4. BULGULAR VE YORUM
4.4. ESNAFIN GÖZÜNDEN ESNAFLIĞA VE PERTEK’E FENOMENOLOJİK BİR BAKIŞ
4.4.6. ESNAFIN GÖZÜNDEN ESNAFLIK VE PERTEK ADINA BEKLENTİ VE İSTEKLER
4.4.6.3. Sosyal Manadaki Beklenti ve İstekler
A Sicilia registra a primeira manifestação literária italiana leiga paralelamente à literatura produzida na Umbria, religiosa. Conquistada pelos gregos formou, junto com o Sul da Itália, a Magna Grecia. Possui uma relevante importância e herança cultural, pois na Antiguidade Agrigento era, inclusive, sede da escola filosófica de Empédocles. Naturalmente, por seu rico passado cultural, o siciliano é orgulhoso de sua identidade, considerando-se, inclusive, mais grego que italiano, devido ao período em que a região esteve sob domínio da Grécia, fato que, naturalmente, acabou deixando para os sículos uma grande herança cultural, material e imaterial. Destaca-se, além da citada tradição literária, a importância das artes dramáticas, por exemplo. A Sicília, como domínio grego, absorveu e incorporou o teatro à própria cultura.
Na Grécia antiga, o teatro consolidou-se em função das homenagens ao deus do vinho, Dionísio. Nas procissões realizadas em sua homenagem, nas quais eram utilizadas máscaras e fantasias, se entoavam cantos líricos, os ditirambos, ou seja, cantos corais de aspecto alegre e sombrio. O ditirambo constituía parte de uma narrativa, recitada pelo cantor principal, o corifeu, e o coral. O rapsodo (ραψῳδός / rhapsôidós), figura surgida no século VII, ia de cidade em cidade recitando poemas. Atenas foi o principal palco onde o teatro grego se desenvolveu, porém este também se espalhou por toda a área influenciada pela Grécia, como a Ásia Menor, o Norte da África e a Magna Grecia, da qual fazia parte a Sicilia.
A tradição literária siciliana, iniciada com Federico II, na “Scuola Siciliana”, nestes últimos dois séculos revelou talentos literários como os de Giovanni Verga, Luigi Capuana, Luigi Pirandello, Giuseppe Tomaso di Lampedusa, Elio Vittorini, Salvatore Quasimodo, Natalia Ginzburg e Leonardo Sciascia, para citar alguns, além do nosso autor, Andrea Camilleri. Dos autores citados, daremos um breve destaque a três: Verga, Pirandello e Sciascia.
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Giovanni Verga (Catania, 1840 – 1922), um dos grandes nomes da literatura italiana de todos os tempos, escritor e dramaturgo, filho de pequenos proprietários, é o maior representante do Verismo.
Entre suas obras destacam-se os romances, Amore e Patria, de 1856- 1857, I carbonari della montagna, de 1861-1862, Mastro Don Gesualdo, de 1889, e, provavelmente seu mais famoso romance, I malavoglia, publicado em 1881.
I malavoglia é centrado na vida de uma família de pescadores que vive em Aci Trezza, um lugarejo próximo à Catânia. A história da família é marcada por sucessivas tragédias. A ausência do filho mais velho, ‘Ntonio, que vai servir no exército do Reino d’Italia leva o filho mais novo, Bastianazzo, a transportar um carregamento de tremoceiro para ser vendido em Risposto. Porém, Bastianazzo morre num naufrágio, durante a viagem, e a família perde o provedor de seu sustento e, ainda, contrai uma alta dívida por causa da perda do pescado. Após o ocorrido, ‘Ntonio retorna à força para sua antiga vida de pescador, mas sem condições de resolver os problemas de sua família. Acaba sendo preso. Uma sequência de tragédias e infelicidades continua a assolar a família até o final da narrativa, quando, finalmente, conseguem recuperar a casa que fora perdida por conta das dívidas acumuladas e tentam, ao menos, realizar o desejo de Padron ‘Ntoni, o patriarca da família, de retornar à sua antiga casa. No entanto, este morre antes, encerrando assim o ciclo das sucessivas derrotas que marcaram a trajetória da famíla. A obra integra o ciclo dos vencidos (Ciclo dei vinti), um projeto literário de Verga que, contudo, não se concretizou, uma vez que ele não chegou a escrever os cinco romances propostos.
Além de romances, Verga também escreveu novelas, como Nedda (1874) e Novelle Rusticane (1883). Entre as peças teatrais, citamos I nuovi tartuffi (1865- 1866), La Lupa (1886) e Mastro Don Gesualdo (1889).
O segundo autor a ser destacado é Luigi Pirandello (Agrigento, 1867 - Roma, 1936). Assim como Verga, foi escritor e dramaturgo, igualmente reconhecido como um dos maiores nomes do cenário literário italiano. Recebeu, em 1934, o Prêmio Nobel de Literatura. Seu primeiro sucesso, Il fu Mattia Pascal, foi publicado em 1904. O romance trata da história de Mattia Pascal, funcionário de uma biblioteca, que mora com a mulher na casa de sua sogra, com quem vive em constante conflito. Os poblemas com a sogra e com a mulher, bem como a
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doença e morte das filhas, o levam a desaparecer de casa, fato que transforma definitivamente sua vida: durante sua ausência, em que ele ganha muito dinheiro em um cassino, um cadáver é encontrado em sua cidade, levando todos a crerem se tratar do próprio Mattia Pascal. Ao ler a notícia de sua própria morte, Mattia decide então partir e iniciar uma nova vida. Adotando um novo nome, Adriano Meis, se fixa em Roma, onde se apaixona por uma jovem, Adriana, com quem pensa em reconstruir sua vida. Porém, se dá conta de que com seu falso nome não poderá jamais casar-se com ela, nem denunciar o roubo que vem a sofrer, no qual perde o dinheiro que ganhara no jogo. Decide, então, retornar à sua antiga vida. Entretanto, ao voltar à cidade natal, encontra sua mulher casada com outro homem, com quem tem uma filha. O passado de Mattia fora apagado, uma vez que todos o supunham morto. No final do romance, Pascal consegue voltar a ser funcionário da biblioteca e ganha uma nova ocupação, zelar pelo próprio túmulo.
Os romances de Pirandello tiveram e têm grande sucesso. No entanto, seu reconhecimento maior se deu através do teatro. Sua produção é dividida em quatro fases: Teatro siciliano, Teatro umoristico/grottesco, Il teatro nel teatro, Il teatro dei miti.
Também é mundialmente reconhecido por seu ensaio Umorismo, no qual se encontram os pressupostos teóricos que norteiam sua obra.
Dentre sua vasta produção teatral – Questa sera si recita a soggetto, Enrico IV, Così è se vi pare, dentre outras –, Sei personaggi in cerca d’autore é certamente a sua mais famosa peça.
Pirandello é um dos autores italianos mais estudados de todos os tempos. No ano de 2011, somente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foram defendidas uma tese e uma dissertação sobre o autor. A tese – Humor, horror e cidade: comédia pirandelliana e contemporaneidade –, de autoria de Pedro Carvalho Murad, foi defendida em julho; a dissertação, intitulada O rosto e as máscaras: a (des)construção da personagem Vitangelo Moscarda no romance Uno nessuno centomila de Luigi Pirandello, de autoria de Daniele Soares da Silva, em agosto. Ambos os trabalhos foram orientados pela professora Maria Lizete dos Santos.
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Quanto ao terceiro autor destacado, Leonardo Sciascia (Racalmuto, 1921 – Palermo, 1989), como já mencionamos anteriormente, figura, ao lado de Carlo Emilio Gadda, como um dos responsáveis pela renovação do romance policial na Itália, graças ao seu Il giorno della civetta.
Autor de extensa produção literária, artística e jornalística, entre romances, contos, ensaios, poesias, textos teatrais e artigos jornalísticos, seu nome consta na lista dos grandes escritores da literatura italiana do século XX. Seus romances frequentemente criticam a corrupção política italiana, o poder autoritário, a máfia. Sua primeira obra, Le favole della dittatura, foi publicada em 1950.
A sicília e as questões sicilianas estão frequentemente presentes em sua produção. La Sicilia, il suo cuore, uma coletânea de poesias publicada em 1952, o ensaio Pirandello e il pirandellismo, de 1953, que foi contemplado com o Prêmio Pirandello, Gli zii di Sicilia, Salvatore Sciascia, 1958, Feste religiose in Sicilia, 1965, Narratori in Sicilia, 1967, Candido, ovvero un sogno fatto in Sicilia, Einaudi, 1977 e Alfabeto pirandelliano, 1989 são obras que demonstram o envolvimento do autor com questões, tradições e a cultura de sua terra natal.
A partir deste pequeno vislumbre do percurso literário desses três autores e da própria história siciliana, observamos que o teatro está intimamente ligado à cultura da ilha, integranteantiga Magna Grecia. A herança grega permaneceu impressa na trajetória dos sicilianos Verga, Pirandello, Sciascia e Camilleri, o foco desta tese, ao qual dedicaremos o próximo subcapítulo.