OLUŞTURULMASI ve TÜRKİYE’DE EKONOMİK ÖZGÜRLÜKLER
3.1. TÜRKİYE EKONOMİK ÖZGÜRLÜK ENDEKSİ
3.1.1. Ekonomik Özgürlük Endeksi Bileşenleri
3.1.1.2. Piyasaya Müdahale
Dos anos 70 datam também as primeiras referências à paisagem na arqueologia. Embora não fosse um conceito desconhecido para os arqueólogos das décadas anteriores, é neste momento que se dá uma mudança na forma como é compreendida a participação da paisagem na pesquisa arqueológica (ASHMORE; KNAPP, 1999, p. 1), ganhando o status de objeto de pesquisa por direito próprio. Assim, deixa de ser simplesmente o contexto onde os sítios arqueológicos se inserem. O primeiro exemplo de um trabalho desse tipo é a publicação de Aston & Rowley, Landscape and archaeology: An introduction to fieldwork techniques on Post-Roman landscapes, publicado em 1974 (DAVID; THOMAS, 2008).
Dá-se uma convergência de interesses entre as novas posturas teóricas da geografia e da arqueologia, a primeira incluindo o homem como parte ativa da paisagem, e a segunda incluindo o meio ecológico como parte fundamental na explicação dos processos no passado, embora sem esquecer que a relação homem-meio teve em cada caso múltiplas perspectivas. Como apontam David; Thomas (2008), a arqueologia da paisagem nos seus inícios focou sua análise
principalmente nos impactos que o homem tinha causado no meio ambiente (Ibidem, p. 28). Estas preocupações deram-se no contexto das lutas sociais e políticas que por esta altura começaram a questionar o modelo ocidental de desenvolvimento devido, entre outras coisas, aos seus efeitos negativos sobre o meio ambiente.
Mas não foi essa a única perspectiva de análise: embora a paisagem na arqueologia seja um conceito relativamente recente, existem múltiplas formas de compreendê-la e abordá-la (ANSCHUETZ et al., 2001; ASHMORE; KNAPP 1999; DAVID; THOMAS, 2008). Sua juventude contrasta com a riqueza das possibilidades conceituais que pode proporcionar, desde perspectivas que enfatizam o meio ambiente (BUTZER, 1964), as formas do poder na paisagem (ACUTO, 1999; CRIADO, 1993; 1999), os sistemas de assentamento (DUNELL, 1992; RUSELL et al., 1992), até às perspectivas que analisam o papel das identidades na construção da paisagem (CHANG, 1992; HODDER, 1978; O’SULLIVAN, 2003; PORTOCARRERO, 2010; ZEDEÑO, 1997) a paisagem como experiência, que remete mais a um âmbito fenomenológico (INGOLD, 2000; TILLEY, 1994) ou o simbolismo (CRIADO et al., 1997; NIEVES; BOWSER, 2009).
Para alguns pesquisadores, isto pode ser visto como uma desvantagem ou como uma ausência de maturidade da disciplina. Já em 1999 Muir se queixava da grande diversidade de enfoques que existiam nos estudos da arqueologia da paisagem, pois isto, dizia ele, revelava uma debilidade teórica ao não conseguir delimitar suas fronteiras e não conseguir fixar seu objeto de estudo (MUIR, 1999: introdução). No entanto, a riqueza e o valor da arqueologia da paisagem estão precisamente nesse seu caráter de possuir múltiplos olhares, precisamente porque permite estudar e analisar a relação do homem com o meio ecológico em todas suas dimensões. Cabe ao pesquisador definir qual a dimensão ou dimensões que pretende estudar e, nesse sentido, qual a abordagem da paisagem que utilizará.
Por isso, como lembram David e Thomas na introdução do seu livro, Handbook of Landscape Archaeology, quando o conceito paisagem é usado na arqueologia não se pode estabelecer a priori qual a sua conotação. É preciso certificar-se primeiro do significado concreto que o autor em particular está dando ao conceito (DAVID; THOMAS, 2008, p. 28) e que está relacionada com a perspectiva teórica e com as questões que a pesquisa pretende resolver.
Esta postura pode parecer um convite à anarquia ou, como Muir adverte, um sinal de fraqueza. Mas não nos parece que seja. Do nosso ponto de vista, a arqueologia da paisagem tem
uma base teórica, que é comum a qualquer trabalho que aborde suas perguntas de pesquisa desde esta perspectiva e que contém três elementos fundamentais: primeiro, não se limita aos sítios arqueológicos porque a ação do homem se encontra espalhada por onde quer que ele esteja. Trata-se, em palavras de Ashmore e Knapp do “study of diffuse human remains” (ASHMORE; KNAPP, 1999, p. 2). A arqueologia da paisagem implica uma abordagem panorâmica, que não só olha para o sitio (compreendido como o âmbito concreto de uma ocupação humana), mas que amplia o olhar ao âmbito regional, buscando deste modo inter-relacionar os múltiplos fatores que integram um espaço ocupado, construído, para assim tentar compreender uma sociedade concreta na sua complexidade. Abrange todos aqueles elementos que também fizeram parte do cotidiano dos grupos humanos no passado, desde as zonas de captação de recursos até aos locais interditados por razões mágicas ou religiosas.
Segundo, na análise sempre estará presente a relação homem-meio. Isto quer dizer que as perguntas de pesquisa devem estar vinculadas a esta interação entre os grupos humanos e seu entorno, e não a problemas específicos da sua vida material ou social, como a produção de ferramentas, a produção cerâmica ou os processos de complexificação social. A abordagem da paisagem aceita que há entre ambos uma estreita relação de interdependência, mesmo que uns pesquisadores atribuam maior peso aos fatores ecológicos na construção de uma sociedade, outros ao próprio homem, e outros vejam uma relação de interdependências onde um influencia o outro, como é nosso caso.
Terceiro, a arqueologia da paisagem é multidisciplinar. Isto não quer dizer que outros enfoques não o sejam, mas é uma condição sine qua non da arqueologia da paisagem. Seus estudos integram tanto os dados arqueológicos, quanto informações provenientes de disciplinas tão variadas como a etnografia, a etno-história, a história, a toponímia, os estudos paleo- ambientais, a geografia, a ecologia, a geologia, a estatística, etc. (ASTON, 1985; ROBERTS, 1987; CRUMLEY, 1994; 2007; INGOLD, 2000). Esta integração é necessária para poder estudar a multiplicidade de dimensões que uma paisagem possui como foi dito acima. Em muitos casos aquilo que no presente é possível perceber dessa interação homem-meio no passado não é mais do que leves traços quase apagados pela ação erosiva do tempo. Tentar perceber as transformações dessa paisagem ao longo do tempo, a partir dos fragmentos que hoje é possível ver em um espaço geográfico amplo, precisa da ajuda de múltiplas disciplinas.
O fato da arqueologia da paisagem ser relativamente nova tem a ver precisamente com sua própria dinâmica. Seu estudo precisa de ferramentas que só foram desenvolvidas no século XX e que demoraram até serem integradas em pesquisas que estavam bem longe da área inicial para a qual foram criadas. Entre elas destaca-se a fotografia aérea. Ela permite ter uma visão de conjunto de extensas áreas do terreno. É uma ferramenta fundamental para o arqueólogo da paisagem, já que permite perceber em uma imagem uma grande variedade de vestígios que atestam a ação do homem em um espaço físico no passado. Aliás, muitos voos foram feitos ainda antes da década de 50, quando a explosão demográfica não tinha atingido muitas regiões, em especial no continente americano, fornecendo assim um material ótimo para estudar áreas que estão atualmente destruídas, como é o caso particular da presente pesquisa. Outros sistemas de sensoriamento remoto são de grande utilidade como as imagens de astélite. Mas não só este tipo de ferramentas. Os diagramas de pólen e em geral as reconstruções paleo-ambientais são de recente desenvolvimento e sem elas é difícil trabalhar numa perspectiva da arqueologia da paisagem.
Aliás, na própria disciplina arqueológica foram desenvolvidos elementos que iriam ser fundamentais para a estruturação teórica da arqueologia da paisagem7: a pesquisa, que até aos anos 70 se tinha concentrado na identificação e análise dos sítios arqueológicos, começou a mostrar as suas limitações. Os trabalhos que pretendiam centrar-se nos processos econômicos (que incluíam estratégias de subsistência ou o comércio de longa distância, por exemplo) precisavam alargar seu olhar mais para além dos sítios com o intuito de compreender as estratégias de captação de recursos, a cadeia operatória no processo de fabrico das ferramentas, a distribuição regional dos assentamentos, as relações entre eles, etc. O processualismo, por exemplo, deu grande relevo aos sistemas de assentamento regional, cuja informação era obtida através de sondagens sistemáticas que já não se limitavam aos sítios arqueológicos, mas sim ao conjunto de áreas controladas pelos grupos humanos que eram objeto de estudo (DAVID; THOMAS, 2008, p. 28-30).
Tornou-se necessário ampliar a escala de análise, não só espacialmente, mas também na profundidade temporal a fim de poder explicar processos sociais. Mas, no caso da profundidade temporal, tal só foi possível com o desenvolvimento da datação por radiocarbono que mostrou
7Também as discussões teóricas na Ecologia foram importantes para os fundamentos da arqueologia da paisagem,
que os períodos históricos eram mais antigos do que se julgava e obrigou a arqueologia a reinterpretar a cultura material (RENFREW, 1973). Novas metodologias foram introduzidas para obter dados em conformidade com as novas questões, tal como os modelos preditivos, a geo- arqueologia e a paleo-ecologia.
O processo acima descrito exemplifica como as discussões no âmbito da nascente arqueologia da paisagem não se deram de forma isolada, mas sim dentro de um processo geral da própria disciplina arqueológica. Temas que virão a ocupar um espaço importante na arqueologia da paisagem, vão começar a ser explorados também nos anos 70, como o estudo das identidades e do simbolismo (HODDER, 1978). Da mesma forma, a troca e o comércio de longa distância, que se tornaram importantes na explicação da mudança social (RENFREW, 1984; SHUTLER; MARCK, 1975) deram relevo ao estudo de amplas regiões, que ultrapassavam as fronteiras locais. Também as questões relativas à ecologia foram tomando um lugar importante nas discussões sobre a arqueologia da paisagem como é o caso dos trabalhos de Crumley (1994) Crumley et al. (2005), Balée (1998) e Erickson (BALÉE; ERICKSON, 2006) que serão abordados mais à frente.