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OLUŞTURULMASI ve TÜRKİYE’DE EKONOMİK ÖZGÜRLÜKLER

3.2. TÜRKİYE’DE EKONOMİK ÖZGÜRLÜKLER

3.2.2. Türkiye’de Liberalizasyon Çabaları:1980 Sonrası Dönem

Segundo os estudos de paleo-ecologia, a Sabana de Bogotá devia ser uma planície de Bosque Andino e Altoandino, com predominância de árvores como o Quercus, Ilex kundtiana, Weinmannia e Myrcine, e de Bosque de Alnus nas áreas de pântano. Porém, as primeiras descrições feitas pelos espanhóis no século XVI a retratam como uma savana de prados, limpa, com povoados e caminhos facilmente visíveis e até com falta de madeira para as atividades quotidianas dos Muiscas. Isto quer dizer que em boa parte da planície os bosques tinham sido

derrubados para dar passo a extensas áreas cultivadas. A paleo-ecologia nos permite obter um registro polínico através do qual conseguimos reconstruir e entender estas transformações no meio ecológico ao longo dos séculos. Para a Sabana de Bogotá este registro é excepcionalmente detalhado graças ao trabalho que desenvolveu T. Van der Hammen principalmente, mas também outros pesquisadores. Aliás, por ser a Sabana uma planície com abundantes lagos, o trabalho de paleo-palinologia se facilita, já que é neste tipo de ecossistemas que o pólen se preserva melhor e que a sequência estratigráfica não sofre alterações.

A partir das informações obtidas deste tipo de estudos sabemos que para o período em que se iniciam as atividades agrícolas na Sabana temos uma planície formada por andisols, solos que predominam no centro e norte da Sabana, inseptisols e alfisols na zona sul e sudeste da Sabana, e solos hidromorfos. Estes últimos são solos pouco evoluídos devido à presença de água de forma permanente ou durante boa parte do ano. Encontram-se nos vales e planícies aluviais do rio Bogotá, dos afluentes e nas zonas úmidas, alargando-se consideravelmente na região onde confluem os rios Bogotá, Tunjuelito e Balsillas. O alto nível do lençol freático nas áreas de vales interfluviais gera a formação de andisols e inseptisols hidromórficos. Nas áreas melhor drenadas da planície, ou seja, nas bordoas dos vales fluviais, predominava o Bosque Andino com abundância de Vallea stipularis, Myrcianthes e Ilex kundtiana. Nas áreas de difícil drenagem (vales fluviais) predominavam os bosques de Alnus e Myrica, Salix, Polymnia e vegetação de pântano como juncos (VAN DER HAMMEN, 2003, p. 24 e 33).

O alto teor de argila presente em geral em toda a superfície da Sabana dificultava a filtração da água da chuva gerando inundações sazonais. Eram abundantes os vales de erosão ou vales de drenagem, que levavam a água desde as montanhas do leste ou desde a própria planície para o rio Bogotá. Alguns eram córregos sazonais e outros vales fluviais permanentes. A constante sedimentação podia levar à obstrução da saída para o rio, impedindo a drenagem dos regatos e gerando desta forma pequenas lagoas e humedales (Ibidem, 2003: 25).

Esta situação começa a mudar no registro polínico e de sedimentos há 3000 anos, com o início das práticas agrícolas. As reconstruções paleo-climáticas de Van der Hammen e Berrío coincidem na identificação de períodos úmidos alternados com períodos secos durante esta fase agrícola e que teriam tido alguma influência na forma de gerir o sistema hidráulico. O início da agricultura coincide sensivelmente com um período seco (entre 700 AC e 61 DC) que teria facilitado a progressiva expansão de cultivos em áreas inundáveis. Um incipiente sistema de

plataformas elevadas com canais para controlar os alagamentos por alto nível do lençol freático talvez tivesse sido suficiente. Broadbent sugere que o sistema hidráulico começou a ser construído a partir do aproveitamento inicial de barras de sedimentação deixadas pelos cursos de água. Estas teriam sido acondicionadas e os bons resultados, produto do enriquecimento orgânico do solo a partir dos lodos, levariam a construir artificialmente plataformas similares até generalizar-se esta forma de cultivo (BROADBENT, 1968).

O início da agricultura está evidenciado na sequência de pólen Laguna de la Herrera II (VAN DER HAMMEN, 2003) pela presença de pólen de Zea mays (milho) a partir dos 100 cm e pelo aumento de Solanum (batata ou tomate) e Chenopodiaceae (quinoa) também neste nível. (Vide gráfico 3) Estes últimos dois táxons se podem encontrar de forma silvestre, mas, um aumento significativo e repentino é indicativo de manipulação direta (LEDRU, Marie; c. p.). Nesta camada foi encontrado carvão vegetal datado em 740 AC (2690 +/-100 AP). Esta data coincide com a cronologia em contexto arqueológico para as primeiras evidências de milho no planalto (vide seção 2.3.1). Provavelmente este carvão estaria associado a queimas de origem antrópica, com o intuito de eliminar bosques em favor de campos abertos para a agricultura.

No diagrama de pólen de Laguna de La Herrera I (VAN DER HAMMEN, 2003) também é perceptível um aumento espetacular de Chenopodiaceae a partir da camada datada em 100 AC (2050+/-50 AP), e um aumento mais modesto de Solanum, embora logo diminua significativamente (Vide gráfico 2). O diagrama de pólen de Funza 4 não possui datação mas a presença de Zea mays ao longo de todo o testemunho (tirando os últimos 25 cm) mostra que está representando o período agrícola pré-hispânico. A Chenopodiaceae também está presente em grandes quantidades e só tem uma queda significativa nos 70 cm superiores, mas sem chegar a desaparecer da sequência (Vide gráfico 1). Finalmente o diagrama de pólen de La Filomena mostra uma presença pequena, mas constante de espécies cultivadas como Zea mays, Chenopodiaceae, Phaseolus (feijão) e Vicia (um tipo de fabaceae), em uma sequência cronológica contínua que vai desde 738 AC até 1767 DC (BERRÍO, 2006) (Vide gráfico 4).

A Laguna de La Herrera se formou há 5000 anos a partir da obstrução parcial do vale de drenagem do rio Balsillas (VAN DER HAMMEN, 2003). Alimenta-se das águas dos riachos que descem da Colina Mondoñedo, no lado sul, e que são parcialmente drenadas através do rio Balsillas. Defronte a esta colina se localiza a colina Casa Blanca que limitava a lagoa a nordeste. Ao longo do sopé destas duas colinas foram encontrados sítios de habitação dos Herrera e

Muiscas (BROADBENT, 1971), testemunhando uma ocupação contínua ao longo do período agrícola, que se revela no diagrama de pólen através do registro de milho e quinoa.

Fig. 20 Correlação das datações na Laguna de La Herrera Fonte: VAN DER HAMMEN, 2003

Embora nesta zona não fosse possível identificar vestígios do sistema hidráulico, já que a região tem estado submetida a fortes processos de exploração de matérias-primas, é provável que tivessem sido construídos canais para o manejo da água na altura das cheias, sendo que ao leste da lagoa convergem os rios Balsillas e Serrezuela, o que poderia causar eventuais inundações. Também é provável que os povoadores estabelecessem suas culturas nos próprios terraços naturais, sobretudo na fase inicial, já que segundo o registro arqueológico, as habitações estavam espalhadas por esta zona (Ibidem), podendo estas pessoas ter seus cultivos à beira da casa42.

42 Neste sentido é importante salientar que os grupos humanos que habitaram a Sabana também praticaram uma

agricultura de terraços artificiais nas colinas espalhadas na planície como em Suba e Facatativá (HAURY; CUBILLOS, 1953; BROADBENT, 1964; O’NEIL, 1972)

O sitio Funza 4 se localiza no Humedal El Guali, um antigo vale de drenagem com uma rede extensa de braços que nasciam em vários pontos da própria planície, nos municípios de Funza, Madrid e Mosquera, e que confluíam no rio Bogotá na altura da fazenda La Ramada (Vide Mapa 2). Atualmente, este humedal encontra-se muito afetado pelas atividades agro-industriais pelo que para além dos dois braços principais, restam apenas pequenos lagos dispersos. A drenagem deste vale de erosão foi impedida, de forma natural ou antrópica, na mesma altura do início da agricultura, já que é só em este momento que o humedal começa a acumular sedimentos (VAN DER HAMMEN, 2003). Trabalhos arqueológicos como os de Broadbent (1966), Bernal (1990), Boada (2000 b), Kruschek (2003) e Romano (2003 b) mostram uma consistente ocupação de aldeias e assentamentos dispersos neste setor da Sabana por parte de grupos Herrera e Muisca, que desenvolveram atividades domésticas, agrícolas, de tecelagem e administrativas. A vizinhança destes assentamentos com o sistema de camellones e canais na várzea do rio Bogotá também explica a presença de pólen de milho ao longo da sequência.

A sequência de La Filomena foi tirada do perfil estratigráfico de um camellón escavado por Boada (2003) no extremo norte da colina de Suba. Talvez por isso haja uma variedade maior de plantas cultivadas nesta sequência. É interessante notar que nesta área se realizou uma prospecção sistemática que mostrou a presença de assentamentos no sopé da colina de Suba e na planície em frente dela, ao longo da fase agrícola. Os grupos Herrera tiveram uma presença mínima, mas o local se densificou significativamente durante o Muisca Temprano e Tardío (BOADA, 2006). Quatro datas obtidas da coluna de sedimentos indicam uma ocupação permanente entre 738 AC e 1767 DC. Aliás, a 3,5 km ao norte de La Filomena foi tirado outro testemunho (Guaymaral) do qual se obtiveram duas datações: uma das mais antigas para a Sabana, associada a pólen de milho e feijão, de 1324 AC, e a outra de 656 DC, também associada a pólen destes táxons. As pessoas que aqui moraram se estabeleceram em aldeias pequenas ou em casas isoladas, próximas dos cultivos (Vide fig. 43).

Estes dados, juntamente com os dados do pólen de milho encontrado em cotexto arqueológico em Zipacón, datado de 1320 AC (CORREAL; PINTO, 1983), em El Abra, datado de 800 AC (CORREAL et al., 1969), bem como com os dados sobre mudanças na dieta dos povoadores hortícolas e Herreras da Sabana que evidencia a progressiva inclusão do milho (Vide Segunda Parte), mostram a forte presença do milho e de seu cultivo, ao longo da Sabana. Não há dúvida que esta planta, tal como outras, já fazia parte importante da dieta dos Herrera e que desde

datas anteriores a 1000 AC eles começaram a transformar o meio ecológico para dar espaço a uma nova forma de obtenção de alimentos.

Esta transformação do meio ecológico também se pode constatar no aparecimento ou aumento de espécies associadas às atividades agrícolas ou a processos erosivos, e a diminuição de vários elementos do Bosque Andino na sequência Herrera II. Ervas de pântano como polygonum hydrocotyle, tubuliflorae, Relbunium, Rumex obtusifolius, Galium, Begonia, assim como Azolla, que antes eram praticamente inexistentes, aumentam de forma considerável a partir dos 100 cm. Esta mudança pode indicar processos de eutrofização. Sua presença deve ter sido estimulada pelo aumento de nutrientes na lagoa, produto das atividades agrícolas (VAN DER HAMMEN, 2003). A percentagem de gramíneas como a Poaceae também aumenta durante a maior parte da fase agrícola pré-hispânica. O aumento de Compositae a partir de 740 AC na sequência Herrera II também reafirma os processos erosivos que estão acontecendo na Sabana, produto das atividades agrícolas. Borreria e Galium são outros dos táxons indicadores de distúrbio humano que tem forte presença em La Filomena, e em menor quantidade em Funza para o caso de Borreria, ao longo de período agrícola pré-hispânico.

Pelo contrário, vários elementos de bosque diminuem. Myrica quase desaparece desta sequência durante toda a fase agrícola. No diagrama Laguna de La Herrera I sua diminuição também é clara nos últimos séculos anteriores à era cristã (começa a diminuir 10 cm antes da camada datada em 100 AC (2050 +/- 50 AP). Os diagramas de pólen de Funza 4 (Ibidem) e La Filomena (BERRÍO, 2006) correspondem só ao período agrícola e portanto não temos elementos anteriores para contrastar os dados. No entanto em Funza 4 também podemos constatar a pouca presença de Myrica na base da testemunha. Weinmannia, outro indicador de Bosque Andino diminui na fase agrícola nas duas sequências de La Herrera (I e II) e Quercus sofre uma pequena diminuição por volta do 740 AC.

Estes impactos no meio ecológico não são homogêneos. Através das reconstituições paleo-ambientais se pode observar variações vinculadas com mudanças climáticas, mas também com a própria ação do homem. O aumento ou diminuição dos táxons associados a Bosque Andino, Bosque inundável de Alnus ou a vegetação xerofítica permitiram delinear dois momentos particularmente úmidos durante o período agrícola: 61 AC – 484 DC e 712 DC – 1094 DC (VAN DER HAMMEN, 2003; BERRÍO, 2006). O registro de pólen de milho também mostra momentos de diminuição ou mesmo de paralisação dos trabalhos agrícolas e momentos de grande atividade.

É provável que, sobretudo nos primeiros séculos da Era Cristã em que o sistema hidráulico ainda não devia se estender por toda a planície, o aumento do volume de água na Sabana tivesse estimulado o abandono ou relocalização de alguns cultivos, mas também estas mesmas condições teriam levado os grupos humanos a aumentar ou reforçar o sistema hidráulico com a construção de grandes canais para drenar o excesso de água.

3.2 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HIDRÁULICO NA SUA RELAÇÃO COM