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Esnaflığın Toplumsal Kültür ve İnanç Üzerindeki Etkisi

4. BULGULAR VE YORUM

4.4. ESNAFIN GÖZÜNDEN ESNAFLIĞA VE PERTEK’E FENOMENOLOJİK BİR BAKIŞ

4.4.4. KÜLTÜREL PRATİKLER AÇISINDAN PERTEK’TEKİ ESNAFLIK VE ESNAF TİPLERİNE

4.4.4.2. SOSYO-KÜLTÜREL ROLLERİ AÇISINDAN ESNAFLIĞIN TOPLUM ÜZERİNDEKİ

4.4.4.2.1. Esnaflığın Toplumsal Kültür ve İnanç Üzerindeki Etkisi

Inicia-se esta seção com a exposição da tabela indicadora dos temas mais recorrentes nas atas da APEERJ no que diz respeito a sua atuação política nas duas fases analisadas. CAMPO POLÍTICO EDUCACIONAL 1981- 1983 1983- 1985 1985- 1987 1987- 1989 Tota l 2006- 20 08 2008- 2010 Tota l TEMAS

Implantação do ensino de espanhol no ensino regular

14 28 36 40 11 8

3 10 18

Implantação do ensino de espanhol no ensino não regular

2 2 2 3 9 0 0 0

Articulação com associações 4 15 16 7 40 4 4 8

Interação com representação diplomática

6 7 18 16 47 6 2 8

Interação com esfera governamental 5 9 12 27 53 2 11 13 Articulação com instituições de ensino

nacionais e internacionais

2 1 2 3 8 0 1 1

espanhol

Criação de entidade nacional de representação dos professores de espanhol

0 0 3 0 3 2 1 3

Organização de documentação sobre a expansão do ensino de espanhol no RJ para apresentação em evento acadêmico

0 0 2 0 2 0 0 0

Manifestação dos alunos universitários em prol da implantação do espanhol

0 0 0 1 1 0 0 0

Elaboração de documento sobre plurilinguismo

0 0 1 0 0 0 0 0

Confecção de documento de protesto 0 0 0 0 0 1 1 2 Questões sobre o Exame Nacional do

Ensino Médio (ENEM)

0 0 0 0 0 0 1 1

Reconhecimento da atuação política da APEERJ

0 0 0 0 0 1 4 5

Reconhecimento da atuação da APEERJ 0 0 1 1 2 1 0 1 Divulgação midiática sobre o ensino de

espanhol

0 0 0 1 0 0 2 2

Tabela no 7: Temas do campo político educacional

Na ata de fundação da APEERJ, de 15 de outubro de 1981, registra-se o seguinte pronunciamento:

Figura no 32: Ata de 15 de outubro de 1981 (ata fundacional da APEERJ)

O interesse pela implantação do ensino de espanhol é manifestado ao longo de toda a história da APEERJ. Trata-se de uma das suas principais finalidades materializada desde os seus textos fundacionais. Embora essa entidade tenha historicamente se apresentado como uma associação exclusivamente cultural69, na conjuntura atual, é inconcebível negar a atuação política da APEERJ no que tange à implantação do ensino de espanhol neste estado. Os registros dessa entidade mostram que a política de difusão do ensino de espanhol no sistema escolar faz parte das principais ações dessa associação.

A análise das atas possibilita uma subclassificação dos enunciados que vertem sobre a implantação do espanhol no sistema escolar em diferentes subcategorias: (a) a atuação da APEERJ frente ao poder público; (b) a atuação da APEERJ em relação às direções escolares; (c) o acompanhamento da APEERJ acerca da expansão do ensino de espanhol no Rio de Janeiro e em outros Estados.

Dentre as três subcategorias apontadas, predomina a primeira delas ao longo da história da APEERJ. As interações com as esferas municipais, estaduais e federais são relatadas nas atas da entidade ora como planos de ação ora como fatos concretizados pelos seus integrantes. Pese a dificuldade de averiguar o efetivo cumprimento das ações planejadas pelos membros da APEERJ, entende-se que o estabelecimento de ditas ações no plano discursivo como metas prioritárias a serem cumpridas, independentemente da sua real efetivação, contribui na construção de um projeto político e, portanto, um projeto identitário dessa entidade.

Ainda que a menção às iniciativas da APEERJ frente ao poder público seja uma constante nos seus diversos mandatos, apenas as particularidades dos dois períodos analisados serão contempladas nos parágrafos seguintes.

69 Como antecipado no primeiro capítulo inscreve-se nos registros da APEERJ a denominação associação cultural. Em ata referente à reunião realizada em 14 de março de 1998, institui-se o seguinte enunciado: “A Diretora-Presidente agradece em público aos diretores da atual gestão, ressaltando a função da Associação

De antemão, deve-se levar em conta que a primeira fase da APEERJ é marcada por ações em prol da inserção do espanhol que tiveram um resultado positivo. A primeira delas diz respeito à aprovação, em 1983, do Conselho Estadual de Educação de proposta enviada pela APEERJ de inclusão do ensino da língua espanhola no 2o grau (ANEXO 19). O segundo acontecimento trata-se da inclusão do espanhol, em 1985, no vestibular mediante a solicitação da APEERJ à Fundação Cesgranrio (ANEXO 29). O terceiro, por sua vez, refere-se à inclusão da proposta popular de emenda ao Projeto de Constituição enviada pela APEERJ, juntamente como o Sindicato dos Jornalistas e o Instituto Latino- Americano de Cultura, que estabeleceu a obrigatoriedade da oferta do ensino de espanhol no 2o grau no Estado do Rio de Janeiro em 1989 (ANEXO 22). Seguem fragmentos das atas concernentes a esses três acontecimentos em ordem cronológica:

Figura no 33: Ata XV, do dia 26 de maio de 1984 (assembleia geral)

Figura no 35: Ata do dia 10 de dezembro 1988

No encaminhamento dos principais acontecimentos da fase fundacional da APEERJ, a entidade desempenhou papel ativo, instituindo-se como agente efetivo no âmbito da política de implantação do espanhol. Os três acontecimentos emblemáticos na fase inaugural da associação, dentre outros, são apresentados nas atas, no decorrer dos anos, como conquistas da APEERJ atribuindo-lhe autoridade.

Conforme explicitado na tabela anterior, a implantação do espanhol no ensino regular destaca-se quantitativamente dentre os demais, sinalizando a importância dessa ação para a associação. Em geral, esse tema aparece vinculado a tentativas de interação da APEERJ com representantes das esferas governamentais. Na fase fundacional da APEERJ, contudo, além da articulação com o poder público, o tema da implantação do espanhol na escola aparece nas atas atrelado à solicitação de apoio a órgãos diplomáticos, em especial, à Embaixada da Espanha. A título de exemplo, segue, à continuação, fragmento de ata no qual é registrada a necessidade de pedir apoio ao Cônsul da Espanha para reforçar o movimento de oferta de vagas para professores de espanhol na rede pública de ensino.

Figura no 36: Ata XXXVII, do dia 16 de dezembro de 1987 (reunião específica da diretoria)

Nesse aspecto, existe uma ruptura importante na fase contemporânea da APEERJ. Os movimentos reivindicativos dessa associação frente às esferas governamentais se instituem de forma desvinculada à representação diplomática espanhola. Não se configura nenhum tipo de aliança ou solicitação de apoio desses órgãos. Ao contrario do que acontecia no passado, uma parte das demandas dessa associação dirigidas a instâncias públicas inclusive se opõe veementemente à atuação do Instituto Cervantes, principal agência do governo da Espanha de promoção do ensino de espanhol no Brasil.70

Sublinha-se mais de uma vez nesta tese que a ação política é uma característica que atravessa toda história da APEERJ. Especialmente durante os seus primeiros mandatos, como já mencionado anteriormente, são expressivas as iniciativas dessa associação em prol da expansão do ensino de espanhol. Diversas práticas protagonizadas por essa entidade contribuíram direta ou indiretamente no processo de inclusão do espanhol no sistema escolar. Além do relato das iniciativas de interação com as esferas governamentais em prol do ensino de espanhol, o acompanhamento e a avaliação da expansão do espanhol nas redes escolares e, igualmente, em contextos não escolares, constitui uma rotina materializada em suas atas desde a sua fundação.

Não obstante, somente a partir de 2006, inscreve-se nas práticas discursivas da APEERJ o reconhecimento explícito da sua atuação política. Em outras palavras, inaugura-se na trajetória dessa entidade docente o reconhecimento da politicidade como elemento inerente as suas ações. Verifica-se na primeira ata do biênio 2006-2008:

Todos os presentes concordaram com a 1ª Diretora Cultural, Elda Firmo, ao frisar que se fazia extremamente necessário que a comunidade acadêmica voltasse a reconhecer a relevância da APEERJ, no que respeita ao fortalecimento político e aperfeiçoamento do corpo docente centrado nos estudos hispânicos. Para tal, seria

Ata do dia 10 de agosto de 2006 (reunião da diretoria)

Com o uso da expressão “voltasse a reconhecer a relevância da APEERJ”, valoriza- se o passado remoto da APEERJ e, ao mesmo tempo, admiti-se uma suposta perda em

70

É importante pontuar que o Instituto Cervantes é uma entidade pública, criada em 1991. Diferentemente da Consejería de Educación, que está vinculada ao Ministerio de Educación, Cultura y deporte da Espanha, o Instituto Cervantes pertence ao Ministerio de Asuntos Exteriores y Cooperación.

tempos recentes da força de atuação dessa entidade entre os seus pares, “a comunidade acadêmica”, que precisaria ser reconquistada. É, justamente, nessa ata que, pela primeira vez, registra-se por escrito a referência explícita ao papel político da APEERJ.

Inicia-se, então, uma nova fase da APEERJ, marcada pela incorporação no plano discursivo da atividade política como um dos seus principais campos de atuação. O silenciamento do papel político da associação, que classificava a APEERJ como uma associação meramente cultural, é finalmente rompido e, assim, essa entidade passa a afirmar-se como um agente da política de línguas no Estado do Rio de Janeiro. Fragmentos de atas dessa de reuniões referentes a essa fase, indicam a circulação do termo política nesses escritos:

Foram discutidas, então, as metas para o biênio 2008-2010. Primeiramente, a implementação de uma atuação política intensa junto às Secretarias Municipais e Estadual de Educação em prol da promoção do ensino de espanhol e da defesa dos interesses do professorado. Ata 15 de outubro de 2008

A professora Luciana Freitas fez um balanço dos últimos acontecimentos políticos e ressaltou a atuação na APEERJ. Lembrou que a APEERJ foi a primeira instituição a se manifestar publicamente contrária a qualquer ingerência dessa natureza e a convocar a campanha para envio de cartas ao MEC.

Ata de 11 de agosto de 2009

(4) Política: ficou estabelecido que Luciana Freitas mandaria um documento com reivindicações à Secretaria Estadual de Educação (SEE) e que Fábio Sampaio e Cristina Giorgi encaminhariam um documento à SEE e à FESP, questionando o processo de seleção dos concursos públicos. Elda Braga ficou incumbida de enviar cartas aos municípios de Niterói, Angra dos Reis, Caxias, São Gonçalo e Rio das Ostras para saber sobre a convocação dos aprovados nos últimos concursos.

Ata 10 de dezembro de 2009

Ao reconhecer aqui papel politizador da APEERJ a partir de 2006, não se pretende negar a intensa atuação política da associação durante toda a sua história, ainda que no

passado não fosse identificada com esse papel. Como antecipado neste capítulo, uma das frentes de atuação da APEERJ consistia no acompanhamento acerca da realização de concursos para professores de espanhol no sistema público Esse tema foi recorrente nas pautas de discussão das reuniões da associação. Segue um fragmento da ata de 20 de abril de 1985:

Figura no 37: Ata XVIII do dia 20 de abril de 1985 (assembléia geral)

O fragmento anteriormente citado indica a atenção prestada em toda a história da APEERJ ao funcionamento dos concursos e as práticas de interferência junto às esferas governamentais visando à efetiva oferta de vagas para os professores de espanhol. O uso da negação “em não vai „funcionar‟” institui-se como pista para a identificação de um

enunciado subjacente, segundo o qual a realização do concurso para professores estaria garantida sem maiores complicações. O locutor nega, instaurando-se a polêmica na cena de enunciação. Abre-se, então, espaço para a discussão71.

Voltando-se o foco para diferentes momentos da APEERJ, apresentam-se enunciados pertencentes a distintos fases dessa associação que exemplificam o interesse pela avaliação do andamento de concursos para professores e, igualmente, o interesse de estabelecer articulações com o governo para a implantação do espanhol no sistema escolar:

71 O concurso em questão foi o primeiro após a inclusão do espanhol na rede estadual do Rio de Janeiro e oferecia 600 vagas para professores.

Figura no 38: Ata XXI, do dia 15 de outubro de 1986 (assembléia geral)

(4) Política: ficou estabelecido que Luciana Freitas mandaria um documento com reivindicações à Secretaria Estadual de Educação (SEE) e que Fábio Sampaio e Cristina Giorgi encaminhariam um documento à SEE e à FESP, questionando o processo de seleção dos concursos públicos. Elda Braga ficou incumbida de enviar cartas aos municípios de Niterói, Angra dos Reis, Caxias, São Gonçalo e Rio das Ostras para saber sobre a convocação dos aprovados nos últimos concursos.

Ata do dia 10 de fevereiro de 2009

Além das reivindicações feitas ao poder público em prol da abertura de vagas para professores de espanhol, nas atas da APEERJ, também se faz menção a tentativas de interação com as instituições de ensino em defesa do cumprimento da lei da oferta do espanhol nas escolas. Os trechos à continuação mostram que essa prática integra as diferentes fases da APEERJ:

Figura no 39: Ata XXXIV, do dia 03 de julho de 1987 (reunião específica da diretoria)

O secretário Thiago Vinicius fica sendo o indicado para elaborar e enviar uma carta a todos os associados esclarecendo aspectos da lei de n° 11.161/2005, ressaltando o fato de que sua implementação expirará em

agosto de 2010 e que, por esse motivo, medidas legais só poderão ser tomadas a partir desse prazo. Na carta, também é necessário pedir que os associados enviem denuncias de escolas/redes que não estejam cumprindo a referida lei. Mediante tais denuncias, caberá à APEERJ entrar em contato com essas instituições/ redes de ensino.

Ata 11 de fevereiro de 2010 (reunião da diretoria)

No segundo fragmento, institui-se o sentido da “denúncia” do não cumprimento da lei. A APEERJ, amparada na lei 11.161, assume incisivamente o papel de “fiscal” das instituições de ensino que não seguem a determinação legal.

Diferentemente da articulação com a esfera governamental, que é uma constante nas duas fases da APEERJ, caracteriza especificamente a sua fase fundacional o estreitamento da relação dessa entidade com a Embaixada da Espanha no que tange à solicitação de “apoio” político nas suas ações de reivindicação perante o governo brasileiro.

Nas atas das reuniões do primeiro mandato da associação, a menção ao estabelecimento de contatos com órgãos diplomáticos é recorrente. A iniciativa de interação com essas entidades, prevista desde o seu estatuto, se materializa a partir da terceira reunião da APEERJ, cujos fragmentos das atas seguem à continuação:

Figura no 40: Ata III, 02 de abril de 1982 (assembléia geral)

A atuação de outras associações docentes é também um tema recorrente nas atas da APEERJ conforme sinaliza a tabela apresentada no início desta seção. Nas atas, registra-se o surgimento das associações de professores de espanhol que, ao longo da década de 1980, vão sendo fundadas em várias regiões do Brasil72. Repetidamente, se faz menção à participação de membros da APEERJ em eventos promovidos por outras associações e, igualmente, são relatadas as ações dessas entidades em prol do ensino de espanhol em seus respectivos estados.

Nas formas de articulação da APEERJ com outras associações de professores de espanhol, nota-se a participação constante da Embaixada da Espanha. Como símbolo dessa posição de intermediadora entre as APEs assumida pela Embaixada, destaca-se a promoção do “Encuentro sobre la Enseñanza del Español en Brasil” realizado pela primeira vez no ano de 1986 em Brasília. O objetivo desse evento era reunir, sob o “convite” ou “convocação” 73

da Embaixada, às diretorias das APEs e a outras entidades envolvidas com o ensino de espanhol como o Colégio Miguel de Cervantes de São Paulo.

O fragmento seguinte, referente à ata do terceiro mandato da APEERJ, mostra a participação de várias entidades diplomáticas no encontro das Diretorias das Associações de Professores de Espanhol:

72 Cronologia das APEs: 1981 (Rio de Janeiro); 1983 (São Paulo); 1985 (Rio Grande do Sul e Paraná); 1986 (Santa Catarina); 1987 (Distrito Federal e Maranhão); 1988 (Minas Gerais e Pará); 1989 (Bahia, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Goiás e Amazonas).

73 Esses dois termos são utilizados para referir ao convite feito pela Embaixada a APEERJ para participar da mencionada reunião.

Figura no 41: Ata XXI, 15 de outubro de 1986

A diversidade de representantes na reunião relatada não anula o lugar de destaque ocupado pela Embaixada da Espanha, conforme evidencia o enunciado anterior. No inicio do relato, explicita-se o lugar de anfitrião do “Senhor Embaixador da Espanha em Brasília, D. Miguel de Aldasoro” em relação às APEs e às demais entidades no encontro provido em Brasília.

Segue relato sobre a segunda edição do “Encuentro sobre la Enseñanza del Español en Brasil” que aconteceu em junho de 1987.

Figura no 42: Ata XXIII, 15 de agosto de 1987

Na ata citada, consta o registro de discussão acerca da criação de uma federação de APEs. Dois anos antes, porém, na ata de 18 de outubro de 1985, relata-se o recebimento de carta da APEESP com a sugestão de integração das Apes em um órgão nacional. Nas duas ocasiões, os associados da APEERJ julgaram prematura a fundação dessa entidade74. Somente em 19 de setembro de 2003, fundou-se a Secretaria Nacional de Professores de Espanhol (Senacape), em uma reunião de presidentes de APEs, em Nata, e, quatro anos depois, seu estatuto foi apresentado e aceito pela APEERJ em 23 de agosto de 200775.

Levando-se em consideração que uma federação, ao reunir outras entidades sob uma única autoridade, implica a definição de objetivos comuns e que a atribuição de uma secretaria, por sua vez, volta-se mais especificamente para a relação administrativa entre entidades, concebe-se a criação de uma secretaria das associações- Senacape-, em substituição da proposta de fundação de uma federação, como um indicativo da inexistência (ou da fragilidade) de um projeto político compartilhado entre as diferentes associações de professores de espanhol no Brasil.

A primeira iniciativa de criação de um grupo com um propósito político explícito concernente ao ensino de espanhol se deu em 2009, a partir do surgimento da Comissão Permanente de Acompanhamento à Implantação do Ensino de Espanhol no sistema educativo brasileiro (Copesbra). A comissão, porém, não se constituiu apenas de membros das APEs, mas articulou, em uma só entidade, professores universitários e representantes

74

Constitui o acervo da APEERJ, sem especificação de data, o projeto de estatuto da Federação Brasileira de Associações de Professores de Espanhol- FEBRASPE, embora nunca tenha sido implementado (ANEXO 27) 75 A Secretaria foi criada em caráter extra oficial e se manteve nessa condição até a presente data.

das APEs de todo o Brasil. Diferentemente da Senacape, a Copesbra surge como entidade de caráter explicitamente político, cujo papel principal é acompanhar o processo de implantação do ensino de espanhol na escola. Por fim, é importante frisar que as APEs não compartilham das mesmas posições em relação às políticas de implantação do espanhol no Brasil e, portanto, nem todas aderem à Copesbra e a sua pauta de reivindicações.

O sentido de autonomia, que se institui na segunda etapa da APEERJ como traço da sua identidade, não se restringe a sua relação com a Consejería de Educación de la Embajada de España. Um segundo trecho registrado em ata desse período mostra que a preocupação da APEERJ de se manter autônoma do ponto de vista político faz parte de um processo mais amplo, conforme o enunciado seguinte:

Ressaltou-se a importância de que a representante da APEERJ nas reuniões mantenha uma postura firme diante de qualquer atitude considerada como inadequada da direção das reuniões e, também, demonstre uma posição de independência com relação à APEESP. Como a reunião se realizará em vários dias, a representante poderá consultar as demais diretoras da APEERJ que estarão no congresso ou as que estiverem no Rio, por e-mail.

Ata 23 de agosto de 2007

O trecho anterior merece atenção, pois, pela primeira vez, nas atas da APEERJ, defini-se a defesa de uma ação de independência em relação aos posicionamentos de outras entidades. O fragmento traz igualmente vestígios da existência de divergências políticas entre as Apes e, ao mesmo tempo, assume-se a necessidade que a APEERJ mantenha uma postura “firme” e “independente” em relação aos demais. A partir de 2006, cada vez mais, são sublinhados os valores políticos subjazem as ações dos agentes envolvidos no processo de implantação do ensino de espanhol.

Como antecipado anteriormente, o interesse de revitalizar as ações da APEERJ tanto no âmbito político com no âmbito acadêmico é registrado nas atas mais recentes da associação. Conforme a indicação da tabela dos temas reincidentes nas atas, nessa fase da APEERJ, se faz diversas vezes menção à possibilidade de sua atuação efetiva, atribuindo- lhe o caráter de associação potencialmente ativa do ponto de vista político e acadêmico.

Foram discutidas, então, as metas para o biênio 2008-2010. Primeiramente, a implementação de uma atuação política intensa junto

às Secretarias Municipais e Estadual de Educação em prol da promoção do ensino de espanhol e da defesa dos interesses do professorado. Foi proposto o envio de cartas às Secretarias com a finalidade de fazer levantamentos sobre a presença do Espanhol na grade e do quantitativo de professores, bem como com reivindicações da implantação ou implementação da disciplina. Em segundo lugar, foi abordada a