• Sonuç bulunamadı

4.1. Araştırmanın Birinci Alt Problemine İlişkin Bulgular ve Yorumlar

4.1.5 Sosyal Medyanın Öğrencilerin Davranışlarına Etkisine İlişkin Yönetici

“Os motivos da decadência das cidades são mais profundos e complexos. Dizem respeito ao que pensamos ser desejável e à nossa ignorância a respeito do funcionamento das cidades”.

(JACOBS, 2000)

Um grande empresário e o seu desejo de contribuir para uma sociedade mais humana e harmoniosa. Esta idéia não é nova, mas insinuante.47 Nesta linha de pensamento surge a idéia de se criar no meio da “decadência” de Ribeirão das Neves, um projeto assistencialista, mantido e gerenciado pela iniciativa privada, com o objetivo de abrigar jovens estudantes, de parcos recursos econômicos e que não sejam ou tenham sido menores infratores ou contraventores. Os maus trilham outros

47 O Conde Matarazzo e as suas propostas econômicas para o Brasil motivaram uma série de

discussões que o levaram a tornar-se mito na cidade de São Paulo nas décadas de 1910 e 1920. O empresário e apresentador de TV Sílvio Santos é a imagem mais caricatural do homem que vende sonhos através da possibilidade de adquirir a casa própria e outros bens por meio de sorteios ou através de jogos. O jornalista, escritor e empresário Roberto Marinho, construiu um império nos meios de comunicação e influiu decisivamente na economia e na política nacional. Todos eles, no imaginário coletivo, conseguiram transformar o sonho em ação efetiva. Em um país com um dos maiores índices de desigualdade social e econômica do mundo, admirar os pouquíssimos que chegam a consolidar os seus objetivos econômicos virou lugar comum.

112

caminhos, merecem a prisão. Ribeirão das Neves tem lugares demarcados para os que afrontam a ordem coletiva.

O criador da instituição filantrópica, o empresário Jairo Azevedo, proprietário de diversas empresas que vão do ramo de relojoaria a instituições financeiras como banco e empresas de crédito financeiro, atribui ao mundo espiritual a inspiração para a sua criação e o seu funcionamento. Segundo relatos pessoais, ele teve um pequeno surto, uma espécie de desmaio e, com isto, uma visão que lhe mostrava que caminhos deveria seguir para ajudar ao próximo. A fé moveu montanhas, pessoas e capital. O projeto simboliza o sucesso, a persistência e o poder de um homem sonhador que antes do sucesso profissional, passou por muitas dificuldades financeiras. A obra tornou-se real, promoveu uma nova roupagem para Ribeirão das Neves, que continua a ser a cidade de muros.

A “Cidade dos Meninos” é mantida e administrada por uma entidade jurídica presidida pelo empresário citado. É denominada Associação de Promoção Humana Divina Providência (APHDP) e coordena variados projetos sociais em algumas cidades mineiras. Estes projetos são mantidos por doações e contribuições voluntárias. Algumas instituições mantidas e administradas pela APHDP, como já vimos, são: Lar dos Meninos São Vicente de Paulo, Lar dos Idosos São José, Centro Sócio Educativo Dom Luiz Amigó, Central de Abastecimento e Assistência a famílias carentes, diversos Centros de Formação Profissional e a “Cidade dos Meninos”, foco desta pesquisa acadêmica.

Uma curiosidade singular em vários projetos da Associação de Promoção Humana Divina Providencia (APHDP) é o seu discurso de resgate da dignidade humana e a preparação e especialização da mão-de-obra para o mercado de

trabalho. Sem trabalho não há vida, esperança e salários. Sem trabalho (ou a falta dele) não há exploração do outro, nem obras sociais.

No papel de idealizador da “Cidade dos Meninos”, o Sr. Jairo mostra-se um homem bem articulado socialmente, politicamente forte (mesmo que em sua fala diga que não se interessa pela política) e bastante ousado nas suas pretensões. Uma delas é a construção, nos próximos anos, de um centro de educação tecnológica na área onde funciona o projeto “Cidade dos Meninos”. As suas empresas têm como vitrine a produção e a comercialização de relógios da marca “Séculus”. Recentemente, iniciou suas operações com o banco “Semear”. A diretoria da Associação de Promoção Humana Divina Providência é composta ainda, por outros empresários de ramos diversos de atividades em Belo Horizonte e por economistas, comerciantes e advogados. Não recebem nenhuma remuneração por participarem do projeto. A intenção é ajudar aos mais necessitados. 48

Além disto, o idealizador do projeto mostra-se um homem bastante religioso e tem como referência de sua formação, os princípios morais preconizados pela Igreja Católica. Estes princípios são amplamente difundidos na “Cidade dos Meninos”. Não há espaço para manifestações de pensamentos ou opiniões em contrário com mais intensidade.49 Uma conquista a ser construída.

A diversidade, assim com a mentira, tem perna curta, quase não anda, não dá passos largos na instituição filantrópica. Estabeleceu-se relação de domínio a partir do parâmetro religioso. O pensamento é unificado, mas possibilita mudanças.

48 Fonte: Revista Solidariedade – divulgação – s/d.

49 O Sr. Jairo Azevedo publicou um livro denominado “Princípios Morais”, onde são abordados temas

como casamento, aborto, sexo, religião, virgindade, drogas e juventude. Percebe-se uma visão claramente identificada com tradicionais valores cristãos e pensamentos da Igreja Católica. Neste livro não há nenhuma discussão mais aprofundada sobre os temas propostos, mas a linguagem é clara pbketiva. Em cada casa-lar há um exemplar desta produção literária para consulta.

114

O cotidiano das pessoas que vivem a intimidade da instituição presidida pelo empresário é cercado de diversos momentos de orações e fervor baseados no catolicismo. Eles estão presentes nas missas, nas catequeses, nas refeições e nas casas-lar. Há, por certo, alguns arranjos neste comportamento coletivo relacionado à profissão de fé. Um exemplo é a prática de catequese, que agora se denomina católica e não católica.

A Associação de Promoção Humana Divina Providencia (APHDP) é registrada como de utilidade pública nos níveis Federal, Estadual e Municipal. É uma instituição civil, filantrópica, de direito privado e sua sede se localiza em Belo Horizonte. A capital do estado abriga a sede do projeto que ampara a pobreza na periferia.

Segundo documento disponibilizado pela instituição,

Constitui-se objetivo precípuo da Associação, a assistência, promoção moral e humana, espiritual, material às pessoas ou famílias carentes, no que tange à alimentação, vestuário, material escolar, saúde, educação, profissionalização e habitação50.

Em partes, os objetivos da APHDP se assemelham aos propostos pelo Estado, mas não os substituem, mesmo que em Ribeirão das Neves o Estado apareça como quase ausente em diversos momentos. A parceria público/privado, neste caso, apresenta-se como necessária e positiva para a comunidade.

A “Cidade dos Meninos” ocupa uma extensa área no centro expandido de Ribeirão das Neves. O seu funcionamento iniciou-se em 1993, com 48 meninos em regime de internato, mas a inauguração oficial da obra ocorreu somente em 1998. Atualmente estão lá mais de mil rapazes e moças entre internos, semi-internos e externos. Segundo dados da instituição divulgados na Internet, são mais de 5.000 (cinco mil) jovens atendidos. A pesquisa se deterá sobre os internos, jovens que moram e vivem na instituição filantrópica.

Para uma compreensão maior, a tabela a seguir descreve os períodos que alunos internos e semi-internos passam na instituição. Os alunos externos ficam na instituição apenas no turno em que estão matriculados nas escolas ou nos cursos profissionalizantes. Semi-internos são os matriculados na escola e nos cursos profissionalizantes e que vivenciam o dia na instituição, mas retornam às suas residências no final do dia. Alimentam-se, têm acompanhamento social e psicológico e participam de atividades de lazer. Os internos ficam lá de segunda a sábado, em período integral e não podem sair, a não ser em casos muito especiais. (ANEXO 05 e quadro 03)

TURNO/

DIA SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO

MANHÃ Int/Sint Int/Sint Int/Sint Int/Sint Int/Sint Int Visita às Famílias

TARDE Int/Sint Int/Sint Int/Sint Int/Sint Int/Sint Visita às Famílias Visita às Famílias

NOITE Int Int Int Int Int Visita às Famílias Int

QUADRO: 3 – TEMPO DE PERMANÊNCIA INTERNOS (Int) e SEMI-INTERNOS (Sint). Na “CIDADE DOS MENINOS” – POR TURNOS.

Criação: Paulo Oliveira, 2005 – Ver Anexo 05 para complemento das informações.

Na instituição, o internato tem como base de funcionamento a presença dos jovens durante toda a semana. A saída é permitida apenas aos sábados, no período da manhã, quando saem também as mães-sociais e outros funcionários. O semi- internato possibilita que os jovens retornem cotidianamente aos seus lares após o jantar. A semana de atividades na instituição, para eles, se encerra na sexta-feira à noite. Os alunos externos são os que freqüentam a instituição apenas nos horários de aula das escolas regulares ou cursos profissionalizantes aos quais estão vinculados. As escolas regulares de ensino fundamental e médio pertencem, como já ressaltamos, ao Poder Público. Alunos externos podem ainda, consultar a

116

biblioteca em horários pré-determinados pela instituição, desde que este horário não coincida com os das aulas.

A “desordem” da vida social estabelecida coletivamente em Ribeirão das Neves transforma, de certa forma, determinadas atividades no interior da CDM. A missa e a palestra sobre os valores morais que ocorriam aos sábados pela manhã em anos anteriores, passaram para as noites de sextas-feiras. Os motivos para tais mudanças, segundo alguns dirigentes do projeto filantrópico, é o baixo poder aquisitivo das famílias dos semi-internos, que não podem ter gastos excessivos com transporte. Mais um deslocamento no sábado pela manhã, significaria mais despesas.

Outra transformação importante ocorrida no cotidiano da CDM foi a ampliação do horário da saída dos internos, que em anos passados, poderiam retornar aos seus locais de moradia nas noites de sexta-feira juntamente com os jovens do semi- internato. O medo da violência no município falou mais alto e o tempo de enclausuramento juvenil aumentou. A claridade da manhã daria mais segurança aos internos, mães-sociais e demais funcionários. Com esta atitude, a instituição teve mais gastos com alimentação, provimento de água, horas-extras de funcionários, fornecimento de energia elétrica, etc. Mostrou-se amadurecida na sua decisão e preocupada com a vida dos seus jovens para além dos seus muros. Humanizou a relação com os jovens e com a comunidade.

A CDM não sobrevive apenas dos seus muros e da sua vigilância incessante. Consegue ir além dela mesma, dribla os conflitos do urbano fragmentado estabelecido em Ribeirão das Neves. Leva-nos a pensar em como o simulacro de cidade aponta seduções para compreendê-lo como algo maior do que a cópia das funcionalidades da cidade.

Os semi-internos são liberados no turno da noite porque, segundo fontes da CDM, na sua maioria, estes jovens moram nas proximidades da instituição que os acolhe. Na seleção para uma vaga neste estabelecimento, os jovens que moram mais distantes são aconselhados a optarem pelo regime de internato. Outros fatores, como renda, tipo de família e idade são levados em conta na seleção dos menores e na deliberação sobre o enquadramento deles no internato ou nos semi-internato.

O morar nas proximidades da instituição não significa afirmar que os adolescentes fazem o percurso residência/CDM a pé. Todos os dias à noite um número expressivos de vans, micro-ônibus, kombis e ônibus ficam na área interna da CDM aguardando os alunos do semi-internato saírem. No início da manhã este movimento se repete.

Em anos anteriores os veículos não podiam entrar na instituição. O medo da violência no município e o compromisso firmado pela CDM em zelar pela segurança dos jovens, falaram mais alto. A área territorial compreendida como fechada em si mesma, abriu os seus espaços para a circulação dos automóveis, uma das necessidades criadas pela cidade.

Motocicletas, no entanto, não podem ultrapassar os limites da portaria. Este meio de transporte só pode ser utilizado na área interna da instituição pelos seus vigilantes.

Um professor da escola de ensino médio confessava que não entendia o porque de tal decisão. “Os professores que chegam de carro podem ir até a porta da

escola na maior tranqüilidade. Eu chego e tenho que deixar a moto na portaria e subir e descer a pé”. Questionado sobre o porque de não solicitar uma explicação

mais elaborada da CDM, o professor responde que “é uma regrinha besta, sem

118

deixam motos subirem até a escola. É preconceito.51” Diversas respostas poderiam

ser dadas na busca de uma explicação sobre esta decisão da CDM, inclusive o preconceito em relação ao uso de motocicletas. Como ninguém perguntou, não há o que esclarecer. Não há a necessidade de respostas para o que não é questionado.

A dinâmica espacial que se apresenta na CDM é um reflexo de um movimento maior. O exemplo do cuidado com a violência e a abertura, mesmo que restrita, ao fluxo de veículos, reforçam esta questão.

Aos sábados e domingos a instituição fica quase vazia. Só permanecem alguns funcionários responsáveis pela vigilância e seus poucos moradores fixos. No final da tarde do domingo começa o movimento de retorno das pessoas.52 A entrada é gradativa e segue uma seqüência estabelecida: funcionários, moças do internato e por fim, os rapazes.

De 1998 (ano da sua inauguração formal) até hoje (2007), a “Cidade dos Meninos” transformou-se, expandiu-se, tomou novas formas, apropriou-se de alguns equipamentos públicos do Estado, deu o tom do seu funcionamento de forma clara e gerou empregos diretos e indiretos para o município. Ganhou notoriedade nos meios político e social. Mostrou a força do empresário empreendedor, cristão, justo e preocupado com a juventude da periferia. Das trevas veio a luz. Da ausência do Estado veio o empresário. Da pouca consistência da cidade surgiu o seu arremedo, que pressupõe grandiosidade.

Os pilares de funcionamento da “Cidade dos Meninos” são: amor e carinho, disciplina e ociosidade zero. Tudo isto aliado à confiança na “Divina Providência”,

51 Fonte: Trabalho de Campo. Narrativa colhida em 2007.

52 Um exemplo curioso que mostra a precariedade do transporte público no município é que alguns

internos e mães-sociais chegam em horários bem mais cedo do que o previsto porque, dependendo do seu lugar de moradia, a quantidade de ônibus em circulação é reduzida nos finais de semana. O espaçamento de horários entre eles é bem maior.

pois “quem realiza a obra é Deus, as pessoas são apenas instrumentos53”. A

instituição abriga, como dito anteriormente, jovens de 13 a 17 anos, em tipos diferenciados de acolhimento54. Rapazes e moças não têm maiores contatos no dia- a-dia. Outra padronização de comportamento se estabeleceu: a das condutas pessoais a partir do gênero. Intimidade entre eles é algo distanciado do real. Há espaços físicos e limitados que são apropriados para homens ou para mulheres. Refeitórios, casas-lar, quadras ou assentos no auditório são rigorosamente divididos entre masculino e feminino. Homens e mulheres convivem juntos, mas não se misturam (Figura 06).

53 Idem

54 Desde o início de 2006, a CDM passou a acolher jovens de 12 anos. A explicação dada para esta

120

Casa-Lar das Meninas Internas Casa-Lar dos Meninos Internos

Caminho percorrido todos os dias por uma menina interna Caminho percorrido todos os dias por uma menino interno

Alojamento dos Semi Internos

Alojamento dos Funcionários

Regionalização dos internos por sexo na Cidade dos Meninos

ORGANIZAÇÃO:

Lussandra Martins da Silva, 2007 FONTE: Cidade dos Meninos São Vicente de Paula.

FIGURA:36 – Separação formal dos ambientes masculinos e femininos. Espaços limitados, divididos e pouco apropriados. Meninos e meninas contemplam perspectivas diferenciadas da CDM a partir de seus trajetos diários da casa-lar até o refeitório. A referência de deslocamento baseia-se nos percursos das casas de número 01 e 100.

A separação de espaços entre homens e mulheres é fenômeno antigo e presente na nossa sociedade. A explicação dada pela “Cidade dos Meninos” para que ocorra a divisão de ambientes e de lugares para jovens do sexo masculino e feminino é, além do perigo da promiscuidade sexual, a manutenção da ordem. Perrot (1998, p.37) mostra que a ameaça da combinação dos dois sexos em alguns espaços já assustava a França do Século XIX:

No século XIX as mulheres se mexem, viajam. Migram quase tanto quanto os homens, atraídas pelo mercado de trabalho das cidades, onde acham emprego, principalmente como empregadas domésticas.

Estas cidades, que as chamam sem realmente acolhê-las, empenham-se em canalizar a desordem potencial atribuída à coabitação entre homens e mulheres. Daí uma segregação sexual do espaço público.

Existem lugares praticamente proibidos às mulheres – políticos, judiciários, intelectuais e até esportivos... – e outros que lhes são quase exclusivamente reservados – lavanderias, grandes magazines, salões de chá...

Na cidade, espaço sexuado, vão porém se deslocando, pouco a pouco, as fronteiras entre os sexos.

As fronteiras entre os sexos não se romperam, se modificam vagarosamente, como sugere a autora. Novos espaços quase que exclusivamente masculinos ou femininos são criados. Somos formados para nos encontrar no que é socialmente aceito. As proibições estão em todos os espaços. Infringi-las não vale a pena.

O tempo de utilização de alguns ambientes na “Cidade dos Meninos” mostra outra estratégia de controle. Biblioteca ou Centro de Saúde são exemplos de como rapazes e moças têm agendas e tempos separados para a sua utilização. Algo que merece um destaque nesta discussão é a figura do pesquisador que aparece como neutra em alguns momentos. Por diversas vezes, houve convites para freqüentar espaços masculinos e femininos na instituição. Outras vezes, o pesquisador aparecia como estranho ou fora do lugar para algumas pessoas, mas não houve registro de maiores desgastes ou embaraços por este motivo. Pesquisador aparece como anjo, sem sexo definido, mas cheio de bondade. O sexo é visto como demoníaco em setores diversos da nossa sociedade. É necessário ter cuidado com ele, podá-lo para que não mostre as suas potencialidades por inteiro.

122

A “Cidade dos Meninos” se apresenta com uma proposta de promover o crescimento pessoal dos jovens por meio da vivência no esquema sugerido para a vida intra-muros. É uma “fuga” da cidade real e milhares de jovens esperam por esta oportunidade a cada ano, mas “muitos são os convidados, poucos os escolhidos”. Os muros da “Cidade dos Meninos” (assim como foram os da antiga Penitenciária Agrícola de Neves) não assustam, promovem a cidade, despertam sonhos e têm uma história por contar.

A dimensão do espaço interno da “Cidade dos Meninos” está nas suas ruas, casas-lar, escolas, galpões e oficinas profissionalizantes que preparam futuros trabalhadores. Não só a sua estrutura física encanta os jovens. A disciplina é uma das seduções em pauta. A sua organização, idem. A responsabilidade que a instituição filantrópica assume com cada jovem que acolhe, é algo que merece crédito ainda maior. Estrutura física, disciplina e preocupação com a juventude impedem o contato com muitos dos denominados problemas urbanos.

Tomando-se como referência a estrutura física da CDM mostrada nas ilustrações anteriores, podemos perceber a imponência do sagrado. A igreja fica em um dos locais mais altos e centrais da instituição. Um funcionário alerta que, talvez, o idealizador da obra não tenha capturado a idéia de que a CDM iria crescer tanto. O templo religioso é muito pequeno se comparado ao tamanho de outras estruturas físicas que acolhem muitas pessoas com conforto e seguranças. A igreja, no entanto, não perde a sua característica religiosa. Diversos encontros de catequese, reuniões pedagógicas e cultos religiosos de menor proporção acontecem neste ambiente sagrado. A igreja é utilizada como espaço de congraçamento coletivo quando vários casamentos de moradores do município se realizam lá. O arremedo

de cidade reduziu o papel da igreja matriz como símbolo do lugar imponente para a celebração do matrimônio.

Na área central da instituição há o prédio da Administração Geral. Está situado entre as duas escolas de ensino regular. Assim como a igreja, este prédio situa-se em um local mais alto e contempla o sentido da imposição da ordem e da hierarquia.

O Centro de Saúde posiciona-se logo após a entrada principal da instituição. Como também há atendimento externo, a instalação que tem o seu caráter público, facilita o acesso de quem procura por seus serviços. “O espaço organiza-se segundo as estruturas de classes do lugar e a correlação de forças que entre elas se estabelecem” (CARLOS, 1995, p.38). A instituição pesquisada imita os movimentos da cidade, desperta relações de poder e de força e, de certo modo, legitima a funcionalidade das instituições por meio dos muros e do enclausuramento.

Os diferentes usos e apropriações da instituição “Cidade dos Meninos” aparecem como regulados, perfeitos, construídos, prontos. A indicação dos percursos feitos por meninos e meninos das suas respectivas casas-lar até o

Benzer Belgeler