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4. BULGULAR VE YORUM

4.4. ESNAFIN GÖZÜNDEN ESNAFLIĞA VE PERTEK’E FENOMENOLOJİK BİR BAKIŞ

4.4.5. ESNAFIN GÖZÜNDEN PERTEK: ESNAFIN VE PERTEK’İN SORUNLARI, BEKLENTİ VE

4.4.5.2. ESNAFIN GÖZÜNDEN BAZI EKONOMİK PROBLEMLER

Romance de aventuras, romance policial, giallo na Itália. Embora a Inglaterra, os Estados Unidos e a França sejam os países que possuem maior tradição em romances policiais, com escritores de reconhecimento mundial como Conan Doyle, Agatha Christie, Charles Dickens, Raymond Chandler, Dashiell Hammett, é um fato concreto que esse gênero tem atravessado fronteiras continentais e culturais. O Brasil, por exemplo, cuja publicação de seu primeiro romance – O filho do pescador (1843), de Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa –, foi bastante tardia em relação aos países supracitados, possui um considerável grupo de romancistas que se destacam pela produção de romances policiais.

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Dentre eles, referenciamos, novamente, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Patricia Melo, Rubem Fonseca e acrescentamos P.D. James.

Cléber Eduardo publicou uma matéria na revista Época Online, na qual se encontram dados sobre as editoras que possuem selos específicos para a publicação de romances e se aponta o êxito que vem sendo obtido pelos escritores brasileiros:

A Coleção Negra, da Record, editou três autores brasileiros: Flávio Moreira da Costa, com Modelo para Morrer, Rubens Figueiredo, com Essa Maldita Farinha, e Tabajara Ruas, com A Região Submersa. Pelo menos outros três já estão confirmados para este ano, entre os quais o romance de estréia do compositor e cronista Aldir Blanc, cuja trama se desenrola no bairro carioca da Tijuca, uma das paixões do autor. “Policial é um gênero emergente no Brasil”, avalia Luciana Villas-Boas, da editora Record. “Supunha-se que encalhavam, mas provamos o contrário.” A Companhia das Letras também criou uma série para o mundo do crime, com edições em formato diferenciado, e outra chamada Literatura e Morte, composta de histórias fictícias de celebridades literárias. Alguns autores brasileiros, como Tony Bellotto (Bellini e a Esfinge), Patrícia Melo (O Matador) e Rubem Fonseca (O Doente Molière), vêm tendo sucesso superior ao obtido pelas estrelas estrangeiras da editora. Em setembro deve sair O Inferno, novo romance policial de Patrícia Melo.4

O artigo traz ainda uma possível explicação sobre o desenvolvimento tardio do gênero em nosso país:

“O gênero policial era considerado de segunda categoria no Brasil, e isso contribuiu para não se desenvolver”, afirma Luiz Schwarcz, da Companhia. “Essa visão mudou de alguns anos para cá. Diversão não é incompatível com qualidade literária.”5 Conforme podemos observar, assim como acontece na Itália, o gênero policial, no Brasil, também sofria a classificação de “segunda categoria”. No entanto, apesar de, na península italiana, ainda não terem ascendido à “primeira categoria”, os romances policiais representam um verdadeiro sucesso editorial, com o crescente interesse por parte dos leitores.

4 http://epoca.globo.com/edic/20000724/cult1a.htm 5

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Na Itália, o romance policial (poliziesco) é mais conhecido como giallo, pelo motivo que a seguir explicamos.

Maurizio Pistelli, em Un secolo in Giallo, trata da “pré-história”, ou seja, do surgimento do romance policial na Itália:

La cosidetta “preistoria” del giallo italiano si può orientativamente far coincidere con un periodo cronologico compreso tra la seconda metà dell’Ottocento e il terzo decennio del secolo successivo. Mentre la critica è pressoché unanime nell’indicare il 1929 come l’anno nel quale, con l’inizio delle pubblicazioni della celebre collana de “I Libri Gialli” Mondadori, nasce “ufficialmente” in Italia il poliziesco, non appare altretanto facile individuare a ritroso la data precisa in cui il mistero, il delitto e l’indagine cominciarono unitamente a diffondersi nella nostra narrattiva. (PISTELLI, 2006: 97)6

Embora haja consenso sobre a “data de nascimento” do romance policial na Itália, a mesma precisão não se pode atribuir à introdução e difusão de elementos como o mistério, o delito e a investigação na narrativa, que, naturalmente, não possui uma delimitação tão precisa e teria ocorrido entre 1850 e 1930, aproximadamente.

Além disso, o giallo teria ligação direta com o processo de industrialização, bem como o desenvolvimento e crescimento das cidades, o que passou a ser retratado a partir de 1841, data do lançamento do primeiro romance policial no Ocidente, The murders in the rue Morgue, de Edgard Allan Poe. A esse respeito, Maurizio Pistelli (2006: 4) declara:

Recenti saggi critici hanno giustamente evidenziato come il contesto storico e culturale della seconda metà dell’Ottocento – caratterizzato dal rapido sviluppo della civiltà industriale, dalla costituzione delle moderne metropoli e della civiltà industriale, dalla diffusione del positivismo scientifico, che propone l’osservazione analitica della società esaltando il valore dei procedimenti logici come unici strumenti di approccio alla realtà –

6 A chamada "pré-história" do romance policial italiano, a título de orientação, se pode fazer coincidir com o

período cronológico compreendido entre a segunda metade dos Oitocentos e o terceiro decênio do século seguinte. Enquanto a crítica é quase unânime ao indicar 1929 como o ano no qual, com o início das publicações da célebre coleção de "I Libri Gialli" Mondadori, nasce "oficialmente", na Itália, o policial, não parece fácil precisar a data em que o mistério, o delito e a investigação começaram, conjuntamente, a se difundir em nossa narrativa. (Tradução da autora)

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sia considerare elemento fondamentale nell’affermazione del giallo, sia in Italia che naturalmente all’estero.7

Vale ainda ressaltar a contribuição literária de Francesco Mastriani, reconhecido como o intérprete italiano da obra de Eugène Sue, escritor francês, notabilizado por seus romances de mistério, moda literária que vigorou a partir da metade do século XIX. Os “misteri”, ou mistérios, afrontavam o tema da denúncia social, procurando retratar a realidade com toda a sua dramaticidade e tendo como ambiente as metrópoles, onde ocorriam crimes, envoltos em tramas obscuras e misteriosas, como relata Pistelli.

Os romances mais prestigiados do napolitano Francesco Mastriani são La cieca di Sorrento (1852), que obteve grande sucesso, e Il mio cadavere, (1853), ao qual a crítica atribui um valor histórico importante, considerando-o o primeiro romance policial italiano. Ambos os romances citados foram escritos antes da Unificação da Itália.

Além de ser o primeiro romance policial nacional, Il mio cadavere possui em sua tessitura as teorias da ciência moderna, segundo Pistelli (2006: 7):

Ne Il mio cadavere lo scrittore napoletano inserisce infatti riferimenti espliciti – ampliati con note a piè pagina – a procedimenti scientifici relativi ad esempio alle modalità di accertamento di un decesso o di imbalsamazione del corpo umano.8

O estilo do autor sofreu mudanças com o passar do tempo. Os romances escritos após a Unificação da Itália, como, por exemplo, Le ombre, lavoro e miseria (1868) e Il materialista ovvero I misteri della scienza (1896) apresentam

7 Recentes ensaios críticos evidenciaram como o contexto histórico-cultural da segunda metade do século

XIX – caracterizado pelo rápido desenvolvimento da civilização industrial, pela constituição das modernas metrópoles e pela difusão do positivismo científico, que propõe a observação analítica da sociedade exaltando o valor dos procedimentos lógicos como únicos instrumentos de abordagem da realidade – seja considerar elemento fundamental na afirmação do giallo, na Itália e, naturalmente, no exterior. (Tradução da autora)

8 Em O meu cadáver o escritor napolitano insere, de fato, referências explícitas – ampliadas com notas de

rodapé – a procedimentos científicos relativos, por exemplo, às investigação de um falecimento ou ao embalsamamento do corpo humano. (Tradução da autora)

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mudanças que vão desde a linguagem das personagens, até a própria descrição das cidades, que passaram a ser analisadas de forma mais crítica, tendo seus males e problemas evidenciados. Os problemas enfrentados pelas cidades passaram a destacar-se na trama: a máfia, a exploração do trabalho humano, a violência explícita nas localidades mais pobres, dentre outros. Essa literatura de denúncia conferiu a Mastriani sucesso de público, o que demandou novas edições de seus romances, fazendo que seus livros tocassem em um tema histórico de relevância para a Itália: a questão do Mezzogiorno.

L’importanza di tali romanzi viene ad accrescersi in considerazione del fatto che sono recepiti, soprattutto nel mezzogiorno d’Italia, come una delle risposte più immediate all’acceso dibattito sulla “questione meridionale”, nonchè alla sentita esigenza di una narrativa d’impegno civile. (PISTELLI, 2006:7)9

Os primeiros romances policiais foram traduzidos na Itália às vésperas da Unificação. Paralelamente, foram surgindo os primeiros escritores do gênero no país. Até a publicação dos Gialli Mondadori, na Itália se produziu um grande número de romances policiais. O evento de 1929, ou seja, o lançamento da coletânea da editora Mondadori potencializou essa produção, colocando-a em evidência. Porém, como veremos adiante, o fascismo, com seu protecionismo à produção nacional, acabou por prejudicar a expansão do giallo, sobretudo quando comparado aos romances do gênero produzidos pelo mundo, especialmente na França e nos Estados Unidos. O romance policial italiano, ou giallo, como já era conhecido, teve de percorrer um longo caminho, até que pudesse novamente trilhar a estrada do prestígio literário, apesar de os romances contemporâneos ainda estarem submetidos a uma forte crítica, muitas vezes depreciativa, oriunda das narrativas produzidas nos “anos dourados” do giallo.

A chegada, na Itália, dos romances de Conan Doyle, protagonizados por Sherlock Holmes, causou impacto na produção nacional italiana. A estréia do detetive em terras italianas, ocorrida em 1895, contribuiu positivamente para o

9 A importância de tais romances vem a aumentar pelo fato que são recebidos, sobretudo no mezzogiorno da

Itália, como uma das respostas mais imediatas ao acalorado debate sobre a “questão meridional”, bem como a sentida exigência de uma narrativa de engajamento civil. (Tradução da autora)

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romance policial que ali se produzia, visto que teve boa aceitação de público e, ainda, passou a ser referência para os escritores nacionais, que deram vida a detetives com características “holmianas”, ou seja, homens esnobes, intelectuais e, sobretudo, investigadores lieti, que investigavam pelo simples prazer de elucidar o mistério.

O detetive de Doyle entrou na península itálica através da editora milanesa Verri, e suas atuações passaram a ser publicadas posteriormente em capítulos, no “Domenica del Corriere”. O sucesso de Holmes na Itália foi tamanho, que o público exigiu a republicação, em volumes, dos capítulos já lançados. Ao mesmo tempo, outras editoras procuraram publicar imediatamente os romances que ainda não haviam sido divulgados pelo “Domenica del Corriere”.

O termo giallo, palavra que significa amarelo em língua italiana, é usado metonimicamente, substituindo o termo policial. No capítulo “I Libri Gialli” Mondadori, Maurizio Pistelli explica a adoção do termo giallo para designar romance policial na Itália:

In Italia l’anno di nascita ufficiale del nuovo genere letterario rimane per molti il 1929, data della prima uscita della famosissima collana mondadoriana, contraddistinta dalle inconfondibili copertine gialle; un colore questo di forte visibilità, passato in seguito a designare, nel nostro paese, cosa unica nel mondo, il poliziesco tout court. (PISTELLI, 2006:97)10

Ou seja, o termo giallo nasceu a partir da coleção de romances policiais lançada pela Arnoldo Mondadori Editore, identificados pela cor da capa, amarela. O primeiro romance da coleção, que teve publicação semanal, foi La strana morte del Signor Benson, de S.S. Van Dine, originalmente publicado em 1926 sob o título The Benson murder Case. A Itália passou, então, a adotar o termo giallo para designar o gênero policial.

10 Na Itália, o ano do nascimento oficial do novo gênero literário é, para muitos, 1929, data da primeira

publicação da famosíssima coleção mondadoriana, marcada pelas inconfundíveis capas amarelas; uma cor de forte visibilidade, passando a seguir a designar, no nosso país, coisa única no mundo, o policial tout court. (Tradução da autora)

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Convém registrar que essa coleção continua a ser publicada até os nossos dias, tendo, atualmente, frequência quinzenal.

No entanto, a palavra giallo, amarelo em italiano, ainda é objeto de estudos, que procuram explicar o porquê desta escolha específica. Pistelli argumenta que a explicação apresentada por Loris Rambelli em Storia del giallo italiano seria a mais convincente:

In un paragrafo dedicato alla questione, il critico ravennate precisa come in effetti il termine “giallo” sia frutto di una metonimia, dovuta alla consuetudine di molte case editrici – basti pensare alla stessa Mondadori con i suoi libri “verdi” (drammi e segreti della storia) e “azzurri” (narrativa italiana) – di fare ricorso sulle copertine a un colore dominante per caratterizzare e differenziare anche visivamente le varie collane. In Inghilterra, Germania e Stati Uniti inoltre erano già state lanciate sul mercato collezioni di polizieschi aventi come segno cromatico distintivo il giallo; per questo è verossimile (anzi certo, secondo le dichiarazioni di Alberto Tedeschi rilasciate qualche anno più tardi a “Il Cerchio Verde”) che la Mondadori abbia ripreso tale denominazione e colore proprio da queste precedenti iniziative editoriali estere. (PISTELLI, 2006: 97-8)11

Ou seja, além de se tratar de uma forma de diferenciar os romances pertencentes àquele estilo, também seguia uma tendência internacional, já adotada por outros países, para classificar e fazer a distinção dos romances pertencentes ao gênero policial.

Outras duas cores foram utilizadas nas capas dos romances como alternativas ao giallo: o rosso (vermelho) e o nero (negro). O vermelho obteve mais destaque e maior representatividade como nos informa Pistelli (2006: 98)12:

11 Em um parágrafo dedicado à questão, o crítico de Ravenna esclarece como o termo "giallo" seja fruto de

uma metonímia, devido ao hábito de muitas casas editoras - basta pensar na própria Mondadori com o seu livros "verdes" (dramas e segredos da história) e "azúis" (narrativa italiana) - de utilizar uma cor dominante nas capas como recurso para caracterizar e diferenciar visivelmente as várias coleções. Além disso, na Inglaterra, na Alemanha e nos Estados Unidos já haviam sido lançadas no mercado coleções de romances policiais tendo como sinal cromático distintivo o amarelo: por isso, é verossímil (ou melhor, é certo, segundo as declarações feitas por Alberto Tedeschi, alguns anos depois do "Il Cerchio Verde") que a Mondadori tenha retomado tal denominação e cor dessas iniciativas editoriais estrangeiras. (Tradução da autora)

12 Nos anos que definimos como "pré-história" deste gênero literário, a cor do sangue (o demonstra um

excelente estudo de Renzo Cremante) aparece, de fato, com frequência, como possível alternativa ao amarelo. Algumas das coleções italianas que começam a incluir policiais são, não por acaso, diferenciadas justamente

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Negli anni che abbiamo definito della “preistoria” di questo genere letterario, il colore del sangue (lo demostra un eccellente studio di Renzo Cremante) recorre infatti spesso come possibile variante al giallo. Alcune tra le collezioni italiane che iniziano a includere polizieschi sono non a caso contraddistinte proprio da questo colore: la “Biblioteca Rossa” della Sonzogno (1895); la “Colezione Rossa” di Spioti (1907); “I Libri del Triangolo Rosso” della Atlante di Milano (1931); “I Romanzi Rossi” della Bemporad (1937).

Embora tenha tido destaque menor, nero também foi um termo bastante utilizado:

Per quanto concerne invece il nero, scelto per l’immediata capacità evocativa di tenebre, mistero, morte, sono da ricordare oltre alla serie simenoniana della Mondadori (i cosiddetti “Libri Neri”) anche altre collane italiane del decennio 1930-40, che fin dal titolo vi fanno esplicito riferimento: “I Romanzi del Gatto Nero” (T.I.P., Torino 1934); "I Gialli del Domino Nero” (Martucci, Milano 1936); “I Gialli del Gufo Nero” (Attualità, Milano 1937); “Collana del Cerchio Nero” (SADEL, Milano 1940). Malgrado tali tentativi, in Italia nessun colore è riuscito mai a detronizzare il primato assoluto del giallo come sinonimo di tutto ciò che ruota intorno a un delitto, a un enigma, a un’indagine di polizia. (PISTELLI, 2006: 97-8)13

Conforme afirmamos acima, o termo giallo passou a designar não mais a cor atribuída às capas dos romances policiais, mas o gênero a que tais romances pertenciam, e, embora as cores vermelha e negra fossem realmente mais representativas, uma vez que a primeira representa o sangue e a segunda evoca o mistério, a morte, estas não foram capazes de enfraquecer ou substituir o amarelo.

Pistelli continua tratando do lançamento da coleção Gialli Mondadori, que foi acompanhada de ampla publicidade, com vistas a demonstrar valores como leitura agradável e emocionante, ideal para qualquer hora e para todos os por esta cor: a "Biblioteca Rossa" da Sonzogno (1895); a "Colezione Rossa" di Spioti (1907); "I Libri del Triangolo Rosso" da Atlante de Milão (1931); "I Romanzi Rossi" da Bemporad (1937). (Tradução da autora)

13 No que diz respeito ao negro, escolhido pela capacidade imediata de evocar escuridão, mistério, morte,

são memoráveis, além da série simenoniana da Mondadori (os chamados "Libri Neri"), as coleções italianas do decênio 1930-1940, que desde o título fazem referência explícita ao negro: "I Romanzi del Gatto Nero" (T.I.P., Torino 1934); "I Gialli del Dominio Nero" (Martucci, MIlão 1936); "I Gialli del Gufo Nero" (Attualità, MIlão 1937); "Collana del Cerchio Nero" (SADEL, Milão 1940). Apesar de tais tentativas, na Itália, nenhuma cor conseguiu destronar a superioridade absoluta do amarelo como sinônimo de tudo que gira ao redor de um delito, de um enigma, de uma investigação de polícia. (Tradução da autora)

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públicos, seja em faixa etária, seja em nível cultural. A editora tinha ainda a intenção de ressaltar a qualidade artística das obras:

Altro aspetto da non sottovalutare è l’intento, dichiarato dalla stessa casa editrice milanese, di voler offrire una serie di romanzi polizieschi di elevato livello artistico, in modo da poter essere esposti senza temore – grazie anche ad un’elegante veste grafica – sugli scaffali delle biblioteche private degli italiani. Per questo motivo i gialli Mondadori appaiono, almeno in un primo periodo, soltanto in libreria, corredati da lusinghieri giudizi di alcuni noti intellettuali dell’ epoca – come Massimo Bontempelli, Ada Negri, Alfredo Panzini, Cesare Zavattini, Margherita Sarfatti, Antonio Bruers, Luigi Chiarelli, Umberto Fracchia – riportati con enfasi sui rivolti di copertina. (PISTELLI, 2006: 99)14

Observamos, assim, os esforços por parte da editora em promover a imagem positiva da nova coleção. Os gialli foram apresentados como leitura de valor estético, com edição de luxo, apoiados pelos intelectuais de então, vendidos inicialmente apenas em livrarias, a fim de lhes conferir o status necessário para compor às bibliotecas particulares, entre os clássicos da literatura, conforme confirma Pistelli (2006: 99): “L’operazione che si cerca di promuovere è quella evidente di nobilitare la neo-collana e di riflesso tutto il genere giallo, abbattendo i pregiudizi che volevano tali libri necessariamente di infima qualità letteraria”.15

Este, tem sido, aliás, um impasse no que diz respeito ao romance policial, o questionamento da qualidade literária dos romances assim classificados, o valor dado ao público que o consome e a crítica, que atribui pouco valor literário a tais romances, classificando-os como produto puramente comercial. A escolha dos autores que inauguraram a coleção também foi proposital:

14 Outro aspecto que não se pode menosprezar é a intenção, declarada pela própria casa editora milanesa, de

querer oferecer uma série de romances policiais de elevado nível artístico, de forma que pudessem ser expostos sem temor - graças também a uma elegante roupagem gráfica - nas estantes das bibliotecas particulares dos italianos. Por este motivo os gialli Mondadori são vendidos, ao menos inicialmente, somente em livrarias, adornados por lisonjeiros pareceres de alguns famosos intelectuais da época - como Massimo Bontempelli, Ada Negri, Alfredo Panzini, Cesare Zavattini, Margherita Sarfatti, Antonio Bruers, Luigi Chiarelli, Umberto Fracchia - referidos com ênfase nas contracapas. (Tradução da autora)

15

A operação que se procura promover é evidente: enobrecer a nova coletânea e, como consequência, todo o gênero giallo, diminuindo os preconceitos em relação àqueles livros, de ínfima qualidade literária. (Tradução da autora)

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(oltre al critico d’arte, studioso di filosofia e giornalista Willard Huntington Wright, alias S. S. Van Dine, al celeberrimo Edgard Wallace, alla scrittrice di poesie Anne Katharine Green, è esemplare la scelta di alcuni racconti del grande Robert Louis Stevenson, tra cui il già famoso e non inedito Lo strano caso del dottor Jekyll e mister Hyde). (PISTELLI, 2006: 99)16

Os quatro primeiros gialli publicados eram de autores consagrados, o que reforçava a intenção de a editora conferir credibilidade ao romance policial desde o princípio, garantindo, assim, o sucesso e a permanência do novo gênero literário: um gênero popular, quanto a sua abrangência, pois alcançava leitores dos mais diversos gostos, formações, classes sociais e faixas etárias, mas que pudesse ser, também, bem aceito pelas pessoas culturalmente privilegiadas, que, talvez, se interessassem por esse gênero da literatura, consumindo-o e a incorporando-a a seu acervo pessoal, em suas bibliotecas, entre seus clássicos.

O sucesso conquistado pelos “Gialli Mondadori” no decorrer dos anos levou a editora a outros empreendimentos, como o que ocorreu em 1931:

Il grande favore di pubblico riscosso dalla collana gialla della Mondadori, a partire in particolare dal 1931, spinge la casa edittrice a varare altre iniziative analoghe. Tra le più importanti ecco allora, in ordine cronologico, la pubblicazione del “Supergiallo” (1932-41) – supplemento annuale prima dei “Libri Gialli” poi, dal quinto numero, dei “Gialli Economici” – voluminoso libro in brossura e con costola telata che raccoglie opere inedite di importanti autori, sia italiani che stranieri. (PISTELLI,