BÖLÜM 2. KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE
2.4 Çokkültürlülük Uygulamaları
2.4.2 Günümüz Çokkültürlülük Uygulamaları
A discussão sobre PCH’s, normalmente, se desenvolve assentada em premissas questionáveis. Esses aproveitamentos são sempre apresentados como "solução" alternativa aos grandes projetos de usinas e seus impactos sócio-econômicos. Essa percepção, porém, é limitada por várias razões.
Primeiramente, porque parte do pressuposto de baixo impacto ambiental associado aos pequenos aproveitamentos. Uma PCH, de fato, isoladamente, pode ser caracterizada como empreendimento de menor impacto sócioambiental quando comparada a uma grande hidroelétrica. Ocorre, entretanto, que a energia produzida por uma PCH não atenderia - como alternativa a uma grande usina - a demanda atual e futura. Ou seja, haveria que se construir todas as PCHs inventariadas nos rios brasileiros e, mesmo assim, não se produziria eletricidade suficiente ao atendimento da demanda projetada. E mais, a implantação de várias PCHs em uma mesma região (muitas delas em sequência no mesmo rio) pode significar, sim, impactos ambientais mais expressivos do que uma grande usina.
A estimativa dos levantamentos feitos pela Eletrobrás (SIPOT, 2000) apontam para um potencial de aproximadamente 10.000 MW nesses aproveitamentos em todo o Brasil (aproximadamente 30% no Estado de Minas Gerais). Isso corresponderia, hoje, a,
populações ribeirinhas na região Sudeste que vivem nos fundos dos vales de pequenos rios que seriam aproveitados. Em Minas Gerais há vários exemplos concretos desse tipo de intervenção com muitos prejuízos às populações rurais que não colhem os benefícios da produção da eletricidade em suas regiões. O exemplo do investimento em PCH’s por empresas eletrointensivas e outras no Estado de Minas Gerais ilustra bem essa situação, principalmente naqueles casos em que se tem um balanço bastante desfavorável entre a capacidade instalada e a magnitude dos impactos socioambientais. Há exemplos em Minas Gerais de PCH’s com baixa capacidade instalada, porém com reservatórios que obrigaram o deslocamento compulsório de mais de uma centena de famílias66.
Outro aspecto relevante, já citado, se refere à descentralização da geração, com a implantação de unidades de produção de eletricidade nas regiões mais afastadas dos grandes centros de consumo, de modo a atender a demanda local. Esse princípio não se realiza totalmente, entre outros motivos, pelo interesse empresarial privado que se decide pelo investimento em energia. Para esses agentes (privados), a energia é somente um negócio e não um direito, uma mercadoria a mais a ser comercializada no mercado, sendo a decisão sobre sua realização descolada de qualquer planejamento estratégico (por exemplo, os princípios do PROINFA), conforme pode se observar no caso de Minas Gerais, onde um número expressivo de projetos de PCH’s vem se desenvolvendo, porém, com grande concentração geográfica em várias sub-bacias, em especial na bacia do rio Doce, onde se localiza o maior potencial de aproveitamento. Ou seja, as vantagens da chamada geração distribuída, relacionada à desconcentração da geração, ao atendimento das demandas locais, à estabilidade dos sistemas de transmissão, etc, acabam sendo superadas pela grande concentração de projetos, muitos deles previstos para serem implantados, como já mencionado, seqüencialmente no mesmo rio.
Atualmente (setembro de 2007), encontram-se submetidos ao licenciamento ambiental no Estado de Minas Gerais, e em diferentes fases do processo, o significativo
Santo Antônio, Guanhães, Peixe e Corrente Grande, pertencentes à bacia do rio Doce, são exemplos recentes desse tipo de investimento. Para uma mesma região estão projetados nada menos do que 8 aproveitamentos concentrados (alguns em seqüência no mesmo rio e todos de um mesmo empreendedor), que não ultrapassam os 93,5 MW de capacidade total instalada, mas que significam impactos sócioambientais importantes.
Matéria publicada na edição do dia 23 de setembro de 2007 do jornal O Estado de Minas, de autoria do repórter especial Bernardino Furtado, revela a significância dos impactos associados a esses pequenos aproveitamentos, que, no caso das PCH’s projetadas para o trecho do alto Santo Antônio significaria, praticamente, a extinção de uma espécie de peixe endêmica daquela sub-bacia, o Andirá. Além dos impactos significativos sobre a biodiversidade dos rios aproveitados, e, bem assim, sobre remanescentes florestais importantes ainda existentes na região, os aproveitamentos projetados implicam na produção de impactos sócio-econômicos importantes sobre as comunidades atingidas pelos reservatórios, significando, para pelo menos um dos projetos previstos (PCH Quinquim), interferências nas atividades sociais e econômicas de mais de cem (100) famílias. Esse empreendimento, entretanto, possui somente 14 MW de capacidade instalada.
Assim, as vantagens da descentralização da geração não se verificam, havendo, de fato, concentração de investimento em conjuntos de PCH’s em determinadas regiões para produção de eletricidade a ser injetada no sistema elétrico nacional. Em outras palavras, o investimento em PCH’s está muito associado a interesses financeiros, a oportunidades de negócio e remuneração do capital disponível, sem planejamento estratégico em sua implementação.
Um fato também importante está associado à vida útil desses empreendimentos, normalmente reduzida em razão do assoreamento de seus reservatórios de pequenas dimensões.
Há que se considerar, também, que os arranjos e motorizações desses projetos significam, em sua quase totalidade de casos, restrições para jusante muito acentuadas das vazões naturais do curso d'água aproveitado. Os trechos chamados de "vazão reduzida"
Para o caso específico do Estado de Minas Gerais, é interessante sublinhar, ainda, que o incremento previsto na oferta de eletricidade a partir de pequenas centrais hidroelétricas, segundo dados da ANEEL (2007) apresentados no capítulo 3, item 3.2, desta pesquisa e reproduzidos na tabela da figura 19, tem pouco significado absoluto e relativo, quando comparado com a capacidade total de produção instalada atualmente no Estado.
A expansão da oferta de energia considerando as 8 PCH’s em construção e as 47 outorgadas, totalizando 822.4 MW de potência, não significaria mais do que o incremento em 4.5% da capacidade do atual parque gerador de Minas Gerais, que possui, segundo a mesma fonte de dados, 18.195 MW instalados.
Empreendimentos em Construção
Tipo Quantidade Potência (kW) %
CGH 1 848 0,10
PCH 9 178.800 21,35
UHE 4 594.700 71,01
UTE 1 63.155 7,54
Total 15 837503 100
Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2004
(não iniciaram sua construção)
Tipo Quantidade Potência (kW) %
CGH 20 11.598 1,18
PCH 46 648.115 65,80
UHE 3 282.500 28,68
UTE 14 42.816 4,35
Total 83 985.029 100
Figura 25 - Usinas em construção e outorgadas em Minas Gerais. Fonte: ANEEL, 2007.
Números ainda mais significativos são revelados pelo Programa de Geração Hidroelétrica de Minas Gerais, elaborado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico – SEDE/MG, e divulgado em 2007, que aponta para a possibilidade do aproveitamento do potencial hidroelétrico remanescente com a implantação de 45 usinas
Trata-se de um conjunto de 380 aproveitamentos, número bastante superior aos 121 empreendimentos em operação no Estado (UHE’s e PCH’s), cuja eventual implantação significaria, praticamente, o aproveitamento máximo de todo o potencial remanescente. É relevante notar que a ampliação em 214% no número de aproveitamentos não representaria mais do que o incremento em 44,8% na produção de eletricidade no Estado, elevando, porém, a área alagada no território de Minas Gerais para, pelo menos, 15455 Km² (aumento percentual de 209%), o que representaria praticamente metade de toda a área de inundação por barragens existente atualmente no Brasil (34000 Km²)68.
Especificamente para as PCH’s, esse Programa, que inclui empreendimentos em construção e outorgados pela ANEEL, caso executado considerando todos os pequenos aproveitamentos identificados, significaria a expansão da oferta de energia em 19,8%, porém com ampliação numérica das unidades em percentual expressivo de 418% (de 80 para 335 unidades).
É relevante notar, ainda, que as novas PCH’s do Programa de Geração Hidroelétrica de Minas Gerais têm, em média, capacidade instalada prevista bastante superior àquela das PCH’s atualmente em operação69, sugerindo que os projetos atuais aproveitariam o chamado “ótimo energético”70 com maiores restrições ambientais associadas às interferências no regime hidrológico dos rios aproveitados, sobretudo para aqueles onde se prevê a instalação de vários projetos em “cascata”.
68 Esses números e percentuais foram obtidos considerando as informações do “Programa de
Geração Hidroelétrica de Minas Gerais”, disponível no sítio eletrônico da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, 2007.