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A análise multicritério utilizada como ferramenta para classificação dos critérios a serem adotados na análise dos leiautes foi de grande importância para os resultados deste trabalho. Ao se iniciar uma análise que pressupõe uma estrutura hierárquica, a definição das necessidades, critérios e métricas são extremante importantes para que

a análise ocorra de forma correta. Neste trabalho, o exaustivo levantamento de necessidades dos usuários e verificação de mais de 100 horas de gravações em vídeo de reuniões de projeto (tradicionais e BIM), possibilitou identificar e condensar quais seriam os seis mais importantes critérios a serem analisados em uma sala de coordenação de projetos. Dentre estes critérios, somente três foram (visualização, interatividade e espaço) considerados na classificação da qualidade dos leiautes propostos já que as necessidades de infraestrutura elétrica, mobiliário e conforto ambiental foram consideradas variáveis independentes do leiaute ao passo que os demais são variáveis dependentes do leiaute. Para se fazer a análise multicritério, a quantidade e especialidades que avaliou os critérios par a par foram 4 coordenadores e 6 projetistas. Para estas pessoas o vetor de prioridades após a análise par-a-par das necessidades mostrou que a visualização é a necessidade mais importante em uma sala de reuniões BIM, sendo que relativamente, para os usuários esta necessidade é 5 vezes mais importante que o conforto ambiental. Isso quer dizer que mesmo que o participante da reunião esteja em uma sala com condições baixas de conforto, muito quente, por exemplo, mas ele visualize a informação em uma tela ele poderá realizar a reunião a contento. Para a necessidade visualização de informações em uma reunião o fator que tem maior importância é a % de oclusão da tela, que é quase 3 vezes mais importante que o ângulo máximo vertical do participante com a tela. Para um participante de uma reunião de projeto, que tem a visualização como necessidade prioritária para análise, a existência de uma cabeça entre ele e a tela que o impeça de ver o modelo tridimensional ou imagem, este resultado mostra-se bastante coerente. Para os projetistas e coordenadores consultados nos julgamentos par-a-par, dentre os critérios de interatividade, o que recebeu a prioridade com 42,57% de peso foi o ângulo que o participante tem que girar para interagir com outro participante da reunião, Imagina-se que se um participante estiver de costas para outro participante, ele terá que girar pelo menos 180 graus para falar ou interagir com outro imediatamente posicionado atrás. Esse movimento com o corpo inviabiliza a interatividade em reuniões de projetos, logo os leiautes que faziam com que seus participantes tivessem ângulo muito grande de interação receberam notas mais baixas.

O critério infraestrutura, relacionado com a elétrica e rede, foi julgado como tendo prioridade de 13,2% em um leiaute, sendo que ele é 3 vezes menos importante que a necessidade visualização. Na realidade este é um quesito importante, no entanto o leiaute não será alterado se o número de tomadas na sala foi maior ou menor. Mas deve se considerar a existência de tomadas, uma vez que os dados para a reunião podem estar em um notebook que esteja sem bateria, o que prejudicaria a realização da reunião. O critério mobiliário recebeu a prioridade de 7,6% dentro das escalas de prioridade de um leiaute. Este resultado é adequado em relação à realidade, pois mesmo tendo-se um mínimo espaço de apoio em uma mesa, como é o caso da referência adotada, uma carteira escolar, pode-se executar uma reunião de projetos. Com certeza esta não é a forma ideal, no entanto, não inviabiliza a realização da reunião. O critério conforto ambiental recebeu prioridade e 7,39% na construção de um leiaute. Se analisarmos uma sala de reunião em um dia de verão em uma cidade do nordeste brasileiro, e esta sala não tiver refrigeração de ar, a reunião de projeto poderá existir, no entanto com bastante desconforto e talvez perda de atenção dos participantes devido ao calor. Este também não é um critério que muda as características do leiaute de uma sala, no entanto, pode prejudicar bastante o rendimento das questões de projeto que estão sendo discutidas. E por fim, o critério espaço, distância entre o participante sentado e algum anteparo como parede ou tela de projeção, recebeu 7,09% de prioridade na construção de um leiaute. Quando esta distância passa a ser menor que 80cm isso faz diferença na opinião dos projetistas que participaram da análise par a par, apesar desta ser uma métrica que pode alterar o leiaute, ela é 5,5 vezes menos importante que a visualização, e por isso, mesmo em espaços não adequados, porém com qualidade de visualização as reuniões poderão ocorrer de acordo com a relação de prioridades.

A metodologia aplicada, AHP, é uma teoria descritiva de processo subjetivo intrínseco à investigação e necessita ser adaptada para a proposta de análise. Este método permite o uso de critérios qualitativos bem como quantitativos. Ao se tomar a opinião de 10 pessoas na análise comparativa, pode-se ter uma subjetividade bastante grande. A inconsistência imposta pela escala de Saaty (1990), deve ser considerada dentro de 10%. Desta forma, no caso estudado, em um próximo estudo, pode-se reexaminar os 4 leiautes melhor avaliados, num refinamento da análise. O método AHP tem seus pontos fortes e suas fraquezas (GOODWIN; WRIGHT, 2004). Como

pontos fortes podemos citar a estruturação formal do problema, o que permite que problemas complexos possam ser decompostos em conjuntos de simples julgamentos; a simplicidade da comparação par a par, o que permite ao julgador manter o foco em uma pequena parte do problema; a redundância permite que a consistência possa ser checada, e também pode-se dizer que é uma metodologia versátil por ter uma grande amplitude de aplicação.

No entanto, também existem algumas limitações. A correspondência entre a escala verbal, ou seja, o que o julgador acha, com a escala numérica é baseada em suposições. Ao fazer julgamentos, os participantes podem cometer inconsistências ao atribuir as notas, sendo que a nota nove (importância absoluta) deveria ser utilizada somente em casos extremos, por esta razão, em geral, admite-se as inconsistências até 10%. Outro fator a ser considerado em próximas pesquisas é a relação custo/benefício entre as decisões. Apesar dos custos poderem ser incluídos nas decisões, devem ser desconsiderados até as alternativas serem avaliadas para que não aconteça de uma solução ter ótimos benefícios, mas ser inviável financeiramente. Deve-se analisar separadamente os custos de cada alternativa e depois julgá-las frente aos benefícios. Na pesquisa em questão, as salas receberam o mesmo número de equipamentos, espaço e pessoas e, por isso, a análise de custo não teria sentido, já que igual para todas as alternativas. O interessante será analisar salas com diferentes equipamentos para se medir a relação custo/benefício com equipamentos diferentes e custos diferentes.