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2. PİŞMANLIK ve ISLAH KURUMUNUN KAPSAMI

2.2. Vergi Ceza Hukukunda Düzenlenen Hukuka Aykırı Fiiller Açısından Kapsamı

2.2.2. Adlî vergi cezalarında durum

Como já discutido neste trabalho, o conceito de “grupo de risco”, que nos anos iniciais do aparecimento da aids estava vinculado aos “4H”, marcou firmemente as primeiras estratégias de prevenção e a própria apresentação da nova doença para sociedade. França (2008) destaca que a constituição dos grupos de risco levou à insistência em não perceber os outros caminhos da epidemia da aids, que logicamente não respeitavam os limites geográficos, de sexo, classe social ou orientação sexual.

A prevenção, nessa época, concentrou-se em torno do grupo de risco e do tema da abstinência e do isolamento: os pertencentes a tais grupos não deveriam ter relações sexuais, doar sangue, usar drogas injetáveis. Os resultados dessas estratégias, além de êxitos técnicos muito restritos, produziram em grande escala estigma e preconceito (AYRES et al., 2009).

Em verdade, o fator de risco, categoria analítica inicialmente adotada pelos cientistas para tentar estabelecer associações regulares e realizar estudos probabilísticos sobre a doença, acabou por transformar-se em grupo de risco, um conceito que gerou uma série de consequências negativas, tanto no âmbito social quanto em termos de políticas públicas. Nesse último caso, as políticas de prevenção se restringiram aos grupos considerados de risco e se revelaram um equívoco, até mesmo do ponto de vista epidemiológico. No campo social, e até mesmo como consequência das políticas de saúde, dois dos efeitos mais nefastos foram o preconceito em relação aos grupos onde primeiro havia surgido a doença e a sua estigmatização (RUA; ABRAMOVAY, 2001, p. 39-40).

O isolamento laboratorial do HIV, somado à mobilização social, especialmente do organizado movimento gay norte-americano, demonstrou que qualquer pessoa poderia ser infectada pelo vírus, que não era exclusivo de determinados grupos. Esse processo provocou novos olhares sobre a doença e originou, em 1985, o conceito de “comportamento de risco”, que, em princípio, voltava-se a indivíduos de qualquer grupo, mulheres, crianças, jovens, idosos ou homens heterossexuais.

As estratégias de abstinência e isolamento deram lugar às chamadas “estratégias de redução de risco”, com a perspectiva de universalizar a preocupação com a aids e

estimular o envolvimento individual para a prevenção, com tendência a reduzir o estigma dos primeiros grupos nos quais a epidemia foi detectada (AYRES et al., 2009).

Sendo a aids uma doença passível de ser evitada com medidas de prevenção, mostraram-se bem confiáveis as estratégias de orientação sobre o comportamento de risco, visando reduzir a exposição dos sujeitos a situações de risco para o HIV/aids. Contudo, perpetuava-se o foco no indivíduo, com tendência a culpabilização.

A partir de 1989, a experiência da epidemia da aids atinge suas feições atuais. Ao mesmo tempo em que se espalha geograficamente para todo o planeta, a epidemia demonstra sua tendência à pauperização, difundindo-se mais rapidamente nos países mais pobres. O conjunto desses aspectos marca a passagem para a nova fase de resposta à epidemia, iniciada no fim dos anos 1980 (AYRES et al., 2009). A aids expandiu-se entre a população carcerária, os menores infratores, os moradores de rua e mulheres de classes mais pobres, que passaram a adquirir o vírus “dentro de casa” (FRANÇA, 2008).

As primeiras vitimas da aids eram pessoas pertencentes às classes alta e média, com maior grau de escolaridade, profissionais liberais e artistas que puderam compreender, aceitar, explicar e exigir medidas preventivas de infecção pelo vírus [...] Mas, com o passar do tempo, esse perfil foi mudando. Aqueles de uma vida mais marginal, como, por exemplo, prostitutas e travestis, não tinham condições de exigir medidas preventivas. Ou seja, os fatores responsáveis pelo fato de adotarem “comportamentos de risco” eram dificilmente controláveis (FRANÇA, 2008, p. 94).

Na década de 90 o termo “vulnerabilidade” passa a ser utilizado, visando não restringir o HIV ao comportamento individual e ao risco (AYRES et al., 2009).

Val (2012), recorrendo a outros autores, explica que na área da saúde o conceito de vulnerabilidade foi formulado por um grupo de epidemiologistas e defensores dos direitos humanos, ligados à Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard. Esse grupo ampliou o saber necessário para responder à pandemia do HIV, com a publicação em 1992 do livro AIDS in the World, organizado pela Coalizão Global de Políticas contra a Aids (MANN; TARANTOLA; NETTER, Orgs., 1993).

Ainda, de acordo com Val (2012), o termo “vulnerabilidade” é derivado do latim, do verbo vulnerare, ou seja, “provocar um dano, uma injúria”. Na área da saúde, designa “suscetibilidade das pessoas a problemas e danos de saúde”. O conceito de vulnerabilidade para o HIV/aids emergiu da necessidade de compreender a relação do individuo com a estrutura social.

A vulnerabilidade encontra espaço na discussão sobre a epidemia da aids, trazendo nova visão sobre como lidar com o problema de maneira mais justa e eficiente, reconhecendo-se que a infecção pelo HIV não depende apenas da informação e da postura individual, mas de uma série de fatores estruturais que afetam os indivíduos, independentemente de sua vontade (RUA; ABRAMOVAY, 2001). Além disso,

[...] o conceito de vulnerabilidade, especificamente aplicado à saúde, pode ser considerado o resultado do processo de progressivas interseções entre o ativismo diante da epidemia da aids e o movimento dos direitos humanos, especialmente nos países do norte (AYRES et al., 2009, p. 122).

Mann; Tarantola; Netter, orgs. (1993) propõem uma concepção na qual a vulnerabilidade é composta por três eixos: o comportamento individual, o contexto social e o componente institucional (programas nacionais/regionais de prevenção). Para os autores, em nível biológico, todas as pessoas são vulneráveis à infecção pelo HIV, e, além dessa vulnerabilidade, o HIV necessita de ações, comportamentos específicos para que a transmissão ocorra. O comportamento individual é o determinante final da vulnerabilidade à infecção; entretanto, não basta o enfoque apenas no indivíduo, é preciso avaliar a vulnerabilidade considerando a comunidade, os fatores nacionais e internacionais, que podem influenciar a vulnerabilidade pessoal durante o curso de uma vida.

Ayres et al. (2009) analisam os três eixos interligados. A vulnerabilidade

individual está vinculada ao nível de informações e à forma como estas são

compreendidas e colocadas em prática no dia a dia por cada indivíduo, isto é, à concretude das informações, à maneira de compreendê-las e trazê-las para o concreto. A

vulnerabilidade social trata do acesso à informação e das possibilidades de compreendê-

las e praticá-las, o que não depende somente do individuo, mas envolve acesso às informações, escolarização, participação politica, poder na tomada de decisões. A

vulnerabilidade programática ou institucional está articulada aos componentes individual

e social; consiste em um movimento de articulação de conhecimento social, técnico- científico e de garantia de recursos, e envolve o grau e a qualidade de compromisso, recursos, gerência e monitoramento de programas nacionais, regionais ou locais de prevenção e cuidado ao HIV/aids, os quais são importantes para canalizar necessidades de outros recursos, fortalecendo os indivíduos diante da epidemia.

A vulnerabilidade considera a chance de exposição das pessoas ao adoecimento como resultante de um conjunto de aspectos não só individuais como coletivos (AYRES

et al., 2009). Nas ações de prevenção e promoção da saúde, é necessário considerar o movimento que há no campo individual, social e institucional, mantendo-se a articulação entre os três eixos mencionados, tendo em vista a atenção integral.

A vulnerabilidade está relacionada aos fatores estruturais da sociedade, à desigualdade de renda, educação e de acesso a serviços, isto é, às condições concretas de vida.23

A epidemia não é uniforme no Brasil, há diferentes contextos de vulnerabilidades e a vivência da sexualidade impõe novos desafios para a abordagem de promoção da saúde (PLANO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO..., 2007).