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2.2. 1973 GENEL SEÇİMLERİ

2.2.2.2. Cumhuriyet Halk Partisi (CHP)

_______________________________________________________________________________________________________________ O programa Revitalização de Aldeias e Vilas Históricas da Região Alentejo não constituiu o primeiro projecto e a primeira experiência de enquadramento do tema no âmbito das preocupações pelo desenvolvimento dos territórios rurais, na sua vertente ligada mais directamente aos valores patrimoniais, por parte da CCRA. Um outro projecto, relativamente anterior a este, intitulado

153

- Realizaram-se no total oito entrevistas: duas a responsáveis e técnicos da CCRA (nomeadamente ao Gestor do Programa e a duas técnicas superiores afectas ao mesmo); uma a duas técnicas do IPPAR destacadas para acompanhamento do programa Aldeias do Castelo e Património; uma a cada autarquia envolvida e seleccionada para esta fase do estudo, num

Projecto Aldeia partia de uma ideia estrutural: “a aldeia como suporte do desenvolvimento rural do

Alentejo”.154

Tendo em consideração a especificidade regional do Alentejo, e designadamente o problema do despovoamento e da desertificação do campo, consequência em parte da “dificuldade cada vez maior de revitalização económica do sector agrícola (explorações)”, impôs-se a necessidade de “encontrar as formas mais ajustadas a um eficiente apoio ao meio rural alentejano”.155 Neste sentido, e partindo do reconhecimento das características do povoamento de tipo “concentrado”, originando a concentração de populações em aldeias distribuídas pelo território do Alentejo, a própria designação do projecto – Aldeia – transportava consigo uma “carga afectiva” associada ao conceito, cujo objectivo seria facilitar os propósitos a ele inerentes, “de forma fácil às pessoas”, uma vez que a aldeia “é algo sensível a todos e por isso despertará necessariamente curiosidade e expectativa nos diferentes agentes económicos, sociais e culturais”156.

O pressuposto base deste projecto assentava então na ideia de que o facto da economia em geral e do sector agrícola em particular se ter alterado nos últimos anos, tal conduziu a que o modo de relação entre “aldeia” e “agricultura” sofresse igualmente modificações, obrigando a uma procura de maior diversificação de actividades e o desempenho de outras funções em termos de desenvolvimento. Assim, e de acordo com o documento que temos vindo a seguir, “a «aldeia» passou a desempenhar um papel diferente no processo de desenvolvimento local, aparecendo já com uma função económica mais autonomizada e por vezes liderante no território respectivo”157. Esta perspectiva de leitura sobre o território rural, as suas aldeias e o seu desenvolvimento, “determinou uma nova perspectiva para a «aldeia», deixando de ser uma simples concentração de mão-de-obra, para passar a ser entendida como um núcleo económico capaz de ser o suporte de uma estratégia de desenvolvimento descentralizado ao nível local e regional” (idem, ibidem). Este entendimento e esta postura de intervenção apontavam para a necessidade de actuar nas áreas rurais da região com a preocupação de reforçar a estrutura funcional da aldeia, entendendo-a enquanto instrumento de desenvolvimento do território envolvente, o que permitiria, desse modo, a melhoria das condições de vida das respectivas populações, travando assim o processo de desertificação que o Alentejo tem vindo a atravessar.

Neste contexto, foram então seleccionadas trinta e cinco aldeias (excluindo as sedes de concelho e as localidades com população superior a 2000 habitantes) distribuídas por todo o território do Alentejo, tentando garantir que fosse seleccionada apenas uma aldeia por concelho. Este universo era composto

total de três; uma à equipa técnica responsável pelo plano de acção local de uma das localidades (no caso, Amieira do Tejo); e finalmente, outra a um responsável por uma associação local nesta última localidade.

154

- in CCRA, Projecto Aldeia, documento de trabalho, Évora, Janeiro/99. 155

- Idem, pp: 3. 156

- Idem, pp:4. 157 - Idem, ibidem.

- 186 -

por trinta aldeias sedes de freguesia, duas aldeias de raiz piscatória, oito com menos de 500 habitantes e doze com mais de 1000 habitantes.

O projecto Aldeia partiu de uma operação de diagnóstico/levantamento, conduzido por associações de desenvolvimento local, as quais, após a elaboração de vários relatórios, descrevendo o ambiente geral das localidades, as actividades económicas existentes (prósperas e em dificuldade), as actividades sociais e culturais, a identificação dos líderes locais, a avaliação do potencial existente e a identificação de pontos fortes e fracos, propunham, posteriormente, um conjunto de acções a dinamizar, de acordo com as directrizes antecipadamente definidas pela entidade promotora do projecto.

Essas directrizes privilegiavam duas vertentes: a primeira, assentava na ideia da “«aldeia» enquanto núcleo económico, social e cultural, em detrimento da «exploração agrícola»”.158 O objectivo subjacente prendia-se com a possível vantagem decorrente das potencialidades existentes nas mesmas (ou que existiram) poderem tornar-se, aliado a iniciativas individuais e colectivas, em dinamizações dos tecidos social e económico locais. A segunda vertente, apoiava-se na necessidade de “alterar a forma de apoios e o método para a sua utilização”, uma vez que, até aí, tinham-se privilegiado “as chamadas «acções integradas», ou seja, a partir de planos e programas específicos procurar-se realizar as acções previstas, muitas vezes sem haver os apoios necessários para o efeito.” (ibidem). Ora, e de acordo ainda com o expresso no mesmo documento, onde se pode ler que “as elevadas taxas de insucesso são hoje já um dado estatístico” (ibidem) relacionadas com aquele modelo de abordagem do desenvolvimento rural, o método então proposto, em alternativa, deveria ser “o dos «apoios integrados» ou seja a criação de um «cabaz» suficientemente abrangente e adequadamente orientado para dar resposta às iniciativas que forem surgindo nas diferentes aldeias da região”, ideia expressa, aliás, nas características subjacentes ao desenvolvimento do projecto e das acções preparatórias, a saber: “ter carácter geral e universal, isto é, deve aplicar-se em toda a região em função das iniciativas, excepto nas sedes de concelho; deve incentivar o partenariado local e potenciar os líderes locais residentes nas aldeias; desenvolver um sistema integrado de apoios «cabaz» que respondam às iniciativas emergentes; ser apoiado por um plano de informação, divulgação e dinamização de iniciativas; e, por fim, constituir-se como um instrumento integrado de intervenção no meio rural e a ser incluído no III QCA”.159

Esta nova orientação estratégica apoiava-se na necessidade de inverter as formas de abordagem e de implicação dos destinatários nos processos de desenvolvimento local, o que faz transparecer um balanço menos positivo do que aquele que supostamente poderia ser esperado em matéria de

158

- Idem, pp:10. 159 - Idem, pp:18.

intervenção em meio rural. Na fundamentação deste projecto, surge de forma directamente assumida o facto das “estratégias definidas e os apoios canalizados para o mundo rural não têm sortido os efeitos desejados”, nomeadamente porque, “apesar dos vários programas de desenvolvimento integrado ensaiados e aplicados na região, os indicadores de desenvolvimento económico e social das populações mostram que a situação não melhorou nos últimos quinze anos, subsistindo os problemas de emprego, de emigração e de abandono dos campos”.160

Qual o balanço que hoje é possível fazer da implementação deste projecto? Segundo os técnicos da CCRA, “fez-se um amplo diagnóstico de aldeias com potencial, actividades susceptíveis de dinamização económica, líderes e actores locais relevantes, mas que depois não conheceu nenhum eco”161. Parte do problema parece residir no facto de “não se conseguir incentivar quando não há estratégias de mobilização das populações locais”, o que reforça o factor envelhecimento

populacional da região como um dos entraves/obstáculos ao sucesso deste tipo de projectos e

iniciativas. Por outro lado, “os actores políticos locais, movendo-se de acordo com os interesses que representam (locais e partidários), não convergem muitas vezes com os poderes centrais”, originando, “novelos” e “bolas de neve”, dando a ideia de que “às vezes parece que não se quer avançar - criar desenvolvimento”. A esta experiência – Projecto Aldeia – seguiu-se o programa

Revitalização de Aldeias e Vilas Históricas da Região Alentejo.