Em 9 de maio de 1989, foi feita a apresentação do anteprojeto do templo ao Gabinete de Liturgia da Sede Geral do Japão. Tendo sido o projeto aprovado com elogios, houve destaque da torre como o elemento mais marcante e de profundo significado, o que resultou posteriormente em seu próprio aperfeiçoamento.
O responsável pelo Gabinete de Liturgia, Rev. Hideo Sakakibara, se expressou sobre a torre dizendo que era o elemento mais marcante e que significava o “himorogui”, o Altar
temporário para assento do Espírito Divino nos templos xintoístas (Sugiyama 2005). Devia, portanto, ser erigida exatamente sobre a Imagem da Luz Divina representando um elo entre o Céu e a Terra. A seguir, o presidente mundial, Rev. Yassushi Matsumoto, completou que a torre representa a vida e no Japão tal elemento é chamado de “Amatsu Kanagui”, peça mística do interior do santuário xintoísta de Ise considerada pelo Kojiki (Histórias lendárias do Velho Japão) como sua verdadeira coluna material e espiritual (Mizutani 1999). Na ocasião, das palavras do arquiteto Sawaya extraímos esses trechos:
A torre não é difícil de fazer, o processo de construção é comum e ela pode funcionar como uma geodésica de várias faces. Quanto à forma podemos seguir a idéia dos oito lados utilizando a cruz de malta, que é um símbolo fortíssimo desde a descoberta do Brasil, pois era usado pelos conquistadores que foram ao Oriente, lá conheceram a sabedoria oriental e a trouxeram para a Europa fazendo uma grande revolução. Esse eixo vertical é chamado tradicionalmente de eixo do mundo e em todas as culturas representa a ligação do inferno com o céu. A primeira orientação era para seguir o solstício de inverno, mas note-se que o norte do Brasil corresponde ao sul do Japão e, no dia 23 de dezembro, solstício de verão, o Sol incide em linha reta e entra pela torre. E a mudança de direção para o norte não afetou a posição da torre, que é o elemento mais permanente. Isso foi muito mais do coração do que da cabeça e me mostrou como o nosso sentimento é mais inteligente do que a razão. A altura é de 70 m o que dá cota 835; na Av. Paulista é 810 24.
Já o altar foi outro aprendizado para mim, pois em Guarapiranga sempre imaginara um altar aberto para o exterior. Aos poucos soube que ninguém entra nele por ser um local sagrado e assim fui compreendendo ser melhor não mostrá-lo e sentir que essa presença, mesmo invisível, é mais importante que qualquer outra coisa. O teto da nave tem de 10 a 12 m de altura, é transparente, iluminado e sempre claro, diferente dos templos antigos. Acho que de forma geral este projeto marcará mais pelo fato de ser plano e grande e de não valorizar o espaço interno, dando a idéia de ser uma reunião de pessoas e não um templo. É como se não tivesse teto, uma taça para receber energia. Esse templo é o que a Igreja Messiânica vai oferecer para toda a humanidade e tem muito sentido de algo novo, para o novo milênio que se aproxima. Acho que temos que ser esse instrumento para que essas coisas possam acontecer. Vejo inclusive que há uma relação, pois saindo-se do terreno em linha reta vai-se dar no centro da cidade, na praça da Sé onde está a Catedral da Sé. Por isso, acho que se cria uma relação entre esses dois templos. Independente de ser católico ou não, é uma questão geográfica mesmo.
Ouvindo a exposição, o presidente mundial Matsumoto disse que achou interessante a ideia de um local para reunião de seres humanos recebendo a luz do céu e que é muito significativo haver uma montanha atrás da nave bem como afirmou que sentiu muita espiritualidade no projeto. Com essas considerações o projeto foi definitivamente aprovado e a torre do Templo, com a altura corrigida para 71 metros acima do piso do altar, colocou seu topo a 25 metros acima do piso da Avenida Paulista, o logradouro mais alto da capital paulista em relação ao nível do mar.
24 Ver cotas corretas no Cap. V, p.120.
Foto da maquete
No retorno ao Brasil, foi feito o relato das modificações à comissão de construção. Masahito Ono, representando a Subcomissão de Construção, relatou que a localização original do Altar da Imagem de Deus foi modificada para que também em Guarapiranga ele fique situado numa edificação à parte, seguindo o exemplo do Templo Messiânico do Solo Sagrado de Zuiunkyo, em Atami. O arquiteto Sawaya comunicou as outras definições e informou que toda a terra removida pela terraplenagem (200.000 metros cúbicos ou 40.000 caminhões) formará uma montanha atrás do altar, dando a impressão de que o templo estará encravado na montanha e não no topo do terreno. E para o aproveitamento da camada de terra vegetal, fértil e rica em microrganismos, informou que esta será toda retirada antes do início das obras, para atender aos trabalhos de paisagismo. Walter Grazzi informou, por sua vez que, com as definições surgidas nas reuniões de Atami, entrava-se agora na fase de elaboração dos projetos técnicos das instalações elétrica e hidráulica, iluminação, acústica, climatização e paisagismo. Ainda em maio foi instalada no mezanino do Edifício Mokiti Okada a sede da Comissão de Construção e o Escritório de Gerenciamento e Secretaria de Planejamento de Projetos e Obras sob a direção do engenheiro Olyntho Muniz Dantas.
Em sua edição de junho, o Jornal Messiânico convidava os messiânicos de todo o país a participarem da construção, com palavras que o futuro mostraria terem sido proféticas:
Guarapiranga é ainda uma das maiores áreas de Mata Atlântica do Estado de São Paulo e nem mesmo um empreendimento como o Protótipo do Paraíso Terrestre – Brasil justificaria a dilapidação de tão importante patrimônio ambiental. Consciente disso nossa Igreja irá criar numa área de 50.000 m² um verdadeiro santuário ecológico. Membros e não-membros serão chamados a colaborar para que nele estejam representadas a flora de todos os Estados. No futuro as instalações do Protótipo serão utilizadas por pessoas e associações interessadas na proteção do meio-ambiente e dos ecossistemas e a
administração do santuário poderá ser feita por órgãos ou entidades governamentais através de convênio.