• Sonuç bulunamadı

ORHAN PAMUK’UN ESERLERİNDE METİNSEL-AŞKINLIK BİÇİMLERİ Metinlerarası yönelimli bir yazar olarak Orhan Pamuk’un romanları, Doğu ve

1. Metinsel-aşkınlık Bakımından Orhan Pamuk Edebiyatı

2.2. Türev İlişkileri

2.2.2. Alaycı (Gülünç) Dönüştürüm

Ao Estado é atribuída a obrigação de fornecer aos seus súditos elementos que garantam o mínimo vital para a sua sobrevivência. Esse mínimo vital possui como ideia principal as necessidades tomadas como valores que estão estabelecidas na Constituição Federal.

São aquelas estabelecidas em diversos artigos da carta constitucional.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Trata-se, nesse artigo dos direitos fundamentais do indivíduo, os que estão explicitamente enunciados, ou seja, a vida, liberdade e igualdade.

A União, de forma concorrente com os Estados e Municípios, deve garantir o bem-estar social adotando políticas que visem assegurar a prestação de serviços de saúde adequados, cuidar do patrimônio da nação, propiciar educação e esportes, combater a pobreza e oferecer meios de acesso a moradia, dentre outras possibilidades lá dispostas, o que representa o mínimo que o Estado deve oferecer aos seus tutelados.

Tal prescrição está insculpida no texto constitucional:

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios

(…)

Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

Nesse sentido, podemos compreender que o bem-estar possui íntima relação com o mínimo vital para seus súditos. Esse mínimo vital deve ser suficiente para que os indivíduos tutelados por um determinado Estado possuam uma vida digna, o que representa dizer que a prestação de tais serviços leva o cidadão a atingir os valores sociais determinados pelo Constituinte.

Citamos aqui as palavras de Ana Paula de Barcelos:

Demonstra que o mínimo existencial torna efetiva a dignidade da pessoa humana, o que só se consegue garantido-lhe acesso à educação fundamental (1ª a 8ª séries), à saúde básicas (inclusive com transplantes de órgãos, atendimento no parto, controle de doenças típicas da terceira idade, etc.) e à Justiça. Também o mínimo existencial pressupõe que se deem às pessoas condições elementares de subsistência (alimentação, vestuário, abrigo, etc.)27

Uma vez garantidos esses valores de benefício, não mais podem ser retirados do beneficiário, a não ser por motivo e extinção da necessidade, visto que a camada social já atingiu o nível requerido pelo legislador.

Para fins tributários, o bem-estar social encontra guarida nas desonerações realizadas pelo poder legislativo, de forma que os indivíduos possam custear suas atividades básicas.

Os desembolsos necessários para alcançar o bem-estar são os gastos realizados com educação, saúde, vestuário, transporte e segurança, dentre outros. Em que pese não ser objeto do presente estudo a dedutibilidade dos desembolsos incorridos pela pessoa física na obtenção de renda, críticas são feitas em função da limitação de valores e possibilidades impostas ao contribuinte. Isso porque os gastos necessários para o bem-estar social não podem ser integralmente deduzidos para o cômputo da renda.

Nesse sentido, é o entendimento de Ricardo Lobo Torres:

O princípio da capacidade contributiva não justifica a incidência sobre o mínimo necessário à vida nem sobre a totalidade da riqueza, eis que está contido entre as imunidades do mínimo existencial (art. 5º, itens XXXIV, LXXIV, LXXVI) e a proibição do confisco (art. 150, IV), que constituem direitos individuas do cidadão.28

Apenas as despesas com saúde não possuem limitação de abatimento, as demais ou não são aceitas ou, sendo, possuem limites que não representam o real esforço que teve o contribuinte para amealhar as suas rendas e proventos, frutos do capital.

Gastos com educação são imprescindíveis para o aperfeiçoamento de um profissional. Sem determinadas competências, não há como capacitar ou aprimorar seus conhecimentos de forma a desempenhar propriamente uma atividade.

Ademais, é obrigação do Estado prover a educação a seus tutelados, tema este eleito no altiplano constitucional, inserido em seu TÍTULO II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais, mais especificamente no artigo 6º.

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010)

Indo mais além, em seu artigo 7º, postula-se o direito a educação como uma obrigação a ser provida pelo Estado, da seguinte forma:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

28

A educação tem como um de seus maiores objetivos qualificar os trabalhadores, de forma que estes tenham possibilidades de melhorar suas condições sociais. Assim, qualquer gasto proveniente da educação, por ter intrínseca relação com as entradas de recurso, deve ser integralmente considerado para fins do cômputo do lucro da pessoa física, sob pena de essa pessoa pagar o tributo sobre ingressos, e não sobre a renda.

O legislador constitucional determinou ser a educação um dever do Estado e da família e direito de todos.

CAPÍTULO III

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I

DA EDUCAÇÃO

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.29

Disso podemos extrair que é papel do Estado prover o acesso a educação básica para todos os cidadãos, sendo, no caso, o ensino público gratuito, incorrendo em crime de responsabilidade da autoridade competente a não obediência a tal valor.

Ou seja, mesmo havendo educação disponível gratuitamente, pode o contribuinte optar pelo abatimento de gastos incorridos com a sua educação e de seus dependentes. Acreditamos que esse valor incremental para abatimento deve ser tratado como mínimo vital para que seja cumprida as obrigações do Estado face aos princípios expostos na Constituição Federal.

O mínimo vital representa o valor mínimo que um cidadão deva receber de forma que possa garantir a si e sua família os bens da vida assegurados em nossa Constituição Federal como direitos do cidadão.

Toda vez que o salário recebido não for suficiente para fazer frente a tais gastos, somados com aquilo que o Estado garante, como, por exemplo, os programas de Bolsa Família atualmente concedidos aos mais carentes, o princípio constitucional de inviolabilidade do direito à vida, à sua dignidade, será atendido.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui- se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III – a dignidade da pessoa humana;30

José Eduardo Soares de Melo, ao tratar do assunto, impõe que seja utilizado critério de razoabilidade de forma a determinar a quantia máxima a ser extraída do contribuinte, com o objetivo de que seja atendido o princípio da dignidade humana, que está intimamente ligado ao bem-estar individual e coletivo.

Todavia, é difícil estipular o volume máximo da carga tributária, ou fixar um limite de intromissão patrimonial, enfim, o montante que pode ser suportado pelo contribuinte. O poder público há de se comportar pelo critério da razoabilidade, a fim de possibilitar a subsistência ou sobrevivência das pessoas físicas, e evitar as quebras das pessoas jurídicas, posto que a tributação não pode cercear o pleno desempenho das atividades privadas e a dignidade humana.31

Também é a posição de Rubens Gomes de Souza, ao tratar da tributação de rendas da pessoa física:

Na conceituação do Contribuinte do imposto complementar é preciso ainda atender à chamada “isenção do mínimo de subsistência”. A lei do imposto de renda, no Brasil como nos demais países, não tributa

30 Constituição Federal de 1988. 31

aquilo que seja considerado como mínimo indispensável à vida do contribuinte.32

Nossa Constituição determina quais os pilares em que se sustentam o bem- estar social, os quais devem ser oferecidos gratuitamente, sob pena de responder por crime de responsabilidade funcional.

Sabendo-se das deficiências que o atual sistema possui para prover educação para todos os seus tutelados, o Estado oferece, ainda, como subsídio, a fim de incentivar a educação da sociedade, a possibilidade de se abaterem do cômputo do Imposto de Renda gastos realizados com entidades privadas de ensino.

Ou seja, mesmo havendo educação disponível gratuitamente, pode o contribuinte optar pelo abatimento de gastos incorridos com a sua educação e de seus dependentes. A decisão do legislador em limitar a dedutibilidade pode ser vista por alguns como o máximo que o Estado pode fornecer aos seus tutelados.

Acreditamos que tanto quanto os gastos médicos, que são integralmente abonados, todo gasto com educação deveria ter a mesma sorte. Isso porque o valor “educação” vem sempre como um postulado de maior relevância em uma sociedade, podendo, caso não integralmente abatido das rendas, ser considerado como confisco.

É magistral a opinião de Mizabel Derzi:

(…) capacidade econômica de contribuir para as despesas do Estado é aquela que se define após a dedução dos gastos necessários à aquisição, produção e manutenção da renda e do patrimônio, assim como do mínimo indispensável a uma existência digna para o contribuinte e sua família.33

Infelizmente, não é essa a posição do Supremo Tribunal Federal, que entende que se trata de uma questão legislativa, e não judicial.

32

SOUZA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária. 2. ed. Rio de Janeiro: Edições Financeiras, 1954, p. 223.

RE 603060 AgR/SP – SÃO PAULO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Julgamento: 08/02/2011

AGTE.(S): UNAFISCO REGIONAL DE SÃO PAULO ADV.(A/S): ANTONIO SILVIO PATERNO E OUTRO(A/S) AGDO.(A/S): UNIÃO

PROC.(A/S)(ES): PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO

EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LIMITES IMPOSTOS À DEDUÇÃO COM EDUCAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ATUAR O PODER JUDICIÁRIO COMO LEGISLADOR POSITIVO. PRECEDENTES. JULGADO RECORRIDO FUNDADO EM NORMA INFRACONSTITUCIONAL – LEI N. 9.250/1995. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.

Decisão: A Turma negou provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário, nos termos do voto da Relatora. Unânime. Presidência da Ministra Cármen Lúcia. 1ª Turma, 8.2.2011.

Seguindo o discurso, ele deve ser visto para as outras possibilidades de abatimento no cômputo do imposto, desde que ligados diretamente ao mínimo vital do indivíduo, tais como moradia e alimentação. É papel do Estado prover uma série de garantias, de modo que se busque sempre o bem-estar social.

Nossa Constituição determina quais são os pilares em que se sustentam o bem-estar social, os quais devem ser oferecidos gratuitamente pelo próprio Estado, sob pena de, em não fornecendo, ter o administrador que responder por crime de responsabilidade funcional34.