2.4. KOBĠ‟lerde Finansal Raporlama
2.4.5. KOBĠ TFRS Uygulamalarının Olası Etkileri
I
A partir da segunda metade do Século XX, no pós-II Guerra mundial (1945), a Guerra Fria dividiu o mundo em dois blocos que disputavam a hegemonia política e econômica mundiais, principalmente dos continentes mais subdesenvolvidos (Ásia, América - Latina, África e/ou países do sul), polarizados pelos centros desenvolvidos do norte (América do Norte e Europa principalmente). Era a disputa entre o capitalismo e socialismo, liderados pelos Estados Unidos, o primeiro bloco, e o segundo pela extinta União Soviética.
As economias periféricas antes da guerra cumpriam papéis subordinados na nova divisão internacional do trabalho, como retaguardas de matérias primas e consumidoras dos produtos industrializados dos países do centro. Até que o princípio da ―autodeterminação‖39 (liberdade das nações determinarem soberanamente os
rumos de seu desenvolvimento) deflagrou um processo de descolonização global pelos países do Terceiro Mundo em busca do seu desenvolvimento como dos países ―modelo‖.
Mas o patamar de ―pobreza‖ de alguns países, ou de uma economia dependente de outros, levava à aceitação das crenças que somente pelas vias de ―revolução do campesinato‖ ou por outra via, a ―modernização‖ e eficiência do Estado, poderiam alavancar o desenvolvimento dessas nações subordinadas, retirando-as da ―atrasada‖ economia agrícola exportadora para a ―moderna‖ economia industrial capitalista produtora e consumidora (ROBSBAWN, 1995).
Fosse por via do modelo do planejamento totalmente centralizado pelo Estado, como preconizado pela União Soviética, fosse pelo modelo de ―substituição de importações‖ apoiado pelo liberalismo americano, essa ideologia de que somente um Estado forte e centralizado seria capaz de proporcionar as transformações necessárias e implementar diretrizes econômicas encontrava eco nos países periféricos do capitalismo, principalmente na América Latina. A substituição de importações e o
desenvolvimentismo foram apoiados pela Comissão para o Desenvolvimento da
América Latina e Caribe (CEPAL, braço da ONU-Organização das Nações Unidas), e tiveram seus fundamentos implantados ainda na década de 1950 no Brasil.
Era também parte das teorias do pós-guerra, o pluralismo40, que defendia que ―à medida que as sociedades de baixa renda fossem mais capitalistas (modernas) e menos tradicionais, elas se tornariam mais democráticas, baseada na lógica racionalista das relações, que deveria ser capaz de suplantar as instituições políticas particularistas e autoritárias (CARNOY, 1988). Essa previsão claramente não se cumpriu, e o que se viu foi o direcionamento dos Estados periféricos justamente para governos autoritários e dependentes das economias centrais.41
A partir da segunda metade do Século XX, os golpes militares tiveram seu lugar nos governos latino-americanos, dentre eles o Brasil. No caso brasileiro, num momento
40 cf. Shumpeter (1984) 41 CARNOY (1988
): ―o advento do autoritarismo do Terceiro Mundo não é somente uma reposta essencialmente ‗necessária‘ para a crise – uma expressão das burguesias inerentemente frágeis do Terceiro Muncdo, e do poder do capital estrangeiro sobre aqueles Estados – mas pode ser o prenúncio da institucionalização do militarismo na periferia. Frank observa que a ‗militarização do Estado e, na verdade, da democracia, sociedade, cultura e ideologia também está-se induzindo além e abaixo da superfície imediatamente visível, em um país após outro‘. Frank, 1979, 42, citado por, Carnoy).
de fragilidade democrática e crise econômica no início da década de 1960, um grupo de militares aproveitou-se do discurso de ―defesa da democracia‖ e do ―anticomunismo‖, para tomar o poder executivo nacional. Esse grupo de conservadores de extrema direita manteve-se no governo sob a égide da defesa do Estado como a instituição nacional capaz de proporcionar a sua inserção no circuito capitalista mundial, saindo definitivamente de sua condição de país ―atrasado‖ para ―moderno‖, daí a expressão ―modernização conservadora‖, uma vez que se faz dentro de um contexto de conservadorismo político, sem que houvesse muitas mudanças estruturais profundas.
A ascensão dos regimes ditatoriais na América Latina nas décadas de 1960 e 1670 (Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Brasil) era imbuída do intuito político- ideológico de reprimir a “esquerdização” desses governos, bem como pelo fito
econômico de inserção definitiva no circuito da ―modernização industrial‖ e do ―desenvolvimentismo‖, que era visto como solução para a crise por que passavam boa parte desses países. Brasil e México destacaram-se como economias da América Latina que, malgrado os custos financeiros, políticos e sócio-econômicos desse processo, conseguiram fazer modernização de suas economias.
II
O centralismo autoritário, marcado pela força reguladora do Estado em praticamente todos os aspectos da vida pública (político, econômico, social, cultural), foi sem dúvida a principal marca dos governos militares durante os regimes ditatoriais latino-americanos nas décadas de 1960 e 1970.
No Brasil não foi diferente. A repressão a manifestações populares, sindicais, ou quaisquer outras contrárias ao governo, e exclusão da sociedade de qualquer processo decisório ou liberdade políticas participativa era patente e tomada como forma de conduzir com ―mão de ferro‖ o desenvolvimento do País nos ―anos de chumbo‖ (1968-1975).
O cerceamento das liberdades políticas, a censura sobre as manifestações culturais e artísticas, a perseguição a opositores políticos, eram escamoteados pela forte propaganda positiva do regime sobre si mesmo, disseminando a ideologia ufanista
do ―Brasil grande potência‖ 42, com discursos que se revestiam da democratização para
adquirir adeptos, enquanto na prática se aprofundavam as medidas autoritárias do regime instaurado.
Davam respaldo jurídico às arbitrariedades dessa ―corte‖, os ―Atos Institucionais‖ (emitidos em um total de dezessete) e seus complementos, pelos quais o País passou a ser governado. Essas peças legislativas sobrepuseram-se à Constituição Federal de 1967 e às legislações estaduais, e aos poderes judiciário e legislativo, pelo que se determinou a dissolução do Congresso por um ano, adoção do bipartidarismo (ARENA, direita, e MDB, centro-esquerda), eleições indiretas, cassações de direitos políticos e uma série de outras medidas que pudessem ―engessar‖ os opositores do regime, e fortalecer o executivo para viabilizar suas manobras.
A centralização pelo governo federal não procurava controlar somente os seus opositores políticos internos e os movimento populares (sindicais, artísticos, intelectuais, eclesiais), mas procurava abafar também o poder das oligarquias estaduais e regionais, a fim de evitar perda de poder também nos níveis subnacionais (ABRUCIO, 2005).
No Brasil, essa não é propriamente uma relação dos dias atuais, porquanto o Estado brasileiro carrega uma herança de já nascer sob as imposições de uma metrópole pré-existente, e permanece subjugado pelo poderio econômico central em voga43. O crescimento econômico do país é, então, em muitos momentos, balizado por interesses privados em lugar do coletivo, gerando embates entre os distintos atores e grupos sociais, entre cidades e regiões, nas disputas por investimentos e recursos, estabelecendo-se, assim, uma relação intrínseca entre economia, sociedade e território.
A tentativa de concentrar poder e cooptar lideranças nos mais diversos níveis e esferas públicas era uma prática diametralmente oposta aos discursos de ―defesa da democracia‖, descentralização e autonomia aos demais níveis de governo. O Estado assumiu o papel de regulador das políticas e cercou-se de todo um aparato
42 Reforçada pelas doutrinas da Escola Superior de Guerra, referência do projeto geopolítico nacional, como visto no Capítulo 1.
tecnocrático e institucional para ter total controle dos processos de tomada de decisão, elaboração e implementação das políticas e diretrizes nacionais nas mais diversas áreas, mas de forma prioritária, nas políticas e planos para o desenvolvimento econômico nacional.
III
No campo econômico, com a herança do desenvolvimentismo44 e das políticas de substituição de importações do governo Juscelino Kubitschek, manteve-se a meta de crescimento da produção industrial, porém agora sobre bases nacionais (como alternativa à invasão – e evasão - do capital estrangeiro que gerou altos índices inflacionários e dívida externa no governo JK). Tinha como foco as diretrizes
keynesianas de criação de grandes empresas estatais e investimento na indústria
pesada (siderurgia, energia, petróleo, construção naval), além da garantia de provisão da infra-estrutura de estradas, energia, transporte, essenciais para o instalação ―do progresso e do desenvolvimento‖ nacionais.
O ―milagre‖ do crescimento da economia nacional experimentado entre 1968 e 1973, favorecido pelo combate à inflação e reformas estruturais, justificava a ingerência federal nos mais diversos setores, níveis de governo e escalas territoriais45. A burocracia nacional enxergava o País como uma potência emergente, pois se tinha a ilusão de que o Estado, com todos os mecanismos fiscais e monetários nas mãos, conseguiria manter o milagre e sobrepor-se às crises interna e mundial, absorvendo o .primeiro choque do petróleo. Nesse momento os esforços do governo começam a se dividir entre duas direções: uma expansionista, visando à manutenção do acelerado crescimento econômico do período anterior, e outra contencionista, propondo o controle da inflação46.
44Política Econômica do Plano de Metas ―50 anos em 5‖. 45
―O capitalismo monopolista de Estado assume no Brasil características particulares, decorrentes da própria industrialização tardia. Há que ressaltar três traços que lhe conferem especificidade: a importância crucial do setor produtivo estatal, a profundidade do processo de internacionalização do sistema produtivo e a extensão do controle do Estado sobre o processo de acumulação. (BELLUZZO e MELLO, 1982, p. 144).
46 Para os tecnocratas conservadores a ditadura representou uma oportunidade extraordinária para a aplicação de sua orientação pretensamente racional e eficiente à política econômica, uma vez suprimidas de um golpe quaisquer propostas alternativas enraizadas no nacional-desenvolvimentismo e as possibilidades de mobilização popular em seu apoio. A face austera exibida pelo regime durante o governo Castello Branco por um momento descortinou um horizonte favorável à implementação duradoura desse enfoque para a política econômica, estendendo-se pelo tempo que fosse necessário à obtenção de seus frutos. Contudo, como logo se viu, mesmo os ortodoxos defensores da austeridade tinham o seu apoio pelo regime e pelo empresariado condicionado ao cumprimento de promessas definidas ainda em 1964: uma redução da inflação para 10% a.a. e a retomada do crescimento a taxas ao redor de 6% a.a. quando do término do governo Castello Branco. A restauração da lucratividade do
No entanto, a partir de 1973, o choque da crise internacional do Petróleo faz estremecer as bases econômicas nacionais e torna mais nítidas as fragilidades conjunturais sobre as quais se assentavam a euforia desenvolvimentista-milagrosa-
keynesiana. O ano de 1975 marcou o início do desmoronamento do milagre econômico
e inaugurou um longo período de uma recessão que se estenderia durante toda a década de 1980 e 1990 (as chamadas décadas perdidas), até encontrar na estabilização da moeda nacional e na contenção da inflação o rumo para a retomada do crescimento nacional de forma mais sustentada47.
Tolosa (1997) acredita que os principais desafios enfrentados pelas políticas urbanas na mudança de conjuntura de crise e hiperinflação da década de 1970 / 1980 para a estabilização econômica iniciada nos anos 90 com o Real, foram relativos à oferta de serviços urbanos de infra-estrutura para as grandes cidades, pólos atrativos de produção e migrações, como pode-se confirmar