• Sonuç bulunamadı

Banka Teminat Mektubunu Paraya Çevirme Talebi a. Ödeme talebi

3.TEMİNAT MEKTUBUNUN PARAYA ÇEVRİLMESİ 3.1.Banka Teminat Mektuplarında Riskin Gerçekleşmesi

3.2. Banka Teminat Mektubunu Paraya Çevirme Talebi a. Ödeme talebi

Dentre os/as entrevistados/as, surgiram relatos sobre o uso da cadeirinha que oscilavam entre esta ser um actante que promove segurança (a cadeirinha-que-salva) e um item que deve ser utilizado para evitar a punição, mais especificamente, a multa (a ausência- da-cadeirinha-que-multa). Os pais Hélio e Quitéria, cuja filha tem cinco anos, afirmaram só

utilizar a cadeirinha nos primeiros anos, relaxando no uso do dispositivo após algum tempo. Relatam a experiências deles sobre as mudanças no transporte de sua filha desde o bebê- conforto até o assento de elevação, pontuando que atualmente não têm a mesma atenção que antes:

Hélio: [...] Só que a cadeira maior... quando ela ficou um pouquinho grande... que ela tava andando sozinha, maiorzinha... aí ela não anda muito não, né? A gente dá uns vacilos de vez em quando. De sair- de ter a cadeirinha- aí ela sentava na cadeirinha mas a gente não afivelava... entendeu? E nada- dá em nada, é a mesma coisa que nada. Aí depois a gente começou a ver os acidentes que aconteceu...

Quitéria: Aí a gente começou a ficar mais cauteloso. Apesar de a gente ter a cadeira, a gente utilizava a cadeira mesmo... por questão de multa. A gente tinha medo. Não era uma questão de conscientização do perigo, né? Depois, com o tempo que a gente tem na vida a gente tem mais do que consciência. Quando ela ficou maiorzinha, que ela começou a andar sozinha, a gente passou a usar mais por questão de multa. “Eita, ali tem uma blitz. Trava”. Pedro: Ah, então já foi nessa época que tava valendo a resolução

Quitéria: Ainda não estava, mas já esta[va-

Hélio: [A ideia circulan[do

Quitéria: [Circulando. Que

até o dia tal... 2012 né? Se não me engano- nem me lembro. Pedro: Foi em 2010 que começou.

Quitéria: Mas que ia começar... orientando, né? Mas a gente já tava preocupado, né? Com assim, a gente num sabia quando- que eu lembro assim na época que a gente não sabia o dia certo que ia começar realmente a ser punido... e a gente tava com essa preocupação. Depois com o tempo, foi que a gente começou por uma questão mais de conscientização. Aí agora assim, ela sai travada antes de sair de casa, eu analiso tudo. Eu vou- vejo se realmente tá travada, entendeu? Mas antes, teve assim uma época, mais por uma questão de...

Pedro: Usava a cadeirinha... mas só- [só a cadeira. Sem tá com o cinto nela. Quitéria: [Só a cadeira. Sem tá- sem tá com o cinto. Era uma questão mais de tá com medo de ser punido do que uma questão de conscientização.

Porém, para ambos, há uma mudança no que diz respeito ao uso da cadeirinha. Hélio se posiciona como alguém que fazia uma prática que não era efetiva em promover segurança, pois tinha a cadeirinha, mas não a afivelava: “é a mesma coisa que nada”. O casal afirma ter mudado esta prática após escutar relatos de acidentes que aconteceram com pessoas próximas. Quitéria diz que tinha o dispositivo para não levar multa, mencionando, inclusive, o que dizia para sua filha quando desconfiava que uma blitz estava logo à frente. Parece passar despercebida minha correção sobre a data em que a Lei da Cadeirinha entrou em vigor (dois anos antes do que ela pensava), no qual Quitéria continua seu relato e apenas fala que passou a se preocupar com o uso da cadeirinha para não ser punida, comportamento que fica explícito na última frase do trecho selecionado.

Já para Sandra, que tem um filho de um ano e afirma sempre utilizar a cadeirinha de forma adequada, diz que o medo da punição não se deu por falta de informação e orientação sobre os perigos do transporte fora do dispositivo, mas por conta de um cunhado que é da Polícia Rodoviária Federal e que não a deixa transportar o filho fora da cadeirinha mesmo quando se refere a uma situação em que a dificuldade de utilizá-la justificaria levá-lo no colo:

Sandra: [...] nós- nós estamos sempre muito ligados em jornais... nós assinamos jornal, tem assinatura, tem a cabo, então nós estamos sempre ligados no que tá acontecendo. E também tem um marido de uma das minhas irmãs que ele é da pol- ele é da polícia rodoviária federal. Então Nilton tá sempre muito ligado nisso. Às vezes eu até digo, eu digo assim “Nilton, vamos viajar num carro só” aí ele “Não dá, são duas cadeirinhas, a de Otávio e de Diana, então fica muito apertado” “Não, mas Otávio vai no meu colo” aí ele “Se você chegar na minha casa com Otávio no seu colo eu vou multar ele- eu vou multar você na minha garagem. Que eu multo você na frente da minha casa” ele sempre diz “Se você tentar chegar com Otávio no colo, sem ser na cadeirinha, saiba que eu vou multar você, eu ligo e mando multar- eu dou a placa do seu carro”.

Pedro: Nossa ((risos)) Sandra: Ele é bem rígido.

No relato dos/as participantes parece ser comum a sensação de que há casos nos quais não usar a cadeirinha é justificável – ou não é percebido como inseguro. De acordo com pesquisa realizada pela ONG Criança Segura sobre o hábito de adultos que transportavam crianças de até 10 anos em automóveis de passeio, apenas uma pequena parte dos entrevistados conduziam seus filhos fora da cadeirinha em trajetos curtos – geralmente em deslocamentos para localidades próximas da residência ou em situações percebidas como controladas e menos arriscadas (CRIANÇA SEGURA BRASIL; DATAFOLHA INSTITUTO DE PESQUISAS, 2012).

Os/as participantes transportam ocasionalmente as crianças fora da cadeirinha em trajetos curtos, mesmo entre aqueles/as que afirmaram não abrir mão de levar o/a filho/a no dispositivo. Nesse sentido, Olga fala que foi através do discurso da punição que orientou sua filha mais velha, de quatro anos, a sempre andar na cadeirinha mesmo quando seu marido tenta levá-la em desacordo com a lei:

Olga: [...] lá em casa, a minha sogra mora praticamente na mesma rua. Aí tem dia que meu marido faz "Ó, vamo ali na casa de vovó" aí ela entra na cad- na cadeirinha, aí ele faz "Não, Fabi, senta aqui no banco da frente" ela faz "Não, papai. É errado"... ela já sabe. Mas se deixar ela sem o cinto ela fica.

Pedro: Ah, ela sabe que- que tem que [tá na cadeirinha

Olga: [Ela não tem- eu acho que ela não tem essa noção de- de- de perigo, mas ela sabe que tá errado. E "Por que tá errado?". Inicialmente a gente falava que tinha uma guarda de trânsito que ia brigar com a gente porque o certo é isso aí. Ia ter uma multa a gente ia gastar

dinheiro e tal. Aí depois com o tempo é que você vai falando essa questão da batida do carro, num sei, porque eu achei muito forte dizer "Ó, se bater você vai morrer".Ó- vê?

Pedro: Com certeza.

Olga: Então eu achei melhor falar da- da- do guarda de trânsito do que dos danos físicos propriamente. Aí hoje em dia ela já sabe.

Pedro: Então às vezes trajeto curto... Olga: Ele- ele faz. Meu marido faz. Pedro: E agora ela quem regula. Olga: Ela regula ele, é.

Pedro: Ó que interessante!

Olga: Dizendo que não pode, que tá errado. Pedro: E ela vai amarradinha, [tudo certinho

Olga: [Ela vai amarrada

Uma das entrevistadas, Janaína56, acredita que não há situação em que não leve seus

filhos fora da cadeirinha, principalmente após um incidente em que um de seus filhos conseguiu destravar a porta traseira e foi jogado para fora do carro após uma curva:

Janaína: Não, se eu tivesse de carro hoje, é só cadeirinha. Só cadeirinha porque ela realmente protege. Ela é segura e eu senti isso depois que Gustavo caiu do- do- ele abriu a porta na curva que eu dei- foi até lá em Tejipió57. Eu dei uma curva e ele caiu. E a minha sorte foi que não vinha

carro atrás... e ele ficou lá todo arranhadinho, tive que pegar, socorri, enfim. Depois que eu passei por esse episódio, botei na cabeça “Só de cadeirinha”. Pra- se for pra esquina, é de cadeirinha. É o meu desejo.

Porém, a percepção de segurança pode não estar necessariamente atrelada à Resolução 277/08. Há participantes que percebiam a cadeirinha como um item de segurança antes mesmo dela entrar em vigência. Daniela compartilha dessa ideia. Seu filho nasceu em 2009 e tinha um ano e oito meses à época da entrevista e afirmou utilizar a cadeirinha desde que saiu da maternidade.

Daniela: Foi assim, tinha a- a... tinha a lei, mas eu não sei se assim, né? Se chegava a ser regulamentado, enfim. Mas até pra... é impossível você sair sem a-... com a criança e sozinha, se não tiver uma cadeirinha, né? Principalmente quando é recém-nascido, assim. Senão ele ia ter que ficar sempre com outra pessoa. Então isso... eu acho até bom por isso. Principalmente pela segurança, então a gente sempre usou. Usou tanto que ele já tá acostumado, assim. Já sabe, né? Que a cadeirinha ele entra no carro e já vai sentando. Aí num tem nem problema.

Pedro: Aí desde a maternidade pra vocês trazerem ele, já foi com-... Daniela: Foi. Com o bebê conforto e depois na cadeirinha.

Para Daniela, o que pesa mais no uso da cadeirinha é a questão da segurança, seguida da questão da independência em poder transportar a criança sozinha de carro, não

56Para recordar o/a leitor/a, esta participante também leva os filhos em ônibus, conforme relatado no

interlúdio.

conseguindo imaginar como poderia transportá-la sem o item. Porém, como outras entrevistadas, afirma que há situações pontuais – como a amamentação – que acabam por fazer fugir à regra:

Daniela:[...] Quando era pequenininho eu só tirava quando, por exemplo, Sérgio ia- a gente ia buscar ele na casa de mainha, aí ele queria mamar, alguma coisa assim, aí eu tirava. Mas muito raro, porque aí eu tinha medo de acontecer algum acidente, né? E ele ia tá no braço, né? Aí eu evitava o máximo. Mas só se ele tivesse chorando muito, quando era bebezinho. Hoje em dia...

Pedro: Hoje em dia ele não-

Daniela: Hoje em dia ele- a gente botou DVD no carro, aí ele fica quietinho ((risos))

Quando coloco o exemplo de pessoas que fogem à regra em transportes curtos, ou que obedecem à regra mesmo em transportes curtos não por questão de segurança, mas por medo de ser multado, Daniela responde que independentemente do trajeto, sempre anda com o filho no dispositivo. Menciona que a única vez que tentou levá-lo na cadeirinha para um lugar próximo, mas sem atar o cinto, o próprio filho ficou choramingando e pedindo para colocar o cinto.

Para Daniela, mesmo havendo situações em que fugiu à regra – ou pretendia fugir dela – a sensação de que podia acontecer um acidente e o bebê estaria inseguro estava presente. Ou seja, ela percebe a cadeirinha como um actante capaz de promover segurança de maneira mais eficiente que seus braços, diferente de outras entrevistadas que tinham a crença que poderia ser resumida na frase “não há nada mais seguro que colo de mãe”. Vale ressaltar que a participante já havia vivenciado um acidente no qual uma moto bateu em seu carro, porém, seu filho estava na cadeirinha e sofreu apenas um choque leve da orelha no encosto da cadeirinha.

Uma das participantes que compartilha da crença de que o colo é seguro é Neuza, como podemos observar em seu relato das dificuldades em levar o filho no bebê-conforto:

Neuza: E eu pensava assim que ele vindo pro meu colo, a gente tende a achar que tá protegendo. Tô acalentando, né? Tô fazendo ele parar de chorar. Mas por outro lado tem o risco, né? Mas... entre o choro e pensar num possível risco de alguma coisa acontecer, eu colocava. Eu achava que tava mais seguro. E dava de mamar. Então, hoje quando eu tô dirigindo, né? E quando ele começa a- no começo ele começava a gritar e espernear, então eu realmente parava, porque não tinha jeito, né? Eu parava o carro, tirava ele um pouquinho, depois botava de novo. Mas ele tá com um ano agora, aí a cadeirinha que é o bebê conforto tá bem desconfortável, porque já é pra mudar pra o outro. E aí eu tiro sempre. Aí agora ele tá vindo no meu colo. Direto.

Ela consegue avaliar os riscos de levar a criança fora da cadeirinha, como é claro no momento em que argumenta que colocava seu filho no colo mesmo sabendo do “possível risco de alguma coisa acontecer”. Mas, justifica levá-lo nos braços afirmando que o bebê- conforto está desconfortável, acreditando que a criança está protegida dessa maneira. Há ainda participantes que levaram seu/sua filho/a no colo em algum momento, mesmo percebendo este comportamento como inseguro:

Olga: Todo mundo faz, não tem como. Não tem. Você vê que seu filho tá morrendo de fome, que o alimento é você, ou está em você- não tem como. É instinto. E isso agora que você falou da colisão, eu acho que depois que você é mãe... é... quando você tá sozinha não, mas quando você tá com seus filhos no carro ou então em qualquer outra situação... você fica mais cautelosa. Eu acho. Porque aí o que tá em jogo num é nem mais você... que deveria ser, porque eles precisam de você, tá? Num é nem mais você, é eles. Eles, eles e eles. O que é que é melhor pra eles, o que é que vai ser mais seguro pra eles. “É isso? Então pronto. É isso o que eu vou fazer, quero nem saber de mim”.

Apesar de começar a entrevista dizendo que nunca transportava seus filhos fora da cadeirinha, Olga relatou que a amamentação era a única situação em que não o fazia. Combate a possível leitura de que fazia algo inadequado deliberadamente afirmando que “Todo mundo faz isso, digo logo!”. No trecho acima, posiciona a si mesma como agindo de acordo com um instinto e utiliza este argumento para amenizar o fato de levar seu filho de uma maneira que acredita ser insegura.

No fechamento da entrevista com Antônio, após conversarmos sobre como éramos transportados enquanto criança em nossa época de infância, coloco que o que eu queria compreender nas entrevistas era, entre outras coisas, como passamos a ter o sentimento de insegurança por conta da visibilidade do fenômeno das crianças que morrem no trânsito após a Resolução 277/08:

Pedro: Então é isso. O que eu queria mais entender era isso, era como é que... hoje... cria essa sensação de insegurança, quando na nossa época, por exemplo, todo mundo andava, sabia de acidente, sabia de num sei o quê e todo mundo andava tranquilo

Antônio: Pois é. Eu tento ficar tranquilo, aí às vezes é que dá uma dor no coração quando eu vejo uma reportagem. Mas, aí passa logo a dor do coração, a verdade é essa

Pedro: O impacto não é- ((risos))

Antônio: Apesar de que eu sinto que... é... eu tento ser mais prudente, quando eu tô com eles no carro... automaticamente

Pedro: Anda mais devagar...

Antônio: Anda mais devagar, mantenho distância do carro da frente, né? é... claro que pode acontecer, porque os acidentes não dependem só do motorista, mas eu sei que 90% depende do motorista. 90% você cria o acidente de alguma forma, então... andar devagar, isso já reduz metade de porcentagem de você... cometer um acidente, é... não tentar fazer

ultrapassagens malucas. Então eu tento ser um pouco mais prudente quando eu tô com eles no carro. Acho que isso também traz um certo alívio psicológico, digamos assim, por achar que não vai acontecer nada porque eu tô sendo mais comportado no trânsito, tás ligado?

Antônio afirma adotar outras medidas de segurança quando a cadeirinha-que-salva não é utilizada, como reduzir a velocidade e “ser um pouco mais prudente” quando transporta os filhos no carro. Reconhece a dissonância que este comportamento desperta nele, pois sabe que, mesmo adotando cautela, está sujeito a acidentes por causa dos outros condutores. Karen, porém, acredita que apenas a cautela é suficiente para um transporte seguro:

Pedro: Você sempre andava com ele no colo.

Karen: Sempre andava com ele no colo, no banco de trás. Nunca teve problema. O pai tinha responsabilidade, né? De... é... da... assim, de não correr muito.

Alguns autores, como Sarah Conly no livro Against Autonomy: justifying coercive paternalism (2013), advogam a favor da obrigatoriedade de leis que coíbam o comportamento de pessoas como Antônio e Karen. A autora afirma que o paternalismo coercitivo58 favorece

legislações que protegem os cidadãos de si mesmos e de seus comportamentos inseguros, da mesma forma que os protegem do comportamento inseguro de outros cidadãos. Ela traz o cinto de segurança como sendo um caso padrão:

[...] nós vemos a aceitação muito difundida das leis sobre o cinto de segurança, mesmo para adultos que são sóbrios, racionais, competentes e assim por diante, porque elas claramente previnem grandes danos em circunstâncias onde não há outra maneira para protelar o dano que caso contrário irá acontecer (p. 5, tradução minha).

Porém, vale mencionar que há autores como Gerald Wilde (2005) e John Adams (2013; 2002) que não compartilham desse raciocínio. Wilde, demonstrando pesquisas diversas conduzidas por ele com base na Teoria Homeostática de Risco59 e por outros estudiosos do

trânsito, argumenta que quanto maior é a segurança do condutor na via e quanto mais seguro e veloz é o carro, mais as pessoas se expõem a atitudes de risco justo por acreditarem estar seguros: o freio vai funcionar bem, a via não vai comprometer o desempenho do carro, o cinto vai conter de forma adequada etc.

Portanto, se o nível do risco subjetivamente experimentado é mais baixo do que o aceitável, as pessoas tendem a se engajar em ações que aumentam sua exposição ao risco. Se, no entanto, o nível do risco subjetivamente

58 Conceito que atribui aos governos que promovem leis que forçam as pessoas a fazer coisas que são boas

para elas.

59 De maneira geral, é uma teoria elaborada por Wilde que fala sobre como as pessoas respondem aos riscos

experimentado é maior do que o aceitável, eles tentam ter maior cuidado (WILDE, 2005, p. 22-3).

O autor conduziu um experimento com pessoas dirigindo com cinto de segurança e outras dirigindo sem o cinto. Aquelas que dirigiam sem o cinto tinham atitudes mais prudentes e andavam mais lentamente justamente por se sentirem inseguras (WILDE, 2005). Já Adams (2002), faz uma análise extensa sobre o efeito das leis sobre uso de cinto de segurança nas fatalidades de trânsito, e afirma que o número de acidentes cresceu em algumas localidades após a sua obrigatoriedade, tendo por motivo principal o aumento da percepção de segurança com o uso deste dispositivo. Algo semelhante aconteceu no que diz respeito à morte de crianças no trânsito:

O fato de que o número de crianças mortas e feridas no banco traseiro dos carros aumentou após ter se tornado obrigatório afivelá-las na Grã-Bretanha passou completamente despercebido na literatura de segurança rodoviária. A campanha que culminou na lei do cinto de segurança para crianças no banco traseiro foi considerado um sucesso por ativistas; eles conseguiram sua lei; e os índices de uso de cinto por crianças aumentou. O “fato” do sucesso do cinto de segurança foi tão firmemente estabelecido que o resultado acidental foi de pouca importância (ADAMS, 2002, p. 144-5, tradução minha, grifos no original).

Em texto mais recente, o autor (ADAMS, 2013) comenta novamente que, apesar das leis que obrigam o uso de cintos de segurança diminuírem a gravidade dos acidentes de carro, o número de pessoas mortas pode se manter constante ou até mesmo aumentar.

Em termos de compensação de risco, isso pode ser explicado porque a obrigação negligencia as mudanças no comportamento de condução engendrada pela sensação de segurança de que usar um cinto de segurança pode produzir (ADAMS, 2013, p. 28, tradução minha).

No que diz respeito aos argumentos de Wilde e Adams, sobre uma lei não necessariamente implicar em diminuição de acidentes, faço uma extensão para o uso da cadeirinha. A única pesquisa conduzida até agora que tenta relacionar a diminuição de mortes de crianças desde o lançamento da Resolução 277/08 (GARCIA, FREITAS e DUARTE, 2012) não é conclusiva por conta da possível influência da Lei Seca nos dados, conforme já discutido anteriormente. Não temos como saber (até agora) o número de acidentes em que pais que transportavam crianças nas cadeirinhas se envolveram por acreditarem que estavam seguros e adotaram mais comportamentos considerados imprudentes/de risco.

Mas todos nós nos submetemos a comportamentos considerados de risco mesmo

Benzer Belgeler