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3.3. Meslek Gurupları ve Zümreler

3.3.4. Memur

O plantio do café no Norte do Paraná, enquanto extensão da cafeicultura do oeste paulista, seguiu a estrutura fundiária da grande propriedade e o uso da mão de obra extensiva.

Os contratos de trabalho predominantes eram regidos pela modalidade do colonato, co-existindo com outras formas contingentes como a parceria, geralmente presente nos períodos de baixa produtividade subseqüentes às geadas, havendo também o assalariamento, arrendamento, empreitadas, jornadas, entre outras. Segundo Ângelo Priori,

108 ROCHA, José de Oliveira. apud ARIAS NETO, 1998, p.153.

109 “Pode-se concluir, portanto, que a zona pioneira é uma categoria que designa a expansão da sociedade

capitalista com base no desenvolvimento agrícola, que cria condições para a consolidação da formação social burguesa. Esta conceituação torna possível, pois, caracterizar o Norte do Paraná enquanto zona pioneira.” ARIAS NETO, op cit., p.134.

tudo indica que o colonato era a forma de trabalho mais freqüente no Norte do Paraná. O regime do colonato nessa região não foi diferente daquele desenvolvido no Oeste Paulista, até porque a expansão da cafeicultura no Norte do Paraná foi resultado da frente de expansão cafeicultora oriunda do oeste paulista. 110

Esse regime de trabalho combina a força de trabalho de toda a família, inclusive dos filhos maiores de 14 anos, onde o chefe de família era contratado para tratar de um determinado número de cafeeiros, em média de 2.000 a 3.000 pés por “enxada”, ou pessoa, a qual, durante o ano agrícola, se responsabilizava por carpir, desbrotar, replantar, arruar, colher, esparramar, etc.

O colono empreitava um valor determinado por trato de mil pés de café, recebido mensal ou bimestralmente, sendo que a colheita era empreitada em separado, com preço por saca de 110 litros de café colhido. 111

Desse modo, o colonato caracterizou-se primariamente pela restrição do acesso a terra e pela compra da força de trabalho do trabalhador por outrem, de modo que ele não possa trabalhar para si e receber integralmente pelo que produz. É o modo como se torna possível sujeitá-lo à lógica do poder do proprietário da terra, o qual pode então acumular o capital extraído do trabalho excedente não-pago.112

Assim, se no regime escravista o lucro estava diretamente consignado na jornada e produtividade do trabalho do indivíduo, ou seja, o capital estava em relação à quantidade de lucro obtida em relação ao investimento no plantel de trabalhadores e demais custos da produção, no regime do colonato, o lucro reside na exploração da força de trabalho, cujo custo está na razão do tempo de trabalho necessário à mera reprodução dos meios de vida do indivíduo, se apropriando de todo o excedente de valor produzido, quando posta a mercadoria no circuito de trocas econômicas.

O colonato constituiu-se, segundo José de Souza Martins, em uma forma não-capitalista, que combinava assalariamento parcial com outros mecanismos de expropriação de trabalho. Compreendia três elementos básicos: um pagamento fixo pelo trato do cafezal, um pagamento proporcional à quantidade de café colhido e através da produção realizada pelo próprio trabalhador dos meios de

110 PRIORI, A. O Protesto do Trabalho: História das lutas sociais dos trabalhadores rurais do Paraná: 1954-

1964. Maringá: EDUEM, 1996, p.19.

111 Ibid., p.20.

vida e algum excedente comercializável por meio da cultura de alimentos entre os pés de café, através de uma sobre-jornada de trabalho. Está subentendido neste sistema não apenas o trabalho individual, mas de toda a sua família.

No regime escravista, a renda era imobilizada no escravo e transformada em renda da terra capitalizada: num regime de terras livres, o trabalho tinha que ser cativo; no regime de colonato, a terra tinha que ser cativa113 de

maneira que o trabalhador tenha de vender o seu trabalho para sobreviver.

Assim, quando o capital se transforma em renda da terra que se converteu em lucro, é a formação da fazenda de café através do trabalho do colono e os frutos que podem produzir o que constitui seu potencial monetário; o capital deixa de estar subsumido na propriedade dos braços que trabalham e passa a configurar-se no resultado do trabalho114, de modo que o recurso que antes era gasto na compra de escravos passou a ser pago às companhias de colonização e aos grileiros na compra de novas terras em busca de uma maior produtividade em relação às terras antigas e esgotadas. 115

A inversão operada na relação aparentemente igualitária no plano do contrato entre as partes é explicitada de forma cristalina por MARTINS:

Não era o fazendeiro quem pagava com cafezal ao trabalhador pela formação do cafezal. Era o trabalhador quem pagava com cafezal ao fazendeiro o direito de usar as mesmas terras na produção de alimentos durante a fase da formação. A principal forma de capital absorvida na formação da fazenda de café era o trabalho – trabalho que se convertia diretamente em capital constante, no cafezal. 116

Uma outra característica favorável do colonato ao fazendeiro é que esta modalidade de trabalho possibilitava aos cafeicultores arrochar os salários pagos em dinheiro quando havia uma queda nos preços do café, flexibilizando

113MARTINS, 1979, p.32.

114 A formação da fazenda compreendia a derrubada da mata virgem, a limpa e preparação do terreno, o plantio

do café e a formação dos arbustos. Se o plantio fosse de semente, apenas depois de 6 anos o cafezal era considerado formado. Se fosse, porém, de muda, isso ocorria já aos quatro anos. MARTINS, op cit, p.67.

115 É mediante o controle do tempo do trabalhador no regime de trabalho livre, entre o maior tempo despendido

na cultura do fazendeiro em relação à do colono que se encontra o aumento do índice de exploração do trabalho na economia cafeeira, resultando uma sobre-jornada sacrificante para a produção de sua própria subsistência nas culturas intercalares, sendo a propriedade fundiária o termo da desigualdade econômica entre o primeiro e o segundo. Uma outra característica favorável do colonato ao fazendeiro é que esta modalidade de trabalho possibilitava aos cafeicultores arrochar os salários pagos em dinheiro quando havia uma queda nos preços do café, flexibilizando temporariamente as condições para a prática das culturas intercalares, logrando com isso diminuir o impacto dos pagamentos monetários aos colonos. MARTINS, op cit.,p.90.

temporariamente as condições para a prática das culturas intercalares do colono, diminuindo o impacto dos pagamentos monetários em suas contas.

Sobre a perspectiva do colono em relação a esta modalidade de contrato de trabalho, Verena Stolcke observeu que,

[...] um sistema de incentivo como o colonato era uma forma de utilização do trabalho mais eficiente do que o trabalho assalariado puro. Apesar da maior intensidade de trabalho por ele exigida, os próprios trabalhadores assalariados eventuais de hoje muitas vez o preferiam, pois a alternativa, a saber, o trabalho assalariado puro, ao impedir o plantio de alimentos por eles, tornava-os inteiramente dependentes do mercado.117

Com o anuncio da extensão da legislação trabalhista criando a figura do “trabalhador rural”, com o D.L.7.038, de novembro de 1944, o Estado, através do judiciário, imiscuíra-se no controle dos fazendeiros sobre os trabalhadores, o que acabara minando paulatinamente o colonato como uma forma extremamente eficaz de extração de sobre-trabalho nas fazendas de café. 118

Ocorre que as relações de trabalho no meio rural são bastante mais variadas que no meio urbano, pois como já visto, não são apenas de tipo assalariado, de modo que a discussão sobre a extensão da legislação trabalhista nas décadas de 50 e 60 esbarrava em uma série de especificidades.

A própria figura do “trabalhador rural” remetia a um conteúdo político dentro de uma correlação de forças estabelecidas no tempo e no espaço social, como objeto de disputa no interior da sociedade, correspondendo a determinadas representações conforme o meio sócio-discursivo que o empregava.

Na terminologia do PCB esse contingente social recebeu inicialmente a denominação de “camponês”, uma transposição da linguagem adotada pela III Internacional Comunista e apropriada pelo seu Bureau Latino Americano. Espelhando-se no uso dos termos paysan do francês e campesino do espanhol, o vocábulo português adquiriu, através do PCB, uma clara conotação política nos meios rurais brasileiros, 119 popularizado pela irrupção das “Ligas Camponesas”, sobretudo as ligas sob liderança de Francisco Julião em Pernambuco, transformando-se na designação daqueles que lutavam pela reforma agrária. 120

117 STOLCKE, 1986, p.15. 118 Ibid., p.15.

119 HELLER DA SILVA, 1993, p.15. 120 Ibid., p.15.

Particularmente no Sul do país, o termo “camponês” foi inicialmente associado ao sindicalismo rural de esquerda, sobretudo quando em seu uso nos conflitos de Porecatu, quando ainda surpreendia à imprensa e proprietários rurais como sendo um estrangeirismo exótico. 121

A interpretação generalizante a que o PCB procedeu produziu a figura do “camponês” como o trabalhador do campo, (proprietário ou não) que desenvolve sua atividade por meio do trabalho familiar, dentro das relações de produção capitalista. Ocultava, contudo, uma variedade de vínculos de trabalho, natureza da produção, da região e tipos de relações sociais diferenciadas existentes nos campos brasileiros, tais como os pequenos proprietários, pequenos arrendatários, os meeiros, os posseiros e os camponeses sem-terra. 122 Segundo Heller da Silva,

Na camada social dos camponeses, o grupo heterogêneo dos pequenos proprietários está lado a lado a outros grupos sociais, eles também díspares, tais como os já evocados ‘meeiros’, os pequenos agricultores, ‘posseiros’ e ‘sem-terra’. Se se realiza uma abordagem estritamente econômica, notar-se-á certas semelhanças entre uns e outros, como a extensão da unidade fundiária ou a utilização de mão-de-obra familiar; contudo, uma abordagem de ordem mais sociológica e mais política mostra que esta heterogeneidade é uma característica notável do campesinato brasileiro. Neste sentido, a inserção de cada uma destas categorias no tecido social se opera de maneira extremamente diferenciada. As relações internas à camada camponesa poderão assim dar lugar igualmente a alianças pontuais ou duradouras e a conflitos ou lutas de classe declaradas. A esse respeito, a percepção e o uso que são feitos dos ‘nós’ e ‘eles’ não são nada unívocos; existe pelo contrário vários ‘nós’ identificadores diferentes de ‘eles’ e variando, por exemplo, de acordo com o objeto e o momento do conflito, as dimensões continentais do país, os contrastes econômicos e sociais de região a região e a diversidade das culturas, sendo elementos que podem explicar a grande disparidade desta camada da sociedade. É necessário acrescentar a isso a dificuldade que há em delimitar fronteiras sociais em seu seio, na medida em que, em diversas circunstâncias, o ‘camponês’ é conduzido a transformar-se às vezes em assalariado, às vezes em patrão. É importante por último sublinhar, como o fez Lygia Sigaud, que um mesmo grupo social altera constantemente de denominação - ou de autodenominação - em função do lugar ou evolução a um momento dado, da reivindicação que apóia ou da situação em que ele se acha. Após ter integrado esta dimensão política, o termo ‘camponês’

121 Outros vocábulos coligidos por HELLER DA SILVA para o trabalhador do campo foram: lavrador, peão,

sitiante, situante, roceiro, caboclo, caiçara, capiau, guasca, mateiro, sertanejo, tabaréu, burareiro, morador, matuto, etc. HELLER DA SILVA, 1993., p.16.

122 O “arrendatário” seria aquele que aluga um pedaço de terra a preço fixo, pagando o aluguel em espécie,

dispondo de relativa autonomia ante ao proprietário; o “meeiro” ou “parceiro”, é um pequeno produtor agrícola que trabalha em terra alheia dividindo a produção com o proprietário, com quem estabelece uma relação de grande dependência. Os “camponeses sem-terra” seriam aqueles que tendo perdido sua terra, buscam formas de reconquistá-la; na perspectiva política, reúne aqueles que lutam pela reforma agrária. Do ponto de vista econômico, poderão ser “posseiros”, “meeiros”, pequenos agricultores e mesmo assalariados agrícolas. Cf. HELLER DA SILVA, op cit., p.16.

tornou-se um conceito acadêmico, do qual os investigadores brasileiros, de resto abusarão. 123 (Tradução nossa)

Posteriormente, a figura do “camponês” foi sendo substituída pela expressão “trabalhador rural” 124 que, se inicialmente designava aquele que exerce uma atividade rural mediante remuneração, em meados dos anos cinqüenta, subsumia num mesmo conceito todos aqueles que “trabalhavam a terra”, assimilando nessa definição os demais tipos de empregados rurais, aparentemente com o fito de abrigar uma diversidade de grupos sociais sob uma mesma identidade de classe, em oposição aos que “não trabalhavam na terra”, ou seja, os grandes fazendeiros.

Com efeito, a legislação trabalhista mantinha na sombra a figura do “trabalhador rural”, não o reconhecendo enquanto categoria profissional. O artigo 577 da CLT, que tratava da definição do quadro de atividades e profissões para fins de enquadramento sindical, contemplava apenas os empregados diretamente vinculados à indústria ou comércio, ou trabalhadores rurais que assim estivessem classificados. Desse modo, os demais trabalhadores rurais e assalariados agrícolas ficavam na dependência da revisão do quadro de atividades profissionais, pois o artigo 7º rezava categoricamente na letra “b” que a legislação não se aplicava:

Aos trabalhadores rurais, assim considerados aqueles que, exercendo funções diretamente ligadas à agricultura e à pecuária, não sejam empregados em atividades que, pelos métodos de execução dos respectivos trabalhos ou pela finalidade de suas operações, se classifiquem como industriais ou comerciais. 125

Estes dois artigos eram considerados suficientes para que o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio obstasse o reconhecimento aos direitos trabalhistas dos trabalhadores rurais, consagrando a situação de exclusão desta categoria no plano das garantias jurídicas e políticas.

123 HELLER DA SILVA, 1993, p.18-19.

124 Conceito também pouco discutido, é ainda amplamente utilizado pelo discurso sindical, governamental ou na

comunidade acadêmica. Nos anos 40 e no início dos anos 50, "trabalhador rural" era sinônimo de “assalariado" ou de empregado “da roça”; designava simplesmente qualquer indivíduo que exerce uma atividade rural mediante uma remuneração. A expressão visava geralmente distinguir esta última categoria social dos outro que se podia encontrar no meio agrícola, como o fazendeiro, o sitiante, o lavrador, o agricultor, meeiro, o posseiro... e mesmo servia-se para distingui-lo do camponês. Seja como for, os comunistas retomaram o termo para integrá- lo ao vocabulário da militância. Cf. HELLER DA SILVA, op cit., p.19-20.

125 BRASIL Decreto-Lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. CD Jurídico

De todo modo, a CLT contemplava alguns direitos mínimos aos trabalhadores rurais, como o salário mínimo (art. 76), direito a férias anuais remuneradas (art. 129) e direito ao aviso prévio (art. 505). Ocorre que, na prática, essas garantias eram desdenhadas pelos empregadores rurais, denotando a perspectiva privatista e personalista das relações de trabalho, em flagrante desprezo pelos cantados e decantados princípios da “sociedade democrática de direito”.

O Decreto nº. 7.038 126, de 10 de novembro de 1944, elaborado com

o fim de criar a figura jurídica da profissão do trabalhador rural, subsumia os parceiros agrícolas e arrendatários à categoria de proprietário rural para fins associativos, impondo um caráter patronal e dificultando a constituição de entidades sindicais reivindicativas na outra parte da relação produtiva – abordada pela legislação como iguais, tratava-se, evidentemente, de coisas diferentes.

A Portaria nº. 44 expedida pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 19 de março de 1945, visando complementar o D.L. 7.038, estabeleceu as modalidades de organização dos empregados e empregadores rurais, autorizando a formação de associações ou sindicatos para fins de estudo, defesa e coordenação de seus interesses econômicos e profissionais. Segundo o periódico comunista Terra Livre, essa legislação decompunha em três níveis de organização as atividades ou relações de trabalho preponderantes no campo, sendo os seguintes:

1. Os colonos e assalariados, ou seja, os camaradas das fazendas de café, de arroz, do cacau e todos aqueles que vivem de ordenados, seja por hora, por dia, por mês ou por empreitada, organizam-se diretamente em Sindicatos Rurais;

2. Os trabalhadores na indústria ou na lavoura da cana – operários e assalariados agrícolas das usinas – organizam-se primeiro em Associação Profissional (associação de classe) e depois transformam esta Associação em Sindicato;

126 Embora o Decreto-Lei nº. 7.038, promulgado por Getúlio Vargas em novembro de 1944 como extensão da

Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), previsse a sindicalização rural, muitos obstáculos políticos e burocráticos eram interpostos à efetivação dos sindicatos, que assumiam a forma de associações voluntárias, ligas e associações inspiradas na União de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB) ; só a partir de 1962 é que os sindicatos começariam a ser efetivamente reconhecidos, como meio institucionalizado paralelo às Ligas Camponesas, identificadas com a liderança de Francisco Julião. LIGAS Camponesas. In: ABREU, Alzira Alves de et al.(Coord). Dicionário histórico-biográfico brasileiro pós 1930. 2.ed. Rio de Janeiro: Editora FGV; CPDOC, 2001, v.3, p.3122.

3. Os arrendatários, meeiros, posseiros, parceiros, pequenos proprietários, moradores, agregados e outros que não vivem de ordenados, organizam-se em Associação de Caráter Civil. 127

Diante desse quadro divisionista, inicialmente os trabalhadores rurais eram organizados valendo-se das possibilidades que o Decreto-lei nº. 8.127128 criava, permitindo a fundação de associações e núcleos rurais, que poderiam ser registradas como entidades civis em cartórios e não estavam sujeitas à burocracia restritiva do Estado aos Sindicatos.

Com relação à heterogeneidade das diversas modalidades de trabalho no campo, decidiu-se nas discussões para denominação do sindicato dos trabalhadores rurais de Londrina, ocorridas em princípio de 1956, agrupá-los em duas categorias: o colono identificava genericamente as diversas formas de prestação de serviços e pagamentos e a fixação a terra, enquanto o assalariado rural aglutinava aquele com vínculo mais sazonal com o patrão, baseado, mormente em paga pecuniária, tais como os enxadeiros, motoristas, tratoristas, podadores, carroceiros, administradores, vigias, feitores, diaristas, horistas, etc.129

Uma questão relevante, discutida no congresso de fundação do sindicato, foi o debate em torno de quais categorias de trabalhadores rurais deveriam integrar o sindicato. Como havia uma diversidade muito grande de categorias de trabalhadores participando do congresso: colonos de café, assalariados agrícolas, arrendatários, meeiros, pequenos proprietários, diaristas, camaradas e até posseiros, a decisão política foi partir do princípio da não exclusão, ou seja, nenhum trabalhador rural estaria impossibilitado de associar-se ao sindicato. 130

Quanto a enorme repercussão que se deu na cidade em função da notícia da criação de sindicatos de trabalhadores rurais em Londrina e outras cidades do Norte do Paraná em meados da década de 1950, será tratada mais detidamente no segundo capítulo.

127 Jornal Terra Livre, n.46, 1954 apud PRIORI, 1994, p.139-140.

128 O Decreto Lei nº. 8.127 previa em seu artigo 1º o seguinte: “Cada município terá uma associação rural, desde

que poderão fazer parte às pessoas naturais ou jurídicas que exercerem profissionalmente atividades rurais, com qualquer de suas formas, agrícolas, extrativas, pastoris ou industriais, e também técnicos ligados a essas atividades. § 1º - Para os efetivos desse decreto-lei, é considerado no exercício da profissão rural todo aquele que for proprietário, arrendatário ou parceiro de estabelecimento rural. BRASIL. Decreto Lei nº 8.127 de 24 de outubro de 1945. Imprensa Nacional. CLBR PUB 31/12/1945 007 000063 2 - Coleção de Leis do Brasil. Disponível em: <http://www6.senado.gov.br/sicon/ExecutaPesquisaBasica.action>. Acesso em: 13 nov.2006.

129 PRIORI, op cit.., p.145. 130 Ibid., p.144-145.