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ZAMAN ÇARTERİ SÖZLEŞMESİ MADDELERİNİN İNCELENMESİ

2.6. TARAFLARIN BİLDİRİMLERİ

Localizada no noroeste paulista, Birigui conta com uma população de 103 mil habitantes, segundos dados de 2010 do IBGE. Conhecida como a capital nacional do calçado infantil, há mais de 50 anos Birigui tem grande tradição na fabricação desse tipo de calçado, sendo o polo de maior produção de calçados para crianças de todas as faixas etárias.

De acordo com pesquisa da FIESP (2009), há em Birigui 238 estabelecimentos industriais do setor calçadista voltados majoritariamente para a produção de calçados infantis. Esses dados revelam que do total de estabelecimentos dessa indústria local, 83,6% são de micro e pequeno porte (199 estabelecimentos), 14,3% de médio porte (34 estabelecimentos) e 2,1% de grande porte (cinco estabelecimentos). Há também, outras sete empresas fabricantes de máquinas e equipamentos para a indústria calçadista local.

Com respeito ao número de trabalhadores ocupados na indústria calçadista local, os números apresentados pela FIESP evidenciam que há 13.777 divididos em 3.607 na micro e pequena empresa (26,2%), 5.792 na média empresa (42%) e 4.398 nas grandes empresas (31,7%). No total, estima-se que as empresas do polo geram 18 mil empregos diretos e indiretos, número equivalente a 60% do total de trabalhadores da cidade. O rendimento médio do pessoal ocupado nessa indústria local é de R$ 549,33, inferior à média de rendimento médio dos empregos ocupados nessa indústria no estado de São Paulo, de R$ 654,06 (RAIS/MTE, 2007).

Pela característica do calçado infantil, produto foco da especialização produtiva das empresas calçadistas de Birigui, os insumos mais utilizados para a fabricação é de

material sintético (80%), seguido pelo têxtil (15%) e por fim o couro e outros (5%). A indústria calçadista de Birigui produz anualmente 55 milhões de pares, sendo que 13,7% dessa produção é exportada para 60 países de quatro continentes. A indústria calçadista local tem uma abrangência e penetração em todo o território nacional.

A partir do Sindicato da Indústria do Calçado e Vestuário de Birigui – SINBI é que se organiza as ações e projetos do APL. Desde 2004, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) - escritório regional de Araçatuba – 31 empresários têm participado de projeto buscando solucionar problemas de gestão e aquisição de competitividade.

Dentre as ações do APL – Arranjo Produtivo Local - constam consultorias nas áreas de design, produção, capacitação tecnológica, governança, comércio exterior e gestão ambiental. Adicionalmente, ações articuladas em Birigui foram desenvolvidas para fixar entre a população a marca de Birigui como a Capital Brasileira do Calçado Infantil, como a instalação de orelhões temáticos, a divulgação do polo calçadista junto ao time de futebol de Birigui que exibe a marca em sua camisa e os impressos oficiais da Prefeitura Municipal que levam a marca de Birigui.

A importância do setor calçadista de Birigui e a busca dos empresários por atualização e conhecimento fez o Centro Universitário Toledo desenvolver dois cursos específicos para os calçadistas. Desde 2005, são ministrados os cursos de especialização em Gestão de Negócios do Setor Calçadista e de Capacitação Gerencial do Setor.

Ademais, os colaboradores da indústria local têm cursos na escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai e Centro Paula Souza para o aprimoramento dos conhecimentos, qualificação e requalificação para o processo industrial.

Nesse sentido, a governança do APL calçadista de Birigui é composta pelas instituições e entidades participativas do processo de desenvolvimento do APL: empresas, SINBI, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE/SP, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI, Serviço Social da Indústria - SESI, Serviço Social do Comércio - SESC, Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte - SEST/SENAT, Prefeitura Municipal, Governo do Estado, Associação Comercial, Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Calçado, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP/CIESP, Faculdade Locais, Instituições Financeiras (Bando do Brasil, Caixa Econômica Federal (CEF), Caixa Econômica

Estadual, Bradesco, Cooperativa de Crédito da Indústria de Birigui), Poder Legislativo, Lojas Maçônicas, Lions Club, Rotary e outros.

Em 2006 aconteceu algo significativo para a indústria de calçados da cidade: as empresas intensificaram a cooperação intensificando sua competitividade com a formação do Arranjo Produtivo Local (APL), destacando esta indústria em cenário nacional. O projeto de formação deste APL foi desenvolvido pelo SINBI55 e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas (SEBRAE-SP).

Souza e Barbosa (2009) revelam que o investimento realizado totalizou R$ 3 milhões, com a participação de 30 empresas. “Entre as metas do projeto destacam-se: aumentar em 10% o volume de pares comercializados, em 6% a lucratividade, expandir o volume de pares exportados em 4% e reduzir o custo da produção em 5%” (SOUZA e BARBOSA, 2009, p. 325). Além disso, para atingir os objetivos do projeto, foram realizadas nas empresas participantes, consultorias em áreas diversas como gestão, produção, acesso a mercado e exportação. Os autores revelam que no balanço do primeiro ano do projeto, realizado em outubro de 2007, os gestores do projeto apresentaram números indicando que todos os objetivos foram atingidos. “O desempenho do APL de Birigui serviu, inclusive, de modelo para outros APLs do Estado de São Paulo” (p. 325).

Com respeito às ações cooperadas já realizadas pelo APL, destaque para o consórcio de exportação criado pelos empresários e instituições; compra conjunta de insumos; e criação da cooperativa de crédito multisetorial, articulação dos empresários calçadistas junto a outros empresários de diferentes setores com a parceria da FIESP.

De acordo com Souza e Barbosa (2009, p. 299), a quinta década de desenvolvimento do setor calçadista de Birigui, entre 1999 e 2008, foi marcada por inúmeros eventos. Neste período o polo calçadista retomou o crescimento, parcialmente interrompido nos anos 1990. Houve um aumento das exportações, que segundo os autores passaram de aproximadamente US$ 12 milhões, em 1999, para mais de US$ 30 milhões em 2004. Além disso, o setor aumentou o número de empregados de 12 mil, em 1999, para 19 mil, em 2008, e a produção atingiu mais de 60 milhões de pares, em 2008.