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Çocuğun Ziyaret Edilmesi

Escolheu-se delimitar o campo de estudo entre as oficinas ou unidades produtivas que mantivessem algum tipo de vínculo com a ASARC, especialmente pelo fato de ter sido origem da demanda para realização do estudo, iniciando por oficinas pertencentes a alguns membros presentes na primeira reunião entre a ASARC, os grupos de pesquisa e a pesquisadora desse estudo. A receptividade e o interesse por parte desses trabalhadores foram os principais critérios de escolha entre os artesãos, donos de oficinas, presentes na reunião.

As oficinas dedicadas à tecelagem manual em teares foram o primeiro alvo do estudo. Em entrevista com os artesãos e tecelões, ligados a três oficinas, foi possível identificar a inter- relação entre as oficinas de tecelagem e outras oficinas desse contexto produtivo ligadas à preparação das matérias-primas e à tecelagem manual, bem como compreender que as oficinas apreendidas situam-se ao final dessa cadeia produtiva.

Na próxima abordagem, ainda na primeira etapa, priorizou-se o reconhecimento de outras cinco oficinas dedicadas a outras etapas da produção, como é o caso da urdição (preparação dos fios), corte de retalhos, enrolamento de retalhos e comercialização dos produtos. Tal fato se deve à necessidade de integrar-se à forma atual da organização do trabalho intra- oficinas e sua disposição inter-oficinas.

As oito unidades produtivas escolhidas para a pesquisa são identificadas por letras, de A a H, das quais as letra A, B e C representam unidades dedicadas à tecelagem, D representando as antigas oficinas, E dedicada à urdição, F representando à oficina de picar retalho, G à oficina de enrolar novelo e H representando o comércio varejista e atacadista.

Esse primeiro momento incluiu a compreensão das especificidades do processo técnico de base artesanal, as etapas da produção, a caracterização da matéria-prima e dos produtos fabricados, as demandas de consumo do mercado e as relações de trabalho interna às oficinas e inter-oficinas. Também foram feitas observações gerais sobre o espaço físico, as ferramentas de trabalho, as condições de trabalho, além de um pequeno histórico da evolução de três dessas unidades na tentativa de acompanhar as modificações ocorridas no processo produtivo nesse cluster nos últimos anos tendo como base essas unidades.

A segunda etapa visou à construção do perfil de diversos trabalhadores nas oito oficinas produtivas pesquisadas, dedicadas a etapas distintas do processo, sendo: urdir, enrolar novelos, picar retalhos, tecer e vender. O perfil buscou apreender informações sobre como se deu o processo de aprendizagem, o tempo dedicado ao tear e a representatividade do artesanato em tear para o trabalhador.

A coleta de dados foi realizada no período entre outubro de 2004 e maio de 2005, em visitas às oficinas no período diurno, pré-agendadas com os proprietários, somando aproximadamente 42 horas, subdivididas entre observações gerais e sistemáticas das atividades em situação real de trabalho. As coletas de verbalizações com os atores foram feitas de modo “simultâneo” e “consecutivo” (GUÉRIN et al. 2001).

Os entrevistados foram escolhidos buscando-se abranger diferentes contextos produtivos e todas as etapas da produção da tecelagem. Foram escolhidas pessoas de ambos os sexos, com tempos de dedicação ao ofício, oscilando entre dois meses a trinta anos de atividade, ocupando posições hierárquicas distintas e que realizassem atividades também distintas no processo de produção.

As entrevistas são abertas e não seguem um “protocolo modelo” de perguntas. As

entrevistas se diferenciam quanto ao conteúdo das questões entre artesãos e tecelões, que apesar de se colocarem no mesmo contexto de intensificação, encontram-se em locais distintos no contexto produtivo do cluster, o artesão aparece como “gestor das unidades

produtivas” e o tecelão aparece como “empregado da unidade produtiva”. Além disso,

considera-se que o tempo de envolvimento nesse contexto de produção oscila entre artesãos e tecelões, sendo variavelmente maior entre os artesãos. Ao total foram realizadas:

 entrevistas abertas com quatro artesãos, três deles proprietários de unidades produtivas

distintas dedicadas à tecelagem identificadas por A, B e C, e um proprietário da unidade E, dedicada à urdição;

 entrevistas abertas com duas artesãs, ligadas à unidade D, identificada por manter-se

preservando inúmeras características das antigas oficinas;

 entrevista com três trabalhadores da urdição, sendo dois vinculados à unidade E e um

vinculado ao comércio;

 entrevistas abertas com oito tecelões da unidade A, três tecelões da unidade B, e um

vinculado ao comércio;

 entrevista aberta com uma enroladora de novelos e uma picadora de retalhos;  entrevista aberta com um proprietário de comércio local.

Considerando o conteúdo das entrevistas dos artesãos e tecelões, foram abordadas as seguintes questões:

 o tipo e a origem das matérias-primas utilizadas pela unidade de produção, as

 o número de trabalhadores em cada uma das unidades, idade, tempo dedicado ao ofício,

forma de aprendizado do ofício;

 as relações de trabalho dentro das oficinas e a existência de vínculo familiar com o

artesão do dono da oficina;

 a evolução na aquisição de meios técnicos nos últimos dez anos na unidade A,

escolhida como foco dessa análise;

 o número de peças produzidas por cada trabalhador, o preço pago por cada peça, o

tempo dispensado para produzir cada uma das peças e a representatividade do trabalho artesanal na situação financeira dos trabalhadores.

As entrevistas também permitiram o uso de verbalizações dos atores entrevistados como demonstração da percepção desses sujeitos em relação ao seu trabalho, mostrando-nos importantes elementos sobre o conteúdo da atividade.