3.3. Bağımsız Denetimden Faydalanan Bilgi Kullanıcıları ve Katma Değer
3.3.3. İşletme Dışı Bilgi Kullanıcıları
3.3.3.1. Sermaye Piyasası Kanunu Uyarınca Sermaye Piyasası Kurulunun
3.3.3.1.2. Yatırım Ortaklıkları
Ferreira (2002) realizou um trabalho bastante aprofundado sobre as estratégias dos alunos da EAESP para se posicionarem no mercado de trabalho. A população investigada foi de alunos do último semestre do curso de Administração de Empresas no ano de 2001. A pesquisa de campo foi realizada em duas etapas: primeiro com a aplicação de questionários (84 respondentes) e depois com oito entrevistas em profundidade semi-estruturadas.
“Buscou-se compreender a maneira como eles construíam uma determinada visão de mercado e de suas possibilidades de inserção nele (FERREIRA, 2002, p. 16)”.
Para atingir o objetivo proposto, Ferreira (2002) utilizou dois conceitos fundamentais e específicos que são essenciais para a compreensão de seu trabalho: o de habitus e o de campos de poder, ambos de Pierre Bourdieu (apud FERREIRA, 2002).
Habitus: “O habitus representa a presença ativa de experiências passadas que se depositam em cada agente social na forma de esquemas de percepção, classificação, avaliação e ação. Ele atua na regulação das práticas e representações inerentes às suas condições sociais de uma maneira que se revela distinta, mas mais efetiva, do que regras formais e normas explícitas (FERREIRA, 2002, p. 56)”.
Campos de poder: “Um campo é (...) uma estrutura objetiva ancorada em certas formas de poder, ou seja, em certos tipos de capital, que é independente da consciência e da vontade dos agentes sociais e que tem a capacidade de orientar ou coagir suas práticas e representações (FERREIRA, 2002, p. 66, grifos do autor)”.
Nestes campos de poder, Ferreira (2002) apresenta as três principais formas de capital: econômico, intelectual e cultural. Fica claro o posicionamento do autor ao utilizar estes conceitos sobre sua visão de homem e de mundo. Antes de apresentar estas definições ele enfatiza a complexa relação entre indivíduo e sociedade que permeia a estruturação de uma trajetória. Para Ferreira (2002) as decisões são resultados de interações complexas e para buscar essas interações ele utiliza tais conceitos como ferramentas.
“Nos termos da sociologia de Pierre Bourdieu, nós trabalhamos na análise da relação entre as posições sociais (que é um conceito relacional e não substancialista), as disposições (ou os
habitus...) e as tomadas de posição (as escolhas). Buscamos compreender a maneira através da qual o espaço de posições sociais se retraduziu em um espaço de tomadas de posição pela intermediação do espaço de disposições (ou do habitus) (FERREIRA, 2002, p. 20, grifos do autor)”.
Deste modo, para Ferreira (2002) quando o indivíduo faz uma escolha ele traz consigo toda uma bagagem social que foi aprendida ao longo de sua vida, nos grupos sociais dos quais fez parte. Além disso, a sua posição no mundo social também irá contribuir para a tomada de decisão. A escolha não pode ser
considerada como uma ação estritamente individual, porque muitos outros fatos inscritos ao longo da trajetória do indivíduo participam da decisão naquele momento.
“No caso específico de nossa investigação, as condições objetivas de existência de cada potencial formando engendram habitus (...). Esses habitus regulam não apenas a identificação das alternativas que se colocam para escolha, como também o próprio universo de suas aspirações, traçando linhas imaginárias que separam o possível do impossível, o provável do certo, o pensável do impensável (FERREIRA, 2002, p. 61, grifos do autor)”.
Assim, para captar este habitus, Ferreira (2002) agrupa os resultados de seu trabalho sob os seguintes temas: o formando, sua origem sua família, seus amigos, seu cotidiano, sua visão de mundo e seu trabalho, a fim de compreender a complexa relação que existe por trás de uma decisão. E é por meio destes dados que o autor localiza socialmente os agentes, apresentando suas dotações de capitais econômicos, sociais e culturais. E ao analisar os habitus dos agentes ele identifica um sistema de disposições duráveis. Além disso, há também uma parte de seu trabalho destinada a apresentar a história e a caracterização da FGV-EAESP, que depois é analisada sob a perspectiva de sua própria trajetória e de sua posição no campo de poder.
Para alcançar toda essa compreensão muitos dados foram coletados, apresentados e analisados em toda a tese de Ferreira (2002). Seria simplista reproduzi-los aqui sem a devida análise. Apresentaremos somente as duas últimas questões apresentadas por Ferreira (2002) e suas respectivas respostas por se tratarem da maneira pela qual os respondentes avaliam seus trunfos no mercado de trabalho, para que depois possamos apresentar algumas conclusões literais do autor que consideramos extremamente relevantes para nossa pesquisa em particular.
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Caracteristicas Pessoais Diploma de 1ª linha Cultura Geral Domínio de línguas Atividades extra-curriculares Relacionamentos pessoais Desempenho acadêmico Em branco
Gráfico 1 – Opiniões dos alunos pesquisados com relação aos seus trunfos para buscar uma posição no mercado.
Fonte: Ferreira, 2002. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% Desempenho acadêmico Dominío de Informática Atividades extra-curriculares Cultura Geral Relacionamentos pessoais Diploma de 1ª linha Características pessoais Em branco Domínio de línguas Gráfico 2 – Opinião dos alunos com relação aos fatores menos importantes para buscar uma posição no mercado.
Fonte: Ferreira, 2002.
Podemos notar a importância dada às características pessoais (64%) como trunfo para a obtenção de uma boa colocação no mercado e como o conhecimento em si
Nesse momento, quais são em sua opinião seus maiores trunfos no processo de busca de uma boa posição no mercado de trabalho?
Nesse momento, quais são em sua opinião os fatores menos importantes no processo de busca de uma boa posição no mercado de trabalho?
(4% para o desempenho acadêmico) não é entendido por estes estudantes como fator estratégico na obtenção e um trabalho. É inclusive colocado como o fator menos importante (74%).
“É importante ressaltar que essa ênfase em características pessoais, fundamentalmente associadas a traços de personalidade cuja gênese não é de maneira alguma problematizada, cumpre um papel de naturalização das distinções que são propriamente sociais, ao mascarar vantagens culturais que são na verdade herdadas, ou, ditas de outra forma, socialmente produzidas (FERREIRA, 2002, p. 182)”.
Não foram mencionados como trunfos o conhecimento obtido pela formação educacional ou o domínio de técnicas.
“O sucesso de uma pessoa estaria aparentemente associado, na percepção dos formandos, muito mais ao que ela é do que ao que ela sabe (FERREIRA, 2002, p. 183, grifos do autor)”.