TÜRKİYE’DE PARTİ İÇİ DEMOKRASİNİN HUKUKSAL BOYUTLARI 1 TÜRKİYE’DE PARTİ İÇİ DEMOKRASİ İLE İLGİLİ MEVZUAT VE
1.1. Parti İçi Demokrasiye İlişkin Hukuksal Düzenlemeler
1.1.1. Karşılaştırmalı Hukuk
1.1.1.1. Avrupa Ortak Siyasal Partiler Hukukunda Parti İçi Demokras
André Núnez, o filho mais novo de Miguel Rodriguez e Isabel Álvarez Núnez, teria seis anos quando foi interrogado pelo Inquisidor Juan Dionisio Fernández Portocarrero275. As circunstâncias que levaram o menino a ser interrogado são muito
obscuras. Parece que quando seus pais foram conduzidos ao cárcere de Toledo, somente teriam se preocupado com duas filhas Beatriz Enríques de 16 anos e Ana Rodríguez de 12, as quais ficaram sob a tutela de seu tio Francisco Vasquez276. Essa informação não
deixa de ser curiosa, pois teriam se preocupado somente com as filhas de 12 e 16 anos, deixando o pequeno à mercê das ruas. O que consta é que o menino foi amparado por uma mulher que o levou a um mestre de seda, Agunstín de Vergara y Viescas, para que o acolhesse em troca de trabalho. Então Viescas, ao perguntar-lhe porque estava só nas ruas de Madri, recebera a resposta de que estava sozinho, pois seus pais haviam sido presos pela Inquisição de Toledo porque “azotaban um Cristo”277. Assustado o mestre de seda resolveu comunicar o relato do menino à Inquisição.
Deste modo Andresillo foi conduzido à presença de Portocarrero, que o interrogou perguntando se o garoto sabia por que seus pais estavam presos, e ele teria respondido:
los prendieron porque no comían tocino, que así lo ha oído decir y que también los prendieron porque azotaban un Cristo, y para azotarlo se encerraban en la cocina de su casa y colgaban el Cristo de una soga, y estando colgado lo azotaban con unos espinos, y que su padre tomaba el Cristo de los pies y su madre de la cabeza y lo pasaban por la lumbre, […] hacer esto no dejaban entrar a este
273 PULIDO SERRANO, Juan Ignacio. Injúrias a Cristo: religión, política y antijudaísmo en el siglo
XVII, 2002, pp. 110-111.
274 Ao lado do primeiro depoimento de Andesillo a Inquisição Portocarrero, descreve “este muchato es de
poca razón y capacidade, como tontillo”. AHN Inq. Leg. 140 Caixa 2 Exp. 4h, fol 30 (7-9-1630)
275AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez: Caderno das Declarações de Andresillo
contra Miguel Rodríguez e Isabel Núñez..
276 CARRASCO VASQUEZ, Jesus Antonio. La minoria judeoconversa en la época del Conde Duque
de Olivares, auge y ocaso de Juan Núñez Saraiva (1585-1639), 2004, p. 346; PULIDO SERRANO, Juan Ignacio. Injúrias a Cristo: religión, política y antijudaísmo en el siglo XVII, 2002, pp. 132-137.
91 en la cocina y el se ponia por un agujero que esta en la puerta de la dicha cocina y por alli lo veia todo278
Apesar de Portocarrero enviar o relato de sua investigação ao Conselho de Suprema Inquisição, para o Inquisidor Geral Antonio Zapata ele anotou nas margens da declaração: “este muchacho es de poca razon y capacidade, como tontillo”279, denotando a pouca credibilidade que ele dera ao depoimento. No entanto, o Conselho da Inquisição decidiu que o Inquisidor deveria recolher novo depoimento do garoto, mas na casa onde tais desacatos teriam acontecido280.
Então em 8 de setembro de 1630 Portocarrero, junto a Andresillo, visita a casa, na qual até desenha uma planta281 com a intenção de compreender melhor o local do
sacrilégio. Mas os conselheiros não ficaram satisfeitos com o novo interrogatório e resolveram enviar o conselheiro Pedro Pacheco para nova visita à casa da calle de las Infantas, o que ocorreu em 16 de setembro. Pacheco teria sido duro com o pequeno, que reafirmou as declarações anteriores e acrescentou o nome de outros participantes do ritual iconoclasta contra o crucifixo282.
Um ano mais tarde, com os acusados ainda nos cárceres toledanos, os inquisidores solicitaram ao comissário do Santo Ofício Juan de la Peña que examinasse todos os testemunhos do Caso da calle de las Infantas. Ele assim o fez, e em junho resolver interrogar novamente Andrés. O comissário leu ao menino sua primeira declaração, que respondeu que tudo que dissera era verdade e acrescentou a prodigiosa novidade, que a imagem de Cristo teria falado:
Los dicho sus padres le [imagen de Cristo] ponían unos alfileres en las dichas espinas y cuando le azotaban decía el Cristo que por qué le azotaban y que respondían sus padres que aunque le pesase y amargase le habían de azotar283 Podemos destacar que as declarações do pequeno Andresillo foram bastante incongruentes, e como os inquisidores já haviam percebido que o menino seria tontillo, decidiram investigar sua capacidade mental com quatro conhecidos, que atestaram que ele era um menino cujas capacidades mentais seriam inferiores às demais crianças de
278 AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 27r-27v. 279 AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 28r. 280 AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 29r-29v. 281 AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 32r. 282 AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 36r-39r. 283 AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 43r-44r.
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sua idade284. Isso, no entanto, não mudou em nada a decisão do Tribunal da Santa
Inquisição Espanhola de relaxar os réus à justiça secular.
Desta forma, a partir do depoimento de um muchacho de poca razón, junto a outros depoimentos dos acusados sob tortura, tais notícias foram capazes de transformar a Madri do século XVII em uma nova Jerusalém, onde um crucifixo teria milagrosamente falado e sangrado285, consagrando o chão da casa que mais tarde se
tornou o Convento dos Capuchinhos da Paciência de Madri.
284PULIDO SERRANO, Juan Ignacio. Injúrias a Cristo: religión, política y antijudaísmo en el siglo
XVII, 2002, p. 137.
285 Como já dissemos, no depoimento de Andresillo não encontramos referencia ao jorro de sangue, no
entanto, encontramos uma declaração de Miguel Rodriguez de que o crucifixo teria sangrado: “el santo Cristo derramo unas gotas de sangre mui vivas las que salieron de las heridas”. AHN Inq. Leg. 140.Caixa 2. Proceso contra Miguel Rodriguez, fol 159r.
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