3.3. Bağımsız Denetimden Faydalanan Bilgi Kullanıcıları ve Katma Değer
3.3.3. İşletme Dışı Bilgi Kullanıcıları
3.3.3.1. Sermaye Piyasası Kanunu Uyarınca Sermaye Piyasası Kurulunun
3.3.3.1.1. Yatırım Kuruluşları
A pesquisa de Covre (1991) apresenta reflexões teóricas com base em trabalho empírico sobre a formação, o posicionamento e a função do administrador na sociedade brasileira realizado em 1976, com sua primeira publicação em 1977. Foram aplicados 224 questionários em alunos da EAESP-FGV dos cursos de graduação (diurno e noturno) e pós-graduação (CEAG). A proposição central de seu trabalho era: “administradores servem à acumulação de capital (p.11)”. Esta proposição surge da ideologia neocapitalista que tem, segundo a autora, como sua melhor expressão a burocracia. Esta ideologia pretendia eliminar a relação de exploração, seria uma solução “socializante” (aspas da autora) porque substituiria a contradição proprietário/não-proprietários, por meio dos burocratas que teriam poder de controle e decisão (COVRE, 1991).
A burocracia, que tinha por objetivo planejar e controlar, ocupava tanto o Estado quanto as Organizações e formava um novo contexto social que tinha então a classe dos burocratas (COVRE, 1991). Esta burocracia proveniente da ideologia neocapitalista estava inserida no contexto desenvolvimentista da época e tinha como
função incrementar a acumulação de capital e reassegurar as relações de produção de forma mais eficaz.
A técnica, segundo nosso entendimento é um instrumento da burocracia que na época, além de possibilitar o desenvolvimento do país trazia consigo a ideologia da neutralidade, da apoliticidade, o que encobria o fato desta mesma técnica poder ser um poderoso instrumento de controle econômico e político. O desenvolvimento político-econômico e social pelo qual o país passou nas décadas de 60 e 70 significava também a presença das grandes empresas, principalmente após o governo de Juscelino Kubitschek que iniciou a internacionalização da economia brasileira (COVRE, 1991). Segundo a autora, no período após a Revolução de 1964 é que ocorre a concretização do projeto de desenvolvimento capitalista no país, com aberturas ao capitalismo internacional. E neste momento:
“Toda estrutura econômica se caracteriza por um processo de concentração que resulta em grandes empresas, basicamente estrangeiras e estatais e algumas nacionais, impondo sua visão e interesse, ou seja, o predomínio do grande capital ao resto do sistema econômico (...) (COVRE, 1991, p. 68)”.
Queiroz (apud COVRE, 1991) faz um levantamento dos grandes grupos econômicos no Brasil em 1962 e conclui que já se apresentava uma estrutura oligopolista das empresas. E ainda coloca que as concentrações ocorriam de modo desconexo, isto é, não eram nem verticais e tampouco horizontais. A hipótese do autor para este fato é de que as empresas estariam diminuindo seus riscos, ao aplicarem o capital de forma diversificada.
Um dos desdobramentos da ideologia neocapitalista e da burocracia foi o surgimento e a evolução dos cursos de administração nesta época. Covre (1991) faz uma extensa análise sobre como estes cursos se multiplicaram.
“A complexidade do processo de desenvolvimento está relacionada ao uso crescente da técnica, seja ela maquinaria ou organizacional, o que torna imprescindível a necessidade de um contingente cada vez maior de profissionais especializados para as diferentes funções de controlar, analisar e planejar as atividades empresariais (...) (COVRE, 1991, p. 60)”.
Além da necessidade da técnica, os oligopólios, principalmente os internacionais, foram um outro fator de influencia nesta dinâmica de crescimento das Escolas de Administração.
“(...) o desenvolvimento se baseia em empresas grandes, e estas por sua vez, são as que estão mais equipadas com tecnologia complexa, exigindo por seu turno um crescente grau de burocratização, quer dizer, requerendo mão-de-obra de ensino superior para lidar com esta tecnologia (COVRE, 1991, p. 60)”.
Um dado importante verificado por Covre (1991), que corrobora com a necessidade técnica das organizações da época, foi a diferenciação do currículo escolar comparando os anos de 1957 e 1976. O departamento de Administração sai de 24,5%, em termos de participação nas disciplinas obrigatórias na graduação para 14%. Segundo a autora este fato se deve à maior especialização (grifo nosso) do curso, já que as disciplinas do departamento de Administração estão relacionadas às práticas mais gerais. Outra diferença que pode ser notada está relacionada às disciplinas associadas à área das Ciências Sociais, que em 1957 respondiam por 22,4% das disciplinas obrigatórias, número que passou a 30,2% no ano de 1976. Para a autora este dado pode significar o aumento do nível formativo do aluno, isto é, que ele tenha capacidade de ter uma visão global da sociedade para tomar decisões.
Com o objetivo de pesquisar a formação, o posicionamento e a função do administrador na sociedade brasileira naquele momento, Covre (1991) definiu o administrador da época como “técnico específico”, cuja função atendia à necessidade daquele período com relação ao desenvolvimento sócio-econômico do país. Ao adotar tecnologia avançada, as funções de análise, controle e planejamento eram aquelas que surgiam como mais complexas e necessárias às organizações. Deste modo, houve uma grande demanda por parte das organizações de pessoal técnico especializado.
Com relação à atuação destes administradores nas empresas, Covre (1991) criou sete tipos de administradores a partir da imagem que eles próprios tinham de si como administradores e de suas relações com o capital. Os tipos e suas descrições são os seguintes:
1. “Aluno-imagem positiva do administrador – aspirante a administrador;
2. Administrador em ascensão – preocupado em atender à empresa e ascender concomitantemente a ela (esta característica permeia quase todos os tipos de administradores);
3. Administrador propriamente dito – aquele que está bem situado na empresa e sente a influência da formação teórica na sua atuação em termos de estrutura decisória e relacionamento com subordinados;
4. Administrador deslocado – aquele que, tendo adquirido uma formação como a da EAESP (preparado para atuar em empresa grande, ‘moderna’), vê-se atuando na empresa pequena, ‘tradicional’;
5. Administrador desajustado – aquele que encontra dificuldade no desempenho de sua função, ou mesmo que errou ao optar por esta carreira, por falta de características específicas a esta como: agressividade, competitividade, etc.;
6. Administrador tecnocrata ou de vanguarda – aquele que mais facilmente evidencia a influência da formação escolar e do ambiente empresarial, em termos de preocupação com a integração dos funcionários à empresa (permeia quase todos os outros tipos de administradores, em maior ou menor grau).
7. Administrador técnico – aquele que está fora da área burocrática, que atende mais a tarefas técnicas e não a relações humanas. Refere-se a várias funções dentre elas a de assessoria e consultoria (COVRE, 1991, p. 184)”.
A autora conclui em seu trabalho que estes tipos demonstram traços da ideologia pós-liberal exigida tanto pela organização quanto pelo sistema do capital na época e que foram internalizados pelos administradores. Com relação à concepção dos entrevistados quanto ao desenvolvimento social global da época, verificou-se que os administradores que estavam em posições de principiantes-aspirantes tiveram uma maior tendência a criticar o modelo. Já aqueles que tinham uma posição mais participativa e ascendente na máquina burocrática situavam-se mais próximos ao conformismo.