ÇALIŞMANIN YÖNTEMİ:
1 BÖLÜM : KÜRESELLEŞME VE ORTAYA ÇIKARDIĞI SİYASİ SORUNLAR
1.3 Küreselleşmenin Siyasi Boyutu ve Karşılaşılan Sorunlar
1.3.1 Siyasi Meşruiyet Sorunu
A luta pela terra no Brasil, através do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pode ser separada em três grandes fases:
Fase inicial (1979-84), em que o eixo central é a conquista da terra do ponto de vista individual. O Sem Terra pegava a terra e vivia como pequeno proprietário. O nível de cooperação que existia era o espontâneo: mutirão e troca de dias de serviço (CONCRAB, 1998; SINGER, 2002b). Essa agricultura é considerada de subsistência e não consegue melhorar o padrão de vida dos camponeses;
Na segunda fase (1985-89), a discussão interna ao movimento evoluiu a favor do cooperativismo e sua aceitação pelo assentado ocorre
49 Estima-se que em 1999 a Cáritas tinha promovido perto de 750 projetos comunitários
gradualmente. Somente em 1989, o movimento conseguiu criar as primeiras Cooperativas de Produção Agropecuária (CPAs) no Rio Grande do Sul. Nessa fase, a motivação para organizar a cooperação passa a ser econômica e política. A partir de então, o problema da produção passou a ser tão importante como o de ocupar;
Na terceira fase, a partir de 1991, a política do MST deu início ao Sistema Cooperativista dos Assentados (SCA), formado em cada assentamento por Cooperativas Agropecuárias, Cooperativas de Comercialização Regionais, Grupos Coletivos e Associações. Em nível estadual, estabeleceram-se Cooperativas Centrais de Reforma Agrária; já em nível nacional, criou-se a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil Ltda. (CONCRAB). Em geral, as CPAs50 unificaram os lotes de terra dos membros e trabalham o conjunto deles de acordo com um plano de produção, conforme a safra (semestral e anual). Passou-se de um modelo individualista e arriscado para um modelo coletivista, em que cada cooperado participa de um trabalho socializado, de acordo com uma divisão do trabalho previamente planejada. Nas CPAs, criaram-se creches, refeitórios coletivos, possibilitando a participação das mulheres na produção. Com a capitalização das CPAs, os assentados passaram a ter uma renda maior que os produtores individuais.
No início, as CPAs revelaram graves deficiências administrativas e técnicas que foram, em parte, solucionadas por cursos técnicos em Administração de Cooperativas, criado na cidade de Veranópolis, RS. Um dos motivos que tem levado à crise e mesmo ao fechamento de CPAs, talvez o mais importante, é que a maioria dos assentados tem preferência pela pequena produção de mercadorias, mesmo que ela resulte em condições de vida mais difíceis e com maiores riscos que as condições de vida dos grupos cooperados.
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O modelo de CPA foi inspirado no modelo instituído em Cuba, com a auxílio do Estado socialista, porém no Brasil esse tipo de cooperativa não era compatível com os objetivos da grande maioria dos assentados. Somente uma minoria, politicamente convicta, aderiu com entusiasmo às CPAs e persiste nelas (SINGER, 2002b).
Esse fenômeno ocorre porque os assentados, em sua maioria, vêm de famílias de agricultores que tradicionalmente trabalhavam individualmente e, por isso, têm grande dificuldade de se adaptar ao sistema coletivo, preferindo trabalharem sozinhos, ou com a família, a sua terra.
Um primeiro assentamento, o ABAPAN51, surgiu em 1985, no Paraná, e é o primeiro e mais antigo assentamento do MST. O trabalho é realizado pela família em seu lote individual, conservando a divisão tradicional do trabalho e de autoridade entre os sexos. Como pequenos agricultores, eles têm dificuldades de vender seus produtos, conseguir créditos e adquirir equipamentos de maior porte e valor. Para superar esses obstáculos, os trabalhadores procuraram associar-se para resolver a necessidade de coordenação e divisão do trabalho entre as famílias e o que vão produzir. No entanto, acontecem divergências, principalmente, porque perdem a autonomia individual. Em função disso, o grupo de ABAPAN constituiu três associações com uma média de 13 famílias cada.
Somente em 1997 conseguiram reunir as associações na Cooperativa de Comercialização Cotramic, que vende, em conjunto, a produção de todos os assentados para alcançar melhores preços e menores despesas de transação por unidade.
O segundo assentamento, denominado de Novo Paraíso52, nasceu em área grilada, com posse em 1989 (situação anterior à legalização do assentamento), foi oficializado em 1992. Nesse assentamento, formou-se a primeira cooperativa inteiramente coletiva do MST, em que os lotes das famílias foram combinados em uma unidade única de produção. Os únicos conhecimentos sobre cooperativismo foram adquiridos no curso de capacitação “Laboratório Organizacional de Campo” que o próprio movimento organiza. Porém, muitos assentados, semelhante ao caso de ABAPAN, preferiram a organização familiar e saíram da cooperativa antes mesmo da legalização do assentamento. Atualmente, há duas cooperativas e lotes individuais convivendo no assentamento.
51 Distrito de ABAPAN, cidade de Castro, Paraná. 52
Há pelo menos dois possíveis motivos para o abandono do trabalho coletivo, que foram colhidos através das declarações dos assentados, pesquisados por SOUZA (1999) e SIZANOSKI, (1998):
O pequeno retorno econômico imediato para um investimento relativamente grande;
O descontentamento com a falta de incentivos aos que trabalham mais e produzem melhor, pois as retiradas são calculadas pelo número de horas trabalhadas (leva a alguns “amolecerem o corpo” e depois optarem pelo lote individual);
Por outro lado, os autores observaram que as condições de vida das famílias associadas apresentam melhorias em relação às condições das famílias que vivem individualmente: há uma “ciranda infantil” (semelhante à creche), as casas são organizadas em “núcleos de moradia”, o posto de saúde fica a 30km, na cidade mais próxima, e doenças corriqueiras são tratadas com plantas medicinais.
Em última análise,
“fazendo algumas comparações externas, como por exemplo, entre favelados e urbanos e esses assentados, podemos afirmar que sua condição de sobrevivência é superior às dos primeiros, pois se alimentam bem, têm casa, boa saúde, trabalho. Não possuem um padrão de vida ideal, mas estão muito distantes da miserabilidade das favelas” (SIZANOSKI, 1998, p. 55).
O terceiro assentamento, conhecido como Santa Maria, está localizado em Santa Maria D’Oeste, Paraná; formado em 1992 por grupos excedentes de assentamentos no oeste e centro-oeste do Paraná, foi regularizado em 1994. Nesse caso, as famílias já vieram ao assentamento com o propósito de formar uma cooperativa e trabalhar coletivamente (Copavi – Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória Ltda.). A atividade mais lucrativa é a horta, cuja produção é comercializada em Paranacity e em Cruzeiro, PR. Em volume, a produção de leite é a maior do assentamento.
No assentamento Santa Maria D’Oeste, a deficiência técnica tornou-se um impedimento para a industrialização dos produtos agropecuários. Mas, a
nova geração pode superar esse problema com a qualificação profissional, pois os jovens, filhos de assentados, saem para estudar nas cidades com a intenção de retornarem para ajudar a melhorar as condições de vida e o desenvolvimento do assentamento.
Dados coletados por SOUZA (1999) evidenciam que quarenta por cento das famílias do assentamento Santa Maria desistiram do coletivo, optando por formas individuais de trabalho e associativas no momento da comercialização e compra de equipamentos e insumos agrícolas. Os motivos da desistência são semelhantes aos do caso do Novo Paraíso: mentalidade das pessoas; convivência em grupo; retorno econômico; decisões, principalmente econômicas. As pessoas têm dificuldade para discutir e opinar porque são bastante humildes e se intimidam diante de um auditório maior.
Em síntese, os casos dos assentamentos do MST aparecem no I Censo da Reforma Agrária, que detectou, em 1997, que 93,96% dos assentamentos eram de produção individual; 1,21% de produção coletiva; e 4,82% de forma mista. A origem dos assentados é da ordem de 66,13% de agricultores e camponeses; 5,67% de trabalhadores rurais, e o restante de bóia-fria, motorista, mecânico, pedreiro e carpinteiro (SINGER, 2002b).
O trabalho coletivo exige ruptura sociocultural com um sistema econômico tradicional que se instalou na agricultura brasileira. Muitos ainda resistem à forma cooperativista e à tomada de decisão em grupo, porém esse é um caminho alternativo que pode estar conduzindo saídas para as situações mais graves de sobrevivência da população carente.
3.4.3. A Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida (ACCMV)
A ACCMV, ao invés de apenas distribuir alimentos, passou, a partir de 1994, a fomentar a geração de trabalho e renda acelerando o desenvolvimento de experiências de economia solidária. A ACCMV é um amplo movimento de massa, que em dois anos conseguiu atender a um mesmo número de projetos que a Cáritas, em 15 anos.
Como exemplo, pode-se citar a formação da Cooperativa de Trabalho de Manguinhos (Cootram). Localizada no Rio de Janeiro, a Cootram enfrenta problemas como o desemprego e a pobreza em uma região de favela no Rio de Janeiro. Contando com o apoio do Banco do Brasil e do Instituto Superior de Cooperativismo da Universidade de Santa Maria (UFSM), foi contratada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz)53 para reciclar o lixo e prestar serviços de jardinagem e limpeza dos seus prédios. Além disso, a Cooperativa (Cootram) montou uma oficina de costureiras. Trata-se de uma das experiências de maior êxito de cooperativas populares de trabalho do Brasil (SINGER, 2002b).