ÇALIŞMANIN YÖNTEMİ:
1 BÖLÜM : KÜRESELLEŞME VE ORTAYA ÇIKARDIĞI SİYASİ SORUNLAR
1.3 Küreselleşmenin Siyasi Boyutu ve Karşılaşılan Sorunlar
1.3.7 Küresel Yoksulluk Sorunu
A fala de uma cooperada, que está desde o início, sobre a atual situação da cooperativa em setembro 2002, um ano após os dados apresentados na seção anterior, é capaz de responder à questão ‘para onde seguir...’. Veja-se:
Um quer por o bico nas coisas que o outro está fazendo. Tá muito difícil, ninguém compreende mais ninguém. Hoje se você me perguntar o que é uma cooperativa eu não sei responder, porque já mudou tudo... Eu acho que não vai consertar. É daí para pior, eu acho que não tem mais volta. Teria de ter o corte desde o começo, como não teve, agora não consegue mais. Pode mudar, mas não sei quando, só se montar outra. Hoje eu não gosto da cooperativa, foi bom. Eu só estou aqui porque preciso trabalhar, porque se eu não precisasse, não tava aqui não. Estou meio desiludida, você ficar escutando coisa que não deve. A gente é uma família, sente quando acontece algo com uma amiga. Nós vamos para casa só para dormir. Então a família da gente tá aqui, a gente deveria se considerar uma família, mas não tem jeito. O problema da cooperativa hoje é muita discussão. Essa discussão não é boa, é sempre que acontece e não se resolve. Discuti hoje, aí vai sempre tocando no assunto até que a pessoa se enche. A pessoa se cansa.
Esses sentimentos expressos no relato anterior também foram percebidos no grupo ao observar como as cooperadas discutiam os seus problemas. Havia sempre discussões entre elas, pois as conversas não estavam sendo amigáveis e respeitosas.
O processo de constituição da COOPERLIMP, no seu início em 1999, teve uma preocupação muito grande com o grupo em si. O seu objetivo era estimular o grupo a integrar-se, a melhorar sua auto-estima e reconstruir a dignidade e a cidadania das pessoas para poder motivar a sua emancipação social através da formação da cooperativa.
De certa forma, o objetivo proposto foi atingido e o grupo saiu de uma situação de anomia ao dedicar-se a escolher e implantar o processo de cooperação como alternativa de geração de trabalho e de renda. No entanto, ao longo de quase quatro anos de existência, a autonomia desejada pela equipe da INCOOP, ao tentar romper com a história de assistencialismo que o grupo recebia anteriormente, aconteceu em parte.
A situação de dependência, a cultura de subordinação – histórica e socialmente construídas – ainda não foram superadas e criaram dependência em relação à incubadora, especificamente, com o técnico que mais teve contato com o grupo. O grupo e a INCOOP não conseguiram chegar a um consenso sobre o fato. Duas causas são as mais prováveis: a falta de experiência com os métodos da pesquisa participativa e sua implantação no grupo e a falta de conquista de autonomia do próprio grupo incubado. Há receio de ambas as partes em relação ao que deve ser feito daqui para frente, pois o momento de desincubação já teve início.
Um problema que se soma ao da conquista da autonomia do grupo é a existência de um conflito interno declarado e baseado, em grande parte, em problemas pessoais que são levados ao trabalho e geram maldizeres entre as cooperadas, acarretando no afastamento do grupo, em discussões e brigas. O relato anterior deixa evidente o descontentamento com o grupo, com a forma como ele está organizado, com os conflitos que superam os laços de companheirismo ou, como a cooperada relatou, a convivência existente é como se estivessem em família, pois passam a maior parte do tempo juntas.
Percebe-se que há pouco respeito entre as pessoas que compõem o grupo, o que causa crises, desconfiança e desmotivação. Muitas mulheres estão trabalhando na cooperativa porque não têm outra alternativa de sobrevivência.
Outra causa dos conflitos é a falta de liderança democrática interna e o desejo da existência de um chefe tradicional. O relato das cooperadas deixa isso evidente:
Tinha de ter uma pessoa que conversasse, falasse abertamente com cada uma, como uma chefe que tive.
Nesse momento da coleta de dados, observou-se uma situação ambivalente, mostrando a perda dos valores cooperativistas que o grupo havia aprendido no início, mas que, no entanto, não o internalizou, pois leva-se tempo para que esse processo aconteça. Em 2002, parece que ela evoluiu para um processo complicado e negativo, a ponto do grupo poder se desfazer.
As conseqüências mais visíveis são que o ambiente e as relações de trabalho, observadas em 2001, com significativa melhora em relação à situação anterior da cooperativa, em 2002 se perderam. Um primeiro momento de harmonia e aprendizado foi se desfazendo e as intrigas, crises e discussões foram se tornando mais freqüentes, até o ponto de algumas delas não saberem se a cooperativa vai continuar a existir.
É bom trabalhar na cooperativa, mas se as pessoas que trabalham dentro não ficassem com muita conversa. Estar conversando com uma e metendo o pau na outra, não é certo isso. Isso atrapalha. Não ficar falando por trás. Uma fala da outra, ai começa a briga. De manhã eu sou a líder, eu olho o serviço das que ficam a noite. Eu falo: galera tava isso e isso. Aí tudo bem. Mas, se fica outra pessoa que não sabe conversar: fulano falou isso e cria o conflito.
Os encontros dos integrantes da cooperativa nas assembléias também reforçam a existência de conflitos e idéias divergentes, pois:
nas assembléias os dois grupos de trabalho sentam cada um de um lado da sala e quem não trabalha senta no fundo.
Essa fala conclui que o conflito é permanente, confirmando a possibilidade de crises mais graves. A cena da Assembléia é clara na fala da cooperada. É possível imaginar os diferentes grupos separados, discutindo assuntos da cooperativa, desse modo é evidente a sua desunião. Um dos grupos de trabalho, que presta apoio às salas de aula da UFSCar, recebeu uma orientação de uma professora coordenadora da INCOOP para resolução de conflitos. Ao que tudo indica a orientação teve resultado positivo para o grupo:
Agora, quando acontece algum atrito entre duas pessoas, elas conversam antes para depois passar para o grupo.
Tanto a INCOOP como a Cooperlimp passam, em 2002, por uma fase complicada de conflitos e crises internas como já visto anteriormente no item referente à INCOOP. Os objetivos da INCOOP não foram totalmente atendidos, pois na entrevista com as cooperadas, observou-se a ocorrência de um desajuste com o ideal primeiro de solidariedade e cooperação e com a situação conflituosa existente. Uma das cooperadas, que era secretária da diretoria, deixou o cargo por não suportar a cobrança do grupo.
Uma pessoa quer saber e ser mais do que a outra...
A secretária deixou o cargo porque era muita responsabilidade e cobrança em cima dela...
Ao deixar o cargo de secretária, ficou claro que as cooperadas não estão devidamente preparadas para assumir responsabilidades e ter autonomia para tomar decisões em grupo. A autonomia pode ocorrer pelo exercício de construção de mais cursos sobre cooperativismo, projetos e planejamento do processo organizacional, visando consolidar sua existência e permanência. Todavia, esses cursos acontecem de forma estanque e sem
continuidade, podendo ser também uma das causas da falta de coesão social que os grupos não estão conseguindo adquirir.
Por outro lado, o tipo de influência que um coordenador ou um técnico exerce no grupo pode caracterizar a sua facilidade ou dificuldade em acelerar o processo de desincubação. A COOPERLIMP passou por essa situação em outubro de 2002, possibilitando perceber que havia grande incerteza do que poderia ocorrer daí para frente, sem a presença mais constante do técnico. Além do conflito existente, a influência é um fator importante para a existência e conquista de autonomia do grupo.
Os conflitos nos grupos incubados e analisados por esta pesquisa extrapolam a ideologia cooperativista e a organização do trabalho, girando em torno de crises pessoais e idéias divergentes que as pessoas trazem para dentro da cooperativa. Ao que tudo indica, os ideais de solidariedade e democracia não conseguiram superar vários fatores como: a história de vida das cooperadas que se socializaram com a cultura de subordinação; os problemas de violência que ocorrem no bairro onde moram e, que acabam por afetar o trabalho no dia-a-dia da cooperada; e as intrigas e maldizeres entre as pessoas.
O técnico saiu e está passando para nós tudo o que ele fazia. Uma parte das cooperadas está tentando se organizar para desempenhar o trabalho do técnico. Isso não foi falado para o grupo todo, somente na próxima assembléia.
Ao se perguntar sobre a possível reação do grupo, a cooperada respondeu:
O máximo que podem falar é que a cooperativa vai acabar...
A história por si só mostrará se o grupo sobreviverá aos conflitos, aos obstáculos e às limitações que terão pela frente. A oportunidade surgiu, depende agora das pessoas conseguirem criar os laços de solidariedade que
permeiam todo o processo de emancipação social e que são essenciais para a sobrevivência do grupo no mercado.