1.3. GEMİ TAHSİSİ SÖZLEŞMELERİ
1.3.2. Navlun Sözleşmes
1.3.2.2. Çarter Sözleşmes
1.3.2.2.1. Sefer Çarteri Sözleşmesi (Voyage Charters)
Segundo Pinheiro, Markwald e Pereira (2002), o Brasil passou na segunda metade do século XX por diferentes ciclos de abertura e fechamento de sua economia. No período de 1988 a 1993, o país promoveu ampla redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias, revertendo o processo de fechamento levado a cabo na primeira metade
40 Dados do Banco do Brasil S.A., Carteira de Comércio Exterior, DEPEC-Departamento de Estatística em Comércio Exterior, Rio de Janeiro.
41 ADICAL/U.S. Footwear Retailers Imports (dados disponíveis até novembro/1988). 42 Banco do Brasil S.A. Revista CACEX. Rio de Janeiro, nº1066, p.5.
da década de 1980. Paralelamente, o país também veio incentivando, desde 1968, as exportações de manufaturados, tendo o auge desse processo ocorrido em meados da década de 1980, quando buscava sair de grave crise cambial.
Giambiagi (2005) explica que a partir do início dos anos 1990, o Brasil passou por mudanças significativas na sua economia como o aumento do grau de abertura comercial e financeira e o amplo processo de privatização. No seu conjunto, esses passos constituem etapas do processo de transformação da economia, rumo a uma situação de maior competição com o exterior.
O governo Fernando Collor teve como principal lema a falência do projeto desenvolvimentista como motor de crescimento. A estabilidade monetária só foi alcançada com a implantação do Plano Real, em 1994, já no governo Itamar Franco, conforme estudado no capítulo anterior. O Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente com ampla margem. Sua presidência foi caracterizada por avanços nos processos de modernização e redistribuição de renda.
Além disso, os acordos bilaterais de comércio foram e ainda têm sido importantes para a sustentação das exportações brasileiras, como é o caso dos acordos com a Argentina e com o México, por exemplo43. Habituado a negociar com o perfil baixo do GATT44 e a buscar arranjos preferenciais em geral pouco ambiciosos com outros parceiros latino-americanos, conforme salienta Veiga (2004), o Brasil viu, primeiro com as negociações intra-Mercosul e em seguida com as negociações com seus grandes parceiros do Norte, mudar radicalmente a sua agenda de negociações comerciais. “O avanço do Mercosul e a instituição da Organização Mundial do Comércio (OMC)45 também foram importantes na determinação da política comercial nos anos 1990” salientam Pinheiro, Markwald e Pereira (2002, p. 9).
No âmbito sub-regional, o processo de constituição do Mercosul, no início da década, representou uma ruptura com a história dos malsucedidos esforços de integração na América do Sul. Veiga (2004) observa que a metodologia de liberalização adotada pelo Mercosul – baseada em cronograma universal, automático e linear de eliminação das barreiras tarifárias intrazona – distanciou-se do lento intercâmbio de concessões tarifárias bilaterais dentro de cada setor, que caracterizara as experiências
43 Vale salientar que, embora não tenham sido tão positivos para a indústria calçadista, como exposto anteriormente, os acordos bilaterais possuem relevante papel na economia do país.
44 O Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio ou Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (em inglês: General Agreement on Tariffs and Trade).
45 As regras da OMC impedem que se desenvolva uma política de promoção de exportações semelhante à adotada no início dos anos 1980, largamente calcada em subsídios públicos.
anteriores no âmbito da Alalc e, depois, da Aladi.
[...] Na esfera multilateral, a Rodada Uruguai do GATT, cujo início remonta a 1986, marca uma mudança radical no conteúdo das negociações comerciais. Estas até então se concentravam em temas exclusivamente relacionados ao comércio de bens e a medidas fronteiriças de proteção. Com a rodada Uruguai, este foco se desloca as negociações passam a envolver o comércio de serviço, temas relacionados a políticas nacionais de investimentos e direitos de propriedade intelectual. Passa-se, portanto, crescentemente de uma agenda estritamente comercial de produtos para uma agenda de políticas até então tratadas pelos países como estritamente domésticas [...] (VEIGA, 2004, p. 156-157).
Esses acontecimentos sucederam uma mudança significativa, veiculada, sobretudo pelas preocupações, entre atores públicos e privados, com a participação nas negociações da Alca e Mercosul- União Europeia. Diante disso o autor aponta para uma consequência prática deste cenário de negociações preferenciais simultâneas, indicando que crescem muito as probabilidades de que o Brasil viva, no período 2005-2015, um novo ciclo de liberalização comercial que reduza drasticamente as barreiras às importações de produtos originários da Europa e das Américas. Por outro lado, o autor considera que se ampliam as chances de que os produtos exportados pelo país obtenham melhorias significativas nas condições de acesso a seus principais mercados de exportação.
Além disso, os autores Pinheiro, Markwald e Pereira (2002) afirmam que a Ásia seria um dos vários destinos alternativos para as exportações, aparecendo como uma das regiões de maior potencial, indicando que há um espaço importante a ser explorado com os acordos bilaterais que o Brasil vem buscando com o Japão, China e Índia.
Por isso, dedicamos um momento da presente pesquisa às discussões articuladas a estas questões. De acordo com a literatura explorada, a partir de 1985, como forma de superar os entraves ao comércio na América Latina, os países do Cone Sul intensificaram a elaboração de acordos comerciais bilaterais, nos quais uma lista de produtos era beneficiada com margens de preferência, isto é, desfrutavam de uma redução na tarifa aduaneira devida.
Piani (2003) relata que o Brasil firmou diversos acordos comerciais com a Argentina, Paraguai e Uruguai, estabelecendo, em nível regional, para um grupo de produtos negociados, uma preferência tarifaria adicional às concedidas pelo programa de Acordo Latino-Americano de Integração (Aladi). A negociação para a definição da lista era feita produto a produto, de modo a preservar a indústria local, mas, periodicamente, novos bens eram adicionados à lista inicial e as margens de preferência
concedidas anteriormente aumentadas.
Sendo assim, a implantação do Mercosul em 1991 foi seguida de uma grande expansão do comércio intra-regional, especialmente no sentido que favoreceu as exportações brasileiras, que registraram um crescimento de 315% entre 1990 e 1998. “De um patamar de apenas 4,2%, no início da década, a participação conjunta da Argentina, Paraguai e Uruguai nas exportações brasileiras eleva-se a até 17,1%, em 1997 e 17,3% no ano seguinte” (PIANI, 2003, p. 43).
[...] Dos 79 grupos econômicos identificados no mundo, o Mercosul configura-se como um dos mais importantes, com um mercado de US$ 600 bilhões, se considerarmos os PIBs dos quatro países integrantes: Brasil (US$ 420 bilhões), Argentina (US$ 190 bilhões), Uruguai (12 bolhões) e Paraguai (US$ 8 bilhões) [...] (O Equilibrista, 1994, p. 33).
Segundo dados do Departamento de Promoção Comercial do Ministério de Relações Exteriores, publicados no artigo, o comércio entre membros do Mercosul saltou de US$ 3,6 bilhões em 1990 para US$ 8,5 bilhões em 1993, num processo que deve ser atribuído, entre outros fatores, ao programa de liberação comercial que, em janeiros de 1994, elevou para 82% a margem de preferência no Mercosul. De janeiro a outubro de 1993 o Brasil exportou para o Mercosul US$ 4,3 bilhões, importando US$ 2,7 bilhões valores que representam índices de crescimento de 35% e 58%, respectivamente.
Mesmo antes de entrar em atividade, o Mercosul já gerou melhoria de competitividade e qualidade de produtos. Segundo o artigo, a partir de 1º de janeiro, com a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC) e da entrada em vigor da União Aduaneira, o mercado já receberia um grande impulso.
Quanto à composição das trocas comerciais dentro do Mercosul, as grandes alterações localizavam-se na indústria automobilística, em ambos os sentidos: a participação de diferentes produtos46 nas exportações brasileiras para os demais países do bloco passou de 13% em 1990, para 23,6% em 1996. De acordo com a autora essa evolução se deveu, certamente, à vigência do acordo automotriz, que induziu a uma produção e, consequentemente, um comércio cada vez mais complementar,
46 Produtos do setor agropecuário, extrativo mineral, extração de petróleo e carvão, minerais não- metálicos, siderurgia, metalurgia dos não-ferrosos, outros produtos metalúrgicos, máquinas e tratores, material elétrico, equipamentos eletrônicos, automóveis, caminhões e ônibus, peças e outros veículos, madeira e mobiliário, celulose, papel e gráfica, borracha, elementos químicos, refino de petróleo, produtos químicos diversos, farmacêutica e perfumaria, artigos de plástico, têxtil, vestuário, calçados, indústria do café, beneficiamento de produtos vegetais, abate de animais, indústria de lacticínios, açúcar, óleos vegetais, outros produtos alimentares e industrias diversas.
especialmente entre o Brasil e a Argentina.
Na pauta de exportações brasileiras, houve mudanças na composição, com alterações mais significativas no petróleo, cuja participação, nula, em 1990, cresce em todo o período, ate atingir 11,5%, em 1996, refletindo a expansão da produção e exportações da Argentina. Piani (2003) também aponta os produtos vegetais beneficiados, caindo se 20,2%, no início da década, consistentemente até 9,5%, em 1996, “uma trajetória provavelmente esperada, por indicar a perda da importância de produtos tradicionais” (p. 48). Por último estão os produtos químicos e calçados, com quedas de participação de 7,2% para 2,2% no primeiro caso, e de 5,7% para 1,8% no segundo, entre 1990 e 1996.
O Mercosul também teve impacto sobre a produção agropecuária e industrial do Brasil, conforme salienta Piani (2003). A formação da união aduaneira certamente permitiu o redirecionamento de uma parcela dos produtos fabricados no Brasil para os Mercados dos outros países membros do Mercosul, através de uma criação de comércio e do deslocamento das exportações de terceiros países (desvio de comércio).
A autora considerou um grupo de “ganhadores” do processo de integração do Mercosul os setores de atividades cujos coeficientes de exportação teriam apresentado uma taxa de crescimento superior à da média nacional, entre 1990 e 1996. Neste grupo destacaram-se: autopeças, metais não-ferrosos, têxtil, farmacêutico, celulose, calçados, automóveis, material elétrico, máquinas e tratores, produtos vegetais beneficiados e produtos metalúrgicos.
[...] Algumas indústrias que já detinham uma parcela do mercado brasileiro expressiva, em relação a sua produção, em 1990, foram bem-sucedidas em manter ou elevar sua participação após a implementação do Mercosul. Como essa posição inicial foi provavelmente incentivada pelas preferências tarifárias concedidas pelo Brasil na segunda metade da década de 1980, sua consolidação durante os anos de implantação do Mercosul equivale à obtenção de ganhos adicionais. Nesse sentido, são também “ganhadores”, além das já mencionadas, a indústria de calçados, de beneficiamento de produtos vegetais, de laticínios e de outros produtos alimentares [...] (PIANI, 2003, p. 53).
A tabela 10 (Anexo III), desenvolvida pela autora, cuja fonte foi o IBGE, resume as informações sobre o coeficiente de exportação líquida do Brasil, que reflete o saldo da balança bilateral. De acordo com Piani (2003), alguns resultados apenas confirmam a assimetria entre as posições mais fortes ocupadas pelo Brasil e as que foram conquistadas pelos demais países do Mercosul. Segundo ela, estes últimos revelaram-se “ganhadores” – portanto superavitários – em toda a agroindústria (à exceção de açúcar e
café, naturalmente), na agricultura, na indústria de petróleo e de calçados. Havia uma tendência favorável a eles também na indústria têxtil e de vestuário.
Em resumo, Piani (2003) conclui que a união aduaneira imperfeita havia funcionado como uma zona de livre-comércio, propiciando aos países as mudanças nas tarifas aduaneiras, desde que os custos dessa proteção fossem assumidos pelo país interessado.
[...] Após a implantação do Mercosul, a participação das exportações brasileiras destinadas a Argentina, Paraguai e Uruguai aumentou de 4,2%, em 1990, para 17,4%, em 1998. O resultado no sentido inverso foi menos expressivo, passando de 11,2%, em 1990, para 16,4%, em 1998 [...] (PIANI, 2003, p. 65).
Em relação às importações do Mercosul, merecem registro, de acordo com a autora, de um lado, os aumentos verificados em atividades de extração de petróleo, automóveis e autopeças; e, de outro, as quedas verificadas em produtos vegetais beneficiados, produtos químicos e calçados.
De acordo com dados publicados em artigo na revista O Equilibrista (1994), o Mercosul contribuiu significativamente para o aumento da produção e qualidade de produtos da pauta de exportações brasileira.