Anlatı Yazma Tanımlama Yazma
3.7.2. AÇIKLAYICI TÜR (explanation genre)
A Convenção n. 167 foi publicada pela OIT em 1988, sendo aprovada pelo Brasil apenas em 2006, através do Decreto Legislativo n. 61/06 e ratificada em 19 de maio de 2006. Sua promulgação no Brasil ocorreu por meio do Decreto n. 6.271/07. Ela versa sobre segurança e saúde na construção.
Em 4 de fevereiro de 1971, ocorreu o maior acidente da história da construção civil brasileira, com o desabamento do Pavilhão de Exposições da Gameleira. Foram contabilizadas 69 mortes e mais de 50 empregados foram mutilados pela estrutura que caiu sobre eles.
Esse é apenas um exemplo emblemático da triste realidade vivenciada, até nos tempos hodiernos, pelos trabalhadores do setor da construção civil brasileira, que apresentou no último Anuário Estatístico da Previdência Social (APES, 2012) o total de 62.874 acidentes do trabalho, representando um aumento de 12% em relação ao ano de 2010.
Diante desse contexto, merecem análise as diretrizes traçadas pela Convenção n. 167, que ainda, de forma tímida, vêm sendo inseridas na realidade brasileira.
As regras técnicas estipuladas pela Convenção visam garantir a segurança e saúde dos trabalhadores nas construções em geral e ampliar as normas jurídicas sobre a temática. Sua principal diretriz é a proteção da saúde e segurança dos trabalhadores em construção, independente da natureza do vínculo mantido com o responsável pela obra, conforme se pode observar no art. 1º, item 3, no art. 7º e também no art. 8º, item 2.
Os dispositivos determinam que cabe ao responsável pela obra implementar e fazer cumprir as medidas prescritas em matéria de segurança e saúde nos locais de trabalho. A coordenação dessas medidas recairá sobre o empreiteiro principal ou sobre outra pessoa ou organismo que estiver exercendo controle efetivo ou tiver a principal responsabilidade pelo conjunto de atividades na obra (arts. 8 e 13). Ações
planejadas e coordenadas garantem uma boa gestão de segurança e saúde no trabalho, evitando medidas improvisadas, conforme preconiza o princípio do não improviso.
Cabe ao empregado o direito e o dever de participar no estabelecimento de condições seguras de trabalho, na medida em que é de responsabilidade dele o controle do equipamento e a obediência aos métodos de trabalho adotados, bem como a obrigação de cooperar da forma mais estreita possível com seus empregadores, na aplicação e cumprimento das medidas prescritas em matéria de segurança e saúde no trabalho (arts. 10 e 11).
Para tanto, deve o trabalhador ser devidamente instruído, treinado, capacitado e habilitado para atuar de forma coletiva nas medidas prescritas sobre segurança e saúde no trabalho, inclusive quanto ao uso de máquinas e equipamentos e em relação aos riscos laborais a que estão submetidos (arts. 16, d; 17.1, d; 17.2 e 33).
Cumpre ressaltar mais uma vez que, infelizmente, no âmbito nacional a insuficiência das instruções, treinamentos e capacitações dos trabalhadores é um grande agente causador dos acidentes do trabalho. Por falta de conhecimento, os trabalhadores acabam agindo de forma insegura, ou deixam de diagnosticar situações de riscos laborais, sendo que muito pouco tem sido feito para mudar esse contexto, já ultrapassado no âmbito internacional.
Nesse sentido e como exemplo, transcreve-se o seguinte julgado do Tribunal Superior do Trabalho, que revela como um dos agentes causadores do acidente do trabalho a falta de treinamento devido ao trabalhador:
RECURSO DE REVISTA. ACIDENTE DO TRABALHO.
RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. Ainda que o Regional formule tese acerca da aplicabilidade da modalidade objetivo de responsabilidade em relação ao dano decorrente de acidente de trabalho, é certo que o acórdão recorrido fundou a manutenção da condenação da Reclamada com base na verificação concreta de sua culpa. Não conhecido. CULPA EXCLUSIVA. As razões recursais relativas às alegações de exclusiva ou concorrente culpa do trabalhador não estão fundadas em alegada violação de dispositivo legal ou em comprovada divergência jurisprudencial, como exige o artigo 896 da CLT. Não conhecido. ACIDENTE DE TRABALHO. RESPONSABILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Na espécie, o Regional cuidou de minuciosa e precisa análise do conjunto probatório, para confirmar comprovada a culpa da Reclamada na ocorrência do sinistro em que se esmagou a mão do trabalhador em prensa de fardos de alumínio, resultando na perda dos dedos. No caso, o Regional relata que não existia proteção na máquina ou enclausuramento da zona de prensagem - medidas que evitariam o acidente. Verificou-se, ademais, a falta de ordens de segurança e de
treinamento do Reclamante. Não conhecido. (TRIBUNAL SUPERIOR DO
TRABALHO, 2010, p. 1, grifo nosso)
Se os trabalhadores não são devidamente instruídos, treinados e capacitados, não poderão exercer seu direito de recusa, preconizado no art. 12 da Convenção, que assegura a todo trabalhador o direito de afastar de uma situação de perigo quando tiver motivos razoáveis para acreditar que essa situação contém risco imediato e grave para sua segurança e saúde. Frisa-se que o princípio do direito de recusa do obreiro também pode ser constatado na Convenção n. 155, em seu art. 13.
Conforme preconiza o princípio da retenção do risco na fonte, as normas de segurança e saúde no trabalho devem ser consideradas desde a concepção e o planejamento de um projeto de construção (art. 9).
No art. 32 da Convenção em análise, ganhou destaque a preocupação com o bem-estar dos trabalhadores nas construções, na medida em que se exige o abastecimento de água potável, os serviços de instalações sanitárias e higiene pessoal, instalação para mudar de roupa ou para guardá-la e secá-la, bem como o fornecimento de locais para refeições e para abrigo durante as interrupções do trabalho provocadas por intempéries.
No âmbito nacional, essa não é uma realidade imperante, pois ainda há casos de trabalhadores submetidos a condições indignas, que nem sequer possuem garantia de bem-estar nos locais de trabalho.
As FIG. 3 a 5 abaixo demonstram situações reais em que se pode perceber o atraso brasileiro na efetivação das diretrizes da Convenção n. 167.
Figura 3 - Situação precária das camas utilizadas pelos empregados instaladas num alojamento de trabalho localizado no Município de Sumaré.
Fonte: Arquivos fotográficos produzidos pela autora.
Figura 4 - Condições precárias na frente de trabalho dos mesmos empregados; local inadequado para refeições e descanso; falta de entrega adequada de EPIs. Fonte: Arquivos fotográficos produzidos pela autora.
Figura 5 - Condições precárias do transporte que realiza o deslocamento dos empregados do alojamento até a frente de trabalho.
Fonte: Arquivos fotográficos produzidos pela autora.
Por fim, cabe ao Brasil, como um dos Estados-Membros que ratificaram a Convenção n. 167, estabelecer sanções e medidas corretivas apropriadas, bem como organizar os serviços de inspeção adequados para supervisionar a aplicação das medidas que foram adotadas em conformidade com as diretrizes da mencionada Convenção (art. 35).