4.2.4 GELİR FARKLILIKLARININ ÜST SEVİYEDE
4.3.1. MALİYE POLİTİKALAR
4.3.1.1. VERGİ POLİTİKALAR
4.3.1.1.3. SERVET VERGİLERİ
A noção de contexto foi abordada por filósofos, lógicos e lingüistas de grande importância por ser um dos elementos pragmáticos capazes de justificar a disciplina
Pragmática e delimitar seu escopo, na busca de uma abordagem completa da
significação em linguagem natural.
Neste capítulo, procuramos mostrar que a noção de contexto é um dos fenômenos extralingüísticos típicos que está, filosófica e historicamente, em relação direta com o surgimento da Pragmática e com as disputas sobre seus limites com a Semântica. Mostramos que o contexto está intimamente ligado às definições de Pragmática.
Acreditamos ter configurado de forma suficiente para esta investigação, através do percurso histórico-teórico sobre as bases da distinção entre Semântica e Pragmática desde o surgimento da última, a interface entre as duas disciplinas, que assumimos como um pré-pradigma de período normal na Lingüística.
O cálculo do contexto mostra que a própria noção de contexto faz parte de uma racionalização, a qual necessita dos elementos lingüísticos e extralingüisticos para complementar o conteúdo semântico das sentenças em uso.
No texto humorístico, particularmente na definição de humor, tem-se um recurso para se demonstrar essa dependência contextual da significação.
2 O CONTEXTO NA TEORIA INFERENCIAL DAS IMPLICATURAS
Neste capítulo analisaremos a Teoria das Implicaturas, doravante TI, de Paul Grice (1991)19. Nosso principal objetivo é sistematizar os pontos relevantes da teoria que contribuem para a análise do tema proposto, a saber, a noção de contexto na significação.
A escolha da TI como parte deste estudo deve-se ao fato de Grice ter introduzido o conceito pragmático de implicatura nos estudos sobre a linguagem, abrindo caminho para outros modelos teóricos e recrudescendo o debate sobre os limites entre Semântica e Pragmática.
Grice (1991), como já afirmado, distinguiu o que é dito pelo falante em um enunciado e o que é implicado no que é dito. Sua concepção de contexto está configurada nessa dicotomia, no papel que é dado a este conceito de adequar e enriquecer uma implicatura, determinar sua tipologia e permitir seu cálculo ou cancelá-la. O contexto também é parte da operacionalização do Princípio de Cooperação (PC). Nessa perspectiva, a implicatura apresenta-se como o elemento capaz de descrever e explicar a noção de contexto na teoria de Grice.
O contexto histórico em que Grice concebe sua teoria encontra-se no primeiro capítulo deste trabalho, por isso iniciaremos diretamente nossas considerações apresentando a teoria proposta por Grice (1991) em Logic and
Conversation.
Nesse artigo, Grice propõe o que veio a ser chamado Teoria das Implicaturas (TI), na qual o êxito da comunicação ocorre pelo simples reconhecimento, da parte do ouvinte, da intenção comunicativa do falante. Isso é possível através do Princípio de Cooperação e suas máximas, por estabelecerem um acordo tácito entre os interlocutores. A TI é uma teoria de caráter lógico-cognitivo-comunicacional. Lógico, porque tentou compatibilizar uma Semântica das condições de verdade com uma Pragmática do enunciado dependente de contexto; cognitivo, porque está
19 Grice apresenta sua teoria no artigo Logic and Conversation, em palestra proferida pelo autor em
um seminário organizado pela Universidade de Harvard em homenagem a Sir William James, em 1967. Nossa referência neste capítulo é a publicação de Studies in the Way of Words, de 1991, que reúne os artigos do autor.
fundamentada na intenção do falante e comunicacional, porque seus princípios são voltados para a comunicação humana.
A maior contribuição de Grice foi a de organizar as inferências pragmáticas, as implicaturas, de forma a demonstrar a viabilidade de aplicação de uma semântica de base lógica aos aspectos comunicacionais problemáticos para esse tratamento até então, incluindo o contexto. Tanto que, a Teoria das Implicaturas inaugura uma série de debates a respeito do papel dos implícitos na compreensão do significado lingüístico.
Carston (2004), por exemplo, defende que o que é implicado deve ser tanto convencional (provocado pelo significado estável das expressões lingüísticas) quanto conversacional (dependente da suposição de que o falante está seguindo princípios racionais de conversação). O conceito de implicatura coloca sob um rótulo comum esses dois aspectos do significado, mas o ponto que parece uni-los é que o implicado não contribui para o conteúdo das condições de verdade do enunciado – a proposição expressa no que é dito. A partir dessa interpretação, Carston escreve, em 2004, Truth-conditional content and conversational
implicature.
Na abordagem teórica da relevância, a distinção é entre enriquecimentos pragmáticos e significado codificado, por um lado, e implicaturas conversacionais genuínas, por outro, uma distinção que é refletida em nossas intuições sobre o conteúdo que cai no escopo de operadores lógicos, e cujos mecanismos de interpretação do enunciado postulados pela teoria são construídos para o modelo. Esta abordagem preserva o insight griceano original de que a característica distintiva das implicaturas (não importa quando e como elas emergem) é que elas são componentes não sujeitos às condições de verdade do significado do enunciado. (CARSTON, 2004, p.1)20
O contexto, nesse sentido, não aparece como parte do convencionalmente expresso, pois, como assinala Carston (2004) no ensaio citado acima, Grice considera como uma característica das implicaturas o fato de que elas são
20
No original:On the relevance theoretic approach, the distinction is between pragmatic enrichments ofencoded meaning, on the one hand, and genuine conversational implicatures,on the other, a distinction which is reflected in our intuitions about the content falling in the scope of logical operators, and which the mechanisms of utterance interpretation posited by the theory are set up to model.This approach preserves the original Gricean insight that the distinguishing characteristic of implicatures (wherever and however they arise) is that they are non-truth-conditional components of utterance meaning.
componentes não sujeitos às condições de verdade do significado do enunciado, o que vem a reforçar sua natureza pragmática e a sugerir que o conteúdo semântico da sentença deverá ser complementado.
Jaszczolt (2003) levanta a questão de que, além da análise da estrutura da sentença e do conteúdo lexical, que contribuem em uma análise das condições de verdade, temos que buscar o significado em fontes externas. A mais importante dessas fontes, afirma a autora, é o contexto da enunciação – amplamente definido como o conhecimento de background dos participantes de uma troca comunicacional, informação trazida de fora para o discurso, assim como a experiência de mundo.
Os aspectos salientados por Jaszczolt e Carston são descritos na Teoria das Implicaturas (TI), nos conceitos fundamentais diferenciados por Grice: o dito e o
implicado, o conhecimento lingüístico e o conhecimento extralingüístico – o contexto,
ambos necessários na derivação de uma implicatura. São aspectos que salientamos neste capítulo, tendo em vista que eles indicam o âmbito em que se localiza a noção de contexto na interface Semântica-Pragmática na TI.
Para descrever a Teoria das Implicaturas (TI) e sua noção de contexto e as contribuições para o tema contexto do Modelo Ampliado de Costa (1984), o presente capítulo subdivide-se em quatro seções: 2.1 O Modelo Clássico de Grice 2.2 A
definição de contexto no Modelo Ampliado de Costa (1984); 2.3 Análise do contexto em Millôr Fernandes sob a ótica da Teoria das Implicaturas; 2.4 Conclusão.
A primeira seção, 2.1 O Modelo Clássico de Grice, apresentando o cálculo