2.2. ULUSLARARASI AKTÖRLERĐN KUZEY IRAK POLĐTĐKALARI
2.2.3. Birleşmiş Milletlerin Kuzey Irak Politikaları
Como poderíamos classificar a questão da religiosidade no contexto peruano, transculturação8 ou sincretismo9? A Igreja sempre esteve presente na conquista, mas será que os novos cristãos aceitaram o catolicismo? Tornaram-se aculturados? Afirmamos que não; pelo contrário, transformaram a religião imposta pelos colonizadores a partir de suas crenças africanas. Tanto que podemos encontrar a cultura africana presente nas festas religiosas, danças e culinária.
Como é sabido, aos novos habitantes do continente americano lhes foi tomado tudo, até mesmo o direito de cultuar seus deuses africanos, pois uma das premissas da colonização era a catequese; os senhores latifundiários unidos à Igreja pretendiam redimir as pobres almas, ao céu, que deveriam sofrer aqui na terra para alcançarem o paraíso celestial.
Baseados na ideologia dominante pregavam o catolicismo e qualquer culto religioso que fugisse aos dogmas da Santa Fé Católica seria punido. Logo, os negros começaram a ser organizar em confrarias10 , organizações onde os negros eram divididos por castas. Nelas havia cultos e festas religiosas
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Transculturação – “Tudo muda de cultura, ou como dissemos desde agora e adiante, toda TRANSCULTURAÇÃO é um processo no qual sempre se dá algo em troca do que se recebe; é um toma lá, dá cá. É um processo em que as ambas partes da equação resultam modificadas. Um processo no qual emerge uma nova realidade, composta e complexa; uma realidade que não é uma aglomeração mecânica de caracteres, tampouco um mosaico, mas sim um fenômeno novo, original e independente. “ (ORTIZ,2002, p.125)
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Sincretismo: fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns traços originários (AURÉLIO, p.663). Foi usado pelos escravos yorubás para protegerem seus costumes religiosos frente aos colonizadores.
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Confrarias – (Tradução da Autora) a confraria era uma irmandade ou corporação de tipo religioso que formavam os negros devotos, com a autorização do Tribunal Religioso, para exercitar obras de piedade e serviços mútuos. (DUTHURBURU, 2001, p.31)
obedecendo ao estabelecido, sem esquecer suas verdadeiras raízes africanas. Quanto a este tópico em especifico, vale a pena destacar as festas religiosas no Peru, que possuem uma representação grandiosa até os dias atuais. Em particular no romance CMD há três festas importantes. Felipe Guzmán conhece a costureira de perna babilônica11 no baile de Alcatraz12 ; depois, Gumersindo conhece e rapta Bartola Avilés durante a Procissão da Virgem del Perpetuo Socorro13 em Nazca e finalmente os integrantes da família Guzmán tornaram-se músicos em Cahuachi e são convidados a tocar em diversas festas como a Festa Patronal e executam danças como marinera14, rumba, polca e valsa. Essas situações são bem interessantes, pois demonstram a transculturação religiosa existente no Peru.
No romance, depois que os Guzmán se tornaram músicos, são convidados para se apresentar em Sondondo e quando chegam à Festa Patronal todos fogem com medo da família, porque eram negros. Já no segundo convite, as pessoas temem que os negros não consigam subir aos Andes devido ao mal da montanha, mas os personagens conseguem vencê-los. No imaginário de muitos peruanos, os negros não possuiriam estrutura física adequada para suportar a altitude dos
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Babilônia é mencionada na Bíblia como lugar de pecado, confusão, desordem e caos. Apocalipse:17.
12Baile de Alcatraz, ritmo erótico típico representativo da mestiçagem negro peruano nas cidades
de Lima e Ica. A letra costuma ser de assunto festivo e seu ritmo é vivo em compasso de 6/8. A orquestra se compõe de Guitarra, Cajón, Quijada y Palmas, ver em www.listamusicacriolla.com/bailes/festejo.htm.revistaquilombo.com.ar/revistas/11/q11.htm
13Virgen del Perpetuo Socorro
www.corazones.org/maria/perpetuo_socorro.htm, www.devocionario.com/maria/socorro_7.html
14Marinera, o baile é feito por um casal simulando um galanteio, representa um jogo amoroso tem
a sua origem em Zamacueca, esta tem raízes africanas e espanholas segundo alguns estudiosos. www.listamusicacriolla.com/bailes/marinera.htm,
www.listamusicacriolla.com/bailes/zamacueca.htm www.revistaquilombo.com.ar/revistas/11/q11.htm
Andes; ao contrário dos indígenas.
Em nossas pesquisas encontramos dados bem interessantes como por exemplo: as homenagens ao Señor de los Milagros15, a atuação da família Santa Cruz16, que resgatou o cajón (instrumento musical). O cajón é um elemento de resistência cultural que foi construído pelos negros que chegavam da África e até os dias atuais exerce um papel muito importante de propagador da cultura negra no Peru. Em 2004 foi lançado um livro e um cd por Rafael Santa Cruz onde há toda cronologia e métodos para aprender a tocar o instrumento.
Discordamos de Duthurburu (2001) quando este afirma que a conversão no Peru foi massiva, sincera e ortodoxa. Afirmamos que tanto na religião católica como na culinária e nas festas religiosas peruanas houve trocas culturais, mas não conversão. A festa do Señor de los Milagros é um exemplo forte de transculturação. A imagem do Cristo de Pachacamilla foi desenhada por um negro angolano na parede de uma igreja. Houve um terremoto, tudo foi destruído, exceto a parede onde estava desenhada a imagem do Cristo. Hoje em dia são feitas homenagens ao Señor de los Milagros não apenas pelos afro-peruanos, mas por toda a população peruana.
Acreditamos que o fato suscita diversas discussões, pois os negros escravizados não tinham outra solução a não ser abraçar a religião católica, e utilizavam o sincretismo para não criarem novos problemas. Alguns argumentam que o negro angolano foi obrigado a desenhar a imagem do Cristo crucificado. Já
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Señor de los Milagros- santo religioso peruano que representa a imagem de cristo crucificado que foi criado por um negro angolano na época da colonização.
Procurar em senordelosmilagros.perucultural.org.pe/nace.htm
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Família Santa Cruz, os membros desta família fazem um excelente trabalho de exaltação da cultura africana no Peru há seis gerações. São eles: Rafael, toureiro, Nicomedes, Victoria e Rafael. Este último lançou um livro el cajón afroperuano em fevereiro de 2004. Procurar em: www.alejocajon.com.br
outros afirmam que a catequese foi tão bem feita que esse fato em especifico demonstra como o negro foi obrigado a adquirir a religião do colonizador. Busto Duthurburu (2001:55) afirma que, como Cristo também tinha morrido pelos negros, neste mundo podiam ser desiguais, mas, no outro, o negro podia ser salvo ou vice-versa.
Contudo, temos uma leitura bem diferente de ambos, acreditamos que o negro desenhou a imagem de Cristo para representar o sofrimento, pois se Cristo, filho de Deus, foi crucificado pelos pecadores sendo inocente, eles também seriam escravizados mesmo sem merecer. Segundo a Bíblia, Jesus Cristo não tinha pecado algum; pelo contrário, filho de Deus, sofreu na cruz para salvar os pecadores. O negro angolano, sendo um simples homem, poderia não querer não sofrer nesse mundo, logo, a imagem seria como um elemento de transculturação.