I. BÖLÜM: ULUS-DEVLET VE KÜRESELLEŞME
2. Küreselleşme Tanımı –Süreci
2.1. Küreselleşmenin Tanımı
2.1.3. Siyasal Nedenler ve Boyutlar
B 3.2 - (Ver A.3.3) O volume de informação mantida por órgãos públicos deve
ser colocado sob domínio público.
BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL Domínio público
Domínio público Domínio público Domínio público Domínio público
Do ponto de vista legal, hoje só existem três circunstâncias pelas quais determinado conheci- mento se torna de domínio público:
• Vencimento dos prazos de proteção aos di- reitos patrimoniais (estendidos para até 70 anos após a morte do autor); no caso das obras audiovisuais, o prazo de proteção é de 70 anos contados após o 1º de janeiro seguinte ao lança- mento da obra53; e, no caso de obras fotográficas, a partir de 1º de janeiro do ano seguinte à publi- cação;
• Falecimento do autor, sem deixar herdeiro reconhecido;
• Autoria desconhecida, ressalvado quando se tratar de conhecimento popular, folclórico ou na- tivo (de forma a proteger os povos tradicionais).
Usos alternativos têm de ser autorizados54 pelo autor, de maneira explícita – caso contrário, a lei assume que “todos os direitos estão reservados” e qualquer uso (como cópia e adaptação sem ex- pressa autorização do titular do direto, por exem- plo) decorre em infração do direito autoral, res- salvados os poucos, e restritos, casos previstos em lei que permitem o uso lícito sem expressa autori- zação do titular.
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Não há, no Brasil, qualquer dispositivo legal que garanta, ou pelo menos incentive, que o co-
nhecimento – cultural e científico – produzido com o apoio de recursos públicos, se torne parte do domínio público. A já citada proposta da Lei Geral do Audiovisual, se aprovada, viria a se tornar o único instrumento legal com essa perspectiva e, mesmo assim, garantiria um uso limitado das obras audiovisuais financiadas por verbas públi- cas somente após oito anos de sua primeira veiculação.
A única menção sobre este tema na legislação brasileira atual refere-se à propriedade estatal (e não ao domínio público) das obras produzidas com verbas públicas e vai na direção contrária à abertura. Nesse sentido, a Lei 9.610, em seu artigo 6º, afirma que “não serão de domínio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípi- os as obras por eles subvencionadas”.
As instituições de fomento à pesquisa mais importantes no Brasil, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), não mantêm esforços organi- zados para compartilhar o conhecimento produ- zido com seus recursos. Ao contrário, ambas as instituições mantêm departamentos que auxiliam os pesquisadores a registrarem seus inventos e obras para garantir sua exploração comercial.
Entretanto, alguns aspectos das políticas de financiamento de pesquisas são de caráter essen- cialmente público e têm como fundamento a pro- dução de conhecimento que auxilie o poder público a efetivar direitos humanos. Um bom exemplo dessas linhas de financiamento são as pesquisas que visam ao aprimoramento da produção de cis- ternas, tecnologia de baixo custo que propicia o 53.
53. 53. 53.
53. Para que uma criação se torne de domínio público no Brasil, portanto, são necessários 20 anos a mais do que impõe o TRIPS, que estabelece que o tempo mínimo de proteção dos direitos do autor é de 50 anos. Na legislação aprovada em 1973, que antecedeu a Lei 9.610/98, o Brasil também garantia os direitos patrimoniais por 70 anos, 20 a mais do que prevê a Convenção de Berna.
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armazenamento de água no semi-árido brasilei- ro. Na área da Comunicação, o incentivo ao de- senvolvimento do software livre é a mais clara iniciativa nesse sentido. Porém, o pequeno aporte de recursos para a pesquisa acadêmica e científica pelos sucessivos governos55, por melhores que se- jam as intenções dos gestores das verbas, preju- dica a promoção em grande escala desse perfil de financiamento.
Portanto, não há uma tradição, nem uma dire-
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55. Fontes oficiais afirmam que o Brasil investe atualmente 1,05% do PIB em pesquisa. Desse montante, segundo a Fapesp, 63% têm origem estatal (o que corresponde a 0,66% do PIB). Entretanto, outras fontes ligadas ao próprio governo contestam esses números, afirmando que parcela significativa desses valores é “contingenciada”, ou seja, consta nos orçamentos, mas não é de fato executada.
56. 56. 56. 56.
56. Sobre acesso a informações públicas e governamentais, consultar o Pilar A deste relatório.
B 3.3 - Canais e empresas públicas devem colocar seus arquivos sob domínio
público.
triz de governo atual, que aponte para que o co- nhecimento financiado por órgãos públicos seja colocado sob domínio público. Contudo, é possí- vel afirmar que há uma tendência do poder públi- co em disponibilizar para consulta56 e reprodução (resguardada a citação da fonte), as informações mantidas sob seu domínio. O pequeno número de pessoas incluídas digitalmente é, por certo, uma limitação a essa intenção de tornar acessí- veis essas informações ao conjunto da população.
Comunicação pública Comunicação pública Comunicação pública Comunicação pública Comunicação pública
Os serviços públicos de comunicação no Brasil têm políticas distintas em relação ao uso de seus arquivos. A Fundação Padre Anchieta, entidade de direito privado mantenedora da TV Cultura, maior televisão de caráter público do país, não disponibiliza a totalidade de seus documentos ao público e a maior parcela da programação é pro- tegida por direitos autorais “convencionais”. Além disso, para ter acesso a cópias de programas é preciso pagar taxas que visam, além de cobrir o custo das cópias, financiar a manutenção da emis- sora.
Já a Radiobrás, vinculada ao governo federal, mantém, historicamente, todo seu conteúdo disponibilizado para uso do público e para repro- dução em outros veículos de comunicação, tendo como única exigência a citação da fonte. Da mes- ma maneira procedem as agências, rádios e tele- visões dos poderes Legislativo e Judiciário nacio- nais, e as mídias estatais regionais e locais, como as televisões dos Legislativos estaduais e munici- pais.
É importante ressaltar que juristas e pesquisa- dores sobre propriedade intelectual divergem so- bre a necessidade de colocar todas as “categori- as” de conhecimento financiadas pelo Estado ime-
diatamente sob domínio público. Há, entretanto, mesmo entre os defensores de políticas mais fle- xíveis de direitos autorais, uma tendência em apontar que a melhor solução seria a de assegu- rar que o conhecimento mantido por verbas pú- blicas fosse disponibilizado em regimes que pos- sibilitem a maior liberdade de acesso, como os registros inspirados no Creative Commons.
Tal argumento sustenta-se na idéia de que um sistema que obrigasse que o conhecimento pro- duzido com apoio de verbas publicas se tornasse de domínio público stricto sensu poderia tornar o regime de propriedade intelectual desequilibrado, desestimulando a criatividade e a produção de conhecimento. Isso ocorreria, inclusive, na área cultural, onde boa parte das produções são mantidas com verbas públicas, direta e indireta- mente, pelos mecanismos de renúncia fiscal. Por- tanto, a questão da colocação em domínio públi- co de todo o conhecimento produzido com verba pública deve estar subordinada à adoção de regis- tros inspirados em iniciativas como a do Creative Commons e do GNU-GPL, a fim de evitar que empresas privadas e/ou governos de outros países se apropriem, na forma de propriedade intelectual, deste conhecimento.