2.1 Okul Çevresi
2.1.1 Destekleyici ve Engelleyici Okul Çevresi
2.1.1.3 Destekleyici ve Engelleyici Öğretmen Özellikleri
Ora, os intelectuais, costumeiramente, possuem condições privilegiadas de trabalho e de vida; parecendo serem detentores, se assim podemos dizer, de uma consciência concreta, donos de um saber absoluto. Disso resulta-lhes um direito de fala que se apresenta como ideal tanto de verdade como de justiça. Tornando-se, aos olhos de uma sociedade normalmente inculta e passi- va, um representante cujo discurso tem caráter universal. Foucault analisa este intelectual como um ‘intelectual universal’(Cf. FOUCAULT, 2004a, pp. 10-11), cujo saber deriva do fato deste se apresentar como o homem da justiça e da lei. Para Foucault, a origem deste intelectual deriva do Jurista-Notável e possui um recorte histórico determinado.
19 O poder vem de baixo; isto é, não há no princípio das relações de poder e como matriz geral, uma oposição binária
e global entre os dominadores e os dominados, dualidade que repercute de alto a baixo e sobre grupos cada vez mais restritos até as profundezas do corpo social. Deve-se, ao contrário, supor que as correlações de forças múltiplas que se formam e atuam nos aparelhos de produção, nas famílias, nos grupos restritos e instituições, servem de suporte a amplos efeitos de clivagem que atravessam o conjunto do corpo social. Estes formam, então, uma linha de força geral que atravessa os afrontamentos locais e os liga entre si; evidentemente, em troca, procedem as redistribuições, alinhamentos, homogeneizações, arranjos de série, convergências, desses afrontamentos locais. As grandes domina- ções são efeitos hegemônicos continuamente sustentados pela intensidade destes afrontamentos. (FOUCAULT, 1999b, p. 90)
20 Foucault concede duas entrevistas em que faz a diferenciação entre o intelectual específico e os ‘universal’ e o
‘orgânico’ de Gramsci que o identifica com uma classe social, diferentemente do filósofo francês. A primeira entre- vista é “Verdade e Poder” e a segunda é “Os intelectuais e o poder” in: FOUCAULT, 2004. Oscar Cirino define ‘Intelectual específico’ como aquele que busca intervir em situações determinadas, em domínios precisos, a fim de contribuir para a sua modificação, reinterrogando postulados, dissipando familiaridades e abalando as maneiras se- dimentadas de fazer e pensar. Ao abandonar a pretensão de ser a consciência da humanidade, o porta-voz "universal" da verdade e da justiça, o intelectual específico não deixa, entretanto, de ser um intelectual, não se emprega a um puro ativismo. (Cf. CIRINO, 1989, pg. 25).
Pode-se supor que o intelectual “universal”, tal como funcionou no século XIX e no começo do século XX, derivou de fato de uma figura histórica bem particu- lar: o homem da justiça, o homem da lei, aquele que opõe a universidade da jus- tiça e a eqüidade de uma lei ideal ao poder, ao despotismo, ao abuso, à arrogân- cia da riqueza. As grandes lutas políticas no século XVIII se fizeram em torno da lei, do direito, da constituição, daquilo que é justo por razão e por natureza, daquilo que pode e deve valer universalmente. O que hoje se chama “o intelec- tual” (quero dizer o intelectual no sentido político, e não sociológico ou profis- sional da palavra, ou seja, aquele que faz uso de seu saber, de sua competência, de sua relação com a verdade nas lutas políticas) nasceu, creio, do jurista; ou em todo caso, do homem que reivindicava a universalidade da lei justa, eventual- mente contra os profissionais do direito (na França, Voltaire é o protótipo destes intelectuais). O intelectual “universal” deriva do jurista-notável e tem sua ex- pressão mais completa no escritor, portador de significações e de valores em que todos podem se reconhecer. (FOUCAULT, 2004a, pp. 10-11)
Na sequência histórica pontuada por Foucault, surge, na virada do século XIX, a partir do positivismo científico e das especificidades das diversas ciências, um outro tipo de intelectual, o, já citado, intelectual específico.
O intelectual “específico” deriva de uma figura muito diversa do “jurista- notável”: o “cientista-perito’. Eu dizia há pouco que foi com os atomistas que ele começou a ocupar o proscênio. De fato, ele se preparava há muito tempo nos bastidores, estava mesmo presente em um canto do palco desde, digamos, o fim do século XIX (Idem)
O papel desse torna-se importante na medida em que ocupa responsabilidades políticas, pois, ao atender problemas específicos, estará lidando também com problemas das grandes mas- sas. O intelectual específico, defendido pelo filósofo, atua em setores determinados, pontos espe- cíficos, dominando determinados conhecimentos que põe em ação de maneira imediata, e desta forma opera uma crítica bem elaborada sobre um campo que recobre suas competências, dirigin- do-se a problemas específicos, que muitas vezes não são aqueles que se referiam às massas, mas se aproximam deles porque se tratam de lutas reais, materiais e cotidianas, presentes nas condi- ções de trabalho ou mesmo nas situações da vida cotidiana, como por exemplo, questões relacio- nadas à moradia, ao hospital, ao asilo, ao laboratório, à universidade, às relações familiares ou sexuais. Ou seja, o intelectual específico age sobre problemas muito bem definidos, graças a seus conhecimentos múltiplos.
Seu principal campo de luta é o da produção da verdade - entendida não como o que po- deria haver de verdadeiro nos conhecimentos, mas como “o conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui aos verdadeiros efeitos específicos de poder” (FOUCAULT, 2004a, p. 13). É, sobretudo, neste campo, em torno do estatuto da verdade (em nossa época, identificada primordialmente com o discurso científico) e do seu papel econômico e político, que Foucault procurará atuar.
O importante, creio, é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder (...). A verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças a múltiplas coerções e ne- le produz efeitos regularmente de poder. Cada sociedade tem seu regime de ver- dade, sua ‘política geral’ de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro. [...] entendendo-se, mais uma vez, que por verdade não quero dizer “o conjunto das coisas verdadeiras a descobrir ou a fazer aceitar”, mas o “o con- junto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui aos verdadeiros efeitos específicos de poder. (FOUCAULT, 2004a, p.12-13)
O autor, primeiramente, estabelece que não há conceito de verdade se não houver o con- ceito de poder. A verdade é constituída de acordo com o meio social de cada grupo, ou seja, o que é verdade para um grupo não necessariamente será para outro. É também factual que cada sociedade tem o poder de considerar um enunciado falso o verdadeiro e, dentro de suas concep- ções, aplicar as sanções previstas em suas leis.