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2. SOSYAL YAPI FARKLILAŞMALARI VE DEĞER DEĞİŞMELERİNİN KURUMSAL TAHLİLİ

2.1. Geleneksel Toplumlardan Modern Topluma Değer Farklılaşmaları

2.1.2. Modernleşme

2.1.2.2. Modernleşme Sürecinde Güven

Nesse tópico complementamos as análises das entrevistas com reflexões oriundas das análises do diário de campo. As observações realizadas nas salas das professoras entrevistadas no que diz respeito à conduta diante de comportamentos indesejados evidenciou que na maioria das vezes as crianças são ameaçadas com algum tipo de castigo, predominando realmente a repreensão verbal diante dos colegas. A conversa individual ocorreu pouquíssimas vezes e em nossa percepção o modo como se estruturam as atividades não propicia condições adequadas para que esse tipo de conduta ocorra. As atividades são excessivamente centradas na figura da professora, por essa razão, se torna difícil para ela conseguir voltar sua atenção somente para uma ou duas crianças. Não presenciamos trabalhos em grupo, assim como não constatamos situações de liberdade de ação, onde a criança pudesse escolher o que fazer, explorando os “cantos” da sala. Isso nos pareceu interessante porque como já comentamos a estrutura física da sala é bastante adequada para permitir essa mobilidade à criança e ao mesmo tempo a supervisão do adulto, entretanto, o espaço não é suficientemente aproveitado, sendo que constantemente as crianças são obrigadas a ficar sentadas em

círculo, esperando durante um tempo grande (20 a 30 minutos) algum tipo de autorização da professora para ir ao banheiro ou beber água ou alguma atividade.

O uso dos espaços externo (área e parque) também é pequeno. As crianças brincam somente por 10 a 15 minutos, tempo bem inferior ao que normalmente permanecem sentadas esperando. Esse modo de organização das atividades se reflete no elevado número de comportamentos considerados inadequados pela Creche, em todas as nossas observações, as educadoras passaram boa parte do tempo tendo que “cuidar” da disciplina, de manter as crianças “em ordem”, sendo que algumas delas chegam mesmo a agir fisicamente para fazer com que a criança obedeça a seu comando. As observações comprovaram uma acentuada diferença de comportamento das turmas quando estão envolvidas com alguma atividade ou brincando nos espaços externos, do que quando são obrigadas a permanecerem “quietas” sem poderem se movimentar ou mesmo conversar. Comprovando-se as opiniões de P2 quando fez uma relação entre indisciplina e falta de atividade. O destaque para esse fato se apóia no fato de que o excesso de energia gasto para chamar a atenção das crianças cria um “clima” ruim na sala de aula e ocasiona um desgaste da professora na relação com as crianças, fragilizando sua autoridade, fatores esses que ao nosso ver propiciam interações não educativas entre as crianças e entre elas e as professoras.

Por fim gostaríamos de chamar a atenção para a restrição colocada pela Creche à fala das crianças, a oportunidade de falar ocorre somente quando é a hora da novidade ou quando se explora uma estória, sendo que nos outros momentos as crianças são constantemente cobradas para ficarem em silêncio. Várias músicas são ensinadas às crianças para lembrar essa restrição:

¬ “Manda na boquinha, manda na boquinha, já fechou, já fechou!”

¬ “Nossa atividade já vai começar, vamos já crianças, vamos já pensar, e a nossa boca não vai mais falar, só a cabecinha é que vai pensar!”

¬ “Refeitório não é lugar de conversar, no refeitório a gente tem que se calar, por isso criancinhas fechem já suas boquinhas, refeitório não é lugar de conversar!”

Entretanto evidentemente elas arrumam modos de driblar essa restrição, presenciei vários cochichos e mesmo “conversas” através de gestos ou assovios. P4 ao falar da disciplina diz que sua visão mudou em decorrência de sua prática, afirmando

que as crianças podem trabalhar em grupo e conversar sem isso ser considerado indisciplina, entretanto parece que esse não é o entendimento da Creche, sendo o modelo escolar tradicional uma forte referência. Transcrevemos abaixo as impressões gerais sobre três dias de observação em turmas diferentes que evidenciam as constatações acima.

ƒ 1ª Observação: Nos diversos episódios em que dois meninos desobedecem às

ordens, notamos que após algumas tentativas de resgatá-los fisicamente para voltarem ao grupo, ou de intimidá-los com minha presença, a professora e a auxiliar resolvem “ignorar” a situação. Pelo modo como se comportaram parecia que as educadoras não estavam preparadas para lidar com as situações, e mesmo, que não deviam se preocupar com esses meninos. Fiquei numa posição bastante desconfortável quando minha presença foi utilizada como motivo de intimidação, e essa prática ocorreu várias vezes em outras turmas. Com essa atitude, a professora demonstrou a fragilidade de seu controle sobre a turma e a ausência de estratégias que lhe ajudassem a fazer com que as crianças se envolvessem com as atividades propostas.

ƒ 2ª Observação: Nos poucos episódios de desobediência a professora me utilizou

como “motivo” de intimidação, fazendo repreensões verbais ou separando as crianças do grupo. As crianças respondiam assim que uma dessas atitudes era tomada, mesmo que depois viessem a repetir o comportamento, no momento da repreensão mostravam seu respeito à professora. A auxiliar em nenhum momento teve que agir para controlar o comportamento das crianças. Especulamos que o baixo número de episódios de desobediência estivesse ligado a realização de atividades estruturadas e ao relacionamento da turma com a professora.

ƒ 3ª Observação: Esse foi um dia extremamente rico de informações sobre os

comportamentos “desviantes”, que ocorreram praticamente durante todo o tempo de observação. De modo geral, verificamos que somente quando as crianças estavam envolvidas em uma atividade em que a professora estivesse diretamente envolvida (como na chamadinha, ou na hora da estória) é que a turma ficou mais tranqüila. Nos demais momentos, e em especial, naqueles em que estavam sem atividade específica, o número de episódios de desobediência e agressividade aumentava significativamente. As estratégias utilizadas pela professora não se mostraram

eficientes para minimizar esses comportamentos. Novamente, aconteceu, de minha presença ser utilizada como um motivo para inibição desses comportamentos, entretanto, comparando com as duas outras observações, vimos que somente para algumas crianças isso teve efeito e de fato ratificamos nossa impressão de que ao se utilizar à presença de outro adulto, a professora acaba reforçando a fragilidade de sua relação de autoridade. Nesse dia ficamos constrangidos com os momentos em que a professora tentou fisicamente conter os alunos, pois a utilização do contato físico após a desobediência de uma ordem só explicitava o quanto às crianças não reconheciam nela uma figura de autoridade, pois mesmo depois de “resgatá-las”, elas continuavam a repetir o mesmo comportamento. No que se refere à agressividade, nos chamou a atenção o comportamento de André, pois agiu de forma agressiva sem que as outras crianças tivessem ao menos buscado interagir com ele (empurrou algumas crianças que passaram perto dele). Vale lembrar que esse tipo de comportamento ocorreu quando ele não estava sendo observado pela professora, e quando ele estava de castigo, sem poder brincar.

5 AS FAMÍLIAS.

No presente capítulo, iremos analisar as condições das famílias enquanto ambiente capaz de propiciar segurança básica para as crianças. Para tanto, selecionamos as famílias de André e Marcos, seguindo os critérios de seleção (cf. capítulo 2).Tendo em vista que, no olhar das educadoras, o primeiro é considerado agressivo e o segundo, uma criança calma, uma análise detalhada de seu grupo familiar poderia trazer informações preciosas para compreender como as dinâmicas familiares propiciam ou não a referida segurança.

Optamos por apresentar um retrato de cada grupo familiar inserindo as crianças no interior do mesmo. A preocupação é dar uma visão da complexidade, na qual a criança e seu comportamento não podem ser vistos isoladamente, mas nas redes interativas nas quais a família cumpre importante papel.

Para a formulação desse retrato elaboramos um protocolo com as questões/temas abaixo explicitados, que foi preenchido a partir do conjunto das entrevistas dos familiares de André e de Marcos:

a) Características da família de origem dos pais e do modo como foram educados; b) Relação entre os pais – resgate da história da aproximação dos pais, namoro e

casamento.

c) Gestação e Nascimento das crianças - conhecimento de todos os eventos significativos em relação à gestação de cada criança, se foi ou não planejada, como a notícia foi recebida pelos pais, a saúde da mãe e do feto durante a gravidez e o parto (ocorrência de quadros físicos ou mentais durante o período gestacional e o parto), quadro nascimento, saúde da criança e da mãe após o parto e dias seguintes, e organização familiar no momento do nascimento.

d) Primeiros anos de vida das crianças – descrição de todos os eventos relativos à saúde e desenvolvimento da criança e do modo de funcionamento da família nesse período.

e) Relação das crianças com a mãe – descrição do relacionamento entre a criança e a mãe.

f) Relação das crianças com o pai - descrição do relacionamento entre a criança e o pai.

g) Relação das crianças com a(s) irmã(s) - descrição do relacionamento entre a criança e a(s) irmã(s).

h) Informações complementares – outras informações que consideramos significativas para o entendimento da dinâmica familiar que não foram contempladas pelas categorias acima.