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Artan Milliyetçilik ve Ruslaştırma politikaları

BÖLÜM 3: RUSYA ÇOKKÜLTÜRLÜLÜĞÜ

3.6 Artan Milliyetçilik ve Ruslaştırma politikaları

Em relação ao uso de controvérsias, no ensino de ciências, para a discussão das relações ciência-sociedade, há uma grande diversidade de abordagens, mas com frequência, ciência e sociedade são percebidos como universos separados onde os modos de relação consistem em influências mútuas (ALBE, 2009). Segundo Albe, em diferentes pesquisas destaca-se uma forte tendência: os fundamentos epistemológicos são os mais frequentemente

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Science Studies é um campo de pesquisa interdisciplinar que busca estudar as relações entre a prática científica e o contexto social, histórico e filosófico.

implícitos mesmo se está presente a ideia de considerar as ciências como construções sociais.

“Se numerosas pesquisas sublinham a interdependência das ciências e da sociedade, as relações descritas são frequentemente sobre o modo de interações recíprocas entre dois universos separados. Os pontos de vista sobre o social ou a cidadania, essa última constituindo a finalidade educativa que todos os pesquisadores mencionam, são raramente explicitados e podemos considerar que em certas pesquisas a sociedade é de alguma forma ‘naturalizada’, ou seja, considerada como uma entidade constituída” (ALBE, 2009 p.103).

Como veremos no capítulo 2, A Teoria Ator-Rede discute a co-produção entre ciência e sociedade.

A seguir, discutiremos algumas pesquisas em educação em ciências que têm utilizado aportes dos Science Studies como referencial teórico. O movimento surgido em meados do século XX, em decorrência de reflexões sobre as ideias de Tomas Kuhn e ficou marcado pelos debates sobre a ciência e sobre estudos sociais do conhecimento (SILVA, 2010).

Diferentes estudos buscam abordar negociações sociais entre membros de uma comunidade científica abordando, por exemplo, a noção da incerteza e o ensino das características da “ciência de fronteira” (BINGLE e GASKELL, 1994); pesquisas sobre o uso de simulação de painéis de consenso sobre questões sócio-técnicas (KOLSTØ, 2000); o papel da argumentação para o estabelecimento do consenso na ciência e também os aspectos sociais da ciência como práticas de publicação (KOLSTØ, 2001); o papel da argumentação no estabelecimento de um consenso na ciência (ALBE, 2005; 2006; JIMÉNEZ-ALEIXANDRE, BUGALLO RODRÍGUEZ e DUSCHL, 2000; JIMÉNEZ-ALEIXANDRE e PEREIRO-MUÑOZ, 2002). Da mesma forma, as ciências escolares deveriam tratar das incertezas e limites dos saberes científicos.

Bader e Therriault (2008) afirmam que alguns conceitos oriundos da sociologia da ciência, têm sido aproveitados nas pesquisas em educação em ciências com a finalidade de conceber práticas pedagógicas inovadoras. Dentre esses conceitos podemos citar a discussão sobre as negociações que ocorrem

entre cientistas, o papel do financiamento da pesquisa, o fato de que os saberes científicos são válidos em um determinado contexto, que os saberes científicos evoluem segundo as tecnologias disponíveis e são portadores de orientações ideológicas e de valores.

Outro exemplo de pesquisa que usa abordagem baseada nos Science Studies é o estudo empírico realizado por Albe e Gombert (2012), apresentado na seção 1.6.4, que teve como principal objetivo explorar as potenciais inter- relações da educação em ciências, da educação para a cidadania e educação ambiental. Foi realizado com estudantes franceces da 12ª série e abordou a controvérsia do aquecimento global. Na primeira fase do trabalho foi realizada uma análise da controvérsia usando a metodologia proposta por Bruno Latour, em seu curso sobre controvérsias (LATOUR31, 2007, citado por ALBE E

GOMBERT, 2012). Esta análise permitiu o desenvolvimento de recursos a serem utilizados em sala de aula, tanto para professores e alunos, na fase seguinte da pesquisa. Para as autoras, a análise da controvérsia teve como objetivo identificar os modos de produção de conhecimento nessa situação: os dados envolvidos, os pressupostos discutidos e teorias mobilizadas. Segundo elas, para a descrição de uma controvérsia é importante que sejam identificadas as áreas de pesquisa, os campos de especialização, as instituições em que os cientistas trabalham, os financiadores e os conhecimentos produzidos. É necessário também analisar as situações de interlocução entre os produtores de conhecimento, que podem ser mais ou menos polêmicas. Essas interações podem servir para identificar aliados, porta-vozes, adversários e objetos em que as controvérsias residem. Outras informações importantes de se identificar são: os experimentos de instituições científicas, as campanhas publicitárias na imprensa e em programas de TV, as comissões de pesquisa, os debates públicos organizados pelo Estado, como as conferências de cidadãos ou referendos, a mobilização dos cidadãos, as petições, etc. Segundo as autoras,

Não há uma resposta única que possa fechar a controvérsia, e a ciência não pode fornecer ''a verdade''. Ao lidar com controvérsias

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Latour, B. Cours de description des controverses. Website of the Ecole des mines de Paris. 2007. Disponivel em: http://controverses.ensmp.fr.

sócio-técnicas, o conhecimento está ''em construção'' e no seio das comunidades, com diferentes referenciais teóricos, metodológicos práticos, ou instrumentais, o conhecimento de cada um pode ser diferente e controverso. [...] Apagar os processos de elaboração de conhecimento, como é feito com o conhecimento estabilizado ensinado nas disciplinas escolares, impediria o desenvolvimento de uma compreensão de tais controvérsias (ALBE e GOMBERT, 2012, p. 665, tradução nossa).

Dentre os resultados do trabalho de Albe e Gombert (2012) os estudantes questionaram o conhecimento científico e as suas dimensões sociais, questionaram a neutralidade dos cientistas e levantaram problemas relacionados às ligações entre ciência, economia, política, financiamento, além dos diferentes interesses envolvidos. Os alunos que representavam o papel de especialistas mostravam a necessidade de dominar o conhecimento e ser politicamente livres e independentes.

1.7. A abordagem de controvérsias sócio-técnicas recentes no ensino de ciências

Além dos trabalhos apresentados anteriormente, decidimos buscar pesquisas que abordassem o ensino de controvérsias atuais que despertaram o interesse da população, por se tratar de questões com possível impacto na vida das pessoas ou questões de grande divulgação na mídia, que têm potencial para serem abordadas em sala de aula. Examinaremos nessa sessão alguns trabalhos recentes a esse respeito, apesar de encontrarmos poucos artigos nesse sentido em busca realizada na plataforma ERIC - Education Resources Information Center32.

1.7.1. Controvérsias sobre o aquecimento global

Segundo Albe (2009), a análise das controvérsias sobre o aquecimento global permite identificar os saberes atualmente em construção, as modalidades de estabelecimento de um consenso entre cientistas e mostra que as questões políticas maiores são explicitamente conectadas à essa questão.

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A maioria dos artigos com a palavra “Controversy” em seu resumo, está relacionado à controvérsia no ensino de evolução.

Duas tendências podem ser identificadas em relação às posições sobre o aquecimento global: alguns acreditam que o aquecimento global vai provocar um desastre ecológico. Para uma minoria, os céticos, a questão do aquecimento global é uma hipótese. Esses últimos denunciam a fabricação estratégica de um falso consenso científico com fins políticos e apontam os riscos da fragilização dos sistemas econômicos em escala internacional. Dessa forma, esse assunto é um bom exemplo do papel da argumentação, das construções retóricas e das questões sociais na elaboração das ciências. Esse é um tema importante para levantar questões de ordem epistemológica sobre os procedimentos de elaboração dos saberes científicos e a importância das interações sociais nesses processos.

Em uma revisão do tema essa pesquisadora discute que há confusões em relação aos conhecimentos científicos sobre o aquecimento global, mobilizados por alunos de ciências. Por exemplo, há dificuldades sobre mecanismos físico-químicos e confusões entre o aquecimento global e diminuição da camada de ozônio. Os conhecimentos sobre o tema parecem nutridos principalmente pelas mídias. As confusões similares ocorrem também entre os professores de ciências e estudantes universitários. Se os próprios estudantes universitários parecem ter as dificuldades para se posicionar sobre tal questão sócio-técnica, como poderão tratar esta questão na escola?

Em uma pesquisa realizada com estudantes (ALBE, 2010-2011), foi elaborada uma sequência didática de caráter interdisciplinar sobre as mudanças climáticas. O objetivo foi desenvolver uma compreensão das práticas científicas e da imbricação das questões da ciência, tecnologia e sociedade, além de optar por um uso da expertise para a participação em debates públicos. Uma das atividades realizadas foi um debate seguindo o modelo de conferência de cidadãos, com alunos desempenhando o papel de especialistas e cidadãos, dentre outros. Em relação às ligações ciência-política, observou-se que os estudantes têm uma visão de que a expertise é independente de interesses financeiros. Há alunos que percebem as ligações ciência-política e aqueles que negam essa relação e acreditam que o uso político da expertise irá distanciá-los do sistema democrático. Em relação aos interesses envolvidos nas questões científicas, os alunos colocam em questão

a ideia de uma ciência neutra e independente e apontam o perigo dos cidadãos seguirem recomendações dos especialistas já que elas implicam em escolhas políticas maiores que fogem aos cidadãos, mas têm consequências importantes sobre seu modo de vida. Assim, fica evidente que os alunos são capazes de perceber e questionar as ligações entre ciência e política e estão aptos a considerar o papel da expertise e seu uso político. A natureza política da questão do clima foi notada pelos alunos e, no debate realizado, eles abordaram questões sobre escolhas energéticas, modo de vida e do crescimento econômico.

Outro estudo (ALBE e GOMBERT, 2012), mostrou que a realização de uma atividade sobre aquecimento global permitiu aos estudantes envolvidos mobilizar diferentes conhecimentos, de caráter econômico (financiamento da pesquisa, por exemplo), político (Protocolo de Kyoto) e científico (como confinamento de CO2 no gelo, medições e temperatura e o papel dos dados

empíricos, dentre outros). Os alunos foram capazes de perceber a relação entre os diferentes fatores, por exemplo, a relevância da renda e do financiamento para a pesquisa dos cientistas e a necessidade de acordo entre os cientistas. Os enunciados dos alunos centraram-se principalmente em considerações ambientais e cuidados com as gerações futuras e eles discutiram a questão das energias renováveis, o fim do petróleo e o Protocolo de Kyoto.As autoras enfatizaram que os conhecimentos escolares foram pouco mobilizados durante os debates realizados com os estudantes e eles são capazes de relacionar ciência e política.

É necessário advertir o leitor que tratar o aquecimento global como uma controvérsia científica legítima é uma questão controversa. Para Latour (201533) o aquecimento global é uma controvérsia espúria, criada com o

objetivo de gerar polêmica e adiar a ação34. Nessa “controvérsia”, os cientistas

do IPCC acumularam um grande volume de dados, o que não ocorre com os

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LATOUR, B. Scientific Humanities Course. Week 4: How to deal with controversies? France Université Numerique. Sciences Po. Massive Open Online Course (MOOC), jan-mar. 2015.

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O mesmo pode ser dito sobre outras controvérsias: do ensino de evolução versus design inteligente; a controvérsia em torno dos perigos do tabaco, dos pesticidas, da dioxina, dentre outras. Situações nas quais se pretende respeitar ambos os lados de uma disputa científica, não apenas aquele suportado pelos fatos, podem levar à descrença na ciência, que passa a ser considerada muito controversa (Latour, 2015).

céticos. Ainda segundo Latour, a disputa em torno do aquecimento global tem por objetivo criar a impressão de que o caso ainda está aberto, mesmo quando esse já foi fechado pelos especialistas que têm total concordância sobre o assunto. Segundo ele, a controvérsia em torno do clima é politicamente muito importante e foi falsamente desenvolvida por poderosos interesses. É como se houvesse dois campos científicos: um composto de especialistas que afirmam que a ação humana é responsável pelo que eles chamavam de "aquecimento global". Outro grupo que alega que os humanos não são responsáveis por aquilo que eles chamam de "mudança climática". Esse tipo de “controvérsia” pode ser extremamente popular, especialmente nos meios de comunicação que gostam de ter duas partes no palco da TV como se os jornalistas fossem juízes.

Como resolver esse tipo de situação? Latour (2015) nos alerta sobre a necessidade de considerar quem são os cientistas em quem confiar. Quem são aqueles que publicaram artigos revisados por pares? Depois de fazer isso é possível que os chamados “dois lados" da controvérsia não sejam formados pelo mesmo tipo de especialista e é um erro considerar que há dois lados. Isso não significa que a disputa vai parar, significa apenas que é possível aprender a detectar quem é mais partidário do que quem. E isso é o melhor objetivo que se pode alcançar como um forasteiro, como alguém que avalia a situação de fora.