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ORHAN PAMUK’UN ESERLERİNDE METİNSEL-AŞKINLIK BİÇİMLERİ Metinlerarası yönelimli bir yazar olarak Orhan Pamuk’un romanları, Doğu ve

1. Metinsel-aşkınlık Bakımından Orhan Pamuk Edebiyatı

2.3. Ana-Metinlerin Ciddi Düzende Dönüşümü

2.3.3. Anlamsal Dönüşüm Yöntemleri

Vale, então, debruçarmo-nos um pouco mais profundamente na questão da capacidade contributiva, por ser tema relevante na conformação do Imposto sobre a Renda.

Desde a instituição do primeiro tributo, esse princípio, desdobramento da igualdade, tem sido considerado para delimitação do quantum a ser retirado dos indivíduos para suprir o caixa público.

A questão é complexa, pois qualquer tributo deve levar em consideração a capacidade que o cidadão possui para contribuir com a coletividade. Indiferentemente da base de riqueza tratada, sejam os direitos sobre bens, sobre produto, sobre mercadorias, esse princípio deverá tomar em conta o titular do bem, do produto ou da mercadoria, de forma que este contribua sempre, nos limites das suas possibilidades.

A capacidade contributiva tem como fundamento impor àquele contribuinte a obrigação de contribuir por meio de pagamento de tributo. O Imposto de Renda, como os demais, subordinam-se a esse princípio nos termos do artigo 145 da Constituição Federal.

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

§ 1º – Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.59

59

A capacidade contributiva advoga para que somente sejam alcançados pelo tributo aqueles contribuintes que possuam capacidade de suportar carga tributária, portanto, principalmente no caso do tributo sobre a renda, há necessidade de algum incremento patrimonial para que parte disso seja compulsada ao poder público. A aplicabilidade desse princípio, no que toca a operações comerciais, fica um pouco prejudicada em função da dificuldade/interesse que a administração pública tem de dosar as alíquotas em função da capacidade contributiva tanto do comerciante quanto daquele que adquire a mercadoria. É perceptível que o custo tributário em uma mesma mercadoria possui reflexos distintos no bolso do consumidor de acordo com a sua capacidade econômica.

Não temos a pretensão de exaurir o tema, principalmente com relação a outros produtos, sendo assim não nos alongaremos na análise desse princípio quando relacionado a outros tributos que não sejam os sobre a renda.

Entendeu, então, Ruy Barbosa Nogueira, quando trata da aplicação do princípio da capacidade contributiva, como forma de determinar os limites possíveis de abrangência do Imposto de Renda.

Todavia o mesmo CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, no momento de disciplinar o fato gerador do imposto de renda, incluiu para os efeitos da incidência como renda tributável “o produto do trabalho” como os “proventos de qualquer natureza” (art. 43, I e II). É certo que “determinados créditos decorrentes da legislação do trabalho” ao serem recebidos incidem no imposto. Mas a tributação da renda do trabalho ou de proventos incide em função da capacidade contributiva que também é critério de justiça social.60

A capacidade contributiva encontra-se em cada detalhe do Imposto de Renda; seja na entrada dos recursos, seja em sua saída. Aquele que recebe mais deve contribuir mais e, ao mesmo tempo, o indivíduo que necessita de mais recursos para sobreviver deve contribuir menos. A progressividade do Imposto de Renda terá esta

função: realçar ainda mais aqueles que, em algum período de tempo, realizaram aumentos patrimoniais definitivos.

Corrobora nesse sentido Roque Antonio Carrazza:

O princípio da capacidade contributiva hospeda-se nas dobras do princípio da igualdade e ajuda a realizar, no campo tributário, os ideais republicanos. Realmente, é justo e jurídico que quem em termos econômicos tem muito pague, proporcionalmente, mais imposto do que quem tem pouco. Quem tem maior riqueza deve, em termos proporcionais, pagar mais imposto do que quem tem menor riqueza. Noutras palavras, deve contribuir mais para a manutenção da coisa pública. As pessoas, pois, devem pagar impostos na proporção dos seus haveres, ou seja, de seus índices de riqueza.61

Nesse contexto, não há necessidade de que tal contribuinte seja herdeiro de uma quantia representativa de bens. Isso serve a qualquer indivíduo que amealhe riquezas em algum período de tempo.

Como o período determinado pela nossa lei é o ano civil, as entradas líquidas no curso do ano deverão ser tributadas de acordo com as alíquotas vigentes, indiferentemente se em anos posteriores ou inferiores a pessoa estiver ou estivesse em situação de insolvência.

Tomemos como exemplo um indivíduo pobre que é contratado para fazer um filme e ganhe em um ano, e somente nesse ano, sem continuidade da profissão, valores maiores que R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Tais valores serão tributados às alíquotas máximas da tabela vigente em função da progressividade do tributo.

Assumindo-se que tais valores sejam integralmente gastos em dez anos, no décimo primeiro ano, já exauridos os recursos, o contribuinte torna-se insolvente para fins civis. Nesse caso, o Estado não será convocado a devolver o tributo recolhido pela entrada dos recursos nos anos anteriores.

61 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Tributário Constitucional Tributário. 24. ed. São Paulo: Malheiros

Isso porque o aumento patrimonial foi efetivo no ano de recebimento, gerando a obrigação do pagamento do tributo de forma definitiva. Concluímos, portanto, que a capacidade contributiva submete o poder público a determinar limites quanto à retirada de valores dos contribuintes, no momento em que há um aumento patrimonial definitivo, princípio que é um desdobramento da igualdade.

Paulo Ayres Barreto ao tratar sobre o planejamento tributário, indaga os limites de atuação do agente público. sobre a possibilidade de se perceber tal princípio

Questiona-se diante disso se a autoridade administrativa tem o direito de valorar os fatos para buscar eficácia positiva da capacidade contributiva. Se esta mesma autoridade tem a possibilidade de, com base na solidariedade social, dizer que certo contribuinte não pode estruturar uma operação de forma a gerar menor carga tributária, sem que haja um motivo econômico ou um propósito negocial outro que não o de recolher menos tributo62

E arremata da seguinte forma a provocação anterior:

Agora, não há fundamento legal para se dizer que é preciso um propósito negocial para validar planejamento tributário; dizer que o princípio da capacidade contributiva tem eficácia positiva.

...

Propomos uma interpretação que nos parece a mais coerente do ordenamento jurídico nessa matéria. A Constituição Federal faz menção ao princípio da solidariedade, da capacidade contributiva, mas estabelece que são cláusulas pétreas os direitos e garantias individuais, não gerais.

A Constituição brasileira estabelece uma rígida demarcação de competência impositiva que é estabelecida por conceitos. A capacidade contributiva, no Brasil, parece ser uma garantia individual. A isonomia tem que ser perseguida sempre. Quem estabelece as regras de isonomia é o legislador e, portanto, é necessário examinar a legalidade isonômica, aquela definida pelo legislador.63

Por fim, lembramos as palavras de Luis Eduardo Schoueri referindo-se aos tributos sobre a renda:

62

BARRETO, P. A. Imposto sobre a renda e planejamento tributário. Revista Acadêmica - Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região, v. 3, p. 194.

Hoje é assente na doutrina que o critério para auferir a capacidade contributiva do sujeito passivo é a renda. Seja a renda acumulada, a consumida ou a auferida, será sempre a renda o parâmetro adotado para fins tributários, para que se atenda ao princípio constitucional da capacidade contributiva e, conseqüentemente, ao princípio da igualdade.64

Nesse sentido, percebemos que a renda disponível, ou seja, a possibilidade de dispor desses lucros, determinará o respeito ao princípio da capacidade contributiva.