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F) Müteahhidin Kusuru ve Temerrüde Etkisi

II. TBK M 473/I’İN SONUÇLARI

A Lei Federal nº. 10.257, de julho de 2001, denominada Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001) trouxe às administrações municipais um conjunto de instrumentos que podem auxiliá-las a assegurar o direito à cidade, regulamentando o Art. 182 e Art. 183 da Constituição Federal de 1988, e fazendo do Plano Diretor o eixo central da política. São obrigatórias para as cidades a partir de 20 mil habitantes, determinações estas já contidas na referida Constituição.

O Estatuto da Cidade baseia-se em três pontos fundamentais:

1) O interesse coletivo acima do interesse individual ou de um grupo, através da realização da função social da cidade e da propriedade urbana;

2) O cidadão é responsável pela melhoria das condições de vida na cidade, indicando a este fim a abertura de canais de participação da sociedade junto ao poder público;

3) O Plano Diretor como uma lei municipal e instrumento de planejamento, através do qual se podem aplicar os demais instrumentos previstos na Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) e no Estatuto da Cidade (SILVA, 2003).

O Art. 2º do Estatuto da Cidade estabelece que a política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, por meio de diretrizes gerais, dentre as quais está a gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade no planejamento, projetos e ações de desenvolvimento urbano.

Indica-se como ponto relevante do Estatuto a obrigatoriedade de planos diretores também para os municípios situados em regiões metropolitanas, para aglomerações urbanas situadas em áreas de interesse turístico e para municípios situados em áreas sob influência de empreendimentos de grande impacto ambiental, prevendo a responsabilização e penalidade aos prefeitos e vereadores que, de uma forma ou de outra, não tivessem elaborado e aprovado seus planos no prazo de cinco anos após sua promulgação16, ou seja, até outubro de 2006. O

Ministério das Cidades prorrogou este prazo em mais um ano, possibilitando que a parcela dos municípios que ainda não haviam elaborado seus planos o fizessem.

A Constituição Federal de 1988 e a Lei Federal 10.257/01 estabeleceram a obrigatoriedade da elaboração de Planos Diretores por parte de municípios com população urbana a partir de 20 mil habitantes. Devido a essa norma, dos 5.561 municípios brasileiros, 1.478 (26,58% do total; Tabela 3), teriam que elaborar ou rever seus Planos Diretores de acordo com as novas determinações legais.

Tabela 3: Agrupamento dos municípios brasileiros segundo sua a população em 2000. Municípios Total População

Total Urbana Rural

Até 20 mil habitantes 4.074 19,80% 55,0% 45,0% De 20.001 a 100 mil habitantes 1.262 29,22% 72,61% 27,39% De 100.001 a 500 mil habitantes 194 23,41% 94,51% 5,49% Mais de 500.001 habitantes 31 27,57% 97,97% 2,03% Total 5.561 169.799.170 81,24% 18,76% Fonte: IBGE (2012).

O número de localidades obrigadas a elaborar ou rever seus planos aumenta para 1.700 municípios (30,57%), se consideradas as demais condições indicadas no Art. 41, ou seja, municípios integrantes de regiões metropolitanas, ou sujeitos a grandes empreendimentos imobiliários e turísticos. Destes, 194 abrigam as chamadas cidades médias, sendo 23,41% do total dos municípios do Brasil (Tabela 3).

16 O Art. 58 estabelece que a lei do Estatuto da Cidade entre em vigor depois de decorridos noventa dias de sua

publicação, tendo essa lei sido publicada no Diário Oficial de 11 de julho de 2000. Está em vigor desde o dia 10 de outubro de 2001.

Conforme se observa na Tabela 4, os municípios paulistas com população a partir de 20 mil habitantes somavam 234, ou seja, 36,28% do total. Destes, 54, ou seja, 8,37% do total abrigavam cidades médias.

Tabela 4: Agrupamento de municípios paulistas segundo sua população em 2000. Agrupamento dos

Municípios Total Municípios em relação ao total do Estado (%) Urbanização (%) Taxa de

Até 20 mil hab. 411 63,72% 19,80%

De 20.001 mil a 100 mil hab. 172 26,67% 89,73% De 100.001 mil a 500 mil hab. 54 8,37% 97,28% Mais de 500.001 mil hab. 8 1,24% 95,61% Total 645 100% 93,41% Fonte: IBGE (2012).

Cabe ressaltar que tanto em relação ao Brasil como um todo, ou apenas ao Estado de São Paulo, as cidades médias são as que apresentam os índices mais elevados de urbanização da população (97,28%; Tabela 4). No território paulista, a taxa de urbanização populacional dos municípios com tais cidades ultrapassam a média do Estado (93,41%) e a média das consideradas como grandes cidades (95,61%), de acordo com os dados da Tabela 2. Considerando-se estes dados, o Plano Diretor pode ser um instrumento relevante, principalmente a partir do Estatuto da Cidade, para que haja nestas cidades o planejamento e a gestão do espaço urbano e a solução dos problemas advindos da urbanização elevada.

Além da obrigatoriedade da elaboração ou revisão de Planos Diretores para mais 30% dos municípios brasileiros, o Estatuto da Cidade trouxe também um conjunto de instrumentos de natureza urbanística que podem induzir as formas de uso e ocupação do solo, bem como do ordenamento da expansão urbana. Além disso, é clara uma concepção de gestão democrática das cidades, incorporando:

1) A ideia de participação direta dos cidadãos nos processos de elaboração do planejamento;

2) Os processos de decisão se darão no âmbito municipal;

3) A ampliação das possibilidades de regularização das parcelas do espaço urbano que estejam em situação de limite entre o legal e o ilegal.

O Estatuto também serve à regulação federal da política urbana que se pratica no país, ao propiciar de forma concreta a intervenção territorial. Para que tais objetivos sejam

alcançados, há instrumentos referidos no Estatuto da Cidade que podem ser utilizados pelas administrações públicas municipais. Além do Estudo de Impacto Ambiental – EIA, e Estudo de Impacto de Vizinhança - EIV, citam-se:

- No que se refere ao planejamento municipal, o Plano Diretor, o disciplinamento do parcelamento, do uso e da ocupação do solo, o zoneamento ambiental, a gestão orçamentária participativa e planos, programas e projetos setoriais;

- No que se refere aos instrumentos tributários e financeiros, o IPTU progressivo no tempo, a contribuição de melhoria e os incentivos e benefícios fiscais e financeiros;

- No que se refere aos instrumentos jurídicos e políticos, a desapropriação com pagamento em títulos, a instituição de zonas especiais de interesse social, o parcelamento, edificação ou utilização compulsória, a usucapião especial de imóvel urbano, o direito de preempção, a outorga onerosa do direito de construir, operações urbanas consorciadas e a regularização fundiária, entre outros.

Nos Arts. 43, 44 e 45, incluídos no capítulo referente à gestão democrática da cidade, o Estatuto prevê a presença de toda a coletividade em temas que envolvem a cidade. Esta pode se dar por meio de debates, audiências, consultas públicas e iniciativa popular de projetos de lei, entre outros. Caso o poder público não promova ou adote medidas e instrumentos para tanto, há a referência à prática de ato de improbidade administrativa.

Esta pena pode ser aplicada ao Prefeito Municipal e também à Câmara Municipal, caso esta não assegure a participação popular no processo de elaboração do Plano Diretor, bem como durante a tramitação e votação do plano na Câmara Municipal, cabendo ao Poder Legislativo e ao Executivo a garantia da participação popular durante o processo.