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ÇALIŞMANIN YÖNTEMİ:

1 BÖLÜM : KÜRESELLEŞME VE ORTAYA ÇIKARDIĞI SİYASİ SORUNLAR

1.3 Küreselleşmenin Siyasi Boyutu ve Karşılaşılan Sorunlar

1.3.8 Küresel Ekolojik Sorunlar

A COOSTURARTE é formada por um grupo de mulheres, mais precisamente do bairro Monte Carlo da cidade de São Carlos, SP, (situado também na área vermelha do mapa exposto na página 131), que começou a se reunir, a partir de 1999, com um aluno da UFSCar com a finalidade de promover discussões sobre o contexto histórico-social, a situação de exclusão e as alternativas existentes. Dessas reuniões, surgiram duas possibilidades de formar cooperativas: de costura ou de alimentação, uma vez que várias mulheres do grupo tinham feito cursos de capacitação sobre esses temas no SESI-São Carlos.

Com o passar do tempo, o grupo oscilou muito em termos de freqüência e motivação e foi se reduzindo. O grupo foi formado por mulheres, composto em sua maioria por donas de casa ou desempregadas, algumas com habilidades em costura “doméstica”, outras com experiência em costura industrial e as demais com vontade de aprender a costurar.

Com o início do processo de incubação, em outubro de 2000, começou a participar das reuniões, de forma mais efetiva, uma equipe da INCOOP, composta por uma professora responsável, um técnico, uma aluna bolsista e uma aluna voluntária da UFSCar, com o objetivo de contribuir para a formação da Cooperativa dos Trabalhadores em Confecções São Carlos, como atividades de trabalho definidas. Decisão então tomada pelo próprio grupo em função de habilidades previamente existentes e de menor probabilidade de risco (RELATÓRIO, 2002).

Como durante alguns meses houve uma grande rotatividade de pessoas no grupo, foi preciso fazer várias apresentações e esclarecimentos do trabalho a ser realizado pela Incubadora. Por diversas vezes foram esclarecidos e discutidos temas sobre cooperativismo, oportunidades de geração de trabalho e renda, exclusão social, cidadania e desemprego. Todas as discussões foram realizadas em reuniões com o grupo e, para um melhor entendimento, sempre foram utilizados exemplos de experiências de outras cooperativas, do conhecimento da equipe da INCOOP.

A consolidação do grupo aconteceu durante todo o processo de acompanhamento da equipe da INCOOP, pois, em cada reunião e atividades realizadas, eram observados os comportamentos que levavam o grupo a se constituir como cooperativa. A partir da análise desses comportamentos, foram planejadas ações/atividades, conforme a figura 4 exposta na página 119, sobre as etapas de incubação. Foram realizadas também conversas informais individualizadas para se verificar a motivação, interesses e dificuldades observadas para a formação da cooperativa.

Um ano se passou e em outubro e novembro de 2001 foram realizados dois treinamentos sobre "Trabalho em Equipe" por duas estagiárias (pessoas em fase de aprendizado ainda sem conhecimento adequado e com carga de responsabilidade muito grande) do Departamento de Psicologia da UFSCar, sob orientação de seus professores. O objetivo era melhorar o dia-a-dia do ambiente de trabalho. Através de dinâmicas de grupo, abordaram-se temas como comunicação, respeito, integração, transparência e preconceito. As cooperadas discutiram sobre a importância do grupo e sobre o progresso que

tiveram, conheceram-se com mais proximidade durante meses de convivência e, naquele momento, sentiam que a cooperativa estava se tornando uma comunidade, uma família. A maior dificuldade levantada pelo grupo, naquele momento, foi a comunicação que pôde ser trabalhada diariamente para que o grupo se mantivesse coeso.

Foi realizado um curso de Motivação para o Cooperativismo, antes da elaboração do estatuto da cooperativa, para que o grupo tivesse a possibilidade de incorporar mais facilmente os ideais cooperativistas na confecção desse documento. Esse curso também foi importante, pois foi nesse momento que as pessoas do grupo - ao receberem o certificado - se identificaram como cooperados e tiveram a oportunidade de se sentirem mais preparadas para a tarefa de formar e consolidar uma cooperativa. Devido à alta rotatividade das pessoas, o curso de cooperativismo foi realizado em dois momentos com esse grupo.

O primeiro curso aconteceu em dezembro de 2000, quando foram chamadas a participar diversas pessoas da comunidade. Um dos objetivos era dar oportunidade e trazer outras pessoas para integrar o grupo. O segundo curso ocorreu em junho de 2001 e, diferentemente do primeiro, participaram apenas as pessoas que estavam no grupo já consolidado e decidido a formar a cooperativa. Nesse curso, além de temas básicos, como os princípios do cooperativismo e da autogestão, trabalhou-se a formação de uma identidade do grupo na qualidade de integrantes de um empreendimento solidário. Através de algumas dinâmicas de grupo, as pessoas falaram um pouco sobre si mesmas e tomaram conhecimento sobre coisas que tinham em comum, além de concluírem que as diferenças que tinham eram importantes para que o grupo fosse mais forte.

Além do curso de cooperativismo, outra forma importante de capacitação foi a troca de informações e experiências com outras cooperativas que aconteceu, pessoalmente, num evento realizado em São Paulo, com mulheres de Piracicaba que possuíam, naquele momento, o intuito de formar uma Cooperativa de costura, e por telefone, com uma Cooperativa em Leme, SP, já constituída e em atividade.

A capacitação para o cooperativismo faz parte de um processo contínuo, sempre acompanhada de um monitoramento da equipe da INCOOP sobre os elementos que orientam o seu desenvolvimento, tais como: criar uma discussão sobre as relações de trabalho e relações no trabalho; analisar as formas de organização do trabalho; debater sobre exemplos de funcionamento de empresas, associações e cooperativas e suas diferenças; apresentar e debater a formação de cooperativas populares e o papel da Universidade nesse processo; analisar criticamente o histórico do cooperativismo; apresentar e discutir os princípios do cooperativismo tradicional e do cooperativismo popular; apresentar e adaptar o processo de incubação ao grupo específico; compreender a estruturação e planejamento de um empreendimento cooperativo; apresentar e debater algumas experiências na formação de cooperativas populares; discutir estratégias e metodologias para formação de cooperativas populares; realizar simulações sobre os princípios do cooperativismo; e realizar simulações de situações cotidianas das cooperativas e seus procedimentos; realizar simulações sobre a elaboração do Estatuto.

Embora as decisões fossem feitas coletivamente, a elaboração do Estatuto teve a participação de apenas algumas pessoas do grupo, que formaram uma comissão para realizar tal tarefa. Esse método tornou a discussão mais profunda, uma vez que, sendo realizada em comissão, facilitou a eliminação de dúvidas e a adequação da linguagem sobre os termos técnicos que passaram a ser melhor colocados para o grupo, através das pessoas que trabalharam na comissão do estatuto.

Para a Legalização da Cooperativa foram necessários alguns preparativos, como os seguintes: preparar documentação para a Junta Comercial; para o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ); para o Posto Fiscal do Estado; para a Prefeitura; para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

A Assembléia de Fundação da cooperativa foi realizada no dia 28 de maio de 2001, na Igreja Católica Madre Cabrini em São Carlos, SP, dando início às suas atividades legais. Durante a assembléia, foi lido, discutido e aprovado o Estatuto; foi eleita e empossada a Diretoria e o Conselho Fiscal.

A diretoria eleita foi modificada quando o processo de legalização já estava na Receita Federal, em função da Presidente estar em situação irregular (firma aberta em seu nome) – fato por ela omitido. A INCOOP havia informado sobre tal cuidado, quando algumas pessoas quiseram fazer parte da Diretoria, ou mesmo da Cooperativa, mas não tinham entrado no momento de sua fundação por estarem em situações semelhantes.

O grupo de cooperadas foi formado por mulheres com experiência em costura – as costureiras – e, por mulheres com pouco ou sem nenhuma experiência com costura – as auxiliares. A diretoria eleita, em Assembléia, com chapa única, foi composta pelo grupo de mulheres auxiliares, o que foi foco de preocupação da INCOOP por possibilitar futuros conflitos. Decidiu-se também que as costureiras receberiam uma renda superior, em 25%, à renda das auxiliares, dada a experiência anterior e a responsabilidade com o trabalho.

A diretoria tem uma série de obrigações diferenciadas e a INCOOP tem procurado capacitar as pessoas da Diretoria, através do processo de incubação, para que cumpram suas obrigações de modo a gerar transparência nas atividades da Cooperativa. Dessa forma, os membros da diretoria sentem- se seguros para exercer seu trabalho, porém as dificuldades são muitas: organizar o grupo e integrar as pessoas em um empreendimento solidário.

Uma comissão foi formada para elaborar propostas para o Regimento Interno e, depois de algumas reuniões, as cooperadas votaram, estabelecendo as seguintes regras:

a) Comunicação: decidiram-se montar um mural, em que recados, balanço do mês, contratos, pesquisas de preços e notícias seriam afixados, quando necessário;

b) Horários: estabeleceram-se horários de entrada e saída e os intervalos da manhã e da tarde;

c) Limpeza da Sala: cada costureira deveria limpar a máquina que estivesse usando. Uma lista com o nome de todas as cooperadas indicava quem limparia o local em cada dia;

d) Balanço Geral: todo final de mês a Tesoureira deveria afixar o balanço da Cooperativa no mural.

Ao mesmo tempo em que se elaborava o Estatuto da cooperativa, planejava-se a escolha da atividade econômica que englobou questões referentes à motivação e às habilidades profissionais do grupo, além do estudo sobre o funcionamento e a viabilidade da atividade definida pelo mesmo. Desde o princípio, a atividade econômica de costura era de interesse das integrantes do grupo. A maioria sabia costura caseira, algumas já haviam feito cursos técnicos e outras tinham trabalhado em algumas empresas na prestação de serviço da área.

Com a oportunidade de fazerem um curso de macramé70 e a identificação de algumas pessoas com esse trabalho, surgiu a possibilidade de incorporarem o artesanato na atividade da costura. Até então, a cooperativa produzia somente costura e, após várias discussões sobre diferenças entre artesanato, confecção própria e prestação de serviço, o grupo decidiu trabalhar com todas as opções. Em um primeiro momento, a prestação de serviço para outras empresas serviria para obter conhecimentos, experiência e para se tornarem conhecidas no mercado. Com a possibilidade e recursos para montarem sua própria confecção, incorporariam o artesanato para a diferenciação do seu produto.

Em relação à infra-estrutura do maquinário existente, primeiro fez-se um levantamento, entre as próprias cooperadas, de que máquinas possuíam e quais seriam necessárias para começar o serviço. O local para serem instaladas também foi motivo de grande preocupação, pois seria necessário um local de tamanho suficiente para caberem todas as máquinas e com instalações elétricas apropriadas.

Para implantar a Cooperativa eram necessários equipamentos, espaço físico, com infra-estrutura etc. Em junho de 2001, surgiu a oportunidade de ocuparem uma sala do Salesianos São Carlos (Educandário), onde eram realizados cursos de costura. O local que o pároco (padre) colocou à

70

Uma forma de artesanato, em que se amarram as linhas até que se forme um desenho. A técnica é bastante antiga e tem sido passada oralmente de pessoa para pessoa.

disposição da Cooperativa estava preparado para iniciar a atividade econômica, contendo máquinas, alguns aviamentos, linhas e demais infra- estrutura para atender às necessidades.

Em princípio não foi necessário pagar aluguel nem as despesas com eletricidade. Em contrapartida as cooperadas costuravam algumas peças para serem vendidas no bazar realizado no Educandário e outras de necessidade dos funcionários e pessoas do local. Com essa parceria, a cooperativa teve a possibilidade de iniciar suas atividades.

Para a capacitação técnica, foram desenvolvidos cursos, oficinas e treinamentos para que a cooperativa passasse a ter maior qualidade no desenvolvimento de suas atividades. Foram realizados cursos de artesanato, oferecidos gratuitamente por uma pessoa especialista no assunto, e em relação à costura, o grupo recebeu algumas orientações de pessoas que já tinham trabalhado em empresas na prestação de serviço.

A capacitação para a autogestão também tem permeado todo o processo de incubação, sendo mais evidenciada a partir do momento em que o grupo começou a desenvolver a sua atividade. Após a legalização, iniciaram-se reuniões periódicas com a Diretoria e com o Conselho Fiscal da Cooperativa.

Antes de assumirem a prestação do primeiro serviço, as cooperadas freqüentaram o Educandário – o local de trabalho - durante cerca de um mês, para a realização de treinamentos. Confeccionaram, por exemplo, jalecos para os funcionários, cortinas para as janelas e camisetas para as crianças do local.

Para facilitar a administração da Cooperativa e o desenvolvimento da atividade econômica, foram formadas Comissões com as seguintes atribuições:

• MATERIAL: pesquisar fornecedores; fazer pesquisa de preço; efetuar compras; receber material; estocar os produtos; controlar entrada e saída dos produtos;

• BUSCA DE TRABALHO: pesquisar possíveis clientes; formular estratégias de venda; negociar com o cliente; efetivar contratos; divulgar serviços oferecidos e produtos da Cooperativa;

• COMPOSIÇÃO DE PREÇO: fazer pesquisa de mercado; montar preços (calcular impostos, mão-de-obra, etc);

Para cada comissão foram selecionadas algumas cooperadas, que são responsáveis pelas atividades listadas anteriormente. Também foi selecionada uma pessoa como responsável pela organização do trabalho, que consistia em organizar as peças a serem costuradas entre as máquinas e costureiras. Outra pessoa se encarregava de verificar todas as peças prontas, como função de controle de qualidade do trabalho.

4. 3. 2 No meio do caminho....

Com o objetivo de conhecer o grupo e melhor planejar as próximas atividades de formação e capacitação para o trabalho, a INCOOP fez um levantamento de dados através de entrevistas com 17 das 28 sócio-fundadoras da cooperativa. Por meio de um roteiro semi-estruturado, com perguntas fechadas e abertas, buscou-se não só caracterizar o grupo a partir de seus dados pessoais, familiares, sociais e econômicos, como também conhecer suas experiências anteriores em movimentos sociais e suas representações sobre Cooperativismo.

O grupo foi formado por mulheres entre 30 e 60 anos, casadas, sendo que a maioria chegou a completar o Ensino Fundamental e vive na cidade há mais de 20 anos, em casa própria, que conta com saneamento básico e energia elétrica. Uma boa parte delas tem história de vida semelhante, antes de trabalhar e morar na cidade, viviam no campo e trabalhavam na agricultura.

Para as cooperadas, o empreendimento solidário significava a possibilidade de obterem uma renda por um trabalho que traz ainda a possibilidade de independência, autonomia e realização pessoal. Nesse sentido, o bem-estar está relacionado aos benefícios que o trabalho cooperado pode trazer, como: realizar atividade profissional ao invés de ficar em casa, estar bem consigo mesma e com as outras no trabalho e o contato com outras pessoas através do trabalho coletivo.

As experiências anteriores com participação em grupos vêm, em sua maioria, através de contatos do bairro, familiares e trabalhos com a Igreja. Das

17 cooperadas entrevistadas, 9 não haviam feito o curso de cooperativismo, 6 haviam feito, 2 não responderam a questão, demonstrando baixo nível de envolvimento com a ideologia do cooperativismo, a qual é necessária para o desenvolvimento eficiente do empreendimento e para a criação de uma coesão e cultura organizacional solidária.

Ao se perguntar o que é uma cooperativa para as mulheres, as repostas foram as seguintes:

Um grupo de pessoas para realizar um trabalho. Formado por pessoas que precisam trabalhar. União de pessoas onde todos trabalham. Cooperar uns com os outros.

Não tem diferença, não tem patrão e nem empregado. Todos por um ideal; interesse comum.

Quanto à expectativa do grupo em relação ao trabalho da cooperativa, as seguintes respostas foram:

Capacidade de ir à diante.

Realizar um trabalho e que ele seja reconhecido. Realizar o sonho da cooperativa acontecer. O melhor possível.

Acreditar e ir em frente. Dar certo.

Ganhar dinheiro, rendimento.

Emprego para sobreviver; ter dignidade, bem-estar; ajudar cada um e poder abrir as portas para outras pessoas que estejam na mesma situação.

Futuro.

Poder concorrer com outras fábricas.

No momento nada, pois primeiro vem o trabalho e depois ver o resultado.

Em relação à expectativa do próprio trabalho, as cooperadas responderam assim:

Espero poder ajudar outras pessoas do grupo. Pessoalmente que tudo dê certo.

Ganhar dinheiro, rendimento. Sentir-se bem.

Vai dar certo.

Conseguir coisas melhores para si e para o grupo. Aprender, aperfeiçoar-se.

Cada dia vai ser melhor; produzir mais. Dar tudo de si.

Progredir.

Como expõem os relatos, a expectativa do grupo, em relação ao empreendimento obter sucesso e se estabelecer no mercado, era alta.

Com o local e as máquinas para trabalhar garantidos, através da parceria com os Salesianos de São Carlos, buscou-se estruturar a organização da Cooperativa e simular várias formas de se fazer isso, pois além de costurar, seriam necessários vários outros serviços. Assim, optou-se por dividi-las, a partir da história e motivação de cada cooperada, em sub-grupos por serviços complementares à costura, como: compra de materiais, formação de preços, busca de trabalho, entre outros. Com base nesses sub-grupos, a INCOOP elaborou atividades de modo a capacitar as cooperadas para essas necessidades. Assim, elas foram estimuladas a planejar e escrever suas atividades a fim de facilitar a transparência e avaliação das informações, no caso do surgimento imediato de dúvidas sobre o real cumprimento das tarefas por cada cooperada.

Além dos subgrupos, existe o grupo que optou por desenvolver também a atividade manual de bordados, crochês e macramés. Assim, foi criado o grupo chamado Artesanato, que teria a função de incrementar as confecções próprias com um estilo de bordado e artesanato, atribuindo um diferencial ao

produto em relação ao que se tem hoje no mercado. Esse grupo de cooperadas interessadas fez dois cursos, o que desencadeou uma série de atividades em relação ao trabalho específico do artesanato. Criou-se, contudo, um ambiente instável de trabalho com relação ao espaço que o artesanato deveria ocupar na cooperativa, uma vez que as cooperadas que exerciam apenas a função de costura não valorizavam o trabalho do artesanato.

Sendo assim, a produção do chamado Artesanato ficou restrita a toalhas e panos de prato, devido à cooperativa não ter uma linha de confecção própria. Com uma parceria com a Toalhas São Carlos, que doou 60 quilos de material, foi possível treinar, produzir, comercializar, avaliar, aperfeiçoar a qualidade e gerar um faturamento que foi investido na compra de tecidos para a confecção própria.

Na organização da produção, procurou-se de imediato resgatar a história profissional de cada uma das cooperadas para se estabelecer o perfil profissional de cada cooperada. Verificou-se que a maior parte das mulheres não trabalhava com máquinas industriais, o que provocou a elaboração de um curso para essa capacitação. Verificou-se também que poucas tinham experiência em empresas de produção e a maioria costurava em casa. Características essas que dificultaram a formação do processo produtivo no empreendimento coletivo.

O treinamento foi organizado em duas turmas: uma para iniciantes, que nunca tomaram contato com máquinas de costura; e outra para experientes, mas que não costuravam em máquinas industriais ou há muito tempo não praticavam a atividade. Para a turma iniciante, as próprias cooperadas mais experientes iniciaram esse treinamento, que depois foi complementado por uma professora do SESI, com duração de 45 dias. A outra turma teve seu curso dividido em duas etapas: uma de familiarização com as máquinas que já haviam trabalhado e aprendizagem com outros tipos de máquinas; e a etapa de produção e controle de tempo.

Após a realização desses treinamentos, formou-se uma equipe baseada nos desempenhos que tiveram nas máquinas, formando assim o embrião da linha de produção, cuja pretensão era incorporar outras cooperadas.

Além do desempenho nas máquinas, outras funções foram preenchidas: duas mulheres eram responsáveis pela finalização da costura, as auxiliares de costura e a coordenadora da linha de produção - pessoa responsável em organizar a linha, orientando a dinâmica e a capacidade de produção e a responsável pelo controle de qualidade - analisavam os serviços setoriais e o final do processo.

Esse controle envolve desde teste do tecido, se encolhe, se pega “bolinha”, se rasga fácil, até a velocidade que cada uma deve ter para não errar, pois cada erro faz com que a linha seja interrompida para refazer a costura, o que causa prejuízo para a qualidade do material a ser descosturado e em seguida recosturado.

O trabalho de análise da qualidade está ligado, no caso da facção (produção industrial de corte e costura), à preparação de verificação do corte, à peça piloto, entre outras e também, no caso de confecção própria, à análise do tecido a ser comprado, no corte etc.

O controle de qualidade da linha de produção fica submetido a esse grupo que não se restringe à linha de produção da costura, mas abrange