OLUŞTURULMASI ve TÜRKİYE’DE EKONOMİK ÖZGÜRLÜKLER
3.2. TÜRKİYE’DE EKONOMİK ÖZGÜRLÜKLER
3.2.5. Türkiye’de Devletin Büyümesinin Sosyo-Ekonomik Sonuçları
Fig. 24. Análise de fotointerpretação Setor Norte
Em geral devemos dizer que a existência de um sistema de manejo da água como o sistema hidráulico tende a gerar uma imobilidade dos rios que fazem parte dele (ETAYO, 2002). Assim, um aspecto que à primeira vista parece produto das dinâmicas próprias do rio, não o é. Os canais artificiais que redistribuem o excesso de água nos períodos das cheias controlam a energia do rio minimizando as possibilidades de mudança em seu curso e em seus meandros (crescimento ou desativação). Portanto, avaliar o grau de diacronismo presente nas linhas de água é um primeiro passo para determinar a influência que teve o sistema hidráulico no percurso do rio.
O trecho do rio Bogotá localizado no setor norte caracteriza-se por apresentar poucos paleo-meandros, a maior parte deles ativos no final do Muisca Tardio. A relativa imobilidade do
rio nota-se na morfologia dos meandros truncados: só algumas vezes observamos o processo de crescimento do meandro e posterior truncamento, mas não de migração progressiva ou de evidentes mudanças no curso do rio. Como tínhamos salientado antes, sabemos que estes meandros estavam ativos na fase imediatamente anterior à Conquista já que apresentam camellones que se encontram em articulação com o resto do sistema hidráulico, ou seja, os camellones seguem a linha de água destes antigos meandros e continuam na linha do atual curso do rio sem quaisquer perturbações. Neste caso, trata-se de camellones em xadrez ou de camellones paralelos à linha da água, que em alguns casos aproveitam a sedimentação nas curvas de deposição.
Fig. 25 Suba: Fazendas e quintas 1777. Fonte: AGN
O mais relevante deste setor é a grande densidade de camellones em xadrez ao longo de toda a planície entre o rio Bogotá e o extremo norte da colina de Suba e entre La Balsa e o Humedal La Conejera, o que revela um forte dinamismo agrícola que condiz com o forte aumento de população que se dá do Herrera para o Muisca Temprano e deste para o Muisca Tardio (Boada, 2006). Esta área abrange aproximadamente 32 km² de camellones.
Entre La Conejera e o rio Juan Amarillo não há vestígios de camellones em xadrez. Mas tendo em conta a abundância deste tipo de cultivos ao norte, do outro lado do rio Juan Amarillo e por trás da colina de Suba, é provável que aqui também houvessem existido camellones, hoje em dia obliterados pela forte atividade agrícola posterior. O mapa das fazendas e quintas de Suba de
1777 mostra que de fato em frente da colina cada centímetro de terra estava sendo explorado (Vide fig. 25).
Porém, isto não quer dizer que fosse preciso uma superestrutura política, centralizada e forte, para a organização do trabalho que permitisse a construção do sistema hidráulico. Pelo contrário, como se tem demonstrado em pesquisas anteriores (BROADBENT, 1964, ERICKSON, 1988a, BOADA, 2006), o trabalho familiar e comunitário, próprio da organização social indígena, foi suficiente para organizar a construção e manutenção do sistema hidráulico. A Minga, ainda praticada nos Andes centrais e setentrionais, é uma forma de trabalho redistributivo pela qual a comunidade efetua algum tipo de serviço em beneficio dela própria ou de um indivíduo em particular, afiançando assim a coesão social (ERICKSON, 1993: 401). Acreditamos que tal organização do trabalho permitiu a construção do sistema hidráulico, assim como de outras infraestruturas. Como lembra Gnecco, quando estamos tratando de infraestruturas pré- hispânicas, estas
[…] pudieron realizarse a través de mecanismos de movilización colectiva en los que no estuvieron involucradas relaciones de poder; es más, algunas de esas obras están tan dispersas en el tiempo y en el espacio que es difícil suponer que su construcción requirió concentración de trabajo en gran escala. (GNECCO, 2005, p.13).
O predomínio desta tipologia (em xadrez) se explica porque esta zona se localiza em um terraço por cima do nível do rio, e, portanto, os alagamentos foram gerados pelo alto nível do lençol freático e não tanto por transbordamento. Também, esta zona devia contar com um espaço de mitigação quando o caudal do rio Bogotá aumentava demasiado, deixando transbordar a água em pequenos setores do outro lado de La Balsa, em Tibabuyes, à direita do rio Chicú, onde a várzea do rio se alarga (Vide fig. 24). Talvez seja este o motivo pelo qual no setor norte há uma reduzida presença de canais longos, tendo um comprimento máximo de 600 m por 6 -8 m de largura, aproximadamente, concentrados nos meandros de Tibabuyes-Chicú. Estes canais deviam direcionar parte da água para estas pequenas planícies, alagando-as de forma intencional, mas ao
mesmo tempo minimizando seu impacto44, evitando assim que os outros setores do sistema hidráulico ficassem afetados nos períodos de maior precipitação.
Na planície de Cota, do lado oeste do rio, não foi possível identificar evidências de cultivos, mas é bem provável que o sistema hidráulico se tivesse estendido para esta área já que foi encontrada uma pequena área de camellones em xadrez no paleo-rio Chicú, a 2,5 km do rio Bogotá, que originalmente não devia estar isolada. Também é uma zona de terraço com andisols, apropriados para a agricultura. De fato, as fotografias aéreas permitem estabelecer que toda esta área entre o rio Bogotá e a serra El Majuy estava completamente coberta de minifúndios no início do século XX, aproveitando a qualidade dos solos (Vide fig. 21). Portanto, é compreensível que qualquer tipo de vestígio arqueológico de agricultura pré-hispânica tivesse sido apagado pelos trabalhos de agricultura posteriores. Na verdade, a situação do setor de Suba, onde podemos observar uma grande extensão do sistema hidráulico intacto, é excepcional. Esta feliz situação aconteceu porque estes terrenos, pertencentes praticamente a uma única fazenda, se mantiveram incultos durante a maior parte destes cinco séculos, independentemente do proprietário (BROADBENT, 1968, p. 139), permitindo a fossilização da paisagem pré-hispânica.
Em relação aos afluentes do rio Bogotá neste setor, o primeiro que encontramos é o rio Frio, que nasce ao norte em Zipaquirá, passa por Chia e desemboca no rio Bogotá no setor de La Balsa. Ao longo de seu recorrido, entre Chia e Cajicá, foi identificada uma alta densidade de camellones em xadrez perto da linha da água (Fig. 26). Neste caso, tal com em Cota, a planície estava completamente coberta de minifúndios em ambos os lados do rio, pelo que é expetável que os traços dos camellones se tivessem obliterado com as atividades agrícolas modernas. São visíveis marcas de fluxos superficiais de água que deviam ser produto de córregos sazonais. No entanto, este fenômeno ocorreu posteriormente à colonização, já que muitos destes córregos passam pelo meio dos camellones em xadrez e, aliás, com o sistema hidráulico funcionando tal não devia acontecer. Foram identificados também paleo-meandros que deviam estar ativos no final do período pré-hispânico, já que os camellones seguem a linha da água do paleo-meandro em coerência com o atual curso do rio.
44Não se pode esquecer que mesmo nestas áreas de várzea alargada há camellones nos meandros e em alguns setores
Fig. 26. Camellones em xadrez assinalados dentro dos círculos. Rio Frio. Fotografia aérea C-619, 125 (IGAC, 1952, Escala 1: 18.000).
O Humedal La Conejera não devia existir durante o período pré-hispânico, já que nas fotografias aéreas são visíveis camellones em xadrez que se “internam” nas águas, mostrando que seu alagamento permanente é posterior ao sistema hidráulico. Em vez disso devia haver só um vale de drenagem cujo caudal raras vezes devia transbordar, e neste caso, o alagamento devia concentrar-se no setor de Tibabuyes, que é o ponto mais baixo. O mesmo acontece com o Humedal Juan Amarillo, que limita Tibabuyes pelo sul. Este também era um vale de drenagem no período pré-hispânico, já que ao longo da várzea ainda se identificam camellones em xadrez. Porém, na fase pós-Conquista, parte de seu curso foi obstruído tendo-se criado um lago (na área defronte à colina de Suba) e um humedal no setor médio do rio, ficando apenas um pequeno trecho do vale de drenagem original, no setor em que conflui com o rio Bogotá (Vide mapa 2)00.
Relativamente ao humedal do rio Chicú temos uma situação particular. Este rio nasce nas colinas de Subachoque e passa pelo extremo sul da serra El Majuy em direção ao rio Bogotá. No entanto, uma vez ultrapassado El Majuy seu vale de erosão se alarga significativamente, ficando exposto às inundações. De fato, como tínhamos dito, esta devia ser uma área de mitigação das
enchentes. Porém, quando olhamos para as fotografias aéreas, vemos que do lado esquerdo do atual leito há um paleo-rio, que acreditamos ser o leito original do rio, que depois de ultrapassar a serra El Majuy perde-se algures no humedal, para reaparecer desembocando em um paleo- meandro do rio Bogotá, perto da atual desembocadura (Vide figs. 21, 22).
Fig. 27. Setor La Conejera / Tibabuyes / Juan Amarillo / Chicú. Fotos C-619, 135, 137 (IGAC, 1952, Escala 1: 18.000). Detalhe de camellones em La Conejera e no paleorio Chicú
Não sabemos em que momento ocorreu esta drástica mudança no leito. Talvez os alagamentos posteriores à Conquista, de maiores dimensões que aqueles do período pré- hispânico, tenham gerado inundações permanentes, que levariam à criação do humedal, acabando por “extraviar” o vale de erosão. Depois, os próprios homens se encarregaram de delimitar o humedal através da construção de uma barreira de contenção das águas.
As razões que nos levam a declarar que este não é o curso original do rio são as seguintes: o vale de drenagem atual tem poucas ondulações, comportamento pouco comum em um rio de planície, e não tem nenhuma evidência de meandros truncados, características que confirmam sua juventude. Também não foram encontrados vestígios do sistema hidráulico, situação muito rara nos afluentes do rio Bogotá. Por outro lado, o paleo-curso apresenta todas as características de um rio na maturidade, ondulante e com presença de paleo-meandros, e foram identificados vestígios de camellones em xadrez que seguem a antiga linha de água.
Nas fotografias aéreas também se observa como o paleo-rio possui uma segunda confluência, formada por um córrego que deságua mais ao norte em um outro meandro do rio Bogotá: depois de passar pela ponta de Cota, seguindo o sentido oeste-leste, o paleo-rio Chicú se dividia em dois a uns 1.300 m do rio Bogotá. Esta segunda linha de água capturou um paleo- meandro como vale erosivo para desaguar no rio Bogotá (Vide fig. 27). Esta segunda confluência deve corresponder a um riacho que fazia parte do sistema hidráulico, já que em sua margem sul é possível ainda identificar um pequeno grupo de camellones em xadrez. Quando o meandro onde desaguava foi cortado, sua margem direita foi capturada pelo riacho para passar a ser parte de seu leito, desembocando no novo meandro que, entretanto, se formou.
Um último elemento a referir é a presença de camellones em fileira. São filas de pequenas plataformas para cultivo, dispostas umas ao lado das outras de forma paralela. Aparentemente, não há grandes canais para controlar a água, pelo que podemos afirmar que neste caso também se trataria de camellones para controlar os alagamentos do terreno por alto nível do lençol freático, característica presente nos solos desta região. Encontram-se em alguns setores do rio Frio, e em La Balsa.