2.5. Bağımsız Denetimde Kalite Kontrolü ile İlgili Uluslararası Düzenlemeler
2.5.4. Sarbanes-Oxley Yasası ile Getirilen Düzenlemeler
Ancoragem e objetivação são dois mecanismos de um processo de pensamento que possibilitam a formação das representações sociais e, portanto, a transformação do não-familiar em familiar.
“Não é fácil transformar palavras não-familiares, idéia ou seres, em palavras usuais, próximas e atuais. É necessário, para dar-lhes uma feição familiar, pôr em funcionamento os dois mecanismos de um processo de pensamento baseado na memória e em conclusões passadas (MOSCOVICI, 2003, p.60)”.
A ancoragem é o processo pelo qual o indivíduo tenta transformar o que é estranho em familiar reduzindo-o a categorias e imagens comuns, colocando o desconhecido em um contexto familiar. Este processo ocorre quando o não-familiar é aproximado a um paradigma conhecido.
“(...) a dinâmica das relações (nos universos consensuais) é uma dinâmica de familiarização, onde os objetos, pessoas e acontecimentos são percebidos e compreendidos em relação a prévios encontros e paradigmas (MOSCOVICI, 2003, p.55)”.
O autor apresenta um exemplo de seu trabalho sobre as representações sociais da psicanálise na sociedade francesa que ilustra claramente este processo. Analisando as representações encontradas naquela sociedade ele verificou que havia uma analogia das práticas psicanalíticas às confissões, ou seja, uma idéia estranha (fazer análise) para aquela sociedade, naquela época, foi compreendida por meio de uma idéia bastante conhecida e tradicional, a confissão religiosa. É importante dizer que o que ocorreu não foi somente uma analogia, mas “uma mudança de valores e sentimentos (MOSCOVICI, 2003, p.57)”.
E este fato tornou possível que tal idéia, inicialmente estranha, se tornasse familiar e pudesse ser compartilhada pelo grupo, já que a familiarização possibilita conseqüentemente a comunicação dentro do grupo que compartilha a mesma realidade social e, portanto as mesmas representações.
“No momento em que nós podemos falar sobre algo, avalia-lo e então comunica-lo (...) então nós podemos representar o não usual em nosso mundo familiar, reproduzi-lo como uma réplica de um modelo familiar (MOSCOVICI, 2003, p.62)”.
Esta aproximação a um paradigma conhecido pressupõe uma separação dos conceitos e das percepções que normalmente ocorrem interligados para que seja possível incluir tal fato a uma categoria conhecida. Ou seja, para que haja a familiarização não se leva em conta o conjunto, mas sim algumas de suas características, aquelas que sejam passíveis de se enquadrar no paradigma conhecido.
“Se é verdade que nós classificamos e julgamos as pessoas e coisas comparando-os com um protótipo, então nós, inevitavelmente, estamos inclinados a perceber e a selecionar aquelas características que são mais representativas desse protótipo (...) (MOSCOVICI, 2003, p.64)”.
A partir deste mecanismo, a ancoragem, é possível notar que os pensamentos e as percepções não são imparciais, se originam no que já é convenção para o grupo do qual certo indivíduo participa, e em suas memórias particulares.
“O pensamento social deve mais à convenção e à memória do que à razão; deve mais às estruturas tradicionais do que às estruturas intelectuais ou perceptivas correntes (MOSCOVICI, 2003, p.57)”.
Ao compreender as percepções e os pensamentos desta forma, a ancoragem tem como conseqüência o fato de deixar explícito que pensamentos e percepções não são neutros, é o veredicto sobre o julgamento, e isso segundo Moscovici (2003) não deve ser considerado como um fato limitador ou negativo. Os diferentes posicionamentos representam as diversas perspectivas entre indivíduos e grupos sociais. No processo de ancoragem, além de classificar idéias, pessoas, objetos e acontecimentos, o indivíduo também nomeia o desconhecido. Ao classificar impreterivelmente já se está nomeando algo. E desta forma, o que é nomeado passa a ter uma identidade social: “(...) o que é anônimo, o que não pode ser nomeado, não se pode tornar uma imagem comunicável ou ser facilmente ligado a outras imagens (MOSCOVICI, 2003, p.66)”.
A função do processo de ancoragem não deve ser entendida como uma simples rotulação e gradação de objetos, pessoas e acontecimentos. Mas sim, como um meio facilitador das interpretações de características, das intenções e dos motivos que estão implícitos nas ações dos outros (MOSCOVICI, 2003).
A objetivação é o processo que transforma uma abstração em realidade por meio de sua qualidade icônica. É “reproduzir um conceito em uma imagem (MOSCOVICI, 2003, p.71)”.
“Objetivação une a idéia de não-familiaridade com a de realidade, torna-se a verdadeira essência da realidade (MOSCOVICI, 2003, p.71)”.
Objetivar é reproduzir o não-familiar entre as coisas que se pode tocar, ver e conseqüentemente controlar. Podemos utilizar como exemplo a comparação que se
faz de Deus com pai, esta comparação é uma representação que traz consigo determinadas características e idéias subjacentes, transformando uma abstração (Deus) em algo “conhecido” (MOSCOVICI, 2003). Assim, imagens são selecionadas para representar idéias. A seleção destas imagens é feita pelo grupo social de acordo com suas crenças e com o estoque de imagens preexistentes. Idéias que lembram imagens-tabus para determinadas sociedades ficam ausentes em termos de representações sociais, como por exemplo, a sexualidade nas representações sociais da psicanálise na pesquisa realizada por Moscovici na sociedade francesa, isto é, complexos e repressões eram conceitos amplamente difundidos, utilizados e aceitos, já com o conceito de libido isso não acontecia (MOSCOVICI, 1961).
No processo de objetivação pode ocorrer das imagens serem encaradas como a própria realidade, isto é, há um descolamento entre a imagem e a idéia, a imagem deixa de ser um signo e passa a ser um simulacro da realidade. Podemos dizer que há a naturalização do fenômeno; “(...) as imagens se tornam elementos da realidade, em vez de elementos do pensamento (MOSCOVICI, 2003, p.74)”. Estas realidades construídas a partir de idéias têm sua razão de existir, já que é deste modo que características que inicialmente pertenciam a uma esfera específica (por exemplo, a ciência) podem passar a ser comuns a todo um grupo.
Moscovici (2003) diz que cada cultura tem seus próprios instrumentos para transformar suas representações em realidade e que na nossa cultura este instrumento se relaciona aos objetos.
“E devido ao fato de que nosso instrumento está relacionado com os objetos, ele nos encoraja a objetivar tudo o que encontramos (MOSCOVICI, 2003, p.76)”.
Isso porque, segundo o autor, o modelo de aprendizagem em nossa sociedade é aquele da ciência física e matemática e, portanto, dos objetos quantificáveis e mensuráveis.
Para concluir esta apresentação de ancoragem e objetivação segue um trecho de Moscovici em que ele apresenta de forma clara e sucinta como estes mecanismos ocorrem para que as representações sociais sejam criadas:
“Ancoragem e objetivação são, pois, maneiras de lidar com a memória. A primeira mantém a memória em movimento e a memória é dirigida para dentro, está sempre colocando e tirando objetos, pessoas,
acontecimentos, que ela classifica de acordo com um tipo e os rotula com um nome. A segunda, sendo mais ou menos direcionada para fora (para outros), tira daí conceitos e imagens ara juntá-los e reproduzi-los no mundo exterior, para fazer as coisas conhecidas a partir do que já é conhecido (MOSCOVICI, 2003, p.78)”.