• Sonuç bulunamadı

ccFiLMLERiN KESiLMESi•, OLA YI

Belgede ISBN y (sayfa 25-30)

A Educação Técnica, Tecnológica e Profissional no Brasil não é um tema recente. A primeira iniciativa no Brasil surge em 1909, com a criação das Escolas de Aprendizes e Artífices, pelo então presidente em exercício Nilo Peçanha; em 1937, surgem os Liceus Profissionais; em 1942, as Escolas Industriais e Técnicas; em 1959, as Escolas Técnicas; em 1978, os Cefets; em 2008, são criados os IFETs, que surgem com a missão de integrar novamente o ensino médio com o ensino profissionalizante.

O Governo Federal através do Decreto 2208, de 17 de abril de 1997 possibilitou a desvinculação do ensino médio ao ensino técnico, o que significou “não somente proibir a pretendida formação integrada, mas regulamentar as formas fragmentadas e aligeiras de educação profissional em função das alegadas necessidades do mercado” (FRIGOTTO; CIAVATTA; RAMOS, 2010, p. 25). Surgiu naquela ocasião uma ampla resistência dos setores educacionais que criticaram a desvinculação. De acordo com o Art. 1º do Decreto, a educação profissional tem por objetivos:

I - promover a transição entre a escola e o mundo do trabalho, capacitando jovens e adultos com conhecimentos e habilidades gerais e específicas para o exercício de atividades produtivas;

II - proporcionar a formação de profissionais, aptos a exercerem atividades específicas no trabalho, com escolaridade correspondente aos níveis médio, superior e de pós-graduação;

III - especializar, aperfeiçoar a atualizar o trabalhador em seus conhecimentos tecnológicos;

IV - qualificar, reprofissionalizar e atualizar jovens e adultos trabalhadores, com qualquer nível de escolaridade, visando a sua inserção e melhor desempenho no exercício do trabalho.

As críticas apresentadas à desvinculação do ensino médio ao ensino técnico foram no sentido de combater a visão de uma educação fragmentada. Os setores educacionais tinham por referência uma escola unitária e de educação politécnica. Para Pino (2002, p. 79), “ao separar de forma definitiva o ensino técnico do ensino médio, o que o governo faz é

impulsionar o caráter capitalista da escola, de reprodução da divisão social do trabalho”. O Art. 2º do Decreto 2208/97 prevê que “a educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou em modalidades que contemplem estratégias de educação continuada, podendo ser realizada em escolas do ensino regular, em instituições especializadas ou nos ambientes de trabalho”.

Nesse contexto, que permite a educação profissional em escolas do ensino regular, instituições especializadas ou no ambiente de trabalho, surge com mais destaque o papel do chamado Sistema S de ensino. Conforme prevê o Art. 149 da Constituição Federal do Brasil “compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas.” As receitas arrecadadas através das contribuições sociais são repassadas a entidades vinculadas ao Sistema S, constituído em sua maioria de direito privado, e as quais deverão aplicar os recursos em atividades que visem o aperfeiçoamento profissional e a melhoria do bem-estar social dos trabalhadores.

Dentre as principais entidades que compõe o Sistema S, temos: Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e Serviço Social do Comércio (SESC). Várias são as críticas atualmente direcionadas ao Sistema S, dentre elas temos a destinação dos recursos públicos à iniciativa privada, e o fato de não haver transparência de como esses recursos são aplicados na formação do trabalhador. Segundo Cláudio Haddad, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mercado e Capitais (Ibmec São Paulo), tais recursos são compulsórios, e o mínimo que se deveria esperar é uma total transparência e prestação de contas, mas, infelizmente, isso não é feito.12

Em 2004, o Governo Federal repõe o debate sobre o retorno do ensino médio integrado, através do Decreto 5154/204, que tramitou por 18 meses no Congresso Nacional. Além do Decreto, outras iniciativas foram apresentadas no sentido de estabelecer novamente a articulação do ensino médio e do ensino técnico, dentre elas temos: o Brasil Profissionalizado; a Reforma do Sistema S; e a Expansão da Rede Técnica Federal, com a criação até 2014 de mais 208 unidades. Conforme o Censo da Educação Superior (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA, 2010), temos no Brasil 1.140.388 matriculados na educação profissional e ensino médio integrado. Em relação ao ano

12 Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u402662.shtml>. Acesso em: 21 ago. 2012.

de 2007, em que esse número era de 780.167, houve um crescimento de 68,4% no número de matrículas.

Além disso, foi lançado o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que, conforme artigo 1º do PL nº 1.209/2011, tem por objetivo:

Ampliar a oferta de educação profissional e tecnológica, por meio de programas, projetos e ações de assistência técnica e financeira. Além disso, o Pronatec atenderá prioritariamente: I – estudantes do ensino médio da rede pública, inclusive da educação de jovens e adultos; II – trabalhadores; III – beneficiários dos programas federais de transferência de renda; IV – estudante que tenha cursado o ensino médio completo em escola da rede pública ou em instituições privadas na condição de bolsista integral, nos termos do regulamento. (BRASIL, 2011)

O Pronatec é apresentado como mecanismo para atender à demanda crescente de aperfeiçoamento da mão-de-obra e ao aumento dos postos de trabalho gerados no último período, e proporcionar, aos jovens que necessitam ingressar no mercado de trabalho, uma formação profissional. Se considerarmos que, grande parte dos jovens não consegue chegar à Educação Superior, torna-se relevante a adoção de políticas públicas que assegurem àqueles que consigam concluir pelo menos o ensino médio, a obtenção de melhor preparo para o ingresso no mercado de trabalho, desde que, combinado com a promoção e geração de postos de trabalho, pois de nada adianta termos um contingente de jovens qualificados, mas desempregados.

O trabalho possui um papel importante na transição da juventude para o mundo adulto. O ingresso no mercado de trabalho, segundo Corrochano (2011), constitui um dos elementos mobilizados para marcar a saída do mundo juvenil e o ingresso no mundo adulto, ao lado do término da escolarização, a saída da casa de origem e a chegada da primeira criança (p. 45). No entanto, essa transição nem sempre acontece de forma sequencial, pois muitos desses jovens iniciam sua trajetória ocupacional antes mesmo de atingirem a idade prevista para inserção no mercado de trabalho, que no Brasil é a faixa inicial de 16 anos.

Um dos gargalos na trajetória educacional dos jovens se encontra ainda no ensino médio, seguido da educação básica. Mesmo com ações que assegurem a universalização do acesso, muitos jovens não passam deste nível educacional, ou, em muitos casos, desistem de continuar os estudos, em função de não se sentirem atraídos pelo ensino oferecido atualmente pelas escolas.

O pertencimento a famílias de renda mais baixa é sem dúvida um aspecto extremamente relevante, mas é preciso considerar a relação estabelecida com a escola, tendo em vista não apenas que a dedicação ao trabalho pode prejudicar a frequência escolar, mas também que o sistema de ensino pode mostrar-se incapaz de atrair o interesse do aluno. (CORROCHANO, 2011, p. 49)

Neste sentido, torna-se necessário um investimento maior em todos os níveis educacionais, assegurando aos jovens melhores condições de ultrapassar as barreiras escolares desde o ensino fundamental até a Educação Superior. Para tanto, o foco deve ser, sobretudo, os jovens de baixa renda, que possuem as maiores dificuldades de concluir os ciclos educacionais.

O ensino médio, concebido como educação básica e articulado ao mundo do trabalho, da cultura e da ciência, constitui-se em direito social e subjetivo e, portanto, vinculado a todas as esferas e dimensões da vida. Trata-se de uma base para o entendimento crítico de como funciona e se constitui a sociedade humana em suas relações sociais e como funciona o mundo da natureza, da qual fazemos parte. (FRIGOTTO, 2010, p. 76)

A realidade para milhares de jovens de baixa renda no Brasil é o ingresso precoce no mercado de trabalho e em atividades econômicas que gerem renda para si e para sua família. Para Frigotto (2010, p. 77), torna-se pertinente que se faculte aos jovens a realização de um ensino médio que, ao mesmo tempo em que preserva sua qualidade de educação básica como direito social e subjetivo, possa situá-los mais especificamente em uma área técnica ou tecnológica.

O investimento no ensino técnico profissionalizante deve estar associado às políticas públicas, que assegurem a oportunidade de acesso ao jovem que deseja continuar seus estudos na Educação Superior, através da ampliação de vagas nas universidades públicas e programas como o ProUni. Tal investimento torna-se importante, principalmente, tendo por referência a faixa etária de 15 a 29 anos, que atualmente representa 1/4 da população brasileira, e que concentra milhões de jovens que necessitam de uma nova perspectiva de futuro com inclusão social e melhoria das suas condições de vida.

Belgede ISBN y (sayfa 25-30)