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II. DÜNYA SAVAŞI SONRASI ARAYIŞLAR:

4.3. Bütünsel Koruma Alanı, Dünya Parkı ya da Uluslararası Sömürge

4.3.2. Uluslararası Bir ‘Sinsi Sömürgecilik’ mi?

Desde seu início, no final do século XIX, a configuração da relação compositor/encenador moderno vem passando por constantes adaptações, sofrendo influência direta das transformações que ocorrem no universo musical e, igualmente, no universo teatral.

A partir do início do século XX, quando testemunhamos uma profusão de estilos, padrões estéticos e filosofias artísticas, observamos que se torna cada vez mais difícil a identificação

Marcello Amalfi - “A relação criativa entre o compositor e o encenador”

de uma “escola” de encenação ou de composição musical que possa definir em linhas gerais a produção artística de seu tempo. Consequentemente, encenadores e compositores proeminentes são por vezes considerados “escolas” em si mesmos, como nos exemplos teatrais de Constantin Stanislavsky (1863 – 1938), Vsevolod Emilevich Meyerhold (1874 - 1940) e Bertolt Brecht (1898 – 1956), que são acompanhados paralelamente por exemplos musicais como Charles Ives (1874 – 1954), Jonh Cage (1912 – 1992) e Karlheinz Stockhausen (1928 - 2007).

Este quadro se mantém até os dias atuais, quando as fronteiras entre as diferentes formas de expressão artística são deliberadamente colocadas à prova a cada nova realização. Como resultado, a relação entre compositor e encenador adquire cada vez mais uma pluralidade de formas e configurações, impulsionada pela multiplicidade de propostas que surge a partir de uma legião de compositores e encenadores cada vez maior.

Nesta dinâmica, observamos que o processo de elaboração do espetáculo teatral se torna cada vez mais singularizado, repleto de particularidades e especificidades. Isso faz com que a prática composicional da música também seja específica para cada espetáculo.

Paradoxalmente, a dinâmica interna de interação entre os elementos da música a ser composta e os demais elementos do espetáculo se torna cada vez mais universalizada. Não apenas porque a composição musical é perpassada pela cena (e vice-versa) durante a realização da encenação, mas também porque o processo de sua elaboração é igualmente perpassado.

Isso faz com que o diálogo criativo estabelecido entre o compositor e o encenador se torne uma peça chave para a elaboração teatral. Quanto melhor o seu desenvolvimento, maiores as chances de aproximação entre as composições musicais e a proposta de encenação, ou seja, maior a chance da coesão na estrutura do espetáculo.

Entendemos que a qualidade deste diálogo não está atrelada apenas à comunicação de parâmetros técnicos entre seus interlocutores, mas também à capacidade que eles tenham para compartilhar a visão que originará o espetáculo. Neste sentido, a longevidade das parcerias entre compositor e encenador passa a ser um fator que contribui diretamente para o processo de elaboração da música do teatro. Será nas relações duradouras que encontraremos o dialogo maturado durante a elaboração de muitos espetáculos, fundamentado na experiência conjunta de aprendizado. Aprendizado que certamente passa a ser o alicerce do diálogo criativo entre compositor e encenador.

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2º MOVIMENTO

(Uma visão externa da relação: o compositor Jean-Jacques Lemêtre e a encenadora Ariane Mnouchkine, da trupe francesa Théâtre Du Soleil)

(Les Naufragés du Fol Espoir (Aurores). Jean-Jacques Lemêtre afinando um dos instrumentos em seu Bureau para a apresentação que aconteceria dali algumas horas – Sesc Belenzinho, outubro de 2011.

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“No soleil, a ideia é de que não se vai a um espetáculo, mas se vai ter uma experiência de vida”

Beatrice Picon-Vallin40

Para prosseguir com este estudo, abordaremos uma parceria que permanece produtiva há trinta e cinco anos, estabelecida entre o compositor Jean-Jacques Lemêtre e a encenadora Ariane Mnoucknine no Théâtre Du Soleil, um dos mais relevantes coletivos teatrais do século XX.

13. Sobre a trupe Théâtre Du Soleil

Fundada em 1964 pela encenadora Ariane Mnouchkine (na época, recém-formada no curso de teatro de Jacques Lecoq) em conjunto com Philippe Léotard, Jean-Claude Penchenat, Roberto Moscoso e Françoise Tournafond, a trupe Théâtre Du Soleil é considerada um dos mais importantes grupos teatrais do mundo. Sediada desde o fim de agosto de 1970 na

Cartoucherrie, uma antiga fábrica de armas e pólvora localizada nos arredores de Paris, ela

permanece em plenas atividades até os dias atuais. A respeito do teatro que pratica, Ariane Mnouchkine afirma:

Claro, os atores estão sempre no centro do teatro, independentemente do teatro. Mas se não há música, se não há luz, não é o teatro que eu amo, mesmo que os atores sejam muito bons, e se é todavia teatro. Muito rapidamente esta aliança se revela necessária, e a pergunta que se faz é: Como podemos realizar isso? Mistériovii

. Apesar de dedicar especial atenção à música e à iluminação em seu trabalho, a encenadora alerta que apenas a presença destes elementos não soluciona por completo a encenação, afinal, não há uma fórmula pronta. Reconhece que o alicerce dos espetáculos é justamente o processo de sua elaboração, e adverte que este pode apresentar armadilhas:

40 Frase proferida por Picon-Vallin dia dezessete de outubro de 2011 durante o curso que ministrou no Centro

Cultural São Paulo, na cidade de São Paulo, intitulado Théâtre Du Soleil e Utopia. (origem: AMALFI, Marcello: anotação pessoal sobre o curso).

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Uma vez que você começa a saber algo, o grave perigo - e é o mesmo na música, no desenho, vale para os dois - é a ilusão de facilidade. O teatro é difícil, e mesmo se não é o seu negócio, o público muitas vezes percebe, e vem dizer: "Que trabalho, mas que trabalho!” [...] Para mim, um verdadeiro teatro – Eu quero dizer em casa, os trabalhos – é primeiramente feito de encontros. viii

De acordo com a encenadora, são os encontros que propiciam uma rica troca entre as pessoas, o seu diálogo criativo. Sobre o que representa um trabalho em parceria, ela disse:

Trabalhar com alguém não significa impor algo para o outro, é uma troca que é muito misteriosa, muito profunda, muito interior, o que gera algo como uma circulação sanguínea e onde o fato de alguém não estar "na moda" é uma fonte de sofrimento assustadora para todos. Isso não vem facilmente, há muito suor e trabalho. É necessário primeiro atravessar alguns rios, desertos e algumas montanhas juntos. ix