Nesta categoria, foram propostas três ações formativas que foram avaliadas pelos sujeitos da pesquisa.
Tabela 10 - Frequências de cada um dos itens da escala Likert para as ações formativas da categoria 5 e respectivo Ranking Médio e %
Ações formativas/ Escala Likert e respectivas
frequências 1 2 3 4 5 RM %
Realizar ações em sala de aula nas quais estejam presentes o apoio às dificuldades e o incentivo à aprendizagem.
0 0 2 10 30 4,7 94 Realizar reflexões em grupos sobre a diversidade e
heterogeneidade dos estudantes e como resolver conflitos
em sala de aula a partir de casos concretos. 0 2 1 13 26 4,5 90 Realizar reflexões sobre a imagem que o professor tem dos
alunos e sobre questões de relacionamento associadas ao respeito aos estudantes e ao tratamento igualitário professor/estudante.
1 0 1 18 22 4,4 88
Fonte: elaborado pela autora, 2016.
Dos sujeitos participantes da pesquisa, 15 não fizeram comentários nesta categoria. As observações dos demais referem-se a comentários e a críticas e podem ser conferidas a seguir.
“Um dos maiores efeitos do Pibid é o auxílio aos alunos na busca de significado das aprendizagens e na motivação dos discentes”, salienta S14, o que está
diretamente ligado a esse grupo de ações formativas. Vale citar Freire (1996, p. 46): Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ou a professora ensaiam a experiência profunda de assumir- se. Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar. Assumir-se como sujeito porque capaz de reconhecer-se como objeto.
O sujeito C8 classifica esse conjunto de ações formativas como relevantes para a qualidade da práxis pedagógica.
Essa dimensão da formação fica muito enriquecida a partir das experiências concretas vividas pelos bolsistas durante a realização do projeto, e estas são trazidas para as salas de aula da Licenciatura, compartilhadas e discutidas com todos os futuros docentes de uma perspectiva da realidade vivenciada
(C13).
A boa relação professor/aluno é fundamental para a aprendizagem acontecer (S13, S7, S10, C10 e S15), o trabalho ser significativo (S16) e para que o aprendizado seja mais proveitoso (S9). “Um bom relacionamento interpessoal é ponto de grandes
conquistas no que diz respeito ao avanço dos estudantes” (S15). Um bom
relacionamento com os estudantes é de fundamental importância, uma vez que já acham a disciplina chata, difícil e, não havendo uma simpatia com o professor, a aprendizagem torna-se quase impossível (S8). “O pibidiano que acompanha ações que promovem a construção de boas relações, tanto entre professor/aluno como entre alunos se sentirá mais seguro no momento de enfrentar sozinho esta dificuldade”
(S13).
Essas afirmações estão de acordo com o entendimento de Tardiff (2012, p. 52): É através das relações com os pares e, portanto, através do confronto entre os saberes produzidos pela experiência coletiva dos professores que os saberes experienciais adquirem uma certa objetividade: as certezas subjetivas devem ser, então, sistematizadas a fim de se transformarem num discurso de experiência capaz de informar ou de formar outros docentes e de fornecer uma resposta a seus problemas.
O aluno, muitas vezes, busca na imagem do professor referências de comportamentos, valores e atitudes, levando consigo essa imagem como "modelo de conduta". O professor pode ajudar a criar esse campo a partir de seu jeito de lidar com o aluno, a forma de cobrar o conteúdo e principalmente como reconhece o desenvolvimento dele, colaborando de forma única com sua aprendizagem e educação (S4). Nesse sentido, Vasconcelos et al. (2005) entendem que é necessário investimento na interação professor-aluno considerando uma perspectiva da pedagogia dialógica. Nesse modelo de educação, a relação professor-aluno constitui- se em um esquema horizontal de respeito e de intercomunicação, ressaltando o diálogo como componente relevante para a aprendizagem.
O professor é um gerenciador de pessoas e seus conflitos, além de profissional que auxilia na aprendizagem dos alunos (C22), o que corrobora a ideia de preparar os futuros docentes para enfrentarem essas situações, pois, segundo Cades (2015, p. 25),
O professor com relação aos alunos é ao mesmo tempo determinante e determinado. Assim como seu modo de ser e agir recebe influência dos educandos, também influencia os mesmos. Esse jogo de relações entre professor e alunos precisa ser cada vez mais desvendado para que se possa compreender, interferir e qualificar a prática pedagógica.
O item 5.1 do questionário, que se refere ao tratamento igualitário estudante/professor, foi criticado por três sujeitos (C25, S5 e C20), primeiro porque
esse tratamento deve estar acima de qualquer circunstância, não apenas nas escolas. Porém, “de qualquer maneira, vem ao caso, e deve ser sempre lembrado e incentivado” (C25). Sobre isso, S5 afirma:
este é relevante quando tratamos exclusivamente sobre respeito. Vejo no cotidiano escolar uma inversão de valores, onde esta igualdade é tratada de forma errônea e nós profissionais do Ensino acabamos vivenciando a coação, intimidação e descrédito.
O sujeito C20 chama a atenção da dúvida que fica quanto ao real significado de "tratamento igualitário". “Tenho receio em levar à discussão casos concretos”, complementa.
Deve-se ter cautela para não atribuir ao professor cargas pesadas e que fogem à condição do ser docente. Há elementos que devem ser resolvidos pelo Sistema Educacional e que acabam, de forma errada, sendo deixados para que o professor resolva (C18).
Existem ações formativas propostas que exigem a intervenção de um coordenador pedagógico, presente e ativo (S3).
Constata-se, pois, que, dentre as ações desta categoria, a melhor classificação refere-se a realizar ações em sala de aula que apoiem as dificuldades e incentivem a aprendizagem. Os comentários de alguns sujeitos da pesquisa salientam a importância do bom relacionamento professor/aluno para a construção de aprendizagens, aliás, isso é condição necessária em qualquer circunstância. Ademais, criticam a expressão tratamento igualitário e chamam a atenção para o cuidado com novas atribuições para o professor, as quais o sobrecarregam.