I. BÖLÜM: ULUS-DEVLET VE KÜRESELLEŞME
4. Küreselleşmenin Evrimi
4.3. Yönetişim
É possível identificar dois tipos de comunida- des lingüísticas ou grupos marginalizados. O pri- meiro são os indígenas, sendo 235 povos no Bra- sil, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O total de indígenas de todos os povos, segundo o Censo 2000, são 734.131, vivendo em 825 terras pelo país. Apenas 37% dessas terras tiveram seu procedimento de demarcação concluído.
Além do português, falado por alguns povos, 180 línguas diferentes são faladas por essas co- munidades, muitas dessas línguas em processo acelerado de extinção. Todo o restante da popula- ção brasileira fala o português.
O outro grupo marginalizado são as pessoas portadoras de deficiência. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% dos brasileiros – 18 milhões de habitantes – são portadores de algum tipo de deficiência. Se- gundo a Rede Saci, especializada na questão, “acre- dita-se que esse número possa ser ainda maior, uma vez que o Brasil é campeão em acidentes de trânsito e trabalho e tem índices crescentes de violência urbana”. Segundo o censo realizado pelo IBGE, em 2000, são 24,5 milhões de brasileiros, ou seja, 14,5% da população, com algum tipo de deficiência.
BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL
Tradicionalmente, as línguas indígenas não são levadas em conta na elaboração de políticas pú- blicas. A maior ameaça à cultura indígena, no en- tanto, está na ausência de políticas para demarca- ção de terras e nas condições políticas e socioeconômicas para sua sobrevivência. Segun- do o Cimi, “para garantir a diversidade cultural, é necessário garantir as condições de reprodução dessa cultura”. A inexistência, portanto, de base legal nesse sentido acaba prejudicando as condições para produção de conteúdo por
comunidades lingüísticas marginalizadas. Mais do que isso, não existe nenhuma base legal que garanta ou sustente ações para o desenvolvimento de conteúdos, hardware e software para comunidades lingüísticas.
No tocante às pessoas portadora de deficiên- cia, a Lei 10.098, de 2000, estabelece:
Art. 17. O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanis- mos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pes- soas portadoras de deficiência sensorial e com di- ficuldade de comunicação, para garantir-lhes o di- reito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer.
Art. 18. O Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita em braile, lin- guagem de sinais e de guias-intérpretes, para faci- litar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa portadora de deficiência sensorial e com dificulda- de de comunicação.
Art. 19. Os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens adotarão plano de medidas técnicas com o objetivo de permitir o uso da linguagem de sinais ou outra subtitulação, para garantir o direito de acesso à informação às pessoas portadoras de deficiência auditiva, na forma e no prazo previstos em regulamento.
O Decreto 5.296, que regulamenta a lei, foi pu- blicado em 2004, e estabelece em seu capítulo VI uma série de obrigações para permitir acesso à informação e comunicação por parte das pessoas portadoras de deficiência, entre elas:
- portais e sítios da administração pública na internet com acessibilidade garantida;
- telecentros públicos devem possuir instala- ções plenamente acessíveis e, pelo menos, um computador com sistema de som instalado, para uso preferencial por pessoas portadoras de defici-
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ência visual;- as empresas de telefonia fixa devem instalar telefones públicos adaptados e garantir a dispo- nibilidade de instalação de telefones para uso de pessoas portadoras de deficiência auditiva, entre outras ações;
- empresas de telefonia móvel devem garantir interoperabilidade para possibilitar o envio de mensagens de texto (SMS) entre celulares de dife- rentes empresas;
- deve haver incentivo da oferta de aparelhos de televisão equipados com recursos tecnológicos que permitam sua utilização de modo a garantir o direito de acesso à informação às pessoas porta- doras de deficiência auditiva ou visual, entre elas legenda oculta (closed caption), tecla SAP e fones de ouvido;
- as emissoras de TV ficam obrigadas a trans- mitir utilizando sistemas de reprodução das men- sagens veiculadas para as pessoas portadoras de deficiência auditiva e visual, como legendas ocul- tas, janela com intérprete de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e descrição e narração em voz de cenas e imagens;
- o projeto de desenvolvimento e implementa- ção da televisão digital no país deverá contem- plar obrigatoriamente os três tipos de sistema de acesso à informação citados acima.
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No caso da disponibilização de conteúdo em línguas indígenas, não há nenhum exemplo nesse sentido, até pela ampla maioria da população, inclusive parte dos indígenas, ter o português como língua-mãe. Contudo, sem ações efetivas para a reprodução da cultura indígena, não há nenhum estímulo à permanência dessas culturas, e já há várias línguas que desapareceram.
Na questão da acessibilidade, o decreto que regulamenta a lei ainda é muito recente, e torna- se difícil mensurar os efeitos de sua promulgação. A Universidade Federal do Rio de Janeiro se tor- nou referência mundial ao desenvolver o DOX VOX, um software para pessoas portadoras de deficiên- cia visual. No entanto, é possível notar que ainda são poucos os sítios acessíveis a portadores desse tipo de deficiência. Já no tocante aos telecentros, vários deles já contam com condições plenas de acessibilidade, até pelo envolvimento de atores que lidam com essa questão, como a Rede Saci.
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O Cimi atua na luta pela garantia dos direitos dos povos indígenas. A entidade age para unificar a ação missionária junto aos índios, “intervindo nas ações do Executivo, Legislativo e Judiciário que atinjam os interesses dos índios e estimulando os diversos setores sociais para que se solidarizem com a causa indígena”. Assim, trabalha pela manutenção e reprodução da cultura indígena.
Atuando na área da deficiência, a Rede Saci partiu da Universidade de São Paulo (USP) e reúne diversas universidades para atuar como facilitadores da comunicação e da difusão de in- formações sobre o tema. Segundo a sua página web, suas principais ferramentas de trabalho são a internet e os Centros de Informação e Convivên- cia (CICs). “Por meio da internet, disponibiliza aos seus usuários endereço eletrônico, suporte técni- co, softwares adaptados para deficientes, além de bases de dados, listas de discussão, agenda de eventos, entre outros serviços. Já os CICs são lo- cais de fácil acesso, abertos a portadores de defi- ciência, onde são ministrados cursos gratuitos de capacitação para o uso da internet e da informática”.
A Rede Saci conta com cerca de três mil usuários cadastrados, e atua também em parceria com o poder público, como no caso dos telecentros de São Paulo. Outra entidade que lida com o tema é a Escola de Gente, com projetos e ações que colo- cam a comunicação a serviço da inclusão de gru- pos vulneráveis na sociedade, principalmente de pessoas portadoras de deficiência.
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TENDÊNCIAS ATUAIS E FUTURASTUAIS E FUTURASTUAIS E FUTURASTUAIS E FUTURASTUAIS E FUTURAS
A ser mantida essa política de não reconheci- mento dos direitos dos índios, as 180 línguas ain- da existentes devem diminuir em quantidade, já que os esforços em preservar as línguas têm par- tido apenas dos próprios indígenas.
Já no campo das pessoas portadoras de deficiência, parece difícil descrever tendências. Por um lado, a legislação é muito evoluída, e garante a acessibilidade aos meios de comunicação, de massa ou não. Por outro, a plena acessibilidade, para além dos sítios do poder público, depende de disposição particular dos sítios em assumir as condições para alcançar essa acessibilidade, o que parece impossível prever nesse momento.