4.2. KUZEY IRAK’A ĐLĐŞKĐN OLUŞUMLARIN TÜRKĐYE’YE ETKĐLERĐ
4.2.2. Türkiye’nin Alması Gereken Önlemler
4.2.2.2. Toplumsal ve Kültürel Önlemler
No primeiro contato que tivemos com o corpus utilizado para análise, acreditávamos que seria uma amostra composta por cartas e/ou documentos que remontassem um pouco do cotidiano vivido por diferentes políticos, militares, juízes envolvidos no processo de independência montevideana, além de cartas particulares trocadas entre familiares e amigos habitantes de uma região fronteiriça entre o Brasil e Uruguai.
No entanto, ao folhearmos esse material, nos deparamos com diferentes tipos de textos: cartas, inventários, atestados de óbito, ofícios, proclamas e até mesmo receitas de cozinha. Diante dessa diversidade, resolvemos separar tais documentos e trabalhar somente com as cartas também inseridas nessa obra sob o rótulo de documentos para a história do português no Uruguai. Diante disso, além da análise quantitativa e qualitativa das estratégias nominais e verbo-pronominais de tratamento encontradas nessas missivas, resolvemos caracterizá-las, separando, primeiramente, por tipo de circulação (cartas de circulação pública e privada) e em seguida tentando delinear o perfil comunicativo dessas correspondências, para que assim pudéssemos trabalhar com um corpus mais homogêneo. Não se pode esquecer, entretanto, que, por conta da natureza da amostra, a análise dos resultados deveria dar conta ainda do tratamento em cartas escritas em português, em espanhol e cartas com contato lingüístico das duas línguas.
A opção teórico-metodológica adotada para a análise dos resultados obtidos se mostrou pertinente. A descrição dos dados, em termos qualitativos, revelou aspectos que a mera apresentação das freqüências brutas não conseguiu captar. A conjugação de uma perspectiva mais quantitativa, dentro de uma orientação sociolingüística (mesmo que subjacente), aliada à Teoria da Polidez de Brown e Levinson (1978, 1987) rendeu alguns frutos que ainda precisam amadurecer. É pertinente afirmar que, durante a aplicação da Teoria da Polidez de Brown e Levinson (1978, 1987), aliada à discussão de Koch (2008), a adoção da hipótese de que as formas de tratamento nominal abstrato funcionariam para amenizar os atos ameaçadores da face (AAF) permitiu identificar alguns resultados correlacionados nas três amostras. Por isso, defende-se que as formas de tratamento podem, a depender do contexto, funcionar como uma estratégia de polidez mitigadora de alguma ameaça realizada por um ato de fala, principalmente os diretivos, como por exemplo, os pedidos, ordens, solicitações, cobranças e etc.
Como se viu neste estudo a descrição quantitativa sustentou a análise na busca de algumas generalizações, mas não foi suficiente para explicar certos usos motivados pragmaticamente. Neste momento, o olhar minucioso caso a caso, partindo de uma forte Teoria da Polidez, expôs mais claramente as possíveis motivações para o uso de uma ou outra forma de tratamento.
Com base na análise de aspectos lingüísticos e extralingüísticos quanto à utilização de estratégias tratamentais de referência a segunda pessoa do singular, em cartas oitocentistas de circulação pública e privada escritas em áreas fronteiriças entre o Brasil e o Uruguai, chegou-se aos seguintes resultados:
Em cartas espanholas e portuguesas as estratégias mominais de tratamento – Vuestra Excelência/Vossa Excelência e Vuestra Señoria/Vossa Senhoria – se mostraram altamente produtivas nos dois tipos de cartas (pública e privada); a forma Vuestra Excelencia foi mais freqüente na amostra espanhola, ao passo que na amostra portuguesa Vossa Senhoria foi a mais recorrente.
As formas verbo-pronominais de tratamento apresentaram um comportamento variado. Na amostra portuguesa não foram localizadas, ao longo de nossa análise, formas pronominais de tratamento de referência a segunda pessoa do discurso, somente encontramos dois proclamas, em que se observou o uso de Vós referindo-se à habitantes da região de Taquarembó. Identificou-se também uma carta com formas imperativas de 3ª pessoa do singular. Já na amostra espanhola, verificamos maior diversidade de uso das estratégias – Tú, Vos e Usted. É importante salientar que tais formas não foram as mais produtivas da amostra hispânica, mas apresentaram-se mais diversificadas do que as estratégias nominais.
Devido à produtividade das formas verbo-pronominais na amostra hispânica, resolvemos controlar as ocorrências de sujeito nulo e pleno de tais estratégias, com o objetivo de avaliar se há uma motivação sócio-pragmática para o preenchimento ou não do sujeito. Após esse levantamento, confirmamos as hipóteses de Bertolotti (a sair), uma vez que os usos de tal estratégia de tratamento como sujeito explícito são mais abundantes, se comparados as outras formas pronominais – Tú e Vos – principalmente a partir da segunda metade do século XIX, e, além disso, funcionam como estratégias mitigadoras de possíveis ameaças pragmáticas realizadas pelo autor das cartas.
É interessante ressaltar que, o fato de tal estratégia pronominal aparecer, majoritariamente, na posição de sujeito explícito e com a função de atenuar e/ou minimizar um ato de ameaça à face do interlocutor aliada a não ocorrência de Vuestra
Merced em nenhuma de nossas cartas, pode evidenciar que o uso de Usted, em nossas cartas, assumiu um caráter mais conservador característico da forma nominal de tratamento da qual se gramaticalizou – Vuestra Merced – evidenciando, dessa forma, o aspecto conservador assumido pela forma Usted em alguns contextos.
Com relação às cartas escritas em português, verificamos, que a forma Vossa Mercê assumiu um papel semelhante ao desempenhado por Usted nas cartas hispânicas, pois funcionou como uma estratégia de polidez mitigadora de ato de ameaça à face do interlocutor. Entretanto, vale ressaltar que tal forma de tratamento também foi empregada para marcar distanciamento interpessoal entre os interlocutores em contextos mais formais. Em termos gerais, podemos estabelecer uma correlação entre as formas Usted e Vossa Mercê, já que observamos que ambas as estratégias de tratamento desempenham o papel de estratégias mitigadoras e/ou atenuadoras de possíveis ameaças pragmáticas.
Nas raras cartas que apresentaram algum tipo de contato lingüístico, verificamos vestígios da língua portuguesa em textos escritos em espanhol – E(p) – assim como a presença de vocábulos grafados em espanhol em cartas escritas em português – P(e). Em termos gerais, podemos afirmar que, devido à possibilidade dos habitantes da região de fronteira utilizarem tanto o português quanto o espanhol para redigirem suas cartas e/ou documentos, observamos algumas confusões na grafia determinados sons, principalmente o som [s]. Como já foi dito, tal som possui um elenco de possibilidades grafemáticas possíveis – <s>, <sc>, <ç>, etc – causando insegurança na hora de reproduzi-lo graficamente. Ainda foi possível, em algumas dessas cartas, detectar ocorrências de traços da oralidade no plano gráfico, isto é, os chamados índices grafofonéticos que segundo Barbosa (2008) são comuns em falantes afastados dos padrões lingüísticos da escrita.
Embora seja prematuro afirmar que em Taquarembó havia no século XIX, de fato, a coexistência do português e do espanhol e que os habitantes da região eram bilíngues, verificamos após a análise dos poucos dados que alguns traços lingüísticos e grafemáticos, presentes em nossas cartas, correspondem ao que podemos chamar de uma zona de integração de duas línguas. Na verdade, retomando a epígrafe, podemos afirmar que se trata de uma região, em que se perde a noção exata de que língua se está falando (no caso escrevendo!). Seria espanhol? Português? Ou uma mescla das duas línguas, o Portunhol?