4.2. ARSA SAHİBİ VE MÜTEAHHİDİN TALEP EDEBİLECEKLERİ
4.2.3. Sözleşmeden Dönmenin Üçüncü Kişilere Yapılmış Devirlere Etkisi
Apesar de usualmente se distinguirem estrangeirismo e empréstimo com base no critério ‘integração do vocábulo de origem estrangeira ao sistema lingüístico que o adota’, a literatura especializada em Lexicografia designa Lexicografia de Estrangeirismos o estudo e a descrição destes itens lexicais em obras lexicográficas, terminologia por isso adotada neste trabalho.
Werner também define Lexicografia como ‘descrição léxica pautada no estudo e na descrição de monemas e sinmonemas’, denominando teoria da lexicografia a sua metodologia:
Para todo domínio da descrição léxica que se concentre no estudo e descrição dos monemas e sinmonemas individuais dos discursos individuais, dos discursos coletivos, dos sistemas lingüísticos individuais e dos sistemas lingüísticos coletivos, reservamos o termo ‘lexicografia’. [...] Para designar a metodologia científica da lexicografia, escolhemos o termo ‘teoria da lexicografia’.80 (WERNER., 1982, p.
93, tradução nossa).
Ao resultado do trabalho lexicográfico, Haensch atribui a designação hiperonímica de obras lexicográficas e instrumentos lexicográficos:
Não existe, que saibamos, nem em espanhol nem em outras línguas indo-européias, nenhum termo genérico que abarque todo tipo de dicionários, vocabulários e glossários. Na falta de uma denominação genérica comumente aceita, usaremos os
80 Para todo dominio de la descripción léxica que se concentre en el estudio y la descripción de los monemas y
sinmonemas individuales de los discursos individuales, de los discursos colectivos, de los sistemas lingüísticos individuales y de los sistemas lingüísticos colectivos, reservamos el término ‘lexicografía’. [...] Para designar la metodología científica de la lexicografía, hemos escogido el término ‘teoría de la lexicografía’.
termos ‘obras lexicográficas’ e ‘instrumentos lexicográficos’. 81 (HAENSCH,
1982, p. 103, tradução nossa).
Segundo Werner (1982, p. 87), a onomasiologia e a semasiologia constituem enfoques distintos na descrição do léxico, consoante se enfatizem, respectivamente, as necessidades comunicativas do emissor, relacionadas à expressão por meio de significantes lingüísticos, e para o qual, portanto, é preciso apontar que significantes se usam para expressar determinados conteúdos, ou do receptor, que deverá decodificar o signo, identificando o(s) conteúdo(s) relacionado(s) ao seu significante.
Haensch (1982, p. 99) afirma partir o procedimento semasiológico do significante léxico para indicar conteúdos realizados ou virtuais (lexicografia semasiológica), do qual resultam dicionários semasiológicos, a cuja categoria pertencem, dentre outros, dicionários de estrangeirismos:
À categoria dos dicionários semasiológicos pertencem, geralmente, os dicionários de neologismos e dicionários de estrangeirismos, nos quais a seleção de entradas é determinada por um critério sincrônico. Nestes dois tipos de dicionários se explica, quase sempre, o conteúdo dos significantes léxicos ainda que se dê também, como na maioria dos dicionários semasiológicos, uma série de indicações suplementares: pronúncia, grafia, construção e regência, etc.82 (HAENSCH, 1982, p. 99-100,
tradução nossa, destaques do autor).
Ainda conforme Haensch (1982, p. 102), razões histórico-culturais subjazem o hábito de dicionários semasiológicos trazerem indicações etimológicas.
O caráter normativo de uma obra lexicográfica pode levar seu(s) elaborador(es) a adotar uma postura conservadora com relação aos estrangeirismos, fato ilustrado por Haensch com o Diccionario de la Real Academia:
Quanto à admissão de regionalismos, a Academia foi muito liberal (às vezes demasiadamente, admitindo vocábulos de uso restrito, local ou regional). Por outro lado, sua atitude foi muito mais prudente e reservada face aos estrangeirismos, neologismos, tecnicismos, vulgarismos e palavras consideradas tabu. Por isso, o Diccionario de la Real Academia foi objeto de muitas críticas.83 (HAENSCH,
1982, p. 115, tradução nossa).
81 No existe, que sepamos, ni en español ni en otras lenguas indoeuropeas, ningún término genérico que abarque
toda clase de diccionarios, vocabularios y glosarios. A falta de una denominación genérica comúnmente aceptada, usaremos los términos ‘obras lexicográficas’ e instrumentos lexicográficos’.
82 A la categoría de los diccionarios semasiológicos pertenencen, por lo general, los diccionarios de
neologismos y diccionarios de voces extranjeras, en los que la selección de entradas está determinada por un criterio sincrônico. En estos dos tipos de diccionarios se explica, casi siempre, el contenido de los significantes léxicos; aunque se da también, como en la mayoría de los diccionarios semasiológicos, una serie de indicaciones suplementarias: pronunciación, grafía, construcción y régimen, etc.
83 En cuanto a la admisión de voces regionales, la Academia ha sido muy liberal (a veces demasiado, admitiendo
voces de uso local o regional restringido). En cambio, frente a los extranjerismos, neologismos, tecnicismos, vulgarismos y voces tabuizadas, su actitud ha sido más bien prudente y reservada. Por esto, el Diccionario de la Real Academia ha sido objeto de muchas críticas.
Haensch (1982, p. 116) credita justamente ao seu caráter normativo a hesitação, que afirma ser exagerada, do referido dicionário espanhol em admitir novos vocábulos, além de não pretenderem seus autores que seja um dicionário descritivo exaustivo.
Com efeito, dicionários de estrangeirismos muitas vezes são elaborados com o intuito justamente de evitá-los, fornecendo alternativas para o seu emprego. A Espanha, que desde o século XVIII luta contra o uso de galicismos, vê surgir, no século seguinte, dicionários destes vocábulos (HAENSCH, 1982, p. 119).
Müller (1979, p. 218), entretanto, afirma não mais se opor o dicionário de estrangeirismos ao dicionário alemão, por ter deixado de ser considerado um “gueto” para vocábulos indesejados e de há muito os dicionários gerais não se restringirem àqueles vernáculos.
A Lexicografia do século XX se atualiza com a aplicação de conceitos estruturalistas: o de campos léxicos, por exemplo, propiciaria a criação de dicionários conceituais; o de prioridade para descrição sincrônica de línguas em sua fase contemporânea permitiria uma abordagem desvinculada da historicista realizada até então; além da atenuação do purismo que caracterizava a Lexicografia tradicional, ante a nova aceitação das variedades lingüísticas e sua desvinculação do conceito de erro (HAENSCH, 1982, p. 124-125).
Entretanto, Haensch (1982, p. 138, 151) afirma que dicionários, terminologias e outros tentam impor um vocabulário, não se limitando apenas a registrar o que se usa ou se usou. Dirigem-se, portanto, a um grupo de destinatários para impor ou recomendar o uso de certos vocábulos. Muitos dicionários e obras sobre estrangeirismos têm clara finalidade purista e seus autores emitem “parecer” sobre o tratamento que o vocábulo ou expressão deve receber.
Strehler (2001, p. 171, 173) afirma que, constituindo os produtos lexicográficos essencialmente descrições da língua, necessariamente lidam com a variação lingüística, sendo o emprego de marcas de uso a ferramenta mais utilizada para identificá-la. Define estas como “observações” concernentes ao uso da palavra.
Haensch (1982, p.140-153) caracteriza e classifica obras lexicográficas que registram subconjuntos léxicos com diferentes marcações diassistêmicas, a saber: marcação diatópica (regional); diastrática (social); diatécnica (de língua de especialidade); diafásica (estilística); diaintegrativa (de integração lexical) e dianormativa (de correção lingüística).
Utilizam-se as marcações diaintegrativa e dianormativa na identificação, respectivamente, de estrangeirismos e de formas que fogem ao uso padrão em termos gráficos, fonéticos, gramaticais ou semânticos (HAENSCH, 1982, p.151-152).
Strehler (2001, p. 177) diz serem as marcas de uso indispensáveis para os lexicógrafos, embora não seja tarefa fácil atribuí-las nos verbetes, e ser proporcional ao refinamento do trabalho o número de marcas de uso empregadas.
Apesar disso, os dicionários geralmente não explicam o sentido com que as empregam, limitando-se a oferecer listas das abreviaturas relacionadas às mesmas, além de empregarem diferentes marcas de uso, levando a inevitáveis divergências na apreciação do vocabulário (STREHLER, 2001, p. 177).
Para Haensch (1982, p. 138), critérios de marcação de vocábulos quanto à variedade lingüística a que pertencem não são estanques, sobrepondo-se por vezes, como as marcações diastráticas e diafásicas, havendo, ainda, intercâmbio de vocábulos da língua comum para as de especialidade e vice-versa.
Afirma, ainda, que os jargões, línguas de grupos ou socioletos, são determinados pela coletividade humana e os tecnoletos, pela área temática a que se relacionam (HAENSCH,1982, p. 138), a que podemos acrescer os estrangeirismos, cuja adoção depende do contato estabelecido entre as comunidades de línguas distintas.
A dicionarização de estrangeirismos depende do tipo de codificação, exaustiva ou seletiva, que caracterizam, em geral, produtos lexicográficos com escolha diferenciada do léxico registrado, a saber, dicionários gerais e vocabulários, respectivamente (HAENSCH, 1982, p. 139).
Vocábulos com marcação diaintegrativa são recolhidos em vocabulários, obras lexicográficas que registram subconjuntos léxicos com determinada marcação, apesar de poderem ser objeto de um dicionário etimológico (HAENSCH, 1982, p. 139-140, 162).
Müller (1979, p. 218, 219, 220) diz ser o dicionário de estrangeirismos um dicionário de uso, um instrumento que auxilia no seu domínio conceitual e lingüístico, dado que podem suscitar dúvidas na pronúncia, ortografia, conteúdo e uso gramatical (gênero e formação do plural, por exemplo). A função deste tipo de dicionário, para o consulente, equivale à do dicionário técnico para o técnico, isto é, deve atender às necessidades do utente.
O dicionário de estrangeirismos poderia e deveria mesmo ser desenvolvido para além da actualmente usual configuração (na maior parte dos casos muito curta) informadora num dicionário especial mais amplo, que representasse os modos de uso gramaticais e fraseológicos – desde as ligações proposicionais precisas até aos usos idiomáticos – assim como o uso estilístico, e em que fosse indicados,
sobretudo, os significados exactos das palavras e seus antônimos segundo os pontos de vista semântico-distribucionais, e não apenas no aspecto formal. (MÜLLER, 1979, p. 221).
A receptividade, a integração e a dicionarização de estrangeirismos ainda estão em pauta nas discussões entre lexicólogos e lexicógrafos, embora sejam indubitáveis a usual presença de itens léxicos estrangeiros em qualquer sistema lingüístico e a necessidade de se sistematizarem informações estruturais, semânticas e pragmáticas acerca dos mesmos.