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SURİYELİ YABANCILARIN ÇALIŞTIRILMASI 1. Yasal Mevzuat

ÇAĞRI ÜZERİNE ÇALIŞMA SÖZLEŞMESİ ÖRNEĞİ

GEÇİCİ KORUMA SAĞLANAN SURİYE’Lİ YABANCILARIN ÇALIŞMA ESASLARI

3. SURİYELİ YABANCILARIN ÇALIŞTIRILMASI 1. Yasal Mevzuat

Deixemos de lado, por alguns instantes, o monstro, para saber um pouco mais de seu criador. O que aconteceu com Frankenstein? Como ele ficou, depois que a criatura se foi?

No capítulo III, vimos como a experiência de ser visto pela criatura provocou uma série de sensações que Frankenstein não sentia há muito tempo. Dissemos que esse momento representou, para ele, uma retomada do senso estético, que estava perdido durante toda a execução de seu estranho projeto. Quando Victor foi visto pela criatura, uma enxurrada de sensações invadiu seu mundo racional, de um modo para o qual ele não estava preparado. Sua primeira reação foi fugir para outro cômodo da casa. Lá adormeceu e teve um pesadelo (do qual falaremos no capítulo VI) e acordou assustado, para em seguida ver o infeliz monstro que havia criado e fugir novamente, desta vez para longe do local onde realizou seus trabalhos secretos (Idem, p.62). Começou, então, a caminhar rapidamente pelas ruas, sem direção, temendo encontrar o ser monstruoso que criara a cada esquina. Buscava aliviar, com aquela atividade física, a carga que pesava em sua mente. Num dado momento ele para, sem saber

porque, e vê uma carruagem vindo em sua direção (Idem, p.63). Quando ela para, desce dela

o seu grande amigo Henri Clerval, que imediatamente o saúda.

Frankenstein fica feliz ao ver o amigo e esquece por um momento dos horrores pelos quais estava passando. Em seguida, começa a caminhar com ele em direção à sua casa, mas se lembra da criatura e é, imediatamente, dominado pelo pavor; Victor teme que a criatura ainda esteja lá e, mais ainda, que Clerval a veja. Ele pede, então, ao seu amigo que espere e vai ver se está tudo bem. Quando percebe que a casa está livre daquele hospede horrível, fica eufórico e pede que seu amigo entre:

palmas e ria alto. Primeiro, Clerval atribuiu aquela excepcional disposição à sua chegada, mas, quando me observou mais atentamente, notou um selvagem brilho no meu olhar que ele não podia explicar, ficando espantado com meu riso frouxo, alto e contínuo (Idem, p. 65). Esse foi o início de uma febre nervosa que durou muitos meses, durantes os quais Clerval foi seu enfermeiro. Neste instante, gostaria de refletir sobre as qualidades desse dedicado amigo de Frankenstein, que, por acaso, foi ao seu encontro num momento tão delicado de sua vida.

Henri Clerval tinha interesses bem diferentes de Frankenstein, gostava de poesia e literatura e se preocupava com as relações morais das coisas (Idem, pp. 39-40). Quando Frankenstein caiu doente, em sua febre nervosa, Clerval não hesitou em assumir a responsabilidades por seus cuidados, durante vários meses, desempenhado funções similares às de uma mãe. Nessa parte do romance, impressiona a sintonia entre os cuidados desempenhados por Henri e as funções do ambiente suficientemente bom, descritas por Winnicott. No entanto, não há nada de incomum nisso, visto que Winnicott apenas descreveu e sistematizou aquilo que as mães, e não apenas elas, há muito tempo faziam [pelo menos depois do que Giddens (1993) chamou de invenção da maternidade (p.110)].

Vejamos, então, quais foram esses cuidados e como eles aparecem na teoria psicanalítica de Winnicott. O primeiro, e mais óbvio deles, foi a sustentação da dependência de Frankenstein, visto que Henri assumiu sozinho toda a responsabilidade, nos meses em que Victor adoeceu. A dependência que se deu foi absoluta e Frankenstein perdeu a noção da diferença entre o mundo interno e externo. Segundo ele:

só os ilimitados e constantes cuidados de meu amigo foram capazes de me restituir a vida. A forma do monstro que eu havia dado vida estava sempre diante de meus olhos, e eu vociferava sem cessar contra ele (Shelley, 2009, p. 66).

Winnicott chamou de holding, tanto a sustentação que a mãe fornece ao bebê em momentos de não integração, quanto o papel desempenhado pelo analista em momentos onde o paciente regride à um estado de dependência. O holding favorece os processos de integração, seja no caso do bebê não integrado, seja no caso do paciente cindido e

desintegrado. Embora tenha sido fonte de muitas elaborações teóricas, a função do holding é

desempenhada naturalmente pela mãe identificada com seu bebê. Ela percebe o estado de desamparo e dependência no qual a criança se encontra e responde a ele fornecendo a sustentação que lhe falta. Através dos cuidados ilimitados e contínuos desempenhados por Clerval, Frankenstein, pouco a pouco e após varias recaídas, volta a alcançar um nível de

integração suficiente para saber a diferença entre o que é interno e o que é externo:

Recordo que a primeira vez que fui capaz de observar os objetos exteriores, com um certo prazer, percebi que as folhas do outono tinham desaparecido e dado lugar a jovens botões que brotavam das árvores que ensombreciam minha janela (Shelley, 2009, p.66-67).

Outro aspecto do cuidado de Clerval para com Frankenstein digno de nota, refere-se ao que Winnicott chamou de manejo. Quando Henri percebe que Victor está melhor e mais integrado, ele então lhe diz que precisa falar sobre um assunto. Imediatamente, Frankenstein estremece, temendo que seu amigo lhe obrigue a falar sobre a catástrofe que se passou na noite do término de seus trabalhos. Percebendo a ansiedade de Victor, Clerval diz: Acalme-se

(…) Eu não tocarei nele, se isso o faz ficar agitado (Idem, p. 67). Com essa resposta, Clerval

deixa claro para Frankenstein que percebe a fragilidade da sua condição e, ainda, que não o forçará a entrar em contato com aquilo que não está preparado; ele compreende que obrigar Frankenstein a falar sobre “o assunto” poderia levá-lo à uma nova desintegração, comprometendo sua recuperação. Essa é apenas uma das muitas vezes em que Clerval desempenha essa função, de modular a intensidade das experiências de Frankenstein, de acordo com sua capacidade de tolerá-las, administrando o mundo em doses que ele pudesse suportar.

Através das funções de holding e de manejo, Clerval favoreceu os processos de integração de Frankenstein, propiciando condições suficientemente boas para seu restabelecimento. Quando percebe que Frankenstein está preparado, ele lhe apresenta uma carta de sua família: Se é esta a sua disposição, meu amigo, talvez você gostasse de ver uma

carta para você e que está aqui há alguns dias; creio que é de sua prima (Idem, p.67). Vale a

pena notar, o aspecto temporal presente nas preocupações de Henri com Frankenstein. Se a carta havia chegado há alguns dias, porque não a entregou antes? Clerval percebeu o instante certo de entregá-la, apresentando-a apenas quando Victor estava preparado para criá-la. Essa é mais uma das funções de um ambiente suficientemente bom, descrita por Winnicott: a

apresentação de objetos. Clerval colocou a carta à disposição de Frankenstein, não apenas no

momento em que ele a toleraria, mas, principalmente, no momento em que ele necessitava dela, pois há muito tempo não tinha notícias de sua família: - Querida Elisabeth!- exclamei

quando acabei de ler a carta. - Vou escrever-lhe agora mesmo e livrá-la da ansiedade que a oprime (Idem, p.72).

E foi assim, sob os ilimitados e contínuos cuidados de seu devotado amigo Henri Clerval, que Victor Frankenstein se recuperou de sua febre nervosa, retomando seu

desenvolvimento rumo à uma situação de independência. Porém, essa foi apenas a primeira, de muitas recaídas de Victor. Veremos, no decorrer do romance, inúmeros momentos em que ele volta a precisar de cuidados ambientais, perdendo os sentidos e regredindo à uma situação de dependência absoluta. Esse processo que acabamos de descrever torna-se quase um padrão na vida de Victor, se é que se pode chamar de padrão tamanha instabilidade.

Pouco tempo depois, Frankenstein recebe outra carta, na qual é informado do assassinato de seu irmão, o pequeno Willian. Ao contrário de nós, ele ainda não sabe quem foi o autor do crime e desconhece sua responsabilidade no ocorrido. Imediatamente, ele se coloca a caminho de casa, para ficar ao lado de sua família em um momento tão doloroso. Mas esse já é um assunto para o próximo capítulo.

Benzer Belgeler