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Sonuç 3 Savaşın üçüncü sonucu Avusturya toplumu ile alakalıydı Bu açıdan II Dünya savaşını etkisi oldukça önemlidir Avrupa‟da yersiz kalan pek çok
3.7.3. TARTIġMACI TÜR (argument genre)
3.7.3.2. Farklı Yorumları TartıĢma Türü (Discussion Genre)
Ao refletir sobre as representações sociais, neste trabalho, é relevante deixar clara a importância desse fenômeno no campo comunicacional. O mais importante não é entender as razões psíquicas para o surgimento das representações, mas sim como elas conformam e são conformadas pelas interações dos sujeitos e como elas dão-se a ver nessas relações.
Nesse sentido, segundo Moscovici, Jodelet e Hall, as representações existem apenas pelas interações, assim como só por elas se mantêm ou se modificam. Por sua vez, as representações conformam as relações sociais. Só é possível interagir com o outro por meio de significações compartilhadas. Assim, ao performarem, os sujeitos só podem fazê-lo por meio de representações que lhes permitem lidar com as situações de uma maneira ou de outra. O sentido que o termo futebol possui no Brasil11 só o é por, nas relações, ter emergido e se cristalizado dessa forma. Futebol pode ser entendido de uma forma em um país e, em outro, ser apreendido de maneira diferente. Ao mesmo tempo, do encontro dessas duas significações, com o tempo, pode emergir um sentido novo para o que ele representa. É na interação dos sujeitos que as significações emergem e passam a orientar as práticas sociais, ou seja, elas guiam as próprias interações.
É interessante dizer, então, que com os meios de comunicação há a possibilidade de representações que abrangem contextos maiores, uma vez que é possível o embate de sentidos de forma menos dependente do espaço em que os sujeitos se localizam. As mídias potencializam as trocas simbólicas, são espaço privilegiado de troca e compartilhamento de sentidos, dando ainda mais mobilidade às representações; temos contato com significações que talvez não teríamos sem os meios de comunicação e é também nesse encontro que construímos nosso universo de sentidos compartilhados. Enfatiza-se que os produtos midiáticos apresentam recortes da realidade e que estes não existem se não pelas significações que circulam fora dos meios de comunicação. Mais uma vez, ressalta-se que a mídia perpassa as relações fora dela e o mesmo acontece no sentido contrário.
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Entender as representações como significações vivas que orientam as relações entre os sujeitos e o mundo só é possível a partir de um olhar que entende o processo comunicativo como constituído e constitutivo do social e dos sujeitos. Nesse sentido, Quéré (1991), em seu texto “D’um modele epistemologique de la communication a um modele praxeologique”, apresenta duas grandes concepções da comunicação, duas formas de olhar para os fenômenos sociais:
Uma é “epistemológica”, no sentido de que ela racionaliza em termos de produção e de transferência de conhecimento sobre o mundo e as pessoas; ela depende no essencial do esquema da representação. A outra, “praxiológica”, depende do esquema da constituição de um mundo comum pela ação, ou, como se diz às vezes em ciências sociais, do esquema da construção social da realidade. (QUÉRÉ, 1991, p. 3)
A primeira concepção, que é criticada pelo autor, identifica os processos comunicativos como transmissão de informação, processo linear que acontece entre produtor e receptor e que visa suscitar no segundo representações ou ideias semelhantes àquelas emitidas pelo primeiro, sendo que, quanto mais similares as representações entre produtor e receptor, mais bem-sucedida é a comunicação. Essa concepção trata a linguagem como algo que substitui o mundo real em um contexto em que esse mundo é predeterminado. Assim, a linguagem é apreendida como algo que nomeia o mundo. Dentro do modelo epistemológico, existe um mundo predefinido e apenas representado por esquemas cognitivos, de forma independente dos sujeitos, que apenas inferem o mundo. A perspectiva defendida por Durkheim (1970, 1983), ao tratar as representações coletivas como significações fechadas e com poder de coerção sobre os indivíduos, parece apresentar um olhar sobre os processos comunicativos que vai ao encontro de aspectos encontrados na concepção epistemológica da comunicação.
Em contraponto a essa primeira perspectiva, Quéré apresenta o modelo praxiológico, que tem como principal característica pensar a comunicação como momento constitutivo, como uma “atividade conjunta de construção de uma perspectiva comum, de um ponto de vista compartilhado, como base de inferência e de ação” (QUÉRÉ, 1991, p. 6). Esse modelo trabalha com a ideia de um mundo construído, na ação, pelos sujeitos.
O modelo praxiológico olha para um mundo comum,12 formado pelos sujeitos que nele estão, em uma relação circular entre indivíduo e sociedade. Dentro desta perspectiva, não
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Um mundo comum não significa uma concordância de pensamentos ou de pontos de vista, como diz Quéré, mas “o fato, para os parceiros, de construir juntos o lugar comum a partir do qual eles vão momentaneamente se relacionar uns com os outros, se relacionar com o mundo e organizar suas ações recíprocas” (QUÉRÉ, 1991, p. 7).
há um mundo predefinido, mas constituído na ação comunicativa, que, por sua vez, só pode acontecer através do simbólico. Dessa forma, entender a comunicação por meio desse segundo olhar, que vê a dinamicidade existente nas significações compartilhadas pelos sujeitos, evidencia, então, a importância das interações dentro do fenômeno das representações. É por essa perspectiva que se entende a comunicação nesta pesquisa e, consequentemente, se entende a relação das representações com os sujeitos e o mundo.
Assim, a ideia de representações se mostra importante para este trabalho, já que se estuda a interação e ela só é possível por meio das representações sociais, as quais, por sua vez, só existem pelas e nas práticas comunicativas. França (2004) chama a atenção para o fato de que só vivemos em sociedade pelo compartilhamento de sentido, pois é ele que organiza e dá coerência ao social. A autora afirma ainda que:
A comunicação é esse processo em que imagens, representações são produzidas, trocadas, atualizadas no bojo de relações; esse processo em que sujeitos interlocutores produzem, se apropriam e atualizam permanentemente os sentidos que moldam seu mundo e, em última instância, o próprio mundo. Portanto, o lugar da comunicação (das práticas comunicativas) é um lugar constituinte – e o olhar (abordagem) comunicacional é um olhar que busca apreender esse movimento de constituição. (FRANÇA, 2004, p. 23)
Com base em nossas de experiências, emergem os sentidos. É pela relação que temos com os objetos e com os outros que surgem as significações. No entanto, é importante dizer que, em nossas vivências, nos deparamos com muitas representações que existem independentes de nós mesmos e por isso Moscovici (2003) ressalta que elas passam a ter vida própria. Mas não é porque elas permeiam nossas vidas, antes mesmo de existirmos, que elas são fixas e não são construções sociais. Pelo contrário, elas são frutos das vivências humanas e são afetadas por elas. As representações tornam o abstrato concreto, colocam o estranho dentro de sistemas particulares de categoria. Aquilo que eu não conheço, que me causa estranhamento, encaixo dentro das possibilidades construídas a partir de minhas experiências com o mundo e com os outros, para que aquilo passe a ser familiar para mim.
Tendo o entendimento da ideia de representação utilizada neste trabalho, mostra-se importante evidenciar a diferença entre ela e aquela apresentada por Goffman (1985). Quando Goffman fala de representação, ele se refere às atuações, ações, desempenho dos sujeitos em relação aos outros. Já os autores apresentados aqui dizem das imagens sociais que regam as relações entre os sujeitos, construções significativas que permitem apreender o mundo e o outro. Uma ideia se refere às ações, ao desempenho, e a outra a significações. No entanto, os
dois conceitos se complementam, pois não há como performar, interagir com o outro, se não por sentidos construídos e compartilhados pelos sujeitos e, ao mesmo tempo, as significações emergem das interações entre esses sujeitos. Para não haver mal-entendidos, opta-se aqui, ao falar da ideia apresentada por Goffman, pelo termo performance.
O conceito de representação se mostra importante na medida em que as pessoas performam a partir de significações que têm e compartilham sobre o mundo, ou seja, de representações disponíveis. Ao performarem, os participantes do programa Ídolos acionam universos de sentidos compartilhados, na tentativa de construir para eles um lugar que possa ser socialmente legitimado, já que, ao atuar, o sujeito não o faz para si mesmo, mas para os outros. Ainda mais em um reality show que propõe um lugar de ídolo, como é o caso do programa estudado, uma vez que vencer as tarefas propostas é um fator de aceitação pelo outro. Além disso, estar no lugar de celebridade, aquele que se busca alcançar no programa, só é possível pela legitimação de um público amplo. Os sujeitos performam com base em representações e valores compartilhados com seu público.
Tem-se claro, neste trabalho, que as representações são contextuais, em relação ao tempo e ao espaço, e múltiplas. Em um ato interativo, um vasto número de representações é convocado. No entanto, entende-se que o programa gira em torno de uma representação principal, a de celebridade. O programa propõe encontrar um ídolo. Mas o que é um ídolo? Principalmente, o que é um ídolo na contemporaneidade? Que significações permeiam as performances dentro do reality show Ídolos? Acredita-se que essas respostas podem ser obtidas pela observação das interações dentro do programa, pois nelas emergem significações. Ao olhar para o Ídolos, mais especificamente para as relações construídas entre os participantes e seus públicos, é possível identificar as significações que permeiam a ideia de ídolo dentro do programa. Entende-se que as significações compartilhadas pelos indivíduos se dão a ver nas interações e que entender o conceito de celebridade nos ajuda a lançar o olhar sobre tais significações. Dessa maneira, faz-se, a seguir, um percurso pelo conceito de celebridade, para que possa orientar nosso olhar sobre o objeto.