a cristalização de um direito, uma alteração legislativa somente teria o condão de resvalar seus efeitos para os fatos de futura ocorrência.

No caso de fatos colhidos por lançamentos tributários, estes se reportarão às leis daqueles períodos, não importando se a relação material estabelecida entre a base de cálculo e a alíquota fosse maior ou menor do que no momento do lançamento.

O que determinará a incidência são as normas no fato, ou seja, a lei que esteja pronta para propagar seus efeitos. Cabe, portanto, melhor explorarmos a questão do direito no Tempo.

A incidência do tributo está sempre condicionada a um período demarcado para sua ocorrência. Isso por uma questão lógica. Se não houver demarcação, um fato nunca se completa.

Todos os tributos têm necessidade de uma demarcação temporal, e dentre eles as complexidades são as mesmas. O limite temporal de Imposto de Renda é trimestral, mas pode ser anual e era mensal até 1996. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias – ICMS possui como limite temporal as operações ocorridas dentro de um determinado mês e assim por diante.

No primeiro tributo, como o conceito é, em regra geral, a apuração pelo lucro real, a determinação do momento de incidência é a ocorrência de disponibilidade jurídica de renda. Ou seja, baseia-se na ocorrência de negócios jurídicos, sem que haja necessidade da geração de recursos financeiros disponíveis.

Qualquer que seja o momento hipotético da incidência, será sempre uma decisão política que foi tomada de forma a melhor acomodar os interesses do Estado e dos particulares.

Analisemos o aspecto temporal do Imposto de Importação. O legislador definiu tal critério pelo desembaraço aduaneiro. Isso porque é de difícil controle no exato momento da entrada do produto nas linhas demarcatórias do Estado brasileiro, portanto a definição de outro critério que auxilie.

Recorremo-nos às notas de Ricardo Mariz de Oliveira, o qual explica em que momento dá-se o nascimento da obrigação tributária:

Então o que ocorre hoje é o seguinte:

- sob a estrita observância do inciso I do parágrafo 2º do art. 153 da Constituição, o fato gerador e a respectiva base de cálculo devem englobar, para uma tributação progressiva e geral, a universalidade de fatores positivos e negativos de mutação da universalidade patrimonial do contribuinte dentro de um período de tempo fixado pela lei;

- sob a estrita observância do art. 43 do CTN, que tem fundamento de validade na letra "a" do inciso III do art. 146 da Constituição, somente podem ser incorporados a essa universalidade de mutação patrimonial, como fatores positivos, as rendas e os proventos cujas disponibilidades econômicas ou jurídicas tenham sido adquiridas dentro desse mesmo período de tempo.

Sendo assim, o art. 43 continua a ter sua validade e continua a ter que ser respeitado em todo e qualquer caso, amoldando-se ao inciso I do parágrafo 20 do art. 153 porque não apresenta qualquer colidência com ele.53

Sendo assim, como o Imposto de Renda está sujeito ao princípio da anualidade, a publicação de uma lei que venha alterar a sua incidência somente alcançará os fatos posteriores ao ano de sua promulgação. Entendemos que tal entendimento contrasta com a Súmula 584 do Supremo Tribunal Federal.

Se tal princípio não for respeitado, acabará por ferir a segurança jurídica, pois a norma hipotética ainda não tem validade e vigência para os fatos ocorridos dentro de um ano calendário caso houver norma nova publicada para o ano da entrega da declaração.

"“b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;”54

53 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008 p. 325. 54

Trata-se, aqui, do princípio da anterioridade. Essa anterioridade tem como fundamento oferecer ao contribuinte um mínimo de previsibilidade em suas atividades. Isso porque a lei somente pode viger no ano posterior ao de sua publicação.

Adequada a ponderação de Roque Antonio Carrazza, que transfere os efeitos da vigência para o ano posterior, e não o dia posterior, sabendo-se que diversas leis são aprovadas no último dia do ano com sua vigência para o dia primeiro do ano posterior, ou seja, entre a publicação e a sua vigência tem o contribuinte apenas um dia para organizar adequadamente seus negócios.

Isso é inadequado ao sistema que tem como fundamento a segurança, a previsibilidade dos seus atos. Deve o administrador prever com certo grau de segurança os resultados da empresa, uma vez que serão estes que nortearão os acionistas e os usuários dessas informações para a tomada de decisão.

O princípio implícito que o bem público sobreleva o interesse individual cai por terra, dado que em se alterando as regras tributárias no último dia do ano os resultados propostos pela empresa nos últimos dias do ano estarão comprometidos, tendo influenciado no processo de tomada de decisão de todo o mercado, bancos e fundos de previdência.

Assim, não comporta esse imediatismo um princípio que determine os efeitos da lei somente para o ano calendário posterior, quando o normativo é publicado no último dia do ano. Daí que a prescrição contida na Emenda Constitucional 42 é um avanço na questão da segurança jurídica.

“c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)”55

55

Trata-se da anterioridade nonagesimal que o poder legislativo ordinário deve observar para criar ou aumentar os tributos. É uma garantia adicional designada ao contribuinte em função dos excessos cometidos por esse legislador no passado.

De forma resumida, então, a segurança jurídica traz previsibilidade às relações jurídicas, o que permite aos tutelados de um sistema a possibilidade de organizar seus negócios sem surpresas desagradáveis.

Adicionalmente, cabe um rápido comentário sobre a possibilidade de o legislador alterar as regras tributárias no curso do período. A Constituição Brasileira apresenta no § 1º do artigo 150 a seguinte dicção:

§ 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)56

Ao mesmo tempo em que a Emenda inseriu restrições à aplicação do princípio da anterioridade, positivou exceções. Algumas delas, de todo adequadas, como a retirada do artigo 148, I, do regime da anterioridade. Isso porque tal comando representa gasto extraordinário urgente; não poderia subsumir-se o período de tempo. O gasto deve ser imediato, o que mesmo assim não ocorrerá, pois requererá um processo próprio de instituição e arrecadação.

Por outro lado, entendemos que cometeu um erro em não excetuar o IPI da lista, pois tal tributo tem, também, função de controle econômico atuando como freio ou acelerador da economia, dado que incide sobre os produtos industrializados. Ocorre que tal tributo não estava excepcionado nesse parágrafo e foi mantida a regra pela Emenda Constitucional 42/03.

Na segunda parte do parágrafo 1º, temos as normas que não estariam vinculadas ao novo regramento instituído na letra c, que trata sobre a anterioridade

nonagesimal. Ocorre que o legislador inseriu, também, além daqueles tributos que possuem como natureza regulatória, como os Impostos de Importação, Exportação e os Impostos sobre Operações Financeiras (II, IO e o IOF), como exceção o Imposto de Renda (IR).

É de se notar que a não vinculação do IR facilita a atividade do legislador, que continuará podendo alterar as alíquotas desse imposto tendo vigência para o ano calendário posterior à sua publicação.

De resto, também excluiu do regime da anterioridade nonagesimal o IPTU e o IPVA, os quais não são importantes neste estudo.

De forma geral, percebemos, então, que o legislador originário determinou que fossem respeitadas as garantias do contribuinte de forma que os tributos não retroagissem, menos ainda fossem cobrados no mesmo ano de sua publicação, com exceção àqueles que têm sua natureza fundamentada fortemente na extrafiscalidade.