2.7.”ON-OFF HIRE” DENETİMLERİ
2.12. TAŞITANIN YÜKÜMLÜLÜKLERİ
Para iniciarmos a abordagem proposta é conveniente conhecer a literatura sociológica e econômica e os mecanismos de formação e transformação do sistema capitalista industrial, assim como o papel do empreendedor econômico no período clássico da formação do capitalismo63. No entanto, para Cardoso (1972), a teoria socioeconômica sobre o capitalismo não é conclusiva em relação à ação empresarial e a própria função dos empreendedores quando se trata do desenvolvimento atual da economia ocidental “[...] no ‘capitalismo monopolista’ das áreas altamente desenvolvidas e no ‘capitalismo marginal’ das regiões subdesenvolvidas [...]” (CARDOSO, 1972, p. 19).
Conforme indica o autor, os aspectos político-sociais passam a ser mais relevantes na explicação do processo econômico e na análise dos padrões que definem as formas estruturais da sociedade. Prova disso é que na Teoria do Desenvolvimento Econômico a atividade empresarial aparece como uma função na dinâmica do desenvolvimento. Para explicar a afirmação, Cardoso cita Schumpeter:
[...] Basicamente, a função empresarial nas economias capitalistas consiste, para Schumpeter, na combinação nova dos meios de produção e de crédito: ‘o empreendimento de novas combinações denominamos empresa e os indivíduos cujas funções são realizá-las, empreendedores’ (SCHUMPETER, 1961, p. 103). Sem novas combinações não há desenvolvimento econômico, embora possa haver crescimento [...]. Só quando as transformações se originam no âmago do sistema, rompendo o ponto de equilíbrio através de inovações na combinação dos elementos de produção, tem-se um processo de desenvolvimento [...] (CARDOSO, 1972, p. 24).
Segundo Ianni (1989), em países subdesenvolvidos, a industrialização é simultaneamente um processo de ruptura com o presente, podendo envolver até mesmo um rompimento com o sistema econômico social vigente, em suas dimensões internas e externas. “[...] Em alguns casos a ruptura é total, como ocorre nas nações que optam pelo desenvolvimento segundo o modo socialista de organização da produção [...]” (IANNI, 1989, p. 98). Segundo o autor, em outros casos dá-se apenas uma interrupção ocasional, uma quebra transitória daquelas relações da nação consegue mesma e com o
63 As análises de Sombart, Weber e Schumpeter e as críticas anteriores de Marx proporcionam o delineamento básico para a compreensão da questão.
exterior. “[...] É o que está ocorrendo no Brasil [...]”, considera o autor que salienta que o desenvolvimentismo é a ideologia dessa ruptura parcial das nações que optam pelo desenvolvimento capitalista.
[...] No processo de conversão do capital agrícola, comercial, e bancário em capital industrial, essa doutrina constitui-se como uma visão prospectiva da civilização industrial. Exprime alguns conteúdos sociais e políticos dessa metamorfose, desse processo civilizatório. Principalmente, exprime a conversão do poder econômico da burguesia industrial em poder político, em que a hierarquia das classes sociais se reordena em uma nova configuração. O Estado patriarcal se converte em Estado Burguês. Nessa concepção, desenvolvimento significa industrialização. [...] É a ideologia da nova classe dirigente, na fase de ascensão ao poder [...] (IANNI, 1989, p. 98).
Em contornos mais gerais, sob a perspectiva de Ianni (1989), no contexto em que foi gerado o desenvolvimento nacional, a classe dirigente tomou delineamentos cada vez mais nítidos. Para o autor, a singularidade das relações dessa classe, com o proletariado, a burguesia agrária exportadora, o capitalismo internacional e o Estado funda-se na configuração sui generis em que se realizou a conversão da economia agrária exportadora em uma economia voltada em grau crescente para o mercado interno.
[...] O que singulariza a burguesia industrial no Brasil é que a sua hegemonia está repartida em outras facções da burguesia e se apoia, deliberadamente, em composições sucessivas com o proletariado, em conjunto ou em suas facções. Antes de mais nada, a burguesia industrial foi gerada no bojo das crises do capitalismo mundial [...] (IANNI, 1989, p. 109).
Neste sentido, compreende-se que na nova conjuntura, a decisão econômica torna-se de certa forma uma decisão total, ou seja, econômica, política e social, que para ser posta em prática dependerá do jogo de influências, persuasão e imposição, conforme sinaliza o autor.
Por isso a necessidade de compreender a classe dirigente e, no caso da pesquisa em andamento, compreender em especial a ação dos modernos líderes econômicos, os empreendedores, pois além de criar novas combinações, eles têm a tarefa de dar continuidade à organização, pondo em prática técnicas que asseguram vantagem econômica por meio de novas práticas comerciais, financeiras e/ou de produção. Sendo assim, as antigas práticas empresariais passam a orientar-se por formas de pensamento e ação social de novo tipo.
Outrossim, levando em consideração o contexto no qual foi produzida sua obra, Cardoso considera que “o homem de empresa é, mais do que tudo, um líder no sentido político” (1972, p. 32). Entretanto, o autor pontua que esta transformação não se deu porque o espírito do capitalismo mudou e com ele os desígnios, os motivos, a
consciência e o sentido da ação dos empresários, mas porque o capitalismo, isto é, as condições de realização do lucro no mercado e as condições de inversão, modificaram- se.
[...] Na época das grandes sociedades anônimas, a economia é cada vez mais política [...]. Política, no sentido de que o controle da sociedade depende da formação de grupos de pressão nas empresas, do poder de decisão alcançado através das alianças que se formam nas assembleias de acionistas, como mostra Berle, e das alianças entre grupos econômicos. [...] Mas, política, sobretudo, porque a concentração de capitais e a divisão do mercado mundial obrigam, de forma crescente, o surgimento na cena econômica de um novo personagem para garantir a prosperidade: o Estado (cf. Joseph-M. Gillman, 1961, e Maurice Dobbb, 1961, apud CARDOSO, 1972, p. 33).
Por outro lado, também levando em consideração contexto no qual foi desenvolvida a obra de Mancuso (2007), uma de suas reflexões nos chama a atenção: “[...] a divergência instala-se a partir do momento em que um ator político ‘forte’ é definido como aquele cujos interesses coletivos são refletidos sistematicamente pelas decisões não ilegais do poder público” (MANCUSO, 2007, p. 131)
Na perspectiva do autor, o empresariado apresenta uma dificuldade crônica de constituir e manter ações coletivas em torno de propostas unificantes, tanto em âmbito intra-setorial (isto é, em cada setor da economia, tomado separadamente) quanto em âmbito intersetorial (isto é, no caso dos diferentes setores da economia, tomados como um todo).
“[...] Essa deficiência de ação coletiva seria a causa principal da fraqueza política do empresariado no Brasil, ou seja, de sua incapacidade de influenciar o poder público para tomar decisões abrangentes que favoreceriam a operação da iniciativa privada no país [...]”, argumenta Mancuso (2007, p.134-135). Dando prosseguimento em seu raciocínio, o autor afirma que a fraqueza política do empresariado, por sua vez, o incapacitaria de exercer o papel de liderança que deveria assumir, principalmente, a partir do momento em que o antigo modelo de desenvolvimento liderado pelo Estado entrou em crise e em que um novo modelo de desenvolvimento emergiu em seu lugar, modelo em que o papel de protagonista é reservado para a iniciativa privada.
Mancuso chama a atenção para a CNI - Confederação Nacional da Indústria que exerceu um papel central de liderança política na organização e mobilização do empresariado, tanto no movimento pela redução do custo Brasil quanto na criação da CEB – Coalisão Empresarial Brasileira. Além de intensa, a mobilização empresarial obteve um índice elevado de sucesso político.
[...] Ora, a CNI é a entidade de cúpula do sistema corporativista de representação dos interesses da indústria. Curioso é que justamente o
corporativismo é tido pelos autores da quarta onda como o maior responsável pela suposta incapacidade de ação coletiva do empresariado do país, tanto no plano intra-setorial quanto no plano intersetorial [...] (MANCUSO, 2007, p. 136-137).
Retomando a discussão anterior, no capitalismo contemporâneo não houve alteração substancial. O papel do capitalismo de Estado e os efeitos dessa forma de capitalismo, somado a outros fatores sobre o ciclo econômico passam a ser levados em consideração. A distribuição da força de trabalho no sistema produtivo e nas relações dentro da empresa, os desenvolvimentos recentes do capitalismo impuseram modificações, conforme indica Cardoso (1972):
[...] O número dos assalariados não operários, principalmente os técnicos, aumentou, crescendo a influência que estes grupos exercem na sociedade; as relações de exploração assumiram, no âmbito das empresas gigantes, outras formas; e, por fim, tanto houve alterações na estrutura do Estado, como as novas formas de participação política acarretaram problemas de reorganização da vida democrática que, embora não apontem para os caminhos do Socialismo, põe em dúvida a eficácia da democracia tradicional [...] (p. 40).
Neste sentido, o funcionamento do sistema capitalista acaba resultando na politização da economia, tanto no ajuste que se faz necessário entre as empresas para evitar a concorrência, quanto no apelo que se faz necessário a estímulos externos para a criação de condições novas de inversões lucrativas. Isso leva Cardoso a concluir que:
[...] O Estado se torna então tanto um instrumento que “regula” a divisão do mercado entre empresas gigantes (nos desenvolvimentos mais completos desta tendência aparecem os planos “reguladores” do tipo de plano francês e a noção de “economia consertada”), quanto um meio de absorção dos excedentes econômicos [...]. Somando-se a isto o papel decisivo dos Estados nacionais na expansão imperialista e na reorganização da política exterior para permitir o neocolonialismo, tem-se uma ideia bastante nítida do peso da política nacional sobre a prosperidade das empresas [...] (CARDOSO, 1972, p. 41-42).
Por este motivo o autor argumenta que as elites dirigentes da economia no capitalismo contemporâneo tornaram-se, ao mesmo tempo, elites políticas, pois ultrapassar as fronteiras da própria empresa é uma forma de garantir-lhe o êxito.
Pudemos observar este aspecto em uma parcela dos empresários entrevistados, como o caso de Élcio Jacometti que por algumas vezes esteve à frente do Sindicato da Indústria de Franca, foi o presidente com o maior número de mandatos na Associação Brasileira da Indústria de Calçados - Abicalçados, e hoje diz não querer mais envolver- se com nada disso. Hoje, Élcio Jacometti dedica-se ao Instituto de Defesa do Trabalho Infantil, que atualmente atende 1.250 crianças em cursos periódicos.
o empresário Rodolfo Spodário, ex-presidente do Sindicalçados Jaú, que fez parte do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – CIESP; Ivânio Batista foi diretor executivo do SindiFranca e da Abicalçados, por aproximadamente 30 anos; Caetano Bianco Neto, atual presidente do Sindicalçados Jaú, também foi vice-presidente da Abicalçados e diretor do Ciesp, dentre outros exemplos.
Assim, retomando a discussão anterior, Cardoso demonstra que no plano das relações dos grupos econômicos com o Estado, obter novos contratos governamentais e impelir o governo a estratégias que permitam a continuação da prosperidade tornam-se condições para a realização de lucros crescentes, e o controle de opinião pública, nas sociedades de massa, torna-se algo necessário para o êxito capitalista: “É preciso que a Nação se veja representada no Estado e sinta as decisões deste como expressão de vontade coletiva, embora, de fato, o Estado continue a ser, nas resoluções fundamentais, instrumento da prosperidade dos capitalistas” (CARDOSO, 1972, p. 42).
Outrossim, Mancuso (2007), salienta que o conjunto de decisões do setor público que são capazes de interferir sobre a atividade do setor privado é muito abrangente. Segundo ele, a percepção de que tais decisões importam para o desempenho das empresas que comandam é o motivo que impulsiona os empresários a mobilizarem- se durante os processos decisórios, para promoverem seus interesses.
[...] Decisões tomadas por órgãos do setor público de outros países também podem interferir sobre a atividade econômica de empresas localizadas no Brasil. É o que ocorre, por exemplo, quando se interpõem barreiras tarifárias ou não tarifárias às exportações nacionais[...] (MANCUSO, 2007, p. 140).
Além disso, o autor salienta que as políticas regulatórias estabelecem de forma clara tanto os atores favorecidos quanto os atores desfavorecidos. Segundo Mancuso (2007), elas diferem, portanto, das políticas distributivas, que estabelecem com clareza apenas os “clientes” favorecidos. “Ao contrário das políticas distributivas, as políticas regulatórias tendem a gerar relações conflituosas. Atores afetados de forma semelhante pela política regulatória podem formar coalizões e lutar contra os atores com interesses diferentes dos seus” (MANCUSO, 2007, p. 140). O autor chama este tipo de política de “conflitiva” (conflicting issues). Elas provocam um alto grau de interesse em várias empresas, afirma e complementa que as empresas muito interessadas na questão dividem-se em relação à proposta: algumas a favorecem; outras a contrariam. Neste caso, portanto, os interesses são diferentes e conflitantes. Decisões deste tipo também precisam ser investigadas (MANCUSO, 2007, p. 140).
Considerando os comentários de Mancuso, utilizamos como exemplo as declarações dos entrevistados que trazem à tona a questão dos incentivos ou falta deles, tanto para o setor calçadista, como para outros setores no país.
Conforme indica o empresário Paulo Eduardo Poloniato, “[...] a indústria calçadista, com relação a outros setores, não conquistou nada no Congresso. No Brasil, quem domina e leva as benesses é a automobilística, a de linha branca e as construtoras com material de construção [...]” (PAULO EDUARDO POLONIATO, Anexo IVX, p. 4). Segundo ele, estes setores conseguem isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), benefícios e, até mesmo, dinheiro. “[...] Se não está vendendo ‘derruba’ IPI, ‘derruba’ impostos e eles vendem [...]”. Diz o empresário que complementa: “[...] Ao ponto de chegar a forçar a venda com financiamentos de carros com 70 meses, uma geladeira 24 meses. O mundo inteiro é assim. Facilita [...]”. Como se sabe, a população, nos últimos dez anos, graças às prestações, passou a adquirir bens de valor agregado alto, que nunca sonhou em ter. “[...] Chegam a um ponto que pagam a prestação do carro, pagam a geladeira em 24 meses e, após 12 meses, já compram uma televisão, assumindo outra prestação”, diz o empresário. “Hoje, a classe C toda tem televisão, está de carro zero quilômetro, tem celulares e, assim, deixam de comprar um sapato. Se iam consumir quatro pares no ano, compram só dois para pagar as outras prestações [...]”, conclui Paulo Eduardo Poloniato.
As declarações de Rodolfo Spoldário, ex-presidente do Sindicalçdos Jaú, vão ao encontro das ideias acima, pois ele considera que o crédito concedido à linha branca e ao setor automobilístico, deixou outros setores da economia defasados.
[...] Reduz o IPI de móveis, da linha branca, dos veículos. O país não vive só de carros, só de geladeiras, só de máquinas de lavar roupas. [...] a população se endividou! Veja, tenho funcionários que tem celulares do tipo quem eu não tenho. Metade da minha fábrica tem celulares deste tipo. Tenho 45 funcionários, e meia dúzia tem carro zero quilômetro. [...] Ele trabalha e é um direito que ele tem. Veja que ele comprometeu de 40 a 50% de sua renda por um período de cinco a seis anos, um período longo. Ele fez sem ter planejado, no primeiro ano uma maravilha, vendeu o carro, vendeu a moto, deu para cobrir. E no segundo ano? Devolve o carro. Este é um dos fatores absurdos de se vender carros com 72 meses de prazo, enquanto que o nosso setor e o setor de confecções, sofrem com a entrada de produtos da China que acabam matando as empresas (RODOLFO SPOLDÁRIO, Anexo XV, p.6).
O atual presidente do Sincalçados Jaú complementa a declaração de Rodolfo Spoldário ao afirmar que as pessoas não estão comprando e sim trocando os artigos de linha branca que já possuíam. “[...] É fácil ver, a minha fábrica é pequena e acho que tenho os piores eletrodomésticos da turma que trabalha comigo” (CAETANO BIANCO
NETO, Anexo XVI, p. 13).
Por este e outros motivos, o ex-presidente do Sindicalçados Jaú, Giovani de Carvalho Costa acredita que determinados produtos segmento semidurável, como calçados e acessórios, ficaram em segundo plano. Sem dados exatos, ele afirma que em 2010 e 2012 o polo de Jaú reduziu em 50% o volume de produção, sendo que de 2010 para 2011, aproximadamente 15%, 2011 para 2012, entre 30% (GIOVANI DE CARVALHO COSTA, Anexo IVX, p. 4). Segundo ele, esta retração ocorreu também nos polos produtores paulistas de Franca, Birigui e Santa Cruz do Rio Pardo, assim como São João Batista, em Santa Catarina.
O empresário pondera sobre o que a indústria calçadista paga de impostos no país, e considera uma média muito alta que está tirando a sobrevivência das empresas. “[...] O governo precisa arrecadar e isto fica na mão de meia dúzia de pessoas. Não se consegue produzir, e o que se produz é para pagar impostos [...]”, diz Rodolfo Spoldário que declara: “ [...] Quer queira quer não, existe sonegação e, por mais que seja fiscalizado, existe [...]” (RODOLFO SPOLDÁRIO, Anexo XV, p.5).
O empresário Paulo Eduardo Poloniato considera que a indústria de calçados não tem benefício nenhum, seja do Congresso, seja do Governo, seja de impostos. Até quando se fala do estado de São Paulo, era 18%, baixou para 12 e agora baixou para 7. Isto não significa absolutamente nada, porque quem paga imposto não é o industrial nem o lojista.
[...] Quem paga é o consumidor final. O lojista continua com 18% no varejo. A indústria simplesmente transferiu, está recolhendo um valor menor, mas o lojista está recolhendo um valor maior. O valor da arrecadação é o mesmo. E os empresários acham que beneficiou o setor. Só vai beneficiar o setor como acontece com carros e com a linha branca, o ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias)do varejo para o consumidor não é 18, é 7%. Aí o sapato não vai custar R$ 50, vai custar R$ 40. Fora isto é só conversa [...] (PAULO EDUARDO POLONIATO, Anexo XV, p. 4).
Ainda neste viés, Jorge Felix Donadelli, ex-presidente do SindiFranca, faz uma breve retrospectiva e diz que o governo da “revolução” deixou saudades para a indústria de calçados. Segundo ele, nos anos 1970, o setor contava com um incentivo de 12% para o IPI, e 12% para o ICM. “Se você exportasse um sapato com prejuízo, ou seja, até pelo verdadeiro preço de custo, você tinha um incentivo do governo de 24%. Ao se comprovar a exportação, tinha este crédito no Banco do Brasil” (JORGE FELIX DONADELLI, Anexo VIII, p. 3), lembra o empresário que considera que com isto, Franca cresceu muito.
O empresário Élcio Jacometti faz declarações a partir do que vivenciou quando foi presidente da Abicalçados, demonstrando ter uma perspectiva diferente acerca da questão em pauta.
[...] a gente estava em Brasília, pelo menos uma vez por mês. Nós nunca pedimos proteção para indústria. Acho que a indústria não precisa de proteção, a indústria que pede proteção é arcaica, ela não pode ter proteção. Sempre pedimos a igualdade de competitividade, isto nós precisamos ter. Eu preciso ter a mesma condição que o chinês, o indiano o paquistanês tem, eu preciso desta condição de igualdade e competitividade. Isto nós sempre pedimos. Agora, não estou pedindo para baixar impostos, para dar incentivo. Isto já foi. Eu acho que da época do Fernando Henrique para cá teve problema cambial, é lógico, nada ia andar 100%, mas um país não se conserta em quatro ou oito anos de governo. Um país demora décadas para arrumar... Eu acho que está arrumando até depressa. Os impostos fazendo reforma tributária, só está melhorando. Baixou IPI do carro, da linha branca, ótimo, amanhã baixa de outro produto, vai fazendo uma reforma, outra, tirou o CPMF. Isto tudo é mais dinheiro que volta para o consumo, o governo não é “bobo” [...] (ÉLCIO JACOMETTI, Anexo VII, p. 8).
O empresário Miguel Betarello também expõe seu posicionamento frente a esta questão, citando a recente desoneração na folha de pagamento, considerando-a como uma significativa ajuda às indústrias calçadistas, pois se trata de uma grande agregadora de mão de obra.
[...] Tempos atrás, tivemos a redução do ICMS para o Estado de São Paulo, mas isto não refletiu positivamente, porque ele não mexeu no ICMS do varejo. Teve uma redução de 5% no Interior do Estado de São Paulo, em contrapartida, o lojista deixou de se creditar 5%. Ele deu para a indústria de calçados, mas não deu para o lojista. Então, o lojista pediu os 5% de desconto, isto foi muito desgastante, estes acordos e estas composições [...] (MIGUEL BETARELLO, Anexo IX, p. 4).
Ivânio Batista também expõe o seu ponto de vista acerca desta questão, chamando atenção para os números nos anos recentes de exportação. Segundo ele, Franca perdeu muito na exportação.
[...] A indústria paulista de calçados corre sérios riscos, há alguns anos. Por quê? Por esta guerra fiscal. Nós temos estados oferecendo benesses que o estado de São Paulo não pode oferecer. O quê está acontecendo? O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro de calçados, não importa o tipo. O estado de São Paulo sempre foi o segundo maior produtor. Hoje já não é mais. Já tem estado no nordeste que superou. O Ceará já produz mais que o estado de São Paulo, por quê? Em razão dos benefícios fiscais. Então isto vem diminuindo o potencial da indústria paulista de calçados, diminuindo