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Bogdan e Biklen esclarecem que, “em investigação, a ética consiste nas normas relativas aos procedimentos considerados corretos e incorretos por determinado grupo” (1994, p. 75). Isso significa que cada área tem os seus códigos, sendo que alguns deles são fruto de considerável reflexão e sensibilizam os respectivos membros para dilemas e questões morais com as quais se podem defrontar; outros são menos ambiciosos e funcionam mais como forma de proteção do grupo profissional do que como repositórios de normas de conduta (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 75).

Além disso, questiona-se quem é, na realidade, o “protegido” nas relações éticas: o pesquisador ou os participantes da pesquisa? Os interesses científicos ou a comunidade investigada? (MARTINS, 2004; MARASCHIN, 2004). Essas questões estarão sempre abertas enquanto houver a busca pelo conhecimento, contudo, consideramos importante destacar princípios básicos essenciais:

Epistemologia: considera a relevância e implicações da pesquisa para o conhecimento em Educação Inclusiva.

Verdade: Estabelecimento de confiança mútua entre pesquisador-pesquisado no início, durante e ao final da pesquisa.

Anonimato e confidencialidade: preservação da integridade ética, física e emocional dos participantes.

Consentimento informado: clareza dos procedimentos a serem realizados na coleta de dados (questionários, entrevistas, registros audiovisuais) e a manipulação e divulgação dos resultados.

Beneficência: esclarecimento sobre os danos e benefícios implicados na pesquisa. Direitos autorais: acordos sobre a divulgação pública e a cessão de direitos dos dados coletados.

A PUCRS possui um modelo institucional de estruturas de pesquisa para propiciar uma compreensão conceitual unificada e adequada à realidade da Universidade como Instituição de Ensino e Pesquisa e proporcionar maior visibilidade da pesquisa desenvolvida. As estruturas de pesquisa viabilizam a integração de pesquisadores e estudantes de Graduação ou Pós- Graduação, promovendo o desenvolvimento de projetos de pesquisa com foco na geração ou no avanço do conhecimento, bem como em resultados inovadores e na produção intelectual.

Portanto, o projeto desta tese foi submetido à análise do SIPESQ – Sistema de Pesquisa, que tem por objetivo fazer o mapeamento das estruturas e projetos de pesquisa desenvolvidos

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na Universidade, a fim de que se possa definir e implantar um conjunto de políticas e ações visando à valorização dos pesquisadores e dos grupos de pesquisa que contribuem para a qualificação do ensino e da pesquisa, sempre respeitando as características de cada área do conhecimento.

A Comissão Científica do SIPESQ emitiu parecer sobre o projeto desta tese, sendo o mesmo reconhecido em 30 de junho de 2016: “O projeto atende os requisitos para sua aprovação pela Comissão Científica da Escola de Humanidades da PUCRS. ”

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ANÁLISE DE DADOS

Este capítulo trata da análise de dados e das discussões dos achados desta pesquisa a partir das entrevistas realizadas. São falas singulares, que nos dão a dimensão das diferentes concepções que os docentes entrevistados possuem sobre inclusão, deficiência a acessibilidade. Foi possível nestas análises conhecermos algumas estratégias e práticas pedagógicas adotadas por esses docentes em suas salas de aula e, a partir delas, pensarmos num currículo que viabilize a formação para a educação inclusiva.

Para realizar a análise dos dados, optamos pela “análise de conteúdo” proposta por Bardin (2004, p. 37) que a define como:

um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.

Relevante destacar que a análise de conteúdo é considerada por muitos autores uma das técnicas mais comuns na investigação empírica, realizada pelas diferentes ciências humanas e sociais, pois propicia ao pesquisador um leque de situações de reflexão que se adaptam ao problema que procura resolver. Na especificidade do caso, procurei compreender as significações explícitas ou implícitas, as opções e a intencionalidade existentes nos discursos dos docentes.

Após o entendimento desses significados, elegemos as categorias. Segundo Bardin (2004, p. 111),

a categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, que reúnem um grupo de elementos (unidades de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos.

As categorias empíricas são construídas a partir do conteúdo das falas. São sínteses a respeito do objeto de estudo. Na fase inicial, que é a de organização do material a ser examinado, estabeleci contato com a temática, fazendo uma leitura geral dos questionários, entrevistas e textos, de tal forma que uma “leitura flutuante” (BARDIN, 1977, p. 96) aos poucos se tornou mais objetiva e precisa. Assim, selecionei os questionários e tracei o perfil de identificação dos docentes. Na segunda fase, procedi a uma leitura mais atenta, perpassada, às vezes, por nova escuta, em se tratando das entrevistas, ocasião em que assinalei os trechos que

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me despertaram interesse pela relação com os objetivos da pesquisa. Considerei as colocações apresentadas nos textos escritos pelos docentes, como também aspectos da observação indireta e comecei, conforme Rêgo (2002), “a captar os significados comuns à diversidade aparente dos discursos, agrupando as respostas por semelhança de conteúdo para posterior categorização. ”

As respostas aos questionários foram agrupadas pela junção das respostas de cada questão de todos os docentes, nas quais busquei primeiro os temas, depois as palavras que apareceram com mais frequência. O tratamento de dados, ou seja, interpretação e/ou inferência, constituiu a terceira fase e realizou-se a partir dos conteúdos evidenciados na fase anterior, no sentido da especificação das categorias. Essa especificação ou análise final foi baseada em significações de palavras e frases que esclarecem comportamentos e opiniões dos docentes investigados (BARDIN, 1977). Nesse ponto, as tentativas de interpretação se remeteram ao referencial teórico, cujo embasamento chegou por meio de hipóteses/inferências ao significado daquilo que se encontrava nos discursos manifestados ou velados dos docentes da pesquisa.

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Benzer Belgeler