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3 DÜNYA’DA ve TÜRKİYE’DE BİLGİ VE İLETİŞİM TEKNOLOJİLERİNİN KULLANIM

4. ALAN ARAŞTIRMAS

Constitui-se, portanto, com essa inspiração no filósofo grego antigo, a argumentação que foi feita para a defesa de se enunciar a mentira, do ponto de vista da política e da história em Kant, sendo essa justificável em nome da liberdade e do aperfeiçoamento racional, moral da espécie humana. Para tanto iremos discorrer sobre o entendimento de política em Kant como aplicabilidade prática da doutrina do direito e da história como realização do progresso do direito, portanto do aprimoramento moral. Conforme Kant: ―η deus-término da moral não recua perante júpiter (o deus-término do poder).‖ (Kant, ZeF B 72, 73, 74, p. 152)

A política é concebida por Kant como ciência ou arte de dirigir as ações livres na sociedade civil ou no Estado. De acordo com Kant (ZeF B 70, 71, 72, p. 151): ―...não pode existir nenhum conflito entre a política, enquanto teoria do direito aplicado, e a moral, como teoria do direito, mas teorética (por conseguinte, não pode haver nenhum conflito entre a prática e a teoria)...‖ Nesse sentido, ela se apresenta como forma de realização do direito, ou ainda, Kant a define como doutrina executora do direito. Assim diz: ―η direito nunca deve adaptar à política, mas é a política que sempre se deve ajustar ao direito.‖ (KAζT, SDε, A 312, 313, p. 178). Segundo esse conceito, ele percebe a existência de uma ligação entre política e justiça social, uma vez que executar direitos significa promover a justiça e estes quando se tratam de direitos políticos tornam a sua dimensão ainda mais nobre. Pois,

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pressupõe atingir não somente um indivíduo, mas a toda humanidade, através da aplicação da legislação da razão na execução dos direitos. Conforme Kant (ZeF B 96, 97, 98, 99, p. 163/164), ―A verdadeira política não pode, pois dar um passo sem antes ter rendido preito à moral, e embora a política seja por si mesma uma arte difícil, não constitui no entanto arte alguma a união da mesma com a moral; pois esta corta o nó que aquela não consegue desatar, quando entre ambas surgem discrepâncias‖.

A boa condução da política depende da boa vontade, no entanto o direito nunca deve se ajustar, se adaptar à política, mas é esta que sempre deve se ajustar ao direito. Nesse aspecto, trata-se da aplicabilidade dos princípios da razão prática nas relações políticas e sociais. Kant (ZeF B 96, 97, 98, 99, p. 163/164) expressa,

o direito dos homens deve considerar-se sagrado, por maiores que sejam os sacrifícios que ele custa ao poder dominante, aqui não se pode realizar uma divisão em duas partes e inventar a coisa intermédia (entre direito e utilidade) de um direito pragmaticamente condicionado, mas toda a política deve dobrar os seus joelhos diante do direito, podendo, no entanto, esperar alcançar, embora lentamente, um estádio em que ele brilhará com firmeza.

Deste modo, a noção de política exposta compreende que as suas ações têm nos princípios do direito público sua instância normativa. Destaca-se de início que nessa interpretação o Estado é um organismo jurídico. Assim, o fundamento do direito é a coexistência das liberdades que dá origem ao direito público. Sendo princípio da política subordinada a moral que o povo deve congregar-se num Estado mediante os conceitos da liberdade e da igualdade e isso se funda no dever. Nesse sentido menciona-se Kant,

Do direito privado no estado de natureza deriva, então, o postulado do direito público: numa situação de coexistência inevitável com todos os outros, deves passar desse estado a um estado jurídico, isto é, a um estado de justiça distributiva. – o fundamento para tal pode extrair-se analiticamente do conceito de direito na relação externa, por oposição à violência (violentia). (KANT, RL, p. 120)

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Nesse contexto aborda-se a passagem do direito privado (e do estado de natureza62) ao público, do direito empírico ao inteligível, numa condição de coexistência inevitável de todos com todos. Cumpre salientar que para Kant a divisão do direito se estabelece de modo que o direito natural está para o direito civil, como o direito privado está para o direito público, uma vez que ao ―estado de natureza não se contrapõe o estado social, mas o civil, naquele pode, de facto, haver sociedade, só que não civil (que assegure o meu e o teu por meio de leis públicas)...‖ (KANT, RL, p. 49). Portanto se ocorre uma situação na qual os direitos não são respeitados, nega-se o princípio norteador do direito público, tira-se-lhe a legitimidade do conceito de direito e se abre precedentes para que se resolva tudo pela força e se dê um retorno a um estado de natureza. No contexto dessa análise, o torturador ou assassino que force alguém a enunciar uma declaração que põe em risco a vida de outrem, ao desrespeitar o princípio universal do direito, autoriza-me a me utilizar da mentira para evitar um dano maior. Vejamos as palavras de PERES (2004, p. 82):

Kant caracteriza o estado de natureza de várias formas: estado de guerra, ainda que latente; estado no qual a justiça está ausente; estado sem leis (públicas), ou ainda estado de direito privado. A partir dessa ultima caracterização, quando se tem que cabe ao estado civil garantir justamente a efetividade do direito privado, tem-se que cabe ao Estado garantir, como de direito, aquilo que já era então de direito antes mesmo de sua instituição.

Também no tocante à passagem do direito privado ao direito público, num estado não jurídico, no qual não há justiça distributiva, que é o estado natural, pode igualmente haver sociedades legítimas, mas não se tem garantia de direitos. No entanto com relação ao estado jurídico, no qual há justiça distributiva, os homens, capazes de estabelecer reciprocamente relações jurídicas tem o dever de ingressar. De acordo com PERES (2004, p. 58) ―... a relação jurídica não é uma relação que pode ou não ter lugar; ela é necessária, a ela se vincula o conceito de obrigação – mais ainda, de uma obrigação que não prevê qualquer exceção, que é dever estrito.‖ ζesse sentido, no âmbito do estado jurídico, o princípio formal de sua possibilidade é a justiça pública, considerada mediante a concepção de uma vontade universalmente legisladora. Noutros termos, de uma vontade geral, se possibilita através da

62―Convém insistir que o estado de natureza não é uma realidade histórica, mas uma ideia.‖ TERRA (2004, p.

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relação dos homens entre si as condições necessárias para cada um usufruir o seu direito. Desse modo, da passagem do direito privado no estado de natureza ao direito público, se garante a coexistência de todos com todos, amparados pela noção de justiça distributiva, em oposição a situações de violência, característica do estado de natureza.

Deve-se assim do direito privado passar a um estado jurídico que garanta a justiça distributiva63, tendo como fundamento a harmonia das relações externas em oposição a um estado de violência. Portanto, não cabe na idealização do estado civil, situações de violência que levem a tortura e ou ao assassinato.

3.1.3 Da fundamentação do Estado e sua

Benzer Belgeler